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    segunda-feira, 21 de abril de 2014

    Frei Clemente Rojão: A Campanha da Fraternidade e a Prestação de Contas da Verba Nacional





























    Frei Clemente Rojão



    Ortodoxia Católica sem Frescuras!




    A misericórdia é grande, mas a penitência é braba!






























    quarta-feira, 16 de abril de 2014


    A Campanha da Fraternidade e a Prestação de Contas da Verba Nacional


    Pe. Marcos Mendes de Oliveira - Temos escutado muito sobre a possibilidade de acompanhar as prestações de contas dos governos através da transparência e da internet. Localizamos muito nossas preocupações e deixamos de lado a possibilidade de acompanhar o que acontece com o dinheiro arrecadado no Domingo de Ramos para a solidariedade da Campanha da Fraternidade.
    Mas seria bom cada um de nós acompanhar a prestação de contas apresentada pela Cáritas Nacional e ir procurando entender o que diz aquela prestação de contas. Difícil entender, porque implicaria em conhecer também a realidade dos grupos que recebem as verbas, que muitas vezes torna mais complicado saber do valor e da importância de determinada doação ou não.
    Arrisco-me a minha leitura.
    A prestação de contas da Cáritas Brasileira de 2013, dentre tantas informações, diz que repassou o valor de R$ 28.600,00 para a Agência de Notícias Adital, que inclusive tem sua logomarca estampada no início da página dos apoiadores da Cáritas no país.
    Quem desejar saber o que é a Agência de Notícias Adital, o melhor é abrir o seu site e tirar suas próprias conclusões. Dou-me o direito também de tirar as minhas.
    É uma agência comprometida com a justiça social, tendo como espécie de fundador Frei Betto e dentre tantos colaboradores Leonardo Boff. Quer dizer, um grupo que luta pela justiça social na linha da teologia da libertação. Na agência circulam grandes estrelas que comungam com essa perspectiva.
    Na parte "Quem somos" no site da Adital, você encontra lá os seus financiadores. A surpresa é que além do dinheiro da Campanha da Fraternidade Nacional – Fundo de Solidariedade Nacional – Cáritas Brasileira – CNBB, ela recebe também dinheiro da Conferência Episcopal Italiana, dos católicos alemães – Misereor, dos católicos da França, da Suiça, e de outras fontes também internacionais e nacionais. Quer dizer, não é peixe pequeno não, é peixe grande, que se alimenta de verbas dos católicos do mundo inteiro.
    Até aí nenhum problema, porque é importante a soma dos esforços para superar os graves desafios do mundo. Mas nas janelas do site, você pode conferir "Mulheres e gênero", tem uma longa lista de textos nesta área de militância. Aí os espaços são concedidos para diversos grupos que militam no mundo inteiro a favor do aborto, dentre outros as Católicas pelo Direito de Decidir (o aborto).
    Estranho que o espaço esteja tão livre para CDD, já que as mesmas recebem dinheiro dos grandes grupos capitalistas do mundo. Como é que a Adital vive com críticas contra o neoliberalismo e seus aliados recebem verbas do capital internacional? Mas com uma boa interpretação tudo pode se explicar, quem sabe? Com uma hermenêutica elástica, tudo é possível!
    Vamos nos deter no dinheiro dos católicos do Brasil. Como é que o dinheiro da CF vai para um grupo como este?
    Podemos encontrar diversas explicações, se é que elas existem.
    O pessoal fala que vai defender os pobres, todo mundo acha bom, bate palmas e repassa o dinheiro. Mas não conferem se o grupo tem ou não tem outros tipos de militância, como por exemplo, a favor de aborto.
    O dinheiro da CF é repassado para Cáritas e todo mundo acredita na seriedade da administração do dinheiro, assim nenhum católico se dá o direito de conferir se o dinheiro não está indo para grupos questionáveis. É aquela coisa, todo mundo confia em todo mundo e ninguém acha que dentro da Igreja vai ter alguém compactuando com aborto, por isso, todo mundo fica tranquilo e feliz de fazer sua oferta generosa no Domingo de Ramos.
    O próprio pessoal da Cáritas Brasileira diz que a Adital é uma aliada na defesa da vida. Claro, falam tanto sobre justiça social, que os menos avisados faltam conferir o empenho dos colaboradores na luta pela descriminalização do aborto.
    Na verdade, isto não é explicação. Tenho dito sempre: lutar pelo direito dos pobres não me dá aval para lutar a favor de aborto. Defesa da vida e militar a favor de aborto?!
    Uma outra forma de explicar é que a agência de notícias é apenas um espaço de notícias, quem quiser se colocar contra ou a favor pode enviar o seu texto. É uma espécie de debate intelectual, onde os administradores da Adital não são responsáveis por aquilo que qualquer estudioso diga. É uma forma de dizer que é a favor do debate sem ter responsabilidade com nada do que é dito.
    Aquela velha neutralidade científica dizia que os estudiosos não tinham responsabilidade sobre suas pesquisas, invenções e artefatos. Hoje a filosofia mais básica não retira a responsabilidade de quem está envolvido com determinadas produções.
    Na militância por uma causa, uma palavra, um artigo, uma carta, uma notícia pode valer muito. Um artigo pode desmobilizar a campanha a favor da vida e justificar muitas consciências no erro. Para mim foi o caso da palavra de Dom Demétrio Valentim (Diretor-Presidente durante 16 anos da Cáritas Brasileira) nas eleições de 2010. Naquelas eleições colocou-se claramente contra os Bispos do Sul 1 (dentre eles. D. Luiz Gonzaga Bergonzini) que criticavam a política abortista do PT. O texto foi veiculado na Adital.
    Grupos da Igreja optaram por uma palavra de apoio ao PT, sem levar em consideração o grave problema das crianças nos ventres de suas mães. Um simples artigo ajudou muito a desmobilização corajosa dos Bispos do Sul 1.
    Estes textos foram fotocopiados e distribuídos na Faculdade Católica de Fortaleza por pessoas ligadas à Adital. Você vai me dizer que isto é apenas espaço de estudo e que não é militância? Mas tudo explica a hermenêutica elástica.
    Falar contra aborto para muitos é coisa de direita. O fato da gente criticar o aborto não significa concordar com a direita. Posso ser profundamente a favor dos pobres e também contra o aborto, posso ser contra a política neoliberal e ser também contra aborto. É um tema que extrapola os limites dos pequenos conceitos que temos na política.
    Mas percebe-se a fragilidade da esquerda, tanto na política como dentro da Igreja, através de muitas pastorais sociais, quanto ao tema da defesa da vida nos estágios iniciais. Honre-se aqui a Pastoral da Criança, que através de Dona Zilda Arns, tinha uma palavra contrária ao aborto. Dizia com seu sorriso maravilhoso: Vamos nos localizar em propostas positivas!
    Diz Jungen Habermas, filósofo alemão, ateu, no seu texto: O futuro da natureza humana, que uma sociedade que não respeita os momentos iniciais da vida coloca em questão a sociedade democrática. Diga-se novamente: um ateu.
    Democracia é o espaço dos direitos humanos. Como falar em defesa dos direitos humanos se o primeiro direito é deixado de lado: o direito de viver?
    É palavra de Habermas no mesmo texto, que a filosofia do gênero não resolveu sua contradição básica: querer defender o direito da mulher pelo uso do seu corpo e não resolver o direito de viver de outro ser humano. Diga-se que é um alemão, que vem de uma sociedade marcada pela luta do gênero.
    Diz ainda mais, que ninguém pode considerar as células iniciais humanas como um aglomerado de células quaisquer, nem por crentes, nem por ateus. Mas este é um argumento muito difundido entre as feministas, para justificar o aborto nas fases iniciais da vida.
    O Magistério por sua vez fala claramente a respeito contra o aborto. É o que temos no texto do Vaticano II, na Constituição Pastoral Gaudium et Spes 51,3: "o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis". No documento da Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida, temos o n. 40:
    "Entre os pressupostos que enfraquecem e menosprezam a vida familiar, encontramos a ideologia de gênero segundo a qual cada um pode escolher sua orientação sexual, sem levar em consideração as diferenças dadas pela natureza humana. Isso tem provocado modificações legais que ferem gravemente a dignidade do matrimônio, o respeito ao direito à vida e a identidade da família."
    O Pontifício Conselho para a Família lançou o volume "Lexicon – temas ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas, edições CNBB. O Conselho Pontifício denuncia diversos problemas ligados à ideologia do gênero. Dentre tantos textos do Lexicon, Jacques Suaudeau, Partial Birth Abortion, comenta que a luta do aborto é para ser estabelecido até o momento das dores de parto da mulher. Por isso mesmo, padres que concordam com esta luta, tem afirmado que a vida começa com o nascimento – critério completamente distante do Magistério.
    Mas através de e-mail, um representante da direção da Cáritas Brasileira disse-me que a Adital "concorda plenamente com o ensino oficial da Igreja". Respondi que isto era considerar "um bom exercício de hermenêutica questionável", diria mais, de uma hermenêutica bastante elástica e forçada.
    A Adital caminha ao lado do CEBI aqui em Fortaleza. Este outro é também um grupo que participa nacionalmente pela luta a favor do aborto. A Adital recebe dinheiro da CF Nacional, e o CEBI-CE recebe dinheiro da diocese onde estou. (Era bom conferir se os grupos regionais do CEBI em outros lugares recebem também dinheiro da CF diocesana, do Fundo Diocesano de Solidariedade). Muitos que participam do CEBI desconhecem o engamento dos seus dirigentes na luta a favor do aborto, até alguns assessores de Bíblia que lá vão para ajudar.
    (Para maiores esclarecimentos, acesse Assembleia Nacional do CEBI, ou coloque no mecanismos de busca CEBI Aborto, e você verá claramente o compromisso nacional do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos pelo aborto no país).
    Eles podem falar claramente a favor do aborto, mas se a gente não concorda começam a nos desqualificar com velhos argumentos: é direita, é infantil, é machista, é isso, é aquilo. Para marinheiros de primeira viagem pode funcionar como um tapa-boca. Mas não se deixe intimidar não, se você discorda da proposta a favor do aborto procure organizar seus argumentos e expresse também sua opinião. Não vivemos numa democracia? Não temos também o direito de dizer o que pensamos?
    São estas jóias raras que estão recebendo ajuda da Campanha da Fraternidade no país. Os católicos na sua grande maioria não concordam com isto, ouvem propagandas de ajudas para injustiças sociais e enviam as ajudas e acontece certos problemas no meio do caminho. Considero que este tipo de apoio é uma traição à comunidade católica do país. Uns por acharem a coisa tão absurda consideram que estas informações são para denegrir a imagem da Igreja Católica. Muito pelo contrário, porque amo a Igreja Católica e a ela sirvo, é por isso que não compactuo com este tipo de ação.
    As Católicas pelo Direito de Decidir (o aborto) lutam para que a Igreja mude o Magistério, porque é a única instituição que tem textos claros contra o aborto. Elas militam dentro da ONU para enfraquecer a posição da Santa Sé no mundo e assim atingir seus objetivos. Se elas não conseguiram mudar o texto escrito do Magistério, a Campanha da Fraternidade diz que na prática o magistério já mudou para muitos.
    Agradeço a atenção por escutar minha simples opinião sobre o assunto!



    Pe. Marcos Mendes de Oliveira - Doutor em Teologia Moral



    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

    Frei Clemente Rojão: "Gente graúda na Congregação para Doutrina da Fé deveria se debruçar nisso aqui"





























    Frei Clemente Rojão



    Ortodoxia Católica sem Frescuras!




    A misericórdia é grande, mas a penitência é braba!






























    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

    "Gente graúda na Congregação para Doutrina da Fé deveria se debruçar nisso aqui"



    Há muitas discussões teológicas normais dentro da Igreja. Muitas. Elas não necessariamente pertencem aos bastidores, elas são públicas e disponíveis a quem sabe ler. A grande questão é quem nem sempre se tem a formação para entrar na discussão e entendê-la. 



    Linguagem técnica existe em todas as ciências e conhecimentos, inclusive a ciência máxima que é a teologia. A linguagem técnica é usada para expressar um conceito preciso, naturalmente está restrita aqueles que as entendem. Não é uma questão de poder, não. Nenhum músico diz para outro, por exemplo: "Vamos falar de arpeggios e harmonias para que as pessoas comuns sejam excluídas da música!". Muito pelo contrário, há gente muito rica com música que não sabe o que é uma fuga, ou que pensa que fuga é quando um condenado escapa de um presídio. No caso, os arpeggios, fugas e as harmonias foram desenvolvidas porque os compositores simplesmente queriam músicas mais ricas, mais belas, e o termo surgiu depois (aliás, o italiano não nega a origem da Itália barroca como o berço destes desenvolvimentos). A linguagem técnica naturalmente se transforma numa barreira para os "leigos" de uma ciência. Natural. Quando um aviador se comunica com a torre, usam linguagem técnica para termos precisos. O maior acidente aéreo da história, em Tenerife, foi falta de linguagem técnica, a torre disse "OK" para um 747 e o 747 entendeu "decolagem autorizada" e decolou batendo em um outro 747 que acabara de pousar na pista em neblina. 500 mortos. E a linguagem técnica traz a língua em que foi feita. Os termos da aviação são em inglês. Os termos da música são em italiano. Os termos da teologia e do direito são do latim. Os termos da exegese são do grego e hebraico. E assim vai. 


    Eu comigo tenho muitas dúvidas que leio aqui e acolá, vejo contradições aqui e acolá, paradoxos aqui e acolá. A maioria deles eu resolvo, outros eu coço a cabeça e digo "Gente graúda na Congregação para Doutrina da Fé deveria se debruçar nisso aqui..." e sigo aquela máxima de Nelson Rodrigues, sobre os bons tempos em que os idiotas tinham vergonha e ficavam calados sem manifestar sua estupidez. Mas hoje em dia não! Os idiotas foram ordenados padres e tem programas na televisão! Os idiotas tem blogs e escrevem, ah, como escrevem! E querem resolver os problemas que os Clementes, Inocêncios, Bonifácio, Bentos, Joões e Paulos não conseguiram resolver... sem contar os doutores do passado!


    Muitas vezes estas contradições e dúvidas são apenas para fazer graça e vira curiosidade história. Outras vezes o assunto é re-editado para enfiar o dedo na cara da Igreja. Sendo assim não comento. 


    Nem tudo que me passa pela cabeça se fala...


    São Tomás define a humildade como a virtude de um homem não buscar coisas superiores às suas forças ou status. Em matéria intelectual também. O hábito não faz o monge nem o diploma um teólogo, no Brasil há analfabetos funcionais diplomados. Sendo assim, nem a todos é dado a capacidade intelectual de resolver tudo, e nem todos estão dispostos a investir tempo e esforço para resolver tudo, então por que querem falar destas questões complexas? O Mar Cáspio não cabe no Mar da Galiléia, não posso querer que a excelência de um Ratzinger seja contida na minha limitada formação. E se estes homens mais bem preparados não fizeram estes trabalhos, porque eu seria arrogante de com tão menos estudo querer resolver? 


    Eu não estudei neurocirurgia, se abrir a cabeça de alguém produzo um cadáver, não uma cura. Então porque gente com conhecimento limitado tenta resolver questões teológicas de séculos? 







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    * Tem a ilusão de que antes do Vaticano II havia uma idade de ouro na Igreja e tudo se corrompeu depois?
    * " Confissão??? Ainda existe isso??? "
    * Seu bispo não vê contradição nenhuma em apoiar o governo abortista da Dilma Rousseff e ser católico?

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    domingo, 1 de dezembro de 2013

    Mapas do Islã




















    -




















    Frei Clemente Rojão



    Ortodoxia Católica sem Frescuras!




    A misericórdia é grande, mas a penitência é braba!






























    sexta-feira, 1 de novembro de 2013

    • Mapas do Islã



    O Triunfo dos Porcos ensina de maneira notável como o Islamismo divide o mundo. E nós, no Brasil, estamos onde? No Dar-Al-Suhl, provavalemente. Lembro, com alerta, que Portugal é Dar-Al-Islam. O Dar-Al-Islam é todo aquela região que já foi dominada por muçulmanos. São Tiago MM, rogai por nós!

    O Islão (qualquer que seja a corrente) alimenta uma ideia de superioridade moral que fundamenta uma visão essencialmente tripartida do mundo. O mundo, visto da perspectiva muçulmana, mapeia-se de uma forma simples e eficaz: ( há outras divisões menores, mas que não tocam na coerência do mapa maior) 

    Dar-Al-Islam 
    O mundo onde os muçulmanos mandam é a casa do Islão, a terra da submissão, o epítome da perfeição, o mundo tal como deve ser. 
    "Vós formais a melhor comunidade suscitada entre os homens" (Alcorão, III, 110). 
    Os muçulmanos exercem aí a plena soberania. O dar-al-islam aglutina o temporal e o espiritual. César é Deus, o laicismo é repudiado, e a sharia deve comandar a vida política. 
    O dar-al-islam admite a presença de infiéis, mas dentro de condições bem definidas pela lei divina. Com melhor estatuto estão as "Gentes do Livro", fiéis das religiões de que o Islão se considera o estádio fechado e definitivo. São dhimnis (protegidos), protecção que resulta do facto de se submeterem. Osdhimmis devem um imposto especial (jiziyya, que paga o direito de viver na umma), não podem usar armas, chefiar muçulmanos, manifestar publicamente a sua fé, exercer proselitismo, ou ter relações sexuais com muçulmanos. Os seus testemunhos são inadmissíveis perante tribunais muçulmanos. 
    São sujeitos a humilhações, porque "para o verdadeiro crente é uma obra pia expressar publicamente a sua aversão para com o dhimmi" (Juifs et Chrétiens sous l'Islam, Bat Ye'or, 1994).
    Os infiéis que não sejam "Gentes do Livro", são idólatras, pagãos, "o que há de mais impuro no género humano". O seu destino é a escravatura ou a morte, excepto se aceitarem converter-se ao Islão. O que de resto aconteceu no Irão aos esquerdistas que apoiaram Khomeiny. 

    Dar-Al-Harb 
    É a casa da guerra, o espaço geográfico jurídico, político e espiritual dominado pelos ímpios. Nesse espaço os muçulmanos devem mentir e dissimular (taqiyya) se necessário mas, se e quando a relação de forças evoluir a seu favor, é seu dever fazer a guerra (jihad) para trazer para o dar-al-islam a parte do dar-al-harb onde se encontram. 
    "não apeleis à paz quando tiverdes superioridade " (Alcorão, XLVII, 35) 

    Dar-Al-Suhl 
    É a terra do armistício. Tal como no dar-al-harb, os muçulmanos são minoritários, mas há uma atitude conciliadora para com os muçulmanos. Tal não anula a compulsão divina para submeter o território ao Islão, trata-se apenas de uma situação provisória ditada por razões tácticas. O infiel é amigavelmente desaconselhado de se esquivar ao proselitismo islâmico "pois a quem quer que se separe do Apóstolo depois do caminho lhe ter sido mostrado, far-lhe-emos enfrentar o inferno" (Alcorão, IV, 15) 
    O estatuto legal dos infiéis e este mapeamento do mundo recolhem unanimidade nas 4 escolas jurídicas do sunismo e na tradição xiita, o mesmo acontecendo com a necessidade e intemporalidade da jihad, vista praticamente como o pilar adicional do Islão. 
    Segundo a visão islamista, a sharia deverá reinar finalmente sobre a humanidade e todas as escolas religiosas, "moderadas" ou "radicais", ensinam isto. 
    E todos estes conceitos jurídico-religiosos (jihad, dhimmi, dar-al-harb, etc) encontram ilustrações concretas nos diversos aspectos internos e externos de certos países muçulmanos. Com tendência para aumentar, na onda do Ressurgimento Islâmico que está a ocorrer desde o fim da 2ª Guerra Mundial. 
    O Irão é um dos melhores exemplos, tendo ultrapassando em fervor e atitude a República Islâmica do Paquistão. A sua Constituição reintroduziu legalmente a dhimmitude, devidamente pormenorizada nos artigos 13º e 14º. 

    O artº 20º, estabelece claramente que os direitos individuais são iguais para todos, mas dentro dos critérios da lei islâmica 
    Externamente, o Irão entende que Israel ocupa uma parte do dar-al-islam, o que justifica e exige a jihad. Os judeus, sendo gente do livro, não devem ser exterminados, mas também não podem ser aceites na região senão na condição de dhimmis, estatuto incompatível com soberania política. Logo não é possível, à luz da lei islâmica, aceitar um Estado Hebraico. Esta é a razão pela qual nem o Irão nem os movimentos islamistas (Hamas, Hezbolah, etc) podem aceitar a existência de Israel. Opõem-se por isso à solução dos dois estados e entendem que deverá apenas haver um estado, no qual os judeus poderão ser autorizados a viver, com o estatuto que a lei islâmica para eles prevê. 
    No campo sunita, a Arábia Saudita tem usado o seu poder financeiro para influenciar a atitude europeia, tentando acantoná-la numa espécie dedhimmitude. 

    As redes terroristas islâmicas aplicam também os conceitos jurídico-religiosos na sua luta contra os infiéis. Se estes se comportarem como bonsdhimmis, podem se poupados aos atentados. Se agem contra os interesses da umma, são ameaçados e castigados. 

    Por exemplo o Reino Unido foi encarado pelos islamistas como parte do dar-al-suhl, porque aí se acolhiam, e aí pregavam, as organizações e personalidades islamistas mais radicais, contando com a tolerância do governo inglês (o que valeu a Londres o título de Londonistão), que procurava colocar-se ao abrigo do terrorismo islâmico. 
    A intervenção no Iraque e no Afeganistão fez com que o Reino Unido fosse colocado no dar-al-harb, passando por isso a ser alvo legítimo de ataques. 
    Com a Espanha passou-se o contrário. A Espanha é por definição alvo da jihad, como Israel, uma vez que já fez parte do dar-al-islam. Aznar exacerbou essa ideia ao aliar-se objectivamente aos EUA. Os atentados de Madrid sancionaram a recusa da dhimmitude. Zapatero acedeu às exigências islamistas, agiu como um bom dhimmi, e a Espanha passou a fazer parte do dar-al-suhl, embora hoje já esteja outra vez no seu lugar correcto no mapa. 

    Nos dias que correm, os muçulmanos que residem em Espanha, e que já são uma forte minoria, passaram à provocação ostensiva, conforme relata este artigo do The Independent, segundo o qual existem planos para transformar Córdova num local de peregrinação para os milhões de muçulmanos da Europa, uma espécie de Meca europeia, como refere este editorial do ABC. 
    Os muçulmanos espanhóis exigiram até ser autorizados a fazer as suas liturgias no espaço da antiga mesquita, que agora é ocupado por uma catedral católica. 
    Estes conceitos são fascinantes pela sua eficácia em matéria de conquista do poder. Foram eles que permitiram alargar o Islão à Europa, à África e à Ásia, nas duas primeiras jihads globais (640-750) e (1020-1689). 

    Neste momento o Islão parte de novo à conquista do planeta, disse-o Amadinejad não há muito tempo: o objectivo último da política externa iraniana "é o governo unificado do mundo". 
    Não se trata de mera fanfarronada, bluff, ou gaffe. A convicção da decadência do Ocidente está profundamente enraizada nos responsáveis e pensadores islâmicos e o pensamento totalitário tem uma psicologia própria. 

    Hitler é um alerta notável. Ninguém levou a serio aquilo que dizia e que tinha escrito no Mein Kampf, era apenas um homenzinho magro e ridículo, à cabeça de uma nação empobrecida (com menos habitantes do que o Irão tem hoje) e sem músculo militar. 

    Daí a poucos anos, esse homenzinho exercia o poder desde o Atlântico aos Urais, e fazia planos para o Reich dos Mil Anos e o domínio do mundo. 











    segunda-feira, 25 de novembro de 2013

    No Cristo-Rei meditando no reino de Deus




















    -




















    Frei Clemente Rojão



    Ortodoxia Católica sem Frescuras!




    A misericórdia é grande, mas a penitência é braba!






























    domingo, 24 de novembro de 2013



    Podemos viver na República dos homens, mas nosso destino é o Reino de Deus! Viva Cristo-Rei!!!


    "O meu reino não é deste mundo" - Nesta simples frase Jesus degolou o marxismo e demais utopias de picaretagem.


    O reino de Deus não será natural. Se todos os sábios de todos os tempos se reunissem para pensar no melhor governo possível não conseguiriam nem chegar à sombra da beleza e perfeição do que planeja Deus.


    O reino de Deus nunca será implantado por esforço humano. Ele é GRAÇA. Não podemos fazer nada para acelerar sua vinda, nem revoluções, nem reformas. Apenas o poder do Altíssimo pode o fazer. É verdade que o reino vive no meio de nós, mas cresce sozinho como o fermento, estimulado pela mão omnipotente do Senhor.
    Mesmo que hipoteticamente todos os homens do mundo abandonassem seus pecados, dividissem seus bens e abraçassem a fraternidade, isto ainda seria muito imperfeito, não realizaria plenamente o homem e ainda ficaria bem longe do Reino de Deus. O Reino de Deus é divino demais para ser uma utopia humana. Deus é mais que nosso planejamento econômico- político prosaico.


    A solenidade de hoje nos lembra que nunca devemos dar ouvidos às promessas de "justiça" ou "partilha" ou "reformas" neste mundo. Neste ponto regredimos em relação ao homem medieval: o homem medieval era avançado demais para se iludir que a Cidade dos homens poderia querer rivalizar com o reino de Deus. Não, Hegel, você estava redondamente enganado! A História não caminha para lugar algum! Ela está mais para o andar do bêbado caótico, que não sabe para que lado cai. A cidade dos homens é apenas caleidoscópio, são sombras mutantes de mosquitos numa parede, os reinos, e países, e revoluções, e governos são gotas de uma cachoeira, se separam do bojo da água para se desfazerem nas pedras lá embaixo. O Senhor da História é o Altíssimo, os homens entregues a si mesmos só produzem secreções, excrementos e degola mútua. 




    É por isto que toda submissão à algum poder terreno que saia da esfera estritamente administrativa é idolatria. Governos são pactos sociais, nada além disto e nada sagrados. A César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Nosso rei é Cristo. Os presidentes, reis e tiranos do mundo não passam de síndicos passageiros, de gerentes de período, de encarregados de turno. A realeza é apenas de Cristo.


    Sempre serviremos a algum rei. Ou o reinado justo de Cristo ou a usurpadora Tirania de Satanás. 

    Mas nunca ficaremos sem senhores. 
    Escolha o seu!

    Postado por Frei Clemente Rojão

    domingo, 17 de novembro de 2013

    120 anos atrasados














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    Frei Clemente Rojão



    Ortodoxia Católica sem Frescuras!




    A misericórdia é grande, mas a penitência é braba!






























    sábado, 16 de novembro de 2013


    Admiro muito D. Pedro II. Acho que foi o maior homem da História do Brasil. Infelizmente, cometeu erros que o fizeram perder o trono dos ancestrais (e não estou me referindo à 1822, mas a 1640). A História foi muito injusta com D. Pedro e com a princesa Isabel. Perderam o trono pelos seus erros se aliando à traidora Maçonaria contra a Igreja, mas também pelos seus acertos. Após a abolição da escravatura, os grandes fazendeiros que ficaram contra se uniram ao Partido Republicano.



    Porém este pacote embalado de "todo católico conservador deve ser monarquista" está 120 anos atrasado. Pode até ser que os destronados herdeiros hoje em dia sejam muito católicos, mas não foram os que perderam o trono.


    Não duvido que se o Brasil tivesse mantido a estabilidade política do Segundo Império teríamos uma nobre rainha Isabel e uma calma monarquia constitucional, tão democrática e pacífica quanto as monarquia britânica, holandesa, espanhola, sueca et al. E digo mais, como a estabilidade traz prosperidade, continuaríamos crescendo e não seríamos a caquinha de hoje. Sem flertar com o tolíssimo positivismo (toda idéia ruim pega algumas coisas que funcionam para lhes dar verossimilhança), "Ordem e progresso" funciona. Pena que a instabilidade da Republica não permitiu que o lema saísse da bandeira.


    O regime republicano nem é intrinsecamente bom nem mal. O pecado original da República brasileira foi a instabilidade política. Parecia que na República Velha e na Nova República as coisas iam andar nos eixos, mais ai vieram dois trastes: Entulho Vargas e Lula. É indigno colocar Getúlio ao lado de Lula, é verdade. Se Getúlio era um traste, Lula é um traste multiplicado por um bilhão.


    Merece um formidável chute no traseiro quem quer vender a idéia que ser católico é ser necessariamente ser monarquista. As preferências políticas por Republica ou Monarquia são indiferentes e moralmente neutras, ambas podem ser democráticas e constitucionais ou tirânicas e diabólicas. E se quiserem, posso desfiar um rosário de vezes que reis foram os maiores algozes da Igreja, desde os pagãos perseguidores Nero e Décio até os nominalmente católicos Bragança D. João V e D. José (tataravós de D. Pedro), como os hereges Henrique VIII da Inglaterra ou o medieval Filipe IV que é personagem comum aqui.


    Ao dizer que se é Monarquista, faça um porém: "Sou Monarquista pelos Bragança". Afinal, o Fóro de São Paulo que instalar a monarquia lulista no país. "Ah, mas Lula é um aventureiro, não herdeiro do trono!"


    Bem, assim disseram os castelhanos quando D. João I de Avis e D. João IV de Bragança tomaram o trono português, eheheheh...


    Se a História nos deu um limão, façamos uma limonada. Lutem os brasileiros por uma verdadeira República Democrática e Constitucional que permita o bem comum e a liberdade cristã. Os sistemas políticos não nascem perfeitos nem nunca são perfeitos, isto se sabe desde a Política de Aristóteles. Lutemos para não deixar perder estes fiapinhos esfarrapados de República que temos ainda. Haverá um dia em que podemos chorar de saudade pelas liberdades de 2013 e sua muito longe de perfeita Constituição de 1988. A Venezuela que o diga.

    Postado por Frei Clemente Rojão 

    quarta-feira, 6 de novembro de 2013

    2014: Mais uma quaresma perdida









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    Frei Clemente Rojão



    Ortodoxia Católica sem Frescuras!





    A misericórdia é grande, mas a penitência é braba!






























    quarta-feira, 6 de novembro de 2013





    - Mas, Dom Tersites, que tema imbecil e bucéfalo este da Campanha da Fraternidade 2014????!!!


    - Clemente, você reclama de tudo, frade chato!


    - Esta é a prova viva que o episcopado brasileiro não sabe decidir nada!


    - Fui que que escolhi o tema, Rojão!


    - Você, Dom Tersites?????


    - Sim, fui eu! Eu vi na novela das oito, gostei muito, sobre aquela atriz tão bonita sequestrada na Capadócia. Eu sugeri e todos os bispos adoraram.


    - É um tema imbecil e de uma irrelevância suprema!


    - Não, é muito importante. Você sabe que em 2013 seis trilhões de pessoas foram traficadas como escravos?


    - Números sem sentido nenhum esgrimidos sem a menor constatação. Peidos arrojados de falsos especialistas!


    - É importante


    - É tema de novela de Glória Pérez!!!!


    - E não é a novela que trás o debate nacional?


    - Não, é o Facebook agora. Meu Deus, pior que um bispo tolo é um bispo tolo e desatualizado. O que disse D. Raymundo?


    - Gostou


    - E D. Brás?


    - Culpou o Tarcísio Bertone por tudo de mal no mundo e gostou também


    - E Balduíno?


    - Grande Balduíno, foi um entusiasta


    - Meu Deus, outra quaresma perdida...


    - Você precisa de mais amor e paz em seu coração, Clemente.


    - Escuta aqui, Dom Tersites. Sabe para que vai servir esta campanha da Fraternidade? Para fazer racialismo. Ninguém vai falar das escravas brancas nos palácios dos ricaços do Marrocos para não ofender os muçulmanos. Ninguém vai falar dos escravos nos Gulags chineses sendo usados como mão de obra ou fornecedores de órgãos. Ninguém vai falar dos bolivianos escravos em São Paulo fugidos de uma governo comuna e perseguidor. Ninguém vai falar dos médicos escravos cubanos vendidos como carne humana em condições análogas à escravidão. O óbvio é que vão falar da escravidão africana! É óbvio que vão CULPAR A IGREJA POR ELA! É óbvio que grupos racialistas esquerdopatas vão continuar sua política cartorial de exigir cotas para cor de pele até para cagar na moita. E é óbvio que veremos um show de masoquismo auto-acusatório dos padres e bispos contra a própria Igreja por suposto envolvimento na escravidão, porque são burros demais para saberem que não foi assim! Capaz até de decidir banir os sermões do Padre Vieria na Irmandade dos Pretos! Sem contar que o antijesuitismo vai voltar e acusar os jesuítas de escravizarem os guaranis para si. Vai ser a festa do caqui. Pode escrever. 


    - Será?


    - É óbvio, Reverendíssimo!


    - Hum... Acho que você é muito dramático, Clemente Rojão.




    Postado por Frei Clemente Rojão 

    É preferível estar dentro da Arca de um tolo Noé que no meio do mar na jangada dos puros.









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    Frei Clemente Rojão



    Ortodoxia Católica sem Frescuras!




    A misericórdia é grande, mas a penitência é braba!






























    terça-feira, 5 de novembro de 2013


    Escrevem dois comentaristas. O primeiro nosso campeão, Roger:


    Os lefebvristas descem a marreta direto no papa Francisco sem dó e piedade; em recente conferencia nos EUA, Dom Fellay fez-lhe pesadas críticas; não há dúvidas que essas imprecações contra ele só piora o estado de ânimo dos católicos, particularmente os mais tradicionais e (ou) possuidores de uma fé ainda não mais consistente, não se esquecendo que a mídia globalista, como sempre, mantém constante assedio às imprecações contra a pessoa do S Pontífice. 




    O segundo um Anônimo ao qual reconheço os méritos da gentileza na argumentação:


    Frei, o senhor é um padre e jamais falará mal do Papa de modo gratuito. Eles também são padres, idem. Não convém alimentar críticas às pessoas só porque elas são mais dispostas a brigar pela Igreja e fazer menos coisas baseadas no respeito humano. Odeio criticar padres (mesmo os piores; daria facilmente a minha vida por muitos padres), mas não se pode dizer que os da SSPX sejam ruins, ou mornos, ou relaxados, ou mesmo exagerados e bitolados. Eles têm um claro compromisso COM JESUS CRISTO E A ÚNICA IGREJA FUNDADA POR NOSSO SENHOR, fora da qual não há salvação. Eles têm tido grande cautela em criticar Francisco. O discurso recente de Fellay nos EUA é arrasador, mas bastante cuidadoso. Impossível discordar. Eu rezava com gosto por Bento XVI, mas pelo Francisco eu rezo quase desesperadamente. Não vejo SSPX como um problema! Vejo-os como um motivo que nos faz envergonhados por nossa fé fraca e prática insuficiente. O problema está no Vaticano, que vai esperar o castigo de Fátima para voltar a ser católico. 


    ***



    Os arquivos do blog estão ai. Não me encho de simpatias pelas atitudes da FSSPX, ainda que seja simpático aos católicos tradicionais. A FSSPS está em cisma. (De acordo com a Enciclopedia Catolica online: "O cisma é rutpura da união e unidade eclesiástica" Ah, não se esqueçam que o "cisma passivo" é considerado resultante de excomunhão.). Não um cisma grande, sedevacantista como bem registrou o rapaz no hang-out, mas um "cisminha", um cisma menor, se é que pode ser chamado de menor a negativa doutrinária de documentos assinados por Paulo VI. Mas vamos dizer ser cisminha para não assoprar mais as labaredas. Queria eles conosco, ah, queria! Mas como disse a adorável jovem no hang-out, depois de Bento XVI está difícil. Por certo, é uma pena. Eu vejo os bons frutos que a Fraternidade São Pedro, que o Instituto Bom Pastor, que a Administração Apostólica S. João Maria Vianney fazem à Igreja do Brasil e desejaria mais gente deles. 


    Por certo, Econe nunca será Avignon! Primeiro porque Avignon, assim como Roma e Antioquia da Síria, já foi sede legítima da Igreja (Ah, Perúgia, quase fostes!). Não lembremos desta adorável cidade apenas pelo cisma porterior em Avignon, lembrem-se que antipapa Nicolau V governou em Roma enquanto o papa legal, João XXII, estava em Avignon. Ou seja, a cidade de Roma já foi - teoricamente - cismática. Disse a "Cidade de Roma", não Roma enquanto metonímia da Santa Sé, fique posto.


    Quanto aos "respeitos humanos" você pode olhar o copo meio cheio ou meio vazio. O que uns chamam de covardia e respeitos humanos, outros chamam de diplomacia e santa virtude da prudência, a arte de encontrar o melhor caminho. Houve os santos bocudos em determinadas ocasiões sim, mas a maioria deles foi bem diplomática e prudentes. Podem acusar São Francisco, São Tomás, São Domingos e Santo Inácio de respeitos humanos. Quantas mazelas na corte papal, quantos cardeais ociosos e ricos, quanta simonia e desrespeito estes homens não viram? Ousará alguém os chamar de covardes? Quantas mazelas Jesus Cristo não viu e não sabia dos seus sumos-sacerdotes, Anás e Caifás? Ousarão chamar a Cristo de covarde? Ousarão dizer que eles tinham "respeitos humanos"? Conclui-se, portanto, que "meter a boca" quase sempre mais atrapalha que ajuda. É uma faca cega, mais sangra que corta. A Inquisição real, não a de fábula, queria mais converter que punir, estava mais para uma instituição de ensino que penal. Na Igreja nós ouvimos centenas de milhões de quilos de esterco para pacientemente para tentar converter uma alma.


    Quando São Paulo esteve em Atenas, viu muita bobagem. Iria ele no Areópago dizer: "Atenieneses, nesta cidade só vi depravação, idolatria e filosofia furada!". Não converteria ninguém e talvez antecipasse seu martírio. E ele não estaria mentindo em nada. O que disse Paulo? Num exemplo da mais fina diplomacia e prudência apostólica, ele elogiou os atenienses pela sua religiosidade porque viu a cidade cheia de altares e de deuses. Ah sim, eram deuses falsos, mas ele elogiou "o copo meio cheio" não "o copo meio vazio". E qualquer um que conheça "A Cidade Antiga" de Fustel de Coulanges sabe que o "altar aos deuses de África e Ásia, aos deuses desconhecidos" nem de longe se referiam ao Deus Criador, mas sim à divindades menores que a pura superstição pagã não queria desagradar (o famoso pensamento "vai que..."). O que queria Paulo? Fazer um tratado teológico ou converter almas? E com seu discurso "cheio de respeitos humanos" Paulo converteu um membro do Areópago, Dionísio, enquanto aqueles que não foram convertidos inclusive o elogiaram e despediram com palavras gentis. E em Atenas os cristãos não foram perseguidos. Não se esqueçam que este mesmo Paulo fora cúmplice do assassinato de Santo Estevão... Na carta aos Coríntios e aos Gálatas sabemos direitinho como São Paulo poderia ser duro. 


    Para mim o episódio no Areópago é um exemplo de Diálogo Inter-religioso. Sim, eu sei que os líderes muçulmanos, pelo menos os realmente fortes, querem é que todos nós cristãos literalmente nos explodamos. Mas tem de dizer a eles belas palavras ao "se unir em oração ao Deus de Abraão". Convenhamos, Allah não era o Deus de Abraão, e sim o Deus da lua, o Deus-chefe do panteão pagão árabe que foi dito por Maomé que era o Deus de Abraão. Assim como Áton não é o Deus único egípcio, mas um deus egípcio promovido por um faraó ou muito esperto, ou lelé da cuca. O Deus de Abrãao é o pai de Nosso Senhor Jesus Cristo! Mas tudo bem, tendo feita esta explicação apologética, o que não nos iria acontecer se o papa falasse umas verdades? "Ah, ele está tendo respeito humano com os marranos". Eu garanto a vocês, quem iria sofrer nem seria o papa, nem os católicos no ocidente, e sim os coitados no oriente sob a bota do Islã, presas fáceis do terrorismo. O papa falaria corajoso em Roma e dormiria sua noite em lençóis de linho e algodão, em Damasco, em Alexandria, em Beirute cristãos e igrejas voariam pelos ares com bombas terroristas. E se o papa reclamasse, como reclamou do atentado sangrentíssimo na missa de ano-novo em Alexandria, veneráveis imãs o mandariam calar a boca. Como o fizeram. 


    Em resumo, tenho minhas dúvidas se "brigar" é tão bom assim pela Igreja. E é fácil brigar e falar muito cercado pelos seus. Convenhamos, se Francisco fosse um degenerado como um Inocêncio VIII, um Alexandre VI... até valeria que fosse tão criticado. Mas Francisco, o único grave defeito é que vejo é fala bobagem quando vê um jornalista. Diante de um altar num sermão, Francisco é um doutor. Diante de um jornalista é um asno. Paciência, é um homem com virtudes e defeitos. Convenhamos, se compararmos aos maus papas do passado estamos no lucro. Não vejo que de tão ruim tem nele. Será que sou um tolo? Sim, sou um tolo em muitos aspectos, mas tenho fé que o mesmo Deus que deu as chaves do reino dos céus não a deixou se desviar. In te, Domine, speravi...


    Para mim, a FSSPX é um paradoxo. Ela se diz tão tradicional, mas é modernista em muitos aspectos. Quer algo mais tradicional que se pelar de medo de excomunhão papal? Pois é, mas os quatro bispos dela, bem como seu fundador estavam excomungadinhos da Silva até uns anos atrás. E quando Bento XVI levantou a excomunhão, ao invés de se atirarem aos pés do Sumo Pontífice os beijando em lágrimas seus pés por os ter livrado do fogo infernal inevitável, citando Augusto dos Anjos, apedrejaram a mão que os afavagava e escarraram na boca que os beijou. Parecia um cão saciado que olha com desprezo arroz velho que lhe é servido. Pensar que por medo da excomunhão um Imperador ficou de joelhos na neve, e que um rei prendeu e torturou um papa. Eu não dormiria uma noite sequer se estivesse excomungado pelo papa. Pecado mortal tem absolvição por contrição in extremis, já excomunhão... Mas eu sou eu, né? Minha opinião é minha opinião. 


    Vocês conhecem os Vétero-Católicos? Grosso modo, são os tradicionalistas que não aceitavam o Concílio Vaticano Primeiro, no século dezenove. Pois é. O que para nós é tradicional, a infalibilidade papal, já foi tida como perigosa invencionisse. Onde estão eles? Onde estão os vétero-católicos? Sumiram na história sozinhos... A pior arma da História é o desprezo. Os jesuítas foram perseguidos e retornaram. Os templários foram suprimidos e se disfarçaram em outras ordens. Mas aqueles a quem a Igreja e a História condenaram ao desprezo só restarão na memória de Deus para o dia do julgamento... 


    Por tudo isto, o termo "nave-mãe" para a Igreja católica é errado. Porque pressupõe que existam outras "naves" menores que possam navegar fisicamente separadas, ainda que junto com a nave-mãe. O termo correto para a barca de Pedro na verdade é Arca de Noé. Porque fora dela tudo é destruído. Mesmo que o Noé/Pedro no comando seja (e já foi várias vezes) um bêbado, um simonista, um depravado, um relapso, um falastrão. É preferível estar dentro da Arca de um tolo Noé que no meio do mar na jangada dos puros. 

    Postado por Frei Clemente Rojão 




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    Immaculata mea

    In sobole Evam ad Mariam Virginem Matrem elegit Deus Filium suum. Gratia plena, optimi est a primo instanti suae conceptionis, redemptionis, ab omni originalis culpae labe praeservata ab omni peccato personali toto vita manebat.


    Cubra-me

    'A Lógica da Criação'


    Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim




    “Se não fosse a Santa Comunhão, eu estaria caindo continuamente. A única coisa que me sustenta é a Santa Comunhão. Dela tiro forças, nela está o meu vigor. Tenho medo da vida, nos dias em que não recebo a Santa Comunhão. Tenho medo de mim mesma. Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim. Do Sacrário tiro força, vigor, coragem e luz. Aí busco alívio nos momentos de aflição. Eu não saberia dar glória a Deus, se não tivesse a Eucaristia no meu coração.”



    (Diário de Santa Faustina, n. 1037)

    Ave-Maria

    A Paixão de Cristo