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    quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

    Viver em Deus Homilia do Papa Francisco na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus




    Viver em Deus





    Posted: 01 Jan 2014 06:31 AM PST











    Zenit






    Homilia do Papa Francisco na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus





    O Santo Padre presidiu nesta quarta-feira, 01 de janeiro, Santa Missa na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz. Eis o texto integral da homilia:






    Amados Irmãos e Irmãs,






    A primeira leitura propôs-nos a antiga súplica de bênção que Deus sugerira a Moisés, para que a ensinasse a Aarão e seus filhos: «O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz» (Nm 6, 24-26). É muito significativo ouvir estas palavras de bênção no início dum novo ano: acompanharão o nosso caminho neste tempo que se abre diante de nós. São palavras que dão força, coragem e esperança; não uma esperança ilusória, assente em frágeis promessas humanas, nem uma esperança ingénua que imagina melhor o futuro, simplesmente porque é futuro. Esta esperança tem a sua razão de ser precisamente na bênção de Deus; uma bênção que contém os votos maiores, os votos da Igreja para cada um de nós, repletos da protecção amorosa do Senhor, da sua ajuda providente.






    Os votos contidos nesta bênção realizaram-se plenamente numa mulher, Maria, enquanto destinada a tornar-Se a Mãe de Deus, e realizaram-se n'Ela antes de qualquer outra criatura.






    Mãe de Deus! Este é o título principal e essencial de Nossa Senhora. Trata-se duma qualidade, duma função que a fé do povo cristão, na sua terna e genuína devoção à Mãe celeste, desde sempre Lhe reconheceu.











    Lembremos aquele momento importante da história da Igreja Antiga que foi o Concílio de Éfeso, no qual se definiu com autoridade a maternidade divina da Virgem. Esta verdade da maternidade divina de Maria ecoou em Roma, onde, pouco depois, se construiu a Basílica de Santa Maria Maior, o primeiro santuário mariano de Roma e de todo o Ocidente, no qual se venera a imagem da Mãe de Deus – a Theotokos – sob o título de Salus populi romani. Diz-se que os habitantes de Éfeso, durante o Concílio, se teriam congregado aos lados da porta da basílica onde estavam reunidos os Bispos e gritavam: «Mãe de Deus!» Os fiéis, pedindo que se definisse oficialmente este título de Nossa Senhora, demonstravam reconhecer a sua maternidade divina. É a atitude espontânea e sincera dos filhos, que conhecem bem a sua Mãe, porque A amam com imensa ternura. Mais ainda: é o sensus fidei do santo fiel Povo de Deus, que nunca - na sua unidade - nunca se engana.






    Desde sempre Maria está presente no coração, na devoção e sobretudo no caminho de fé do povo cristão. «A Igreja caminha no tempo (...). Mas, nesta caminhada, a Igreja procede seguindo as pegadas do itinerário percorrido pela Virgem Maria» (JOÃO PAULO II, Enc. Redemptoris Mater, 2). O nosso itinerário de fé é igual ao de Maria; por isso, A sentimos particularmente próxima de nós! No que diz respeito à fé, que é o fulcro da vida cristã, a Mãe de Deus partilhou a nossa condição, teve de caminhar pelas mesmas estradas, às vezes difíceis e obscuras, trilhadas por nós, teve de avançar pelo «caminho da fé» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. Lumen gentium, 58).






    O nosso caminho de fé está indissoluvelmente ligado a Maria, desde o momento em que Jesus, quando estava para morrer na cruz, no-La deu como Mãe, dizendo: «Eis a tua mãe!» (Jo 19, 27). Estas palavras têm o valor dum testamento, e dão ao mundo uma Mãe. Desde então, a Mãe de Deus tornou-Se também nossa Mãe! Na hora em que a fé dos discípulos se ia quebrantando com tantas dificuldades e incertezas, Jesus confiava-lhes Aquela que fora a primeira a acreditar e cuja fé não desfaleceria jamais. E a «mulher» torna-Se nossa Mãe, no momento em que perde o Filho divino. O seu coração ferido dilata-se para dar espaço a todos os homens, bons e maus; e ama-os como os amava Jesus. A mulher que, nas bodas de Caná da Galileia, dera a sua colaboração de fé para a manifestação das maravilhas de Deus na mundo, no Calvário mantém acesa a chama da fé na ressurreição do Filho, e comunica-a aos outros com carinho maternal. Assim Maria torna-Se fonte de esperança e de alegria verdadeira.






    A Mãe do Redentor caminha diante de nós e sempre nos confirma na fé, na vocação e na missão. Com o seu exemplo de humildade e disponibilidade à vontade de Deus, ajuda-nos a traduzir a nossa fé num anúncio, jubiloso e sem fronteiras, do Evangelho. Deste modo, a nossa missão será fecunda, porque está modelada pela maternidade de Maria. A Ela confiamos o nosso itinerário de fé, os desejos do nosso coração, as nossas necessidades, as carências do mundo inteiro, especialmente a sua fome e sede de justiça e de paz; e invocamo-La todos juntos: Santa Mãe de Deus!






    (Fonte: Rádio Vaticano)


    Título Original: O nosso caminho de fé está indissoluvelmente ligado a Maria












    Foto: Web






    Site: Zenit


    Editado por Henrique Guilhon




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    segunda-feira, 30 de julho de 2012

    VISITA PASTORAL DO SANTO PADRE BENTO XVI AO HOSPITAL ROMANO "SÃO JOÃO BAPTISTA" DA SOBERANA ORDEM MILITAR DE MALTA


    The Holy See



    VISITA PASTORAL DO SANTO PADRE BENTO XVI

    AO HOSPITAL ROMANO "SÃO JOÃO BAPTISTA"

    DA SOBERANA ORDEM MILITAR DE MALTA


    HOMILIA DO PAPA BENTO XVI


    1º Domingo de Advento, 2 de Dezembro de 2007

    Queridos irmãos e irmãs!

    "Vamos com alegria para a casa do Senhor". Estas palavras, que repetimos no refrão do Salmo responsorial, interpretam bem os sentimentos que ocupam o nosso coração hoje, primeiro domingo do Advento. A razão pela qual podemos ir em frente com alegria, como nos exortou a fazer o apóstolo Paulo, consiste no facto de que a nossa salvação já está próxima. O Senhor vem! Com esta consciência empreendemos o itinerário do Advento, preparando-nos para celebrar com fé o extraordinário acontecimento do Natal do Senhor. Durante as próximas semanas, dia após dia, a liturgia oferecerá à nossa reflexão textos do Antigo Testamento, que recordam aquele desejo vivo e constante que manteve desperta no povo judaico a expectativa da vinda do Messias. Vigilantes na oração, procuremos também nós preparar o nosso coração para acolher o Salvador que virá para nos mostrar a sua misericórdia e para nos doar a salvação.

    Precisamente porque é tempo de expectativa, o Advento é tempo de esperança e à esperança cristã quis dedicar a minha segunda Encíclica apresentada anteontem oficialmente: ela começa com as palavras dirigidas por São Paulo aos cristãos de Roma: "Spe salvi facti sumus na esperança é que fomos salvos" (8, 24). Na Encíclica escrevo entre outras coisas que "precisamos das esperanças menores ou maiores que, dia após dia, nos mantêm a caminho. Mas sem a grande esperança, que deve superar tudo o resto, aquelas não bastam. Esta grande esperança só pode ser Deus, que abraça o universo e nos pode propor e dar aquilo que, sozinhos, não podemos conseguir" (n. 31). A certeza de que só Deus pode ser a nossa firme esperança anime todos nós, reunidos esta manhã nesta casa na qual se luta contra a doença, amparados pela solidariedade. E gostaria de aproveitar a minha visita ao vosso hospital, dirigido pela Associação dos Cavaleiros Italianos da Soberana Ordem Militar de Malta, para entregar idealmente a Encíclica à comunidade cristã de Roma e, em particular, a todos os que, como vós, estão em contacto directo com o sofrimento e com a doença. Porque precisamente sofrendo como doentes precisamos da esperança, da certeza de que há um Deus que não nos abandona, que nos leva pela mão e nos acompanha com amor. É um texto que vos convido a aprofundar, para nele encontrar as razões daquela "esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo presente:... o presente, ainda que custoso" (n.1).

    Queridos irmãos e irmãs, "o Deus da esperança que nos enche de toda a alegria e paz na fé pelo poder do Espírito Santo, esteja convosco!". Com estes votos que o sacerdote dirige à assembleia no início da Santa Missa, saúdo-vos cordialmente. Saúdo, em primeiro lugar, o Cardeal Vigário Camillo Ruini e o Cardeal Pio Laghi, Patrono da Soberana Ordem Militar de Malta, os Prelados e os sacerdotes presentes, os capelães e as irmãs que prestam aqui o seu serviço. Saúdo com deferência Sua Alteza Eminentíssima Fra Andrew Bertie, Príncipe e Grão-Mestre da Soberana Ordem Militar de Malta, ao qual agradeço os sentimentos expressos em nome da Direcção, do pessoal administrativo, dos médicos e dos enfermeiros e de quantos prestam de diversos modos a sua obra no hospital. Faço a minha saudação extensiva às distintas Autoridades, com um particular pensamento para o Director, assim como para o Representante dos doentes, aos quais transmito o meu agradecimento pelas palavras que me dirigiram no início da Celebração.

    Mas a saudação mais afectuosa dirige-se a vós, queridos doentes e aos vossos familiares, que convosco partilham ansiedades e esperanças. O Papa está espiritualmente próximo de vós e garante-vos a sua oração quotidiana; convida-vos a encontrar em Jesus apoio e conforto e a nunca perder a confiança. A liturgia do Advento repetir-nos-á ao longo das próximas semanas que não nos cansemos de o invocar; exortar-nos-á a ir ao seu encontro, sabendo que ele próprio nos visita constantemente. Na prova e na doença Deus visita-nos misteriosamente e, se nos abandonarmos à sua vontade, podemos experimentar o poder do seu amor. Os hospitais e as casas de cura, precisamente porque habitados por pessoas provadas pelo sofrimento, podem tornar-se lugares privilegiados onde testemunhar o amor cristão que alimenta a esperança e suscita propósitos de solidariedade fraterna. Na Colecta rezámos assim: "Ó Deus, suscita em nós a vontade de ir ao encontro do teu Cristo que há-de vir com as boas acções". Sim! Abramos o coração a cada pessoa, especialmente se está em dificuldade, porque fazendo o bem a quantos estão em necessidade dispomo-nos para acolher Jesus que neles nos vem visitar.

    É o que vós, queridos irmãos e irmãs, procurais fazer neste hospital onde no centro das preocupações de todos está o acolhimento amoroso e qualificado dos doentes, a tutela da sua dignidade e o compromisso de melhorar a sua qualidade de vida. A Igreja, através dos séculos, tornou-se particularmente "próxima" de quantos sofrem. Deste espírito se fez partícipe a vossa benemérita Soberana Ordem Militar de Malta, que desde o início se dedicou à assistência dos peregrinos na Terra Santa mediante um Hospício-Enfermaria. Enquanto perseguia a finalidade da defesa cristã, a Soberana Ordem de Malta prodigalizava-se para curar os doentes, especialmente os pobres e marginalizados. Testemunho deste amor fraterno é também este hospital que, tendo surgido nos anos 70 do século passado, se tornou hoje um presídio de alto nível tecnológico e uma casa de solidariedade, onde ao lado do pessoal médico trabalham com generosa dedicação numerosos voluntários.

    Queridos Cavaleiros da Soberana Ordem Militar de Malta, queridos médicos, enfermeiros e todos vós que aqui trabalhais, sois chamados a prestar um importante serviço aos doentes e à sociedade, um serviço que exige abnegação e espírito de sacrifício. Em cada doente, quem quer que ele seja, sabei reconhecer e servir o próprio Cristo; fazei-lhe sentir, com os vossos gestos e palavras, os sinais do seu amor misericordioso. Para compreender bem esta "missão", procurai, como nos recorda São Paulo na segunda Leitura, "revestir as armas da luz" (Rm 13, 12), que são a Palavra de Deus, os dons do Espírito, a graça dos Sacramentos, as virtudes teologais e cardeais; lutai contra o mal e abandonai o pecado que torna tenebrosa a nossa existência. No início de um novo ano litúrgico, renovemos os nossos bons propósitos de vida evangélica. "Já é hora de despertardes do sono" (Rm 13, 11), exorta o Apóstolo; ou seja, é tempo de converter-se, de despertar do sono do pecado, para se predispor confiantes a acolher "o Senhor que há-de vir". Por isso, o Advento é tempo de oração e de expectativa vigilante.

    À "vigilância", que aliás é a palavra-chave de todo este período litúrgico, exorta-nos a página evangélica há pouco proclamada: "Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor" (Mt 24, 42). Jesus, que no Natal veio entre nós e voltará glorioso no fim dos tempos, não se cansa de nos visitar no fim dos tempos, não se cansa de nos visitar continuamente, nos acontecimentos de cada dia. Pede-nos e admoesta-nos que o esperemos vigilantes, porque a sua vinda não pode ser programada ou prognosticada, mas será improvisa e imprevisível. Só quem vigia não é colhido de surpresa. Que não vos aconteça, adverte Ele, o que aconteceu no tempo de Noé, quando os homens comiam e bebiam despreocupados, e foram colhidos impreparados pelo dilúvio (cf. Mt 24, 37-38). O que nos quer fazer compreender o Senhor com esta admoestação, a não ser que não nos devemos deixar absorver pelas realidades e preocupações materiais até ao ponto de ser por elas seduzidos? Devemos viver sob o olhar do Senhor, na convicção de que Ele se pode tornar presente todos os dias.

    "Vigiai, pois... ". Escutemos o convite de Jesus no Evangelho e preparemo-nos para reviver com fé o mistério do nascimento do Redentor, que encheu o universo de alegria; preparemo-nos para acolher o Senhor no seu incessante vir ao nosso encontro nos acontecimentos da vida, na alegria e no sofrimento, na saúde e na doença; preparemo-nos para o encontrar na sua vinda última e definitiva. A sua passagem é sempre fonte de paz e, se o sofrimento, herança da natureza humana, se torna por vezes quase insuportável, com o advento do Salvador "o sofrimento sem deixar de o ser torna-se apesar de tudo canto de louvor" (Enc. Spe salvi, 37). Confortados por esta palavra, prossigamos a Celebração eucarística, invocando sobre os doentes, seus familiares e sobre quantos trabalham neste hospital e sobre toda a Ordem dos Cavaleiros de Malta a protecção materna de Maria, Virgem da expectativa e da esperança, como também da alegria, que já está neste mundo, porque quando sentimos a proximidade de Cristo vivo há remédio para o sofrimento, já está presente a sua alegria. Amém.

    http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2007/documents/hf_ben-xvi_hom_20071202_ospedale-smom_po.html

    © Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana

    sexta-feira, 8 de junho de 2012

    Homilia do bispo de Viseu na solenidade do Corpo de Deus



    Homilia do bispo de Viseu na solenidade do Corpo de Deus

    O Domingo: Dia da Fé, da Família e da Festa

    Muitos estudos têm sido feitos sobre a vivência da Fé por parte das pessoas do nosso tempo. Todos nos têm mostrado um decréscimo acentuado, nos países europeus, ocidentais e mais industrializados, na relação com a religião e com a prática cristã. Nestes países, o crescimento económico, científico e tecnológico tem desprezado e subalternizado a religião, como se esta fosse inútil para preencher qualquer dimensão da vida.
    A sociedade de hoje tem perdido a “alma”, criando uma grande desarmonia, perdendo a ideia e noção de beleza integral da pessoa, acentuada cada vez mais com a perda da dimensão espiritual. Porém, à medida que a vida vai atingindo o seu termo, as interrogações sobre o sentido da vida vão inquietando, parecendo que a religião, mais do que respondendo à beleza e ao sentido da vida, é ajuda para morrer.
    Por outro lado, a cultura, as mudanças sociais, a globalização e abertura ao universal e diferente parecem relativizar as crenças e a “alma” que cada um abraçou desde pequeno.
    Ainda, nestas circunstâncias de instabilidade múltipla e perante crises e fundamentalismos diversos, cresce um relativismo de indiferença e de privatismo quanto a práticas pessoais, levando a defender-se e a justificar-se que a religião e a fé são preocupações meramente individuais...
    Assim, diminuem a solidariedade, a coesão social e a corresponsabilidade e, ao mesmo tempo, diminuem os sinais exteriores da visibilidade da Fé e as consequências sociais da responsabilidade e da coerência individual e comunitária na vivência da mesma fé.
    Pode acontecer, também, que se afirme a fé como supremacia nacionalista, negando o diálogo pluricultural, sadio e desejável, como consequência mais forte da Fé no Deus Único – Pai e Redentor de todas as pessoas e Criador de todas as coisas maravilhosas do universo…
    Os resultados aos diversos inquéritos, feitos nos últimos tempos, pedem um reforço da valorização do Domingo para que este seja o dia do Senhor, o dia da Festa, o dia da Comunidade e o dia da Família.
    Para a Igreja e para o cristão, não pode haver uma valorização do Domingo sem a Eucaristia ou sem a celebração comunitária e festiva da Fé. O Domingo cristão não quer nem pode ser o parente pobre do fim-de-semana; não pode ser visto como o corte, a ressaca ou a forma de esquecer todos os outros dias… O Domingo é o 1º dia da semana que deve iluminar, dar o sentido e valorizar todos os outros dias, tornando a vida da semana a consequência coerente e a preparação séria do que celebra a Eucaristia.
    Será isto o nosso Domingo? Será a Eucaristia a fonte de vida e de bênção para os cristãos? Será a solenidade do Corpo de Deus a afirmação pública de que temos na Eucaristia o centro, fonte e cume da vida cristã?
    O conteúdo do Domingo, onde a Eucaristia é o centro e a solenidade de hoje torna pública, constitui o fundamental cristão que Deus nos propõe com a acção de Jesus Cristo, o nosso Redentor e que Ele selou com a Sua Páscoa.
    Que resposta damos a esta proposta, na coerência com o Baptismo e com a herança que recebemos dos nossos pais, catequistas e educadores? O que temos feito da Páscoa de Jesus, transmitida pela Igreja e celebrada, cada Domingo, na Eucaristia? Como temos vivido e cumprido a nova Aliança, que Jesus celebra e renova connosco, sempre que participamos na Sua Páscoa?
    O Papa pede que não ocupemos o Domingo com actividades que mudem o seu sentido e o seu centro. Diz que as famílias têm de ser defendidas da sobrecarga laboral e que o Domingo deve ser reservado ao convívio familiar e a Deus. Textualmente, diz Bento XVI: “É preciso preservar o tempo em família, ameaçada por uma predominância de compromissos devidos ao trabalho”. Lembrou que as actividades devem ser de modo a “encontrar um equilíbrio harmonioso para construir sociedades de rosto humano”.
    Preencher o Domingo com actividades laborais, culturais, recreativas ou desportivas que impeçam as pessoas de estar em família e de participar, juntos, na Festa e na celebração da Fé, não é ajudar a criar a esperança e a “alma” que a sociedade de hoje tanto precisa nem é encontrar o sentido tão necessário para a vida.
    Seria importante que as diversas instituições, associações e clubes que organizam essas diversas actividades não dificultassem a sã harmonia que deve existir no viver os diversos ritmos e desafios da vida.
    Importa ajudar e não impedir a que as crianças, adolescentes, jovens e adultos possam viver os seus compromissos familiares, sociais e cristãos, de modo a que o importante ditado “alma são em corpo são” não seja invertido ou pervertido, esquecendo a alma com a atenção única ao corpo…
    Fazemos votos de que este próximo Ano da Fé, a ser vivido na nossa Diocese com o tema – “Domingo, juntos na FEsta” – nos ajude a dar a necessária importância ao Domingo como um dia diferente e festivo e a viver a Eucaristia como o centro deste dia, conscientes de que “a Igreja não pode ser a mesma sem a Eucaristia”.
    Que esta solenidade e a procissão que se segue, sejam vividas como um acto único de “profunda fé na Eucaristia, que constitui o tesouro mais precioso da Igreja e da humanidade”. AMEN! ALELUIA!

    Ilídio, bispo de Viseu
    Documentos | Agência Ecclesia | 2012-06-08 | 12:46:05 | 5193 Caracteres |

    quinta-feira, 7 de junho de 2012

    Homilia de Bento XVI na Festa de Corpus Christi



    Homilia de Bento XVI na Festa de Corpus Christi


    Esta noite gostaria de meditar com vocês sobre dois aspectos, entre eles relacionados, do Mistério eucarístico: o culto da Eucaristia e a sua sacralidade. É importante levá-los em consideração para preservá-los de visões incompletas do próprio Mistério, como as que se verificaram num passado recente.

    Antes de tudo, uma reflexão sobre o valor do culto eucarístico, em especial da adoração ao Santíssimo Sacramento. É a experiência que também esta noite nós viveremos depois da Missa, antes da procissão, durante sua realização e no seu final. Uma interpretação unilateral do Concílio Vaticano II penalizou esta dimensão, restringindo na prática a Eucaristia ao momento celebrativo.

    Com efeito, foi muito importante reconhecer a centralidade da celebração, em que o Senhor convoca o seu povo, o reúne em torno da dúplice Ceia da Palavra e do Pão da vida, o nutre e o une a Si na oferta do Sacrifício. Essa valorização da assembleia litúrgica, em que o Senhor atua e realiza o seu mistério de comunhão, permanece naturalmente válida, mas deve ser reinserida no justo equilíbrio.

    Com efeito, como muitas vezes acontece, para destacar um aspecto se acaba por sacrificar outro. Neste caso, a acentuação dada à celebração da Eucaristia foi em detrimento da adoração, como ato de fé e de oração dirigido ao Senhor Jesus, realmente presente no Sacramento do altar. Esse desequilíbrio teve repercussões também na vida espiritual dos fiéis. De fato, concentrando toda a relação com Jesus Eucaristia somente no momento da Santa Missa, corre-se o risco de esvaziar de Sua presença o restante do tempo e do espaço existenciais.

    E assim se percebe menos o sentido da presença constante de Jesus no meio de nós e conosco, uma presença concreta, próxima, entre as nossas casas, como “Coração pulsante” da cidade, do país, do território com as suas várias expressões e atividades. O Sacramento da Caridade de Cristo deve permear toda a vida cotidiana.

    Na realidade, está errado contrapor celebração e adoração, como se estivessem em concorrência uma com a outra. É justamente o contrário: o culto do Santíssimo Sacramento constitui o “ambiente” espiritual dentro do qual a comunidade pode celebrar bem e em verdade a Eucaristia. Somente se for precedida, acompanhada e seguida por essa atitude interior de fé e de adoração, a ação litúrgica poderá expressar seu pleno significado e valor.

    O encontro com Jesus na Santa Missa se realiza realmente e plenamente quando a comunidade é capaz de reconhecer que Ele, no Sacramento, habita a sua casa, nos aguarda, nos convida à sua ceia e, a seguir, depois que a assembleia se desfaz, permanece conosco, com a sua presença discreta e silenciosa, e nos acompanha com a sua intercessão, continuando a recolher os nossos sacrifícios espirituais e a oferecê-los ao Pai.

    A esse propósito, quero ressaltar a experiência que viveremos juntos esta noite. No momento da adoração, nós estamos todos no mesmo plano, de joelhos diante do Sacramento do Amor. O sacerdócio comum e o ministerial se encontram acomunados no culto eucarístico. É uma experiência muito bela e significativa, que vivemos diversas vezes na Basílica de S. Pedro, e também nas inesquecíveis vigílias com os jovens – lembro por exemplo as de Colônia, Londres, Zagreb e Madri.

    É evidente a todos que esses momentos de vigília eucarística preparam a celebração da Santa Missa, preparam os corações ao encontro, de modo que isso resulte ainda mais frutuoso. Estar todos em silêncio prolongado diante do Senhor presente no seu Sacramento é uma das experiências mais autênticas do nosso ser Igreja, que acompanha de modo complementar a celebração da Eucaristia, ouvindo a Palavra de Deus, cantando, aproximando-se junto da ceia do Pão da Vida.

    Comunhão e contemplação não podem se separar, vão juntas. Para comunicar realmente com outra pessoa devo conhecê-la, saber estar em silêncio ao seu lado, ouvi-la, olhá-la com amor. O verdadeiro amor e a verdadeira amizade vivem sempre desta reciprocidade de olhares, de silêncios intensos, eloquentes, repletos de respeito e de veneração, de modo que o encontro seja vivido profundamente, de modo pessoal e não superficial.

    E, infelizmente, se falta esta dimensão, também a própria comunhão sacramental pode se tornar, da nossa parte, um gesto superficial. Ao invés, na verdadeira comunhão, preparada com o colóquio da oração e da vida, nós podemos dizer ao Senhor palavras íntimas, como as que ressoaram agora há pouco no Salmo responsorial: “Sou teu servo, filho de tua serva, rompeste os meus grilhões. Vou te oferecer um sacrifício de louvor, invocando o nome do Senhor” (Salmo 115, 16-17).

    Agora gostaria de passar brevemente para o segundo aspecto: a sacralidade da Eucaristia. Também aqui sofremos no passado recente com certa incompreensão da mensagem autêntica da Sagrada Escritura. A novidade cristã quanto ao culto foi influenciada por uma mentalidade mundana dos anos 60 e 70 do século passado. É verdade, e permanece sempre válido, que o centro do culto já não está mais nos ritos e nos sacrifícios antigos, mas no próprio Cristo, na sua pessoa, na sua vida, no seu mistério pascal.

    E, todavia, desta novidade fundamental não se deve concluir que o sagrado não existe mais, mas que encontrou sua realização em Jesus Cristo, Amor divino encarnado. A carta aos Hebreus, que ouvimos esta noite na segunda Leitura, nos fala justamente da novidade do sacerdócio de Cristo, “sumo sacerdote dos bens vindouros” (Hb 9, 11), mas não diz que o sacerdócio acabou. Cristo “é mediador de uma nova aliança” (Hb9,15), estabelecida no seu sangue, que purifica “a nossa consciência das obras mortas” (Hb9,14).

    Ele não aboliu o sagrado, mas o levou a cabo, inaugurando um novo culto, que é sim plenamente espiritual, mas que todavia, até que estejamos em caminho no tempo, se serve ainda de sinais e de ritos, que desaparecerão somente no fim, na Jerusalém celeste, onde não haverá mais nenhum templo. Graças a Cristo, a sacralidade é mais verdadeira, mais intensa, e, como acontece para os mandamentos, também mais exigente!

    Não basta observar o rito, mas se requer a purificação do coração e o envolvimento da vida. Apraz-me sublinhar que o sagrado possui uma função educativa, e seu desaparecimento inevitavelmente empobrecerá a cultura, de modo particular a formação das novas gerações.

    Se, por exemplo, em nome de uma fé secularizada e não mais necessária de sinais sagrados, fosse abolida esta procissão urbana de Corpus Domini, o perfil espiritual de Roma resultaria “esvaziado”, e nossa consciência pessoal e comunitária se tornaria enfraquecida. Também pensamos em uma mãe e em um pai que, em nome de uma fé dessacralizada, privassem seus filhos de qualquer ritual religioso: na realidade terminariam por deixar o campo livre a tantos substitutos presentes na sociedade de consumo, e a outros ritos e a outros sinais, que mais facilmente poderiam se tornar ídolos.

    Deus, nosso Pai, não fez assim com a humanidade: enviou seu Filho ao mundo não para abolir, mas para dar cumprimento também ao sacro. No cume desta missão, na última Ceia, Jesus instituiu o Sacramento de seu Corpo e de seu Sangue, o Memorial de seu Sacrifício Pascal. Assim fazendo Ele mesmo se colocou no lugar dos sacrifícios antigos, mas o fez dentro de um rito, que mandou os Apóstolos perpetuar, qual sinal supremo do verdadeiro Sagrado, que é Ele mesmo.

    Com esta fé, queridos irmãos e irmãs, celebramos hoje e cada dia o Mistério Eucarístico e o adoramos como centro de nossa vida e coração do mundo. Amém.

    segunda-feira, 16 de abril de 2012

    Somos chamados a viver a Ressurreição de Jesus em comunhão com Deus

    Fonte: centralcatolica.com

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    • Somos chamados a viver a Ressurreição de Jesus em comunhão com Deus
    Postado por: homilia
    abril 15th, 2012
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    Nas tradições das primeiras comunidades, circulavam dois tipos de textos sobre a Ressurreição de Cristo: uns relativos à constatação do túmulo vazio e outros relacionados às aparições do Ressuscitado. Em Marcos, encontramos apenas a tradição do túmulo vazio. Os demais evangelistas combinam-se ao coletar textos extraídos das duas tradições. No Evangelho de João, temos a narrativa do encontro do túmulo vazio. Em continuação, este Evangelho apresentará as narrativas das aparições. A tradição do túmulo vazio suscita a fé no Ressuscitado sem vê-Lo.

    Precisamos fazer um rebusco sobre o que Jesus disse para os discípulos na Última Ceia. Ele já havia comunicado aos discípulos, de maneira expressiva, a sua paz; agora, na condição de ressuscitado, renova-a. Jesus aparece entre os discípulos reunidos, anuncia-lhes a paz e lhes mostra as chagas.

    A primeira testemunha do cumprimento dessas Palavras foi Maria Madalena quando chegou ao túmulo. Ela vê a pedra que O fechava removida e acha que roubaram Seu corpo. Ela comunica o fato a Pedro e ao discípulo que Jesus amava. Este discípulo é mais ágil do que Pedro ao dirigir-se ao túmulo; porém, em consideração a ele, deixa que entre primeiro.

    O pano que havia coberto a cabeça de Jesus estava enrolado num lugar à parte. O discípulo que Jesus amava viu e acreditou na presença viva do Senhor. Até então, não haviam compreendido que Ele ressuscitaria. Contudo, os sinais do túmulo vazio são suficientes para João crer que Cristo continuava vivo.

    No Evangelho de hoje, os discípulos estão com as portas trancadas com medo dos judeus. Esse detalhe exprime a situação da comunidade de João – excluída pelos judeus -, os quais, inclusive, denunciavam os cristãos aos romanos. Porém, a presença do Ressuscitado liberta essa comunidade do medo e lhes traz a alegria. O “mostrar as chagas” das mãos e do lado é a confirmação da identificação do Ressuscitado com Jesus de Nazaré que foi crucificado. Agora, conforme anunciara nos discursos de despedida, Jesus comunica aos discípulos o Espírito, soprando sobre eles.

    Os discípulos são enviados em missão, com o conforto do Espírito. Suas comunidades, que vivem na comunhão e partilha – movidas pela fé em Jesus – são responsáveis pela prática da misericórdia no acolhimento dos excluídos como pecadores e de todos aqueles que se sentem atraídos por Jesus. A partir da experiência de Tomé, Jesus proclama a bem-aventurança da fé. Começa o tempo dos bem-aventurados que não viram e creram.

    Cristo ressuscitado continua presente entre os Seus discípulos. É o mesmo Jesus de Nazaré, Filho de Deus encarnado, que a todos comunicou eternidade e vida divina. As primeiras comunidades tinham consciência de que, pelo batismo, já viviam como ressuscitadas, isto é, em união com Jesus em Sua eternidade e divindade.

    Comprometer-se, hoje, com o projeto vivificante de Jesus – na justiça, no amor e na partilha – é viver a Ressurreição em comunhão com o Deus eterno.

    • Padre Bantu Mendonça
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    abril 15th, 2012


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    sexta-feira, 13 de abril de 2012

    VISITA PASTORAL DO SANTO PADRE À VELLETRI (ITÁLIA) HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II

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    VISITA PASTORAL DO SANTO PADRE À VELLETRI (ITÁLIA)

    HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II

    Praça da Catedral
    Velletri, 7 de Setembro de 2009



    • Caríssimos Irmãos e Irmãs

    1. Desejo, antes de tudo, manifestar-vos a minha alegria por me ser dado encontrar-me. hoje no meio de vós, na vossa belíssima Velletri. Saúdo-vos a todos com particular efusão do coração e agradeço-vos vivamente o vosso caloroso acolhimento. A minha saudação vai, de modo particular, para o Senhor Cardeal Sebastiano Baggio, Prefeito da Sagrada Congregação para os Bispos, titular desta gloriosa Igreja suburbicária; para o benemérito Bispo Dom Dante Bernini; para os membros do presbitério diocesano; para todos os representantes das Ordens religiosas masculinas e femininas; para os futuros sacerdotes; para aqueles que se preparam para o Diaconado permanente; para os matriculados na Escola de Teologia para Leigos; e para todos os que pertencem às várias Associações laicais. Este nosso encontro, nobilitado pelo contexto da Santa Missa que estamos a celebrar, é óptima ocasião para confessarmos juntas a nossa fé comum em Cristo Jesus, Senhor nosso, e para exprimirmos a nossa comunhão mútua.

    Sei que me encontro numa Cidade com história antiga e ilustre, tanto na esfera civil como na eclesiástica; quanto à primeira, basta pensar nas origens do imperador Octaviano Augusto; quanto à segunda, sobressaem as figuras de não poucos Bispos de Velletri elevados à Cátedra de Pedro ou mesmo às honras dos Altares. Mas sei ainda, igualmente bem, que a vitalidade dos Velletrinos não se limita unicamente ao passado, mas constitui património fecundo no presente, graças ao qual a vossa Cidade se distingue pelo seu dinamismo a vários níveis. Disto vos dou testemunho e, ao mesmo tempo que me alegro, animo-vos paternalmente a que prossigais com igual empenho, procurando sobretudo manter sempre alto o nome cristão que vos distingue.

    2. As Leituras Bíblicas, que a Liturgia deste Domingo nos propõe, centram-se à volta do conceito da sabedoria cristã, que é incitado cada um de nós a adquirir e profundar. Por isso, o versículo do Salmo responsorial é formulado nestas belas palavras: "Dai-nos, Senhor, a sabedoria do coração". De facto, sem ela como seria possível ordenar dignamente a nossa vida, enfrentar-lhe as várias dificuldades e mesmo conservar sempre urna profunda atitude de paz e serenidade interior? Mas para fazer isto, como ensina a Primeira Leitura, é necessária a humildade, ou seja o sentimento verdadeiro do próprio limite, unido ao desejo intenso de um dom do alto, que nos marca por dentro. O homem de hoje, de facto, por um lado acha difícil abraçar e compreender todas as leis que regulam o universo material, que são contudo objecto de observação científica, mas por outro presume legislar com segurança sobre as coisas do espírito, que por definição escapam às observações físicas: "E difícil calcularmos o que há sobre a Terra,... E quem descobriu o que há nos Céus,... sem que, do alto, lhe tivésseis enviado o Vosso santo Espírito?" (Sab 9, 16.17).

    Nisto se vê a importância de sermos verdadeiros discípulos de Cristo, porque, mediante o Baptismo, Ele se tornou a nossa sabedoria (cf. 1 Cor 1, 30) e por isso a medida de tudo o que forma o tecido concreto da nossa vida. O Evangelho que foi lido põe em evidência precisamente a centralidade necessária de Jesus Cristo na nossa existência. E fá-lo com três frases condicionais: se não o pomos a Ele acima das nossas coisas mais queridas, se não nos dispomos a ver as nossas cruzes à luz da Sua, e se não temos o sentido da relatividade dos bens materiais, então não podemos ser Seus discípulos, isto é, dizermo-nos cristãos. Trata-se de apelos essenciais à nossa identidade de Baptizados; sobre eles deveremos reflectir sempre muito, embora presentemente baste fazer-lhe uma breve alusão.

    3. Caríssimos Velletrinos, é sobre estas sólidas bases evangélicas que se enxertam e adquirem, a um preço ainda mais alto, outros importantes valores humanos e cristãos. Sei que em Velletri se costuma dizer que se alimentam, em especial, três amores: a família, o trabalho e Nossa Senhora. Pois bem, se permitis, quero dizer-vos que os compartilho, e a cada um deles é-me agradável consagrar algumas breves palavras.

    Primeiramente, a família: é o primeiro ambiente vital, que o homem encontra ao vir ao mundo, e a experiência dela foca decisiva para sempre. Por isso é importante tratar dela e protegê-la, para conseguir desempenhar adequadamente os seus encargos próprios, que lhe são reconhecidos e confiados pela natureza e pela revelação cristã. É o lugar do amor e da vida, melhor o lugar em que o amor gera a vida, pois cada uma destas duas realidades não seria autêntica se não fosse acompanhada também pela outra. Eis o motivo por que desde sempre as defendem o Cristianismo e a Igreja, e as colocam em mútua correlação. A este propósito mantém-se verdadeiro o que o meu predecessor, o grande Papa Paulo VI, proclamava já na sua primeira radiomensagem natalícia de 1963: "Tentou-se por vezes recorrer a remédios que devem considerar-se piores que o mal, se consistem em atentar contra a fecundidade mesma da vida com meios que a ética humana e cristã deve qualificar de ilícitos: em vez de aumentar o pão na mesa da humanidade faminta como hoje o desenvolvimento produtivo moderno pode fazer, pensam alguns em diminuir, com processos contrários à honestidade, o número dos comensais. Isto não é digno da civilização" (Insegnamenti di Paolo VI, I, 1963, p. 419). Faço plenamente minhas estas palavras, e até desejaria insistir mais nelas, pois, desde que foram pronunciadas até hoje, a situação pode dizer-se agravada, e precisa do esforço responsável e prático de todos os homens honestos, a todos os níveis da convivência civil. Certamente sabeis que o próximo Sínodo dos Bispos tem, como tema dos seus estudos, exactamente a família; peçamos ao Senhor que ele seja fecundo em positivos e duradouros resultados para o bem da Igreja e até da sociedade humana.

    4. Em segundo lugar, vós amais o trabalho. Sobre estas férteis colinas o vosso trabalho concretiza-se sem dúvida na imagem risonha e serena da vinha, que produz aquele típico e célebre vinho local, de que vos orgulhais e com razão. Mas não esqueço todos os outros tipos de actividade, a que se adapta cada um de vós para ganhar o pão quotidiano para si e para os que lhe são queridos.

    A Igreja, como sabeis, dedica os seus cuidados mais atentos aos problemas do trabalho e dos trabalhadores. Nas minhas viagens apostólicas não deixei de traçar as linhas fundamentais desta, primária solicitude pastoral; e vós recordais-vos além disso como o Concílio Vaticano II afirmou que o trabalho "procede imediatamente da pessoa, que imprime na natureza quase o seu selo e a submete à sua vontade" (GS 67). Além disso, dada a sua importância social, o trabalho precisa de ser não só promovido, mas também protegido e defendido, de modo que os deveres dos trabalhadores se equilibrem de maneira justa com os direitos dos mesmos, reconhecidos e respeitados. Não será nunca lícito, do ponto de vista cristão, escravizar a pessoa humana nem a um indivíduo nem a um sistema, de modo que ela se torne puro instrumento de produção. Ela, pelo contrário, é sempre considerada superior a todos os ganhos e a todas as ideologias; nunca ao contrário.

    Faço votos por que o vosso trabalho vos incuta fortes e experimentadas virtudes, vos torne cada vez mais amadurecidos e conscientes construtores do bem comum e realizadores daquela solidariedade que, tomando origem em Deus Criador, une e cimenta a vossa convivência. Mais, apraz-me ver no produto da vossa boa terra um símbolo eloquente de fraternidade e de recíproca comunhão, de maneira que os homens se transformem em outros tantos comensais, iguais e em festa, sentados no banquete desta vida, como prefiguração do futuro e eterno festim, partilhado connosco pelo nosso único Senhor.

    Por último, vós amais a Mãe de Jesus. Sei que vos é particularmente querida Nossa Senhora das Graças, cuja imagem é filialmente guardada e venerada na vossa bela Catedral. Muito gosto tenho nisto e exorto-vos a perseverar nesta vossa devoção que, se rectamente entendida e vivida, conduz seguramente a penetrar cada vez mais no mistério de Cristo, nosso único Salvador. O coração da Sua Mãe é tão grande e terno que derrama o próprio amor sobre cada um de nós, necessitados como estamos todos os dias da sua protecção. E por isso também lhe recomendo a ela, meus caríssimos Velletrinos, todos vós aqui presentes, e todos os que não puderam participar neste maravilhoso encontro. De modo especial confio aos seus cuidados maternais os doentes, os anciãos, as crianças, e todos os que se sentem sozinhos e fracos ou se encontram em especiais necessidades. Todos temos lugar no seu coração, e, sob a sua guia, podemos enfrentar corajosamente as dificuldades da vida e sobretudo chegar a uma plena maturidade cristã.

    São estes também os meus anseios vivíssimos, cordiais e portadores de bênção. Assim seja!



    © Copyright 1980 - Libreria Editrice Vaticana


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    Immaculata mea

    In sobole Evam ad Mariam Virginem Matrem elegit Deus Filium suum. Gratia plena, optimi est a primo instanti suae conceptionis, redemptionis, ab omni originalis culpae labe praeservata ab omni peccato personali toto vita manebat.


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    'A Lógica da Criação'


    Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim




    “Se não fosse a Santa Comunhão, eu estaria caindo continuamente. A única coisa que me sustenta é a Santa Comunhão. Dela tiro forças, nela está o meu vigor. Tenho medo da vida, nos dias em que não recebo a Santa Comunhão. Tenho medo de mim mesma. Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim. Do Sacrário tiro força, vigor, coragem e luz. Aí busco alívio nos momentos de aflição. Eu não saberia dar glória a Deus, se não tivesse a Eucaristia no meu coração.”



    (Diário de Santa Faustina, n. 1037)

    Ave-Maria

    A Paixão de Cristo