Na sua vida, até hoje, existiram diversos momentos decisivos e importantes, que são comemorados por você, por sua família e amigos todos os anos: o dia em que você nasceu, o dia em que se casou... São comemorações válidas, sem dúvida. E se essas coisas temporárias, que um dia perderão a importância e o significado, pois pertencem a este mundo passageiro, merecem ser celebradas, imagine então o dia do seu Batismo, dia em que você nasceu para a vida eterna, a vida na Graça Divina, que dura para sempre? O dia em que você foi integrado ao Corpo de Cristo?
Responda rápido: qual a data do seu Batismo? Você procura ir à Missa, ou pelo menos rezar de modo especial, nesse dia? Você reflete sobre o grande dom que Deus lhe ofereceu? Pois é... É importante compreender bem a importância da graça do Batismo em sua vida. Este artigo, claro, não é suficiente para esclarecer completamente toda a riqueza e o valor do maravilhoso Sacramento do Batismo. Serve mais como um convite à reflexão.
O batismo de João e o Batismo cristão
Ninguém pode compreender o Batismo sem pensar na Ressurreição de Jesus. Na madrugada daquele domingo glorioso, o Pai derramou o Espírito Santo, Espírito de Ressurreição, sobre o Filho: seu Corpo e Alma foram ressuscitados. Jesus ficou pleno do Espírito Santo, de modo que sua natureza humana tornou-se gloriosa: Jesus foi manifestado na carne (natureza humana) e justificado (e ressuscitado) pelo Espírito (1Tm 3, 16).
Jesus Cristo, glorificado pelo Espírito Santo, entrou no Cenáculo de Jerusalém e derramou o Espírito da Ressurreição sobre os Apóstolos: "A paz esteja convosco! Recebei o Espírito Santo (Jo 20, 19-22)!" Jesus recebeu do Pai o Espírito Santo prometido, batizou nEle a Igreja e derramou sobre nós este mesmo Espírito (At 2, 32)!
João Batista já havia profetizado: "Eu batizo com água, mas vem aquele que batizará com o Espírito e com Fogo" (Jo 1, 33; Lc 3, 16). O Batismo de João, na água, era preparatório para a vinda do Messias: ainda não era o Sacramento do Batismo, não era o Batismo cristão. É o Messias, isto é, o Ungido no Espírito de Ressurreição, quem batizará no Espírito. Cristo mesmo diz: "O Espírito do Senhor está sobre mim, o Senhor me ungiu" (Lc 4, 18). Os cristãos, portanto, nunca tiveram "batismo nas águas": o nosso Batismo é no Espírito Santo! Falar em "batismo nas águas" é voltar ao Antigo Testamento; é parar em João Batista e desprezar o Sacramento do Batismo trazido por Cristo!
Foi no Domingo da Páscoa que os Apóstolos tornaram-se realmente cristãos; receberam a vida nova do Ressuscitado, foram transfigurados em Cristo! Aí nasceu a Igreja: na Ressurreição! Aí ela foi batizada e recebeu o poder de batizar: "Como o Pai me enviou, assim eu vos envio (Jo 20, 21)!" Assim, a Igreja deve batizar todo aquele que crê. Isto significa acolher Jesus Ressuscitado nas águas do Batismo. A palavra "batizar" vem do grego e significa, literalmente, mergulhar, imergir. Mas não significa mergulhar na água, e sim a imersão no Espírito Santo de Deus, o Espírito prometido que ressuscitou Jesus! É isso que o Evangelho afirma: "Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus (Jo 3, 5)". Observe bem: da água, símbolo e sinal do Espírito, renascer do próprio Espírito!
O mesmo Evangelho confirma: "Jesus, de pé, diz em alta voz: 'Se alguém tem sede, venha a mim e beba!' (...) Ele falava do Espírito que deviam receber os que creram nEle..." (Jo 7, 37-39). São Paulo explicou: "De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único Corpo (1Cor 12, 13)." Os cristãos não batizam somente na água que purifica o corpo, e sim no Espírito que Jesus dá por sua Ressurreição!
Efeitos do Batismo - Primeiro, o Es-pírito dado no Batismo é para o perdão dos pecados: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome do Senhor Jesus Cristo, para a remissão dos pecados; e recebereis o Dom do Espírito Santo." (At 2, 38) Aquele que é batizado, recebendo o Espírito, recebe o perdão dos pecados. O Espírito do Ressuscitado é Fogo que queima todo pecado e Água que faz brotar uma vida nova.
O Espírito nos livra, primeiramente, do Pecado Original. Todos nós, desde a nossa concepção, somos membros de uma humanidade pecadora e desarrumada; uma humanidade que, desde o início, teima em fechar-se para Deus. O resultado é o desequilíbrio, o egoísmo, a falta de rumo.
Pelo simples fato de sermos humanos já fazemos parte deste fechamento em relação a Deus. Somos membros da humanidade, partilhamos do seu passado, que condiciona o nosso presente, o que somos, pensamos e fazemos, assim como o nosso presente condiciona o futuro dos nossos filhos. São Paulo diz: "Todos pecaram e estão privados da Glória de Deus" (Rm 3,23). O salmista canta: "Minha mãe já me concebeu pecador" (Sl 51, 5). É este o sentido do Pecado Original: ninguém nasce justo ou santo diante de Deus. Mesmo a criança, ainda sem pecado pessoal, já traz a marca do fechamento para Deus, do egoísmo, e o manifesta nas suas malcriações, no egocentrismo, nas chantagens infantis... É este estado que chamamos de Pecado Original.
É essa força do pecado que o Batismo, na potência do Espírito Santo, apaga em nós: "Não existe mais condenação alguma para os que estão em Cristo Jesus." (Rm 8, 1) E aos adultos, também os pecados pessoais são perdoados: "Se Cristo está em vós, o corpo está morto pelo pecado, mas o Espírito é vida, pela justiça (Rm 8, 2.10)". O Batismo torna-nos realmente santos; somos santificados pelo Espírito daquele que destruiu o pecado: Cristo Jesus.
Aí surge uma questão importante: se é assim, por que continuamos caindo em tentação? Por que continuamos pecando, mesmo depois do Batismo? Para entender esta questão, é necessário saber distinguir o que é pecado e o que é a concupiscência.
Sim, mesmo aquele que crê em Jesus, e vive no seu Espírito, ainda experimenta a fraqueza. Isso acontece porque permanece uma tendência, uma inclinação para o pecado. Essa inclinação, segundo a Escritura e o Catecismo da Igreja, é a concupiscência. "O Batismo confere àquele que o recebe a graça da purificação dos pecados. Mas o batizado deve continuar a lutar contra a concupiscência da carne e as cobiças desordenadas (CIC §2520)". A concupiscência não é pecado em si, desde que o cristão a combata: a doutrina da Igreja esclarece que a concupiscência foi-nos deixada para que possamos "combater o bom combate (2Tm 4, 7)". Um mal desejo é concupiscência para o pecado, mas o pecado só se concretiza se alimentamos esse desejo ou se o satisfazemos. Por isso Jesus ensina a pedir ao Pai Celestial: "Não nos deixeis cair em tentação".
E além do perdão dos pecados, o Espírito que recebemos no Batismo nos une, incorporando-nos em Cristo como membros de um só Corpo. Se temos o Espírito de Cristo, somos uma só coisa com Ele: "Aquele que se une ao Senhor, constitui com ele um só Espírito (1 Cor 6, 17)"! Maravilha das maravilhas! Pelo Batismo, a Vida do Ressuscitado, que é o Santo Espírito, habita em nós! Cristo está em nós e nós vivemos dEle e nEle! Assim, podemos dizer que o Batismo nos "cristifica". Como São Paulo, podemos dizer: "Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim." (Gl 2, 20)
E o Batismo de crianças? - Deste assunto já tratamos em nossa 5ª edição, mas nunca é demais relembrar que nas várias situações em que o Novo Testamento afirma que "casas inteiras" eram batizadas, aí com certeza estavam incluídas crianças. A prática de batizar os filhos vem desde o princípio do cristianismo. Padres da Igreja primitiva, como Santo Irineu (século II) atestam que desde os Apóstolos a Igreja batiza os pequeninos. Se as crianças ainda não têm fé e não podem escolher por si próprias, são batizadas na fé da Igreja, representada por seus pais e padrinhos.
Além disso, como ensina o Apóstolo Paulo, o Batismo é, na Nova e Eterna Aliança, o que foi a circuncisão na Antiga Aliança: ritual de entrada para o Povo de Deus (Cl 2, 11-12). Os judeus eram circuncidados e admitidos como membros do povo de Israel aos oito dias de vida, e ninguém perguntava se eles queriam ou não! Seus pais, por crerem em Deus e amar seus filhos, davam-lhes o maior presente que podiam: a fé! O mesmo se dá no Batismo.
Alguns ainda questionam o batismo das crianças alegando que Jesus foi batizado adulto. Completo absurdo! Primeiro, o batismo de João, na água, não é o Sacramento do Batismo, como já vimos, e João mesmo reconheceu que o seu batismo, na água, era totalmente diferente do Batismo que nos daria o Messias, no Espírito Santo. Segundo, quando Jesus veio ao mundo, o cristianismo, logicamente, ainda não existia.
Ora, Ele não foi batizado segundo os costumes cristãos, simplesmente, porque esses costumes ainda não existiam! Poderíamos perguntar a essas pessoas, que querem imitar Jesus sendo batizadas só depois de adultas, se elas estão dispostas também a serem crucificadas como Ele, aos 33 anos de idade... Além de tudo, batizando crianças, a Igreja obedece ao Senhor, que diz: "Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais" (Mt 19, 14).
Sacramento do Batismo: a Prática
Quem pode ser padrinho ou madrinha do Batismo? Qualquer católico(a) que possa educar na fé aquele que vai ser batizado.
E os que morrem sem Batismo? Deus "quer que todos os homens sejam salvos (1Tm 2, 4)." A Igreja crê que aqueles que, sem culpa, não chegaram a abraçar a fé cristã nem a receber o Batismo, mas tenham vivido retamente de acordo com a sua consciência, podem receber a salvação de Cristo por meios que somente Deus conhece. Quanto às crianças que morrem sem o Batismo, se por um lado já nascem feridas pelo Pecado Original, também já nascem marcadas pela mesma salvação, que Cristo trouxe para todos.
Quem é o ministro do Batismo? É o bispo, padre ou diácono. Em caso de real necessidade, qualquer pessoa, mesmo não batizada, pode batizar, utilizando a fórmula: "Eu te batizo em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Logo que possível, porém, deve-se levar o batizando à igreja para que um sacerdote celebre os ritos complementares e anote seu nome no livro dos batizados.
O que é necessário para o rito do Batismo? Fundamentalmente, a água. O Batismo pode ser feito por tríplice imersão ou infusão, isto é, derramando-se três vezes água na cabeça da criança e pronunciando-se as palavras rituais. São ritos complementares: o Sinal da Cruz (o batizado pertence a Cristo), a leitura da Palavra, a imposição da mão e a unção do peito (a Força de Cristo toma conta da pessoa, expulsando todo influxo maligno), a renúncia a Satanás, a confissão da fé católica, a unção com o Santo Crisma (o batizado foi ungido, como Cristo, pelo Espírito Santo), a veste branca (glória e imortalidade), a vela acesa (o novo cristão foi iluminado pelo Ressuscitado) e a oração do Pai Nosso, que recorda que o novo cristão agora é filho de Deus e pode, como Jesus, chamá-lo de Pai.
A preparação para o Batismo[1] - Os pais cristãos têm obrigação de cuidar para que as crianças sejam batizadas nas primeiras semanas de vida, e toda a comunidade deve oferecer aos pais a oportunidade da preparação para o batismo dos seus filhos. Essa preparação é um conjunto de iniciativas para oferecer aos pais e padrinhos a correta orientação e a inserção na vida da Igreja. O Batismo incorpora o batizando à comunidade, por isso o ideal é que a preparação e a celebração sejam feitos na paróquia onde os pais ou o próprio batizando (caso adulto) moram ou frequentem.
Os encontros com a comunidade devem ser participativos, fraternos e coerentes com a realidade da pessoa. É importante usar a sensibilidade e adequar o conteúdo aos participantes. A comunidade deve mostrar, através de gestos concretos, a vivência da fé e do amor fraterno. Crianças até sete anos de idade não precisam de preparação, mas acima disso devem ser inseridas na comunidade, assim como os adultos, para que aprendam a importância dos Sacramentos e possam vivenciar Deus de fato.
_____________________________
Fontes e referência bibliográfica:
COSTA, Henrique Soares da, Pe. O Sacramento do Batismo, disponível em:
http://www.padrehenrique.com/index.php/sacramentos/batismo. Acesso em: 17 abr. 2012.
1. ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. Diretório dos Sacramentos. São Paulo: Paulinas, 1982.
HORTAL, Jesus. Sacramentos da Igreja na sua Dimensão Canônico-Pastoral. São Paulo: Loyola, 2000, pp. 51-80.
CANTALAMESSA, Raniero. Ungidos pelo Espírito. 4ª ed. São Paulo: Loyola, 2002, p. 140-141.
Poderá também gostar de:
São esses que querem o nosso respeito!
Orar ou rezar?
Pedro, Apóstolo e Pilar da Igreja: o primeiro Papa
O plano de vida espiritual
LinkWithin
http://vozdaigreja.blogspot.com.br/
Comentários via Facebook: