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    quinta-feira, 16 de agosto de 2012

    A Igreja não é refúgio de Carolas

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    A Igreja não é refúgio de Carolas

    Por Rafael Vitola Brodbeck




    "Retiro a expressão que dá título a este artigo do equivalente assinado pelo senador Gilberto Amado, sob o título “O Brasil e a renascença católica”, publicado em 1930. Na ocasião, o ilustre político, que já exaltara as qualidades intelectuais de outros católicos, como o leigo Carlos de Laet e o Cardeal Arcoverde, punha-se a tecer a elegia de Alceu de Amoroso Lima, o “Tristão de Ataíde”.

    De fato, ao contrário do que propugnam os anticlericais – tomada a palavra em sua pior acepção –, nunca se opôs a Igreja ao fomento da cultura, da ciência e das artes. Não são seus templos redutos exclusivos de beatas, senhoras piedosas, e homens iletrados. É católica a Igreja, i.e., universal, acolhendo todas as almas, das mais variadas colorações sociais, étnicas e circunstanciais.

    Desde seu surgimento, justificou, como pedira o apóstolo São Pedro, as razões de sua esperança. Explicou-se aos romanos perseguidores, desfez os equívocos da heresia – “a verdade que enlouqueceu”, no dizer de Chesterton –, alcançou os simples e os poetas, os analfabetos e os filósofos. Deu-nos gigantes da têmpera de um Jerônimo, de um Irineu, de um Crisóstomo, de um Atanásio e de um Agostinho. Forjou, em Santo Tomás de Aquino, o diálogo perfeito entre as letras clássicas, sobretudo de Aristóteles, e o Evangelho. E legou-nos, dos escombros do Império dilacerado pelos bárbaros – que ela converterá depois, começando pelos francos de Clóvis e Clotilde –, a civilização que não se envergonhou de chamar-se "Cristandade".

    Quando se dá conta dessa verdade, o laicista enfurece. Nem todos os Richard Dawkins juntos poderão negar a evidência de que a Igreja de Cristo não só não se opôs ao desenvolvimento humano, científico e literário, como o incentivou positivamente. Mais do que isso: o pensamento cristão é, como direi, uma causa do método científico. Ao conceber um Deus Criador que rege o mundo por leis imutáveis dispostas em sua sabedoria, e não pelo mito ou pelo acaso, põe-se o pensador impregnado de cristianismo a perscrutar essas leis. Daí a física, a biologia, a química, vindas, é claro, do legado helênico - não por acaso, o menos mitológico e o mais próximo, entre os filósofos, da idéia cristã de divindade -, porém elevadas a um patamar talvez impossível sem a fé. O Deus cristão assume a natureza humana, encarna-se, e suas leis passam a ser objeto de estudo. A própria moralidade do bem supremo que é Deus converte-se em paradigma de um novo Direito, que mescla a cientificidade do latino com a humanidade evangélica.

    O incremento das modernas técnicas agronômicas cooube aos monges beneditinos e cistercienses, que transformaram lodos e pântanos em locais de pastagem e agricultura, criando mosteiros sustentáveis. As noções de liberdade e moral em economia são fruto dos neoescolásticos de Salamanca. E o Direito Internacional é cria de padres católicos: Francisco Suárez, Francisco de Vitória, Bartolomeu de las Casas.

    Contra isso, o laicista se levanta. Pode tolerar a senhora, com seu véu negro, desfiando as contas de seu rosário na igreja à meia-luz. Rasga suas vestes de pavor, entretanto, ao deparar-se com o já citado Chesterton, ou a descobrir que Pascal era cristão - embora jansenista. Quando percebe que Pasteur era católico e devoto, sua ira se intensifica. É-lhe impossível reconhecer, sem rubor ou violência, a profunda fé de inúmeros responsáveis pelo incremento da ciência - além dos referidos Pascal e Pasteur, Mendel, Copérnico, Jerôme Lejeune, descobridor da origem genética da Síndrome de Down e que está em processo de beatificação, Georges Lemâitre, padre que propôs o que viria a ser a Teoria do Big Bang (provando que ciência e relato bíblico não são excludentes), Pierre Pérignon (sim, o inventor do espumante era monge), Landell de Moura, padre gaúcho que inventou o rádio. Descobrindo o catolicismo de intelectuais do calibre do historiador Christopher Dawson, do escritor J.R.R. Tolkien, autor da monumental saga de "O Senhor dos Anéis", do economista Thomas Woods, do arquiteto Gaudí (que logo será beatificado), da medievalista francesa Régine Pernoud, ou dos grandes pensadores convertidos Cardeal Newman, Marcel de Corte, Dietrich von Hildebrand, Hilaire Belloc, Paul Claudel, Jacques e Raíssa Maritain, Santa Edith Stein, ou um cineasta de sucesso como Mel Gibson, não pode o inimigo da religião ficar impune em seu erro.

    O Brasil não foge a tão robusta tradição. Herdou de Camões, o pai da última flor do lácio, que insculpiu em seus Lusíadas, a mais varonil fé católica e uma impactante devoção à Cruz e ao Cristo, a formação cristã de seus intelectuais. Daí que nos honremos da fibra de Dom Vital, mártir branco no regime do padroado, a pena polêmica e sagaz de Laet, Arcoverde, Eduardo Prado, Joaquim Nabuco (o patriarca da abolição), Felício dos Santos, João Gualberto (que refutou magristralmente as tresloucadas teses criminológicas lombrosianas), Júlio Maria, Dom Macedo Costa. Daí o orgulho por Jackson de Figueiredo, por Amoroso Lima, por Leonel Franca, pelo gênio Gustavo Corção, por Maurílio Teixeira-Leite Penido, o grande comentador de Pio XII. Daí a figura ímpar, ainda que por muitos incompreendida, de Plínio Corrêa de Oliveira. Daí a liderança do Cardeal Leme.

    Leigos e padres não se furtaram a dar sua contribuição à humanidade. Espiritual e temporal. Tal qual o homem, que não é alma penada, tampouco um cadáver ambulante"
    ________

    Rafael Vitola Brodbeck, casado e pai de família, é Delegado de Polícia no Rio Grande do Sul, e coordena o Salvem a Liturgia, sendo responsável nesse site pelos textos sobre erros litúrgicos, incentivo ao latim, e comentários sobre rubricas e normas. É membro da Sociedade Internacional Santo Tomás de Aquino (SITA/Roma), e da Academia Marial de Aparecida. Desde 1998, é incorporado ao Regnum Christi. Ministra palestras sobre temas litúrgicos e doutrinários

    http://razoavelcrer.blogspot.com.br/2012/08/a-igreja-nao-e-refugio-de-carolas.html

    quinta-feira, 26 de julho de 2012

    Poder Global e Religião Universal


    É Razoável Crer?



    Poder Global e Religião Universal




    Dentre os livros que tive a honra de ler nestes últimos dias, este foi sem dúvida muito importante para que eu compreendesse realmente como anda o mundo e qual o meu papel enquanto cristã e cidadã neste contexto atual, onde os valores de Deus e a moral estão sendo excluídos, deixando o ser humano a mercê das hostes malignas que visam destruí-lo, por ser ele imagem e semelhança do Criador. O inimigo é o mesmo, mas a estratégia agora é outra. Como nos diz o Monsenhor Sanahuja, ele vem agora travestido de Ecumênico, Ecológico e Relativista. Rezar e vigiar é preciso. Que Deus nos ajude e que a Virgem nos guarde. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate!

    • Introdução do livro.


    • Por Juan Claudio Sanahuja

    "João Paulo II na encíclica Evangelium vitae, refere-se ao que chamava de "a verdadeira conjura contra a verdade": "Os falsos profetas e os falsos mestres conseguiram o maior êxito possível". Infelizmente certos setores do Cristianismo não escaparam à colonização da Nova Ordem. Em algumas organizações de tradição cristã o que prevalece não é o compromisso com a verdade: o medo de serem acusadas de fundamentalistas, a ambiguidade cúmplice - da qual se tira indigno proveito - e a aceitação resignada dos falsos valores da modernidade - como o sucesso, a popularidade, a excelência - provocaram em algumas pessoas uma verdadeira apostasia material da Fé em Jesus Cristo.

    Parece que para elas não existem princípios imutáveis dos quais não se pode fazer concessão. Como diz Spaemann, foi imposta : "uma nova ética que avalia as ações como parte de uma estratégia. A ação moral torna-se, então, uma ação estratégica". Esta forma de pensar, que de início era chamada comumente de "utilitarismo", tem sua origem no pensamento político", o que leva a cair no consequencialismo moral.

    O diálogo se transforma em "dialoguismo", no qual é concedido o inegociável, e, com desculpa de se descobrir o que é positivo nas diferentes manifestações sociais e culturais contaminadas de paganismo, muitos católicos não resistem a nenhuma de suas exigências abusivas, coonestam o erro, ocultam sua fé, não demonstram com obras que são cristãos e, com frequência, se mostram mais amigos dos inimigos de Deus que de seus irmãos de fé.

    A crise da Igreja é grave. Tenho a impressão de que não se esconde de ninguém que o cataclismo social que afeta o respeito à vida humana e à família tem essa triste situação como causa. Michel Schooyans afirma, sem nenhuma dúvida, que a Nova Ordem Mundial, "do ponto de vista cristão, é o maior perigo que ameaça a Igreja desde a crise ariana do século IV", quando, nas palavras atribuídas a São Jerônimo, "o mundo dormiu cristão e com um gemido, acordou ariano"

    O consolo banal e pusilânime de dizer que "vai passar", que o "pêndulo da história voltará a se equilibrar", nada resolve porque, enquanto isso, criam-se situações que põem em perigo a fé de muitas pessoas. Nossa primeira atitude não deve ser - ainda que a tentação exista -nem de queixa nem de denúncia,mas de obediência a Jesus Cristo,que é exigente: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos"(Jo 14,15). Só assim nosso falar e pensar servirá para que Deus possa ser ouvido,para que possa encontrar espaço no mundo. Só assim seremos bons instrumentos purificados pelo Senhor.

    Como comenta Bento XVI,tomando a primeira carta de São Pedro: " A obediência à verdade deveria tornar casta a nossa alma e desta forma guiar à reta palavra e à reta ação. Em outras palavras, falar para encontrar aplausos, falar orientando-se segundo o que os homens querem ouvir, falar em obediência à ditadura de opiniões comuns é considerado uma espécie de prostituição da palavra e da alma. A castidade à qual o apóstolo Pedro faz alusão não é submeter-se a estes protótipos, não é procurar aplausos, mas procurar a obediência à verdade" (Homilia durante a missa com os membros da comissão teológica Internacional - 06/10/2006)

    Bento XVI propôs recentemente, de forma sintética, o exemplo de São João Leonardo: " tender constantemente à alta medida de vida cristã, que é a santidade", porque "só da fidelidade a Cristo pode surgir a autentica renovação eclesial". São João Leonardo viveu nos anos em que começou a se delinear o pensamento moderno " que produziu entre seus efeitos negativos a marginalização de Deus, com a ilusão de uma possível e total autonomia do homem que escolhe viver ' como se Deus não existisse'. É a crise do pensamento moderno, que muitas vezes desemboca em formas de relativismo.

    São João Leonardo intuiu qual era o verdadeiro remédio para estes males espirituais e resumiu-o na expressão: " Cristo antes de tudo". Reafirmou que o encontro vivo com Cristo se realiza em sua Igreja, santa mas frágil, radicada na história e no seu porvir, às vezes obscuro, no qual o trigo e o joio crescem juntos, mas que é sempre Sacramento de salvação. Não se escandalizou com as fraquezas humanss e para combater o joio optou por ser bom trigo: ou seja, decidiu amar a Cristo na Igreja e contribuir para torna-la cada vez mais trnsparenete d ' Ele. (Audiência Geral 07/10/09)


    A sociedade e o Estado excluíram Deus e "onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil. Isto começa a tornar-se evidente ali onde a eliminação organizada de pessoas inocentes - ainda não nascidas - se reveste de uma aparência de direito, por ter a seu favor a proteção do interesse da maioria" (Bento XVI - Iglesia y Modernidad, Buenos Aires: Paulinas p.115 - 1992)


    Este caminho não será fácil, nem seguro:" Num mundo onde a mentira é poderosa, paga-se a verdade com o sofrimento. Quem quer evitar o sofrimento, mante-lo longe de si, mantém longe a própria vida e sua grandeza; não pode ser servo da verdade nem pode servir à fé" (Bento XVI Homilia 28/06/2008)


    Para este serviço à fé contamos coma graça proporcional às circunstâncias que Deus nos deu: " Não devemos distanciar-nos de Deus, mas tornar Deus presente; fazer com que Ele seja grande em nossas vidas;[...]É importante que Deus seja grande entre nós, na vida pública, através por exemplo, da cruz nos edifícios públicos" (Bento XVI homilia na Solenidade da Assunção - 2005)


    O Santo Padre tem insistido no testemunho público dos católicos; mas não estaremos complexados e covardes, omitindo deveres elementares com a desculpa de pluralismo e abertura? Os inimigos que enfrentamos hoje são muito poderosos. Irremediável é o sofrimento pela Verdade, igualmente inevitável a perseguição dos bons e, ao mesmo tempo, impreterível a necessidade de testemunho pessoal e social, individual e coletivo, o que nos é exigido como cristãos.


    Recordemos que as vésperas da Conferência do cairo, João Paulo II convidou-nos a recorrer a São Miguel Arcanjo coma oração que " O Papa Leão XIII introduziu em toda a Igreja[...] para obter ajuda nesta batalha contra as forças das trevas"


    Em 1982 referia-se ao mistério da iniquidade na Homilia em Cracóvia: " O homem vive como se Deus não existisse e chega a pôr-se a si mesmo no lugar de Deus. Assim, arroga para si próprio o direito do criador de interferir no mistério da vida humana. Quer decidir a vida do homem e determinar o limite da morte. Rejeitando as leis divinas e os princípios morais, ele atenta abertamente contra a família. Da várias maneiras procura calar a voz de Deus no coração dos homens e quer fazer de Deus o 'grande ausente' na cultura e na consciência dos povos. O mistério da iniquidade continua a caracterizar a realidade do mundo"


    Por isso, hoje mais do que nunca devemos responder de forma consciente diante de Jesus Cristo, participando de sua oração e de sua Cruz, com a direção do magistério da Igreja: Ubi Petrus, Ibi Ecclesia, Ibi Deus. Procuremos ser bons discípulos de Nosso Senhor, sem dar rédeas à tentação da impaciência, de imediatamente buscar o grande êxito, os grandes números, deixando a Ele quando e como nosso trabalho dê fruto.Para tanto é preciso rezar mais, estudar mais, pensar mais e agir mais para quebrar o espartilho do politicamente correto, dos lugares comuns e do encantamento mundano"


    Buenos Aires, 7 de novembro de 2009
    Festa de Maria, Mãe e Medianeira da Graça.
    Juan C. Sanahuja

    http://razoavelcrer.blogspot.com.br/2012/07/poder-global-e-religiao-universal.html

    terça-feira, 10 de julho de 2012

    Dom Eugênio Sales


    É Razoável Crer?

    A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
    terça-feira, 10 de julho de 2012




    Faleceu ontem Dom Eugênio Sales, um grande sacerdote da Igreja de Cristo, fiel a Deus e a sua santa doutrina

    Que Deus o tenha! O Céu está em festa e nós temos mais um grande intercessor. Deus seja louvado!

    ""Conhecer a doutrina e a posição da Igreja diante dos constantes desafios aos homens, é uma exigência para quem busca manter-se a par do que influencia os habitantes do nosso planeta. E, se não há interesse em ficar atualizado pelo menos é uma forma de evitar cair no ridículo de cometer equívocos causados pela ignorância sobre uma instituição que abriga mais de um bilhão de pessoas, espalhadas por todas as nações" (Dom Eugenio, sobre o Catecismo da Igreja Católica)


    Vale ler este texto de Dom Eugênio, tão atual, tão consciente de sua função neste mundo como filho de Deus que era. - As aparências e a Verdade


    Tive o privilégio de conhece-lo, de participar de um retiro com ele juntamente com muitos irmãos de uma comunidade do Orkut, cujo tema era: "A importância dos meios de comunicação para a evangelização e foi para mim uma grande alegria.



    Sua alma diante da Virgem e de Seu Filho.... - Exultemos com ele!


    Segue link sobre o Retiro - Aqui
    Postado por Ana Maria Bueno às 04:45

    segunda-feira, 2 de julho de 2012

    Nossa Senhora das Graças

    https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1Lze_bgH84Vrszil8ms-MsDOij5umO5HWyI7waSDcnoJvi5uffPL6r9jppXJDGOzqoVa-UcxtTUNXBRwnVCRRIKA_uOgLKA_a922Zb9Ym5wc23KeBFyTA-2r5lwa17LxnJToYA95z-hE/s320/linda!!.jpg



    É Razoável Crer?


    SEGUNDA-FEIRA, 2 DE JULHO DE 2012







    "Ao anunciar Cristo – o Filho do Deus Vivente, "Deus de Deus" e "Luz da Luz", "consubstancial ao Pai" – confesso ao mesmo tempo, com toda a Igreja, que Ele se tornou um ser humano por obra do Espírito Santo e nasceu de Maria Virgem. O teu nome, Maria, está inseparavelmente ligado ao Seu nome. A tua vocação e o teu Sim pertencem, desde aquele instante, indissoluvelmente, ao mistério da Encarnação.

    Junto com toda a Igreja confesso e proclamo que Jesus Cristo é, neste mistério, o único mediador entre Deus e os seres humanos, porquanto a sua Encarnação trouxe a redenção e a justificação aos filhos de Adão sujeitos ao poder do pecado e da morte. Ao mesmo tempo, estou intimamente convencido de que ninguém mais profundamente do que tu, a Mãe do Redentor, foi introduzido neste pujante e avassalador mistério divino, e ninguém é mais do que tu, Maria, capaz de nos introduzir nele da maneira mais fácil e mais clara, a nós que o professamos e dele pessoalmente participamos.

    Nesta convicção de fé, vivo eu há muito tempo. Com ela tenho empreendido, desde o início, a minha peregrinação [..] Com a mesma convicção eis-me hoje aqui, para agora confiar-te a Igreja a ti, nossa Mãe, pois estiveste presente no Cenáculo quando a Igreja, em virtude da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, se anunciou publicamente.

    Maria, que és bem-aventurada porque creste (Lc 1, 41), a ti confio o que parece a coisa mais importante no serviço da Igreja neste país: o seu forte testemunho de fé diante da hodierna geração de homens e mulheres deste povo, em vista da crescente secularização e indiferença religiosa que grassa por aí. Oxalá este testemunho fale sempre a linguagem clara do Evangelho e encontre destarte acesso aos corações, sobretudo da geração jovem. Atraia a juventude e entusiasme-a para uma vida conforme ao modelo do "homem novo" e para os diversos serviços na vinha do Senhor.

    4. Mãe de Cristo, que rezaste antes da sua Paixão: "Pai... todos devem ser uma só coisa" (Jo 17, 11 e 21), quão ligado está o meu peregrinar através destas terras germânicas, precisamente neste ano, com o premente e humilde anseio pela unidade entre os cristãos, que desde o século XVI estão separados! Poderia alguém desejar, mais intimamente do que tu, que se realizasse o que pediu Cristo no cenáculo da Última Ceia? E se nós mesmos devemos confessar termos sido cúmplices da cisão, mas hoje oramos por uma nova unidade no amor e na verdade, não poderemos então esperar que tu, Mãe de Cristo, ores juntamente connosco? Não poderemos esperar que com esta oração sazone um dia, no tempo oportuno, a dádiva daquela "comunidade do Espírito Santo" (2 Cor 13, 13), que é indispensável "para que o mundo creia" (Jo 17, 21)?

    A ti, Mãe, confio o futuro da fé nesta antiga terra cristã; e lembrado das angústias da última, terrível guerra, que rasgou feridas tão profundas particularmente nos povos da Europa, confio a ti a paz no mundo. Quem dera surja entre estes povos nova ordem que se baseie no plena respeito dos direitos de cada nação e de cada pessoa no seio da sua própria nação, ordem genuinamente moral em que possam conviver os povos como sendo uma família, graças à devida paridade de justiça a liberdade.

    Eis a prece que te dirijo a ti, Rainha da Paz, Espelho da Justiça eu, – João Paulo II, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro– e deixo-a aqui no teu Santuário das Graças de Altötting, em perpétua memória. Amém.
    Postado por Ana Maria Bueno
    http://razoavelcrer.blogspot.com.br/2012/07/nossa-senhora-das-gracas.html
     às 16:46
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    SANTÍSSIMA VIRGEM!


    “Digo com os santos: A divina Maria é o Paraíso Terrestre do novo Adão, onde Ele encarnou por obra do Espírito Santo, para aí operar maravilhas incompreensíveis. É o grande, o divino mundo de Deus, onde há belezas e tesouros inefáveis. É a magnificência do Altíssímo, onde Ele escondeu, como em seu Seio, o seu Filho Único e n’Ele tudo o que há de mais excelente e precioso. Que grandes e misteriosas coisas fez o Deus onipotente nesta admirável criatura, segundo ela própria é forçada a dizer, a despeito da sua profunda humildade: “ O poderoso fez em mim maravilhas, Santo é seu nome!”(Lc 1,49). O mundo não conhece estas maravilhas, porque é incapaz e indigno disso” - (São Luis Maria Grignon de Monfot – Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria – pag 18)
    SANTA MISSA


    ...consiste em irdes à Igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes, diante do altar, como o faríeis diante do trono de Deus, em companhia dos Santos Anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos - São Leonardo de Porto Maurício

    Ave, cheia de graça! O Senhor é contigo! Bendita es tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre: Jesus! Santa Maria, mãe de Deus. Rogai por nós, os pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém!
    BENTO XVI


    Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático é atraiçoado nas suas bases." - Bento XVI.
    PADRE PAULO, SANTO PADRE E A COMUNHÃO NA BOCA


    " O Papa está nos dando exemplo de devoção eucarística, de verdadeira união a tradição da Igreja, mas uma tradição que sabe evoluir ao longo dos tempos; a Igreja sabe, como mãe e mestra, colocar o remédio certo na hora certa. E em um tempo em que, infelizmente, acontecem abusos e padres que perdem a fé na Presença de Jesus na Eucaristia, a Igreja como mãe e mestra quer renovar essa fé."
    NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS


    Sobre tua proteção, Mãe, nos colocamos. Este Blog te pertence, para a Glória de teu filho Jesus
    SOU CONTRA O ABORTO!


    No caso de uma lei intrinsecamente injusta, como aquela que admite o aborto ou a eutanásia, nunca é lícito conformar-se com ela, nem participar numa campanha de opinião a favor de uma lei de tal natureza, nem dar-lhe a aprovação com o seu voto. (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 73)
    BEM PODERIA SER NOSSA ORAÇÃO

    Como seria bom meu Deus, que nesse momento houvesse no mundo um maior número destas almas fortificadas por ti no bem. Dir-se-ia que tudo se vai afundar para sempre...A pobre humanidade assemelha-se a um homem ébrio que procura o caminho às apalpadelas. Não sabe em quem confiar, sobre quem se apoiar...
    Mas quem lhe abrirá os olhos e lhe mostrará o caminho? Quem sustentará seus passos hesitantes?Existem almas luminosas e fortes espalhadas por entre a multidão, que lhe podem prestar esse serviço e conduzi-la a Ti. Faz ,ó meu Deus, que esse numero de almas redentoras aumente entre nós, a fim de sejas conhecido, amado e glorificado, e o mundo seja salvo." (François de Saint-Marie)
    MÃE ADMIRÁVEL - A SANTÍSSIMA VIRGEM


    Ave, sempre bela/ Ó virgem Mãe de Deus/ Do alto mar estrela/ Porta azul do céu/Novas o anjo traz/ "Ave" te saúda;/Funda-nos na paz/ De Eva o nome muda/Quebra a algema ao réu/ E dá ao cego luz/ Dá-nos Mãe do céu/ O que ao céu conduz/Mostra seres Mãe/ Faze a nós descer/ Quem por nós nascido/ Quis de ti nascer/Dá-nos vida pura/ Um caminho reto/ Para quem procura/ Ver Jesus de perto/Seja ao Pai louvor/ Ao Cristo também/ Ao Consolador/Igualmente. Amém
    EDITORA

    Editoria de Conteúdo:
    Ana Maria Bueno Cunha
    PAPA BENTO XVI


    "A Igreja não é uma associação qualquer que se ocupa das necessidades religiosas dos homens e cujo objectivo se limitaria precisamente ao de uma tal associação. Não, a Igreja leva o homem ao contacto com Deus e, consequentemente, com o princípio de tudo."

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    7 meses atrás

    Circa Creationis
    Período de discernimento
    1 ano atrás
    SANTA JOSEFINA BAKITA


    «Vendo o sol, a lua e as estrelas, dizia comigo mesma: Quem é o Patrão dessas coisas tão bonitas? E sentia uma vontade imensade vê-Lo, conhecê-Lo e prestar-lhe homenagem»
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    O filósofo moderno me dissera muitas vezes que eu estava no lugar certo, e eu ainda me sentia deprimido mesmo aceitando isso. Mas eu ouvira que estava no lugar ERRADO, e minha alma exultou de alegria, cantando como pássaro na primavera"
    SENHOR ...


    "... fica comigo para sempre, não me abandones. Deixa-me sentir-te no mais íntimo do meu coração, presente e escondido ao mesmo tempo. Faz da minha alma o lugar das tuas delícias e do teu repouso. Eu não te perturbarei. Estarei a teus pés, contemplar-te-ei, e amar-te-ei sem ruído. Dar-te-ei o pouco que possuo. Reinarás inteiramente sobre mim e Teu reino não acabará mais.Obrigado meu Deus por tanta bondade!Não preciso de dizer mais nada,mas de te amar. Gostaria de dizer incessantemente algo que te agradasse e fosse digno de ti: sou teu Senhor, e desejo indentificar-me contigo: quero o que tu quiseres, isto é, quero-te para mim, todo para mim, cada vez mais para mim e eternamente.(Robert de Langeac)
    SÃO MIGUEL ARCANJO


    São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas
    SEGUIDORES


    SANTO ANTONIO DE PÁDUA


    "A criatura carregou no seio seu Criador e a pobre Virgem o Filho de Deus.Tu és ao mesmo tempo o mais alto e o mais humilde. Senhor dos Anjos e súdito dos homens!
    SANTÍSSIMA VIRGEM E O ANJO


    Augusta Rainha dos céus e senhora dos Anjos, Vós que desde o princípio recebeste de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás. Nós Vos pedimos humildemente, enviai vossas santas legiões, para que elas, sob o vosso poder e vossas ordens, persigam os infernais espíritos, combatendo-os por toda a parte, confundam sua audácia e os precipitem no abismo.
    SÃO JOÃO DA CRUZ


    "Deixem o sacerdote celebrar a Santa Missa do modo e maneira conveniente, segundo a liturgia determinada pela Igreja. Não queiram usar de novidades, como se tivessem mais luz que o Espírito Santo e a Sua Igreja".
    SANTO AGOSTINHO DE HIPONA


    "O Símbolo (O Credo) seja para ti um espelho.Olha-te nele para veres se crês tudo o que declaras e alegra-te cada dia pela tua fé"
    SANTA CATARINA DE SENA


    "Onde estavas, meu Jesus, durante esta tempestade? Jesus: No meio de teu coração!"
    SANTO AMBRÓSIO


    "Quando te sentires angustiado, acredita que há saída, sem murmúrio.É hora de ires invocando e rezando, sem te enterrares em queixas."
    SÃO PEDRO


    Senhor, Tu sabes que te amo!
    SANTA TEREZINHA


    "Desde que me foi dado compreender o amor do Coração de Jesus, confesso que expulsei todo temor do meu coração"
    SANTO HILÁRIO DE POITIERS


    "Foi sempre privilégio da Igreja vencer quando é ferida, progredir quando é abandonada, crescer em ciência, quando é atacada".
    SÃO FRANCISCO DE SALES


    "Um bispo não deve nem pode viver como um cartuxo; os casados, como os capuchinhos; os artesãos, como os religiosos contemplativos, que passam metade do dia e metade da noite em oração. Seria uma piedade tola e ridícula. Cada um segundo a sua espécie. Deus deseja todos os frutos. A verdadeira piedade não destrói, mas enobrece e embeleza."
    SANTA TERESA DE AVILA


    "Seja teu desejo contemplar a Deus; teu temor, perde-Lo; tua dor, não estar ainda com Ele; tua alegria, a de que possa conduzir-te até Ele. Então viverás em paz".
    PAPA PIO X


    “Não se deve inventar a Civilização, nem se deve construir nas nuvens a nova sociedade. Ela existiu e existe: é a Civilização Cristã, é a Sociedade Católica. Não se trata senão de a instaurar e restaurar incessantemente nas suas bases naturais e divinas, contra os ataques sempre renascentes da utopia malsã, da revolta e da impiedade: Omnia instaurare in Christo”
    PAPA PIO XII


    Quem se põe a imaginar insubsistentes decadências e a prever impossíveis acasos para a Igreja, olhe para trás, para a história;reflita sobre o presente e preveja o futuro. Lembre-se do que aconteceu a quem tentou destruir a Esposa de Cristo, veja o que está acontecendo a quem se obstina no insensato intento.Quem se levanta contra a Igreja quebrar-se-á sobre a pedra na qual Cristo seu divino Fundador quis edificá-la
    SANTO EXPEDITO


    Ó Deus, que intercessão de Santo Expedito nos recomende junto a Vossa Divina bondade, a fim de que, pelo seu auxílio, obtenhamos aquilo que nossos próprios méritos são impotentes para alcançarmos, Assim seja.
    SÃO JOÃO CRISÓSTOMO


    "Quem estivesse no Calvário veria dois altares, onde se consumiam dois grandes sacrifícios: um era o corpo de Jesus, o outro o coração de Maria".
    SÃO PAULO


    Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.
    SANTO AFONSO DE LIGÓRIO


    "O homem santo permanece na sabedoria como o sol, mas o insensato muda como a lua. O pecador é como ela: hoje cheia, amanhã, minguante; hoje ri, amanhã chora de remorso, de angústia e tristeza; hoje parece tranquilo e sereno, amanhã furioso como o tigre. E por que? Porque seu contentamento depende das coisas boas ou más que lhe acontecem, e, por isso, mudam segundo sopram os ventos favoráveis ou contrários.O justo é como o sol, sempre sereno e tranquilo, porque sua paz está fundada na conformidade de sua vontade com a vontade de Deus. Podemos gozar aqui na terra de um paraíso antecipado, pois esta paz causa alegria plena, e foi exatamente o que aconteceu aos santos, independente do que passavam; é uma alegria que o mundo não compreende mas que pode e deve estar no coração daquele que tudo se conforma a Deus, e nada, nem a dor, nem a fome, nem a tribulação, haverá de tirar esta paz e impedir que se cumpra de fato a vontade de Deus em sua vida".
    Modelo Simple. Tecnologia do Blogger.

    sexta-feira, 29 de junho de 2012

    Mais uma brecha para o aborto livre



    É Razoável Crer?


    QUINTA-FEIRA, 28 DE JUNHO DE 2012



    Fonte: Gazeta do Povo.




    A redução de danos – que o governo federal pensa em aplicar a gestantes dispostas a realizar abortos clandestinos – é, na verdade, uma rendição: desiste-se de apontar o caminho correto para mostrar às pessoas como se degradar “com responsabilidade”

    O Ministério da Saúde está estudando a adoção de uma política de redução de danos para mulheres que decidirem fazer um aborto clandestino, segundo reportagem publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo. De acordo com as próprias fontes do ministério, o modelo ainda está em avaliação, mas consistiria em oferecer à gestante informação sobre os riscos à saúde decorrentes do aborto clandestino e os métodos existentes para a eliminação do feto. A ideia é mais uma manobra para, por vias tortas, implantar uma legalização de fato (ainda que não de direito) do aborto no Brasil.

    Esta política é reprovável por vários motivos, um dos quais é legal. No Brasil, o aborto é crime, embora sem punição nos casos de estupro, risco de vida para a mãe e anencefalia (este último, após decisão do Supremo Tribunal Federal). Uma situação em que o sistema de saúde orienta gestantes sobre como fazer abortos correndo menos riscos equivale a uma cumplicidade com o crime. A argumentação de Helvécio Magalhães, secretário de Atenção à Saúde do ministério, segundo a qual o crime é apenas o aborto em si, e não a oferta de informação para cometer o ato, não se sustenta, já que o artigo 29 do Código Penal prevê pena igual para “quem, de qualquer modo, concorre para o crime (...) na medida de sua culpabilidade”.

    Não se trata de minimizar a aflição de uma gestante que, muitas vezes constrangida por circunstâncias familiares ou financeiras, decide abortar; mas é fato que todo aborto provocado é a eliminação deliberada de um ser humano indefeso e inocente. O modelo uruguaio, em vigor desde 2004 e que seria a inspiração da proposta brasileira, prevê um aconselhamento sobre alternativas ao aborto, como a entrega do filho para a adoção; a partir desta conversa, a gestante ainda ganha tempo para refletir sobre a decisão a tomar. Este é o único aspecto louvável da política que o Ministério da Saúde vem estudando, pois busca preservar o direito da criança à vida.

    O próprio conceito da “redução de danos”, que já costuma ser aplicada em casos como os de dependentes de drogas, esconde uma perversidade. Ele parte do pressuposto de que, já que o indivíduo vai, inevitavelmente, cometer atos degradantes, é melhor agir para que as consequências dessas ações sejam minimizadas. Mas a redução é, na verdade, uma rendição: desiste-se de apontar o caminho correto para mostrar às pessoas como se degradar “com responsabilidade”. Na prática, a redução de danos cria duas categorias de pessoas: aquelas que podem acabar com si mesmas, desde que no processo não prejudiquem os demais; e o restante da população, que não “mereceria” ser vítima da falta de conscientização alheia. É uma ofensa à dignidade daqueles que deveriam ser dissuadidos de suas más ações, cometidas muitas vezes porque já falta a esses indivíduos o domínio de si próprios.

    A população brasileira não quer o aborto livre – fato demonstrado por inúmeras pesquisas. Todas as tentativas de legalizar a prática foram, até o momento, barradas pelo Congresso Nacional. É lamentável que, na contramão do desejo dos cidadãos e da garantia do direito fundamental à vida, o governo federal siga insistindo em maneiras de contornar a legislação e permitir a eliminação indiscriminada de inocentes.

    Mais sobre aborto AQUI


    Postado por Ana Maria Bueno às 18:32

    http://razoavelcrer.blogspot.com.br/2012/06/mais-uma-brecha-para-o-aborto-livre.html

    quarta-feira, 20 de junho de 2012

    São compatíveis a Ciencia e a fé?






    Por Afonso Aguilló

    O homem encontra a Deus por trás de cada porta que a ciencia consegue abrir. (Albert Einstein)

    Para os que acreditam, Deus está no princípio.Para os cientistas, Deus está no final de todas as suas reflexões. (Max Planck)

    Pode a Ciência Controlar-se a si mesma?

    O físico alemão Otto Hahn, inventor da fissão do átomo de uranio, estava internado num campo de concentração inglês, junto com outros eminentes cientistas. Quando, em agosto de 1945, recebeu a notícia de que Hirosshima tinha sido arrasada por uma bomba atomica, sentiu um profundíssimo sentimento de culpa. As sua pesquisas sobre a fissão do uranio tinham acabado por se utilizar para produzir um massacre terrível.

    Foi tal a sua angústia que tentou abrir as veias nos arames farpados que cercavam o campo.

    Depois que os seus companheiros conseguiram dissuadi-lo, o velho professor fez-lhes, desolado, a seguinte confissão:"Acabo de perceber que a minha vida não tem mais sentido. Pesquisei pelo puro desejo de revelar a verdade das coisas e todo o meu saber científico acaba de se converter num enorme poder ainiquilador".

    A experiencia pessoal de Otto Hanh foi, na realidade, a experiencia de amarga de toda uma época. Uma aflitiva impressão de fracasso invadiu os espíritos de todos os que tinham lutado com tanta tenacidade por levar o conhecimento científico a máxima altura possível, convencidos de fazer com isso um grande bem a humanidade.

    Tinham trabalhado penosamente com a profunda convicção de que o aumento do saber teórico e o incremento da felicidade humana estavam inequivocamente vinculados. Acreditavam que fomentar o conhecimento científico teria sempre um valor positivo, que significaria automaticamente cotas mais elevadas de felicidade e igualdade. Pensaram que se tratava de um bem inquestionável e que, portanto, se traduziria indubitavelmente em bem-estar para o homem.

    Mas esse entusiasmo plurissecular, que já tinha aberto fendas nas tricheiras de Verdun* (uma das batalhas mais sangrentas da 1ª guerra), ruiu estrepitosamente com os horrores da 2ª guerra mundial.

    O terrível poder destruidor das armas nucleares, os intensívos bombardeios da população civil, o extermínio sistemático e profundamente cruel de toda uma raça e um saldo de cinquenta milhões de mortos puseram tragicamente de manifesto que o saber teórico pode traduzir-se num saber técnico, e este, por sua vez, num amplo poder sobre a realidade, mas, por desgraça, todo esse domínio não leva automaticamente a uma maior felicidade dos homens se aqueles que detem esse poder não possuem uma consciencia ética proporcional a sua responsabilidade.

    Após séculos de febril incremento do saber científico, a idéia de que o progresso humano é sempre contínuo e não pode haver retrocesso revelou-se uma farsa irritante.

    O ideal do domínio científico e a consequente forma de humanismo desfizeram-se em pedaços ao entrarem em colisão com a obstinada realidade da história. Era patente que o futuro não devia caracterizar-se por essa ingenua crença no progresso como princípio motor de uma civilização, mas que era preciso alicerçá-lo em valores mais altos e seguros.

    História de uma Desilusão.


    O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, depois da sua experiencia pessoal em diversos campos de concentração, chegou à conclusão de que não foram os ministérios nazistas de Berlim os verdadeiros responsáveis por aquelas atrocidades, mas a filosofia niilista do século XIX.

    Se o homem é um simples produto de uma natureza mutável, um simples macaco evoluído, então, da mesma forma que o macaco pode ser enjaulado num zoológico, o homem pode ser encarcerado num campo de extermínio.

    Se o homem é um simples animal, ainda que extraordinariamente adestrado, e fazemos sabonetes com gordura animal, por que não faze-lo com gordura humana?

    O filósofo Edmund Husserl, esclarecido pela falencia do mito do eterno progresso por ocasião da Segunda Guerra mundial - na qual viu, entre outras ocasiões, aquela racionalização perfeita da matança em massa de milhões de inocentes - percebeu claramente que a ciencia, por força do seu método, não pode ser um princípio motor da vida humana.

    "O mundo da objetividade científica - escreveu - é um mundo fechado e inóspito. A forma pela qual o homem moderno, na segunda metade do séc. XIX, se deixou determinar totalmente pelas ciencias positivas e cegar pela prosperity a elas devida, significou por de lado as questões decisivas para uma humanidade autentica. As ciências que só comtemplam meros fatos fazem com que os homens só enxergassem meros fatos".

    Procurar o conhecimento científico objetivo das coisas é lícito e fecundo. Mas considerar esse modo de conhecer como modelo, como a única forma rigorosa de conhecimento, é uma parcialidade inaceitável, já que empobrece enormemente o homem.

    A Ilustração - o Iluminismo - pretendia alcançar o ideal renascentista que sonhava entregar o homem a si mesmo, torna-lo livre, permitindo-lhe viver sob o império exclusivo da razão. A esperança de que o homem atingiria a felicidade para sempre num mundo já dominado e sem segredos, por meio de uma ciência que tudo conheceria e tudo poderia, veio a ser um sonho que nunca se alcançaria e que o horror gigantesco das duas Guerras mundiais converteu em algo pior que um pesadelo.

    O domínio da realidade escapava ao molde estreito do pensamento racionalista. E o perigo não derivava da ciencia em si, mas dessa mentalidade que levava a considerar que só se pode conhecer aquilo que é mensurável, controlável, verificável, e a desprezar os aspectos da realidade que resistem a esse tipo de controle e cálculo.

    Essa pretensão de domínio sem limites deixava o homem numa situação de desamparo. Logo se viu que a ciencia, que tinha dominado com o su prestígio o Século das Luzes, não podia, por si só, plenificar a vida do homem.

    Não era sua missão. A ciencia não fala de valores, de sentido, de metas nem de fins, e o ser humano precisa de tudo isso para preservar a sua dignidade e ser feliz. O otimismo ilustrado previra horizontes paradisíacos, mas a utopia científica mostrou como nunca a sua impotência.

    Não há dúvida de que o progresso científico foi grande e que esse desenvolvimento é uma coisa boa, ou pelo menos, não tem porque ser má. Mas, hoje em dia, muito poucos acreditam que tudo isso seja a panacéia, que possa fazer algo mais do que transferir a inquietação de uns temas para outros.

    O domínio das coisas é muito elevado, mas necessita de um humanismo válido que lhe de sentido. Porque, do contrário, pode embriagar-se com os seus próprios exitos e crescer em direções aberrantes para a dignidade do homem.

    A técnica permite desenvolver meios de comunicação extremamente poderosos, rápidos, atraentes, sugestivos, mas esses meios podem ser uma arma de primeira grandeza para manipular as consciências, moldar as vontades e os sentimentos dos homens.

    A ciencia precisa de alguns limites para a sua pretensão de soberania. Toda a grande conquista traz consigo uma inevitável ambivalencia: um avanço num aspecto e um retrocesso em outro, talvez não menos valioso.

    O aumento de poder não corre sempre paralelamente ao aumento do domínio do homem sobre esse poder. A ciência não pode abandonar-se a sua própria dinamica, mas deve ser regulada por uma instancia externa que a oriente e lhe de sentido.

    http://razoavelcrer.blogspot.com.br/

    domingo, 17 de junho de 2012

    O Reino de Deus





    Pela sua santidade, Papa Bento XVI




    Na chamada à conversão está implícito como sua condição fundamental o anúncio do Deus vivo. O teocentrismo é fundamental na mensagem de Jesus e também deve ser o centro da nova evangelização. A palavra-chave do anúncio de Jesus é: Reino de Deus.

    Mas Reino de Deus não é uma coisa, uma estrutura social ou política, uma utopia. O Reino de Deus é Deus. Reino de Deus significa: Deus existe. Deus vive. Deus está presente e age no mundo, na nossa, na minha vida. Deus não é uma remota "causa última", Deus não é o "grande arquitecto" do deísmo, que construiu a máquina do mundo e agora se encontra fora. Ao contrário: Deus é a realidade mais presente e decisiva em qualquer acto da minha vida, em todos os momentos da história.

    Na sua conferência de despedida da cátedra na universidade de Monastério, o teólogo J. B. Metz disse coisas que dele não se esperavam. No passado, Metz ensinou-nos o antropocentrismo, o verdadeiro acontecimento do cristianismo teria sido a viragem antropológica, a secularização, a descoberta do secularismo no mundo. Depois, ensinou-nos a teologia política, o carácter político da fé; depois a "memória perigosa"; finalmente a teologia narrativa. Depois deste caminho longo e difícil hoje dizemos: o verdadeiro problema do nosso tempo é a "crise de Deus", a ausência de Deus, camuflada por uma religiosidade vazia. A teologia deve voltar a ser realmente teo-logia, um falar de Deus e com Deus.

    Metz tem razão: para o homem, o "unum necessarium" é Deus. Tudo muda se Deus está ou não está presente. Infelizmente também nós cristãos vivemos muitas vezes como se Deus não existisse ("si Deus non daretur"). Vivemos segundo o slogan: Deus não está presente, e se está, não tem incidência. Por isso a evangelização deve, antes de mais nada, falar de Deus, anunciar o único Deus verdadeiro: o Criador, o Santificador, o Juiz (cf. Catecismo da Igreja Católica).


    Para o reino de Deus e a evangelização, instrumento e veículo do reino de Deus, é sempre válida a parábola do grão de mostarda (cf. Mc 31-32). O reino de Deus recomeça sempre de novo sob este sinal. Nova evangelização não pode significar: atrair imediatamente com novos métodos mais requintados as grandes multidões que se afastaram da Igreja. Não não é esta a promessa da nova evangelização. Nova evangelização significa: não acontentar-se com o facto de que do grão de mostarda cresceu a grande árvore da Igreja universal, não pensar que é suficiente que nos seus ramos muito diferentes, as aves possam encontrar lugar mas ousar de novo com a humildade do pequeno grão, deixando para Deus quando e como crescerá (cf. Mc 4, 26-29). As grandes coisas começam sempre do pequeno grão e os movimentos em massa são sempre efémeros.

    Na sua visão do processo da evolução, Teilhard de Chardin fala do "branco das origens" (le blanc des origines): o início das novas espécies é invisível e a investigação científica não o pode encontrar. As fontes são escondidas, muito pequenas. Por outras palavras: as grandes realidades iniciam-se em humildade. Deixemos de lado se e até que ponto Teilhard tem razão com as suas teorias evolucionistas; a lei das origens invisíveis diz uma verdade, uma verdade presente precisamente no agir de Deus na história: "Não te elegi porque és grande, ao contrário, és o mais pequeno de entre os povos; elegi-te porque te amo...", diz Deus ao povo de Israel no Antigo Testamento e exprime desta forma o paradoxo fundamental da história da salvação: sem dúvida, Deus não conta com os grandes números; o poder exterior não é o sinal da sua presença.

    Grande parte das parábolas de Jesus indicam esta estrutura do agir divino e respondem desta forma às preocupações dos discípulos, os quais esperavam outro tipo de sucesso e de sinais do Messias, sucessos do género dos que Satanás ofereceu ao Senhor: dou-te todos os reinos do mundo, tudo isto... (cf. Mt 4, 9). Sem dúvida, Paulo, no final da sua vida, teve a impressão de ter levado o Evangelho aos confins da terra, mas os cristãos eram pequenas comunidades espalhadas no mundo, insignificantes segundo os critérios seculares.

    Na realidade foram o germe que penetrou na massa a partir de dentro e levaram em si o futuro do mundo (cf. Mt 13, 33). Um antigo provérbio diz:"Sucesso não é um nome de Deus". A nova evangelização deve submeter-se ao mistério do grão de mostarda e não pretender produzir imediatamente a grande árvore. Nós ou vivemos demasiado na certeza da grande árvore que já existe ou na impaciência de possuir uma árvore maior, mais vital. Ao contrário, devemos aceitar o mistério que a Igreja é ao mesmo tempo grande árvore e pequeníssimo grão. Na história da salvação é sempre Sexta-Feira Santa e, contemporaneamente, Domingo de Páscoa


    Também neste ponto se deve ter presente o aspecto prático. Deus não se pode dar a conhecer unicamente com as palavras. Não se conhece uma pessoa, se não sabemos directamente nada dela. Anunciar Deus é introduzir na relação com Deus: ensinar a rezar. A oração é fé em acto. E só na experiência da vida com Deus se manifesta também a evidência da sua existência. Eis por que são tão importantes as escolas de oração, de comunidade de oração. Existe complementariedade entre oração pessoal ("no próprio quarto", sozinhos perante os olhos de Deus), oração comum "paralitúrgica" ("religiosidade popular") e oração litúrgica.

    Sim, a liturgia é, em primeiro lugar, oração; a sua especificidade consiste no facto que o seu sujeito primário não somos nós (como na oração privada e na religiosidade popular), mas o próprio Deus. A liturgia é actio divina, Deus age e nós respondemos à acção divina.

    Falar de Deus e falar com Deus são duas acções que devem andar sempre juntas. O anúncio de Deus orienta para a comunhão com Deus na comunhão fraterna, fundada e vivificada por Cristo. Portanto a liturgia (os sacramentos) não é um tema paralelo à pregação do Deus vivo, mas a concretização da nossa relação com Deus. Neste contexto, seja-me permitida uma observação geral sobre a questão litúrgica.

    O nosso modo de celebrar a liturgia com frequência é demasiado racional. A liturgia torna-se ensinamento, cujo critério é: fazer-se compreender - a consequência é com frequência a banalização do mistério, o prevalecer das nossas palavras, a repetição das fraseologias que parecem mais acessíveis e mais agradáveis ao povo. Mas isto é um erro não só teológico, mas também psicológico e pastoral. A onda do exoterismo, a difusão de técnicas asiáticas de distensão e auto-esvaziamento mostram que nas nossas liturgias falta algo.

    Precisamente no nosso mundo de hoje precisamos do silêncio, do mistério supra-individual, da beleza. A liturgia não é invenção do sacerdote celebrante ou de um grupo de especialistas; a liturgia (o "rito") cresceu num processo orgânico ao longo dos séculos, leva em si o fruto da experiência de fé de todas as gerações. Mesmo se os participantes talvez não entendam todas as palavras, compreendem o significado profundo, a presença do mistério, que transcende todas as palavras. O celebrante não é o centro da acção litúrgica; o celebrante não está em frente do povo em seu nome não fala se si nem para si, mas "in persona Christi". Não contam as capacidades pessoais do celebrante, mas unicamente a sua fé, na qual se Cristo se torna transparente. "Ele deve crescer e eu diminuir" (Jo 3, 30).(grifos meus)

    Fonte: AQUI
    Postado por Ana Maria Bueno

    sábado, 16 de junho de 2012

    Carta do Cardeal Albino Luciani a G. K. Chesterton








    Por Cardeal A. Luciani


    Traduzido por Sândalo Cordeiro


    Em 1976, o então Patriarca de Veneza, Cardeal A. Luciani, futuro papa João Paulo I, publicou uma série de cartas “imaginárias”, de sua autoria, endereçadas a ilustres personagens históricos, fictícios e, até mesmo a Jesus, compiladas em “Ilustrissimi”. Dentre elas, uma dedicada a Gilbert Chesterton: [N.T.]


    Em que tipo de mundo...




    "Caro Chesterton, na tela da televisão italiana apareceu no mês passado Padre Brown, imprevisível padre-policial, criatura tipicamente tua. Pena que não apareceram também o Professor Lúcifer e o monge Miguel. Eu teria prazer em vê-los, como você os descreveu em “A esfera e a Cruz”, viajantes em um avião, sentados um ao lado do outro, Quaresma ao lado do Carnaval. Quando o avião está sobre a Catedral de Londres, o Professor lança uma blasfêmia endereçada à Cruz. - Estou pensando se esta blasfêmia te agrada-lhe diz o monge. - Escute essa história: eu conheci um homem como você; ele também odiava o crucifixo; o baniu de sua casa, do pescoço de sua mulher, até mesmo das pinturas; dizia que era ruim, símbolo de barbárie, contrário à alegria e à vida. E se tornou mais furioso ainda: um dia subiu no campanário de uma igreja, lhe quebrou a cruz e a jogou do alto. Chegou ao ponto em que esse ódio se transformou primeiro em delírio e depois em loucura furiosa. Em uma noite de verão estava quieto, fumando um cachimbo, diante de uma compridíssima paliçada; não brilhava uma luz, não se movia uma folha, mas ele acreditava ver a longa paliçada transformada em um exército de cruzes, ligadas umas às outras sobre a colina, descendo ao vale.

    Agora, balançando sua bengala, a ergueu contra a paliçada, como se contra uma fileira de inimigos; porquanto era longo o caminho, quebrou, arrebentou, arrancou todas as estacas que encontrava. Odiava a cruz e toda estaca era para ele uma cruz. Tendo chegado em casa, continuou a ver cruzes em todo canto, destruiu os móveis, ateou fogo e no dia seguinte o encontraram morto no rio. Nesse ponto, o Professor Lúcifer olha o velho monge mordendo os lábios e diz: “Eu sei que essa história é inventada!”. “Sim, responde Miguel, a inventei agora; mas ela exprime bem o que você e seus amigos incrédulos estão fazendo. Vocês começam quebrando a cruz e terminam destruindo o mundo habitável”. A conclusão do monge, que é pois a tua, caro Chesterton, é justa. Se se remove Deus, o que resta, o que se torna o homem? Em que tipo de mundo nos permitiremos viver? Mas é o mundo do progresso, ouço dizer, o mundo do bem-estar! Sim; Mas esse famoso progresso não é tudo isso que se espera: ele porta consigo também os mísseis, as armas bacteriológicas e atômicas, o atual processo de poluição, todas as coisas que, se nada for feito a tempo, ameaçam levar a humanidade inteira a uma catástrofe. Em outras palavras o progresso com homens que se amem, considerando-se irmãos e filhos do único Deus Pai, pode ser algo maravilhoso.

    O progresso com homens que não reconhecem em Deus um único Pai torna-se um perigo contínuo: sem um paralelo processo moral, interior e pessoal ele - o progresso - desenvolve, de fato, as mais selvagens inclinações do homem, faz dele uma máquina possuída por máquinas, um número manipulador de números, um bárbaro em delírio - diria Papini - que em vez do bastão pode servir-se da imensa força da natureza e da mecânica para satisfazer os seus instintos predatórios, destruidores e orgíacos. Eu sei: muitos pensam ao contrário de você e de mim. Pensam que a Religião seja um sonho consolador: a teriam inventado os oprimidos, imaginando um outro mundo inexistente, onde encontrar mais tarde o que hoje lhes roubam os opressores.

    A teriam organizado, tudo em proveito próprio, os opressores, para terem ainda sob os pés os oprimidos e adormecer neles aquele instinto de classe, que, sem a Religião, levaria à luta. Inútil recordar que a própria religião cristã favoreceu o despertar da consciência proletária, exaltando os pobres e anunciando uma justiça futura. Sim - respondem - o Cristianismo desperta a consciência dos pobres, mas depois a paralisa, pregando a paciência e substituindo a luta classista pela confiança em Deus e a reforma gradual da sociedade! Muitos pensam até mesmo que Deus e a Religião, canalizando esperança e esforços para um paraíso futuro e distante, alienam o homem, o desviam de empenhar-se por um paraíso próximo, realizável aqui na Terra.

    Inútil recordar-lhes que, segundo o recente Concílio, um cristão, justamente porque é cristão, deve sentir-se mais do que nunca empenhado em favorecer um progresso que é bom para todos, e uma promoção social que seja de todos. Por fim, dizem, vocês pensaram o progresso para um mundo transitório, na espera de um paraíso definitivo, que não virá. Nós queremos o paraíso aqui, fruto de todas as nossas lutas. Já entrevemos o surgimento dele, enquanto o vosso Deus é chamado “morto” por teólogos da secularização. Nós estamos com Heine, que escreveu: “Ouve o sino? De joelhos! Levam-se os últimos sacramentos a Deus que morre!”

    Caro Chesterton, você e eu nos colocamos de joelhos sem hesitar, mas diante de um Deus mais atual do que nunca. Só Ele, em verdade, pode dar uma resposta satisfatória a esses três problemas, que são para todos os mais importantes: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? Quanto ao paraíso, que se gozará sobre a terra e somente sobre a terra e em um futuro próximo, ao fim das famosas “lutas”, gostaria que fosse ouvido um que é bem melhor do que eu e, sem ofuscar os seus méritos, do que você também: Dostoiévski. Você se lembra do dostoievskiano Ivan Karamazov. É um ateu, enquanto amigo do diabo. Bem, ele protesta, com toda a sua veemência de ateu contra um paraíso obtido graças aos esforços, as fadigas, os sofrimentos, o martírio de inumeráveis gerações. Os nossos sucessores felizes graças à infelicidade de seus antecessores!

    Esses antecessores que “lutam” sem receberem sua retribuição de alegria, sem, freqüentemente, sequer o conforto de vislumbrar o paraíso livre do inferno que atravessam! Inumeráveis multidões de homens atormentados, de sacrificados que são, simplesmente, o solo utilizado para cultivar as futuras árvores da vida! É impossível!, disse Ivan, seria uma injustiça cruel e monstruosa. E tem razão. O senso de justiça que existe em todo homem, de qualquer fé, exige que o bem feito, o mal sofrido, sejam premiados; que a fome de vida inerente a todos seja saciada.

    Onde e como, senão em uma outra vida? E por quem senão por Deus? E por qual Deus, senão por aquele de quem Francisco de Sales escrevia: “Não tenha medo de Deus, que não quer lhe prejudicar, mas amá-lo muito, porque deseja lhe fazer muito bem”? Aquele que muitos combatem não é o verdadeiro Deus, mas a falsa idéia que se faz de Deus: um Deus que protege os ricos, que somente pede e reivindica, que seja invejoso no nosso progresso em bem-estar, que do alto espia continuamente os nossos pecados para ter o prazer de nos castigar!

    Caro Chesterton, você sabe, Deus não é assim: mas justo e bom ao mesmo tempo; pai também dos filhos pródigos, que quer não mesquinhos e miseráveis, mas grandes, livres, criadores do próprio destino. O nosso Deus é tão pouco rival do homem que o desejou como seu amigo, chamando-o a participar da própria natureza divina e da própria eterna felicidade. E não é verdade que Ele espera de nós exageradamente: contenta-se, ao contrário, com pouco, porque sabe bem que não temos muito.

    Caro Chesterton, eu sou convicto com você: esse Deus se fará conhecer e amar sempre mais, por todos, inclusive aqueles que hoje o rejeitam não porque são maus (são talvez melhores do que nós dois!), mas porque o vêem de um ponto de vista equivocado! Eles continuam a não crer Nele? E Ele responde: Sou Eu que acredito em vocês!"

    Fonte AQUI

    quinta-feira, 14 de junho de 2012

    Conversão






    Por Bento XVI

    "Converter-se significa: reconsiderar, pôr em questão o próprio modo de viver e o comum; deixar entrar Deus nos critérios da própria vida; não julgar simplesmente de acordo com as opiniões correntes. Converter-se significa por conseguinte: não viver como vivem todos, não fazer como fazem todos, não sentir-se justificados em acções duvidosas, ambíguas, perversas simplesmente porque há quem o faça; começar a ver a própria vida com os olhos de Deus, portanto procurar o bem, mesmo se não é agradável; não apostar no juízo da maioria, mas no juízo de Deus - por outras palavras: procurar um novo estilo de vida, uma vida nova. Tudo isto não implica um moralismo; a limitação do cristianismo à moralidade perde de vista a essência da mensagem de Cristo: o dom de uma nova amizade, o dom da comunhão com Jesus e por conseguinte com Deus.

    Quem se converte a Cristo não pretende criar uma autonomia moral própria, não pretende construir com as próprias forças a sua bondade. "Conversão" (Metanoia) significa precisamente o contrário: abandonar a auto-suficiência, descobrir e aceitar a própria indigência, indigência dos outros e do Outro, do seu perdão, da sua amizade. A vida não convertida é autojustificação (não sou pior do que os outros); a conversão é a humildade de se confiar ao amor do Outro, amor que se torna medida e critério da minha própria vida"

    Fonye: AQUI
    Postado por Ana Maria Bueno

    sábado, 9 de junho de 2012

    A Verdadeira Liberdade



    A Verdadeira Liberdade

      Por Arcebispo Fulton Sheen


    Adaptação do Livro: O problema da Liberdade


    Vimos antes:

    1 -  Os direitos da religião

    2 - A Religião do Mundo Moderno


    Agora veremos  qual o verdadeiro conceito de liberdade:
    Dois erros devem ser evitados para entende-la bem: Um que esquece a finalidade da liberdade,(somos livres para ir ao céu, este é nosso objetivo), o outro que pretende que a liberdade reside apenas na coletividade e não no homem. Se evitarmos essas duas posições extremas, a de um liberalismo moribundo e  a de uma crescente ditadura, chegaremos a mais positiva e exata ideia de liberdade. Ela portanto, não é o "direito"de fazer o que me pareça, nem é a necessidade de fazer o que quer  que o ditador me imponha: ao contrário, a liberdade é o " direito de fazer o que eu devo".

    Nessas três expressões " querer", " ser necessariamente" e "dever" estão contidas as três opções que se oferecem ao mundo moderno. Das três escolhemos "dever".
    Dever significa que o homem é livre.O fogo é necessariamente quente, o gelo é necessariamente frio, mas o homem deve ser bom. A verdadeira liberdade está condicionada ao que devo fazer e no que devo ser, é para que devo fazer e para que devo ser. Todo dever, portanto, implica numa finalidade. Para o homem exercer plenamente sua liberdade deve saber que por trás dos pequenos "devos" da vida, há um supremo "devo" que quer dizer: "devo alcançar o fim para que fui criada"
    Atrás de todas as finalidades há uma grande finalidade, dada em resposta à pergunta: " Por que existo?". Enquanto não se responde a ela, nenhuma há que mereça resposta, e o modo como a respondemos determinará o rumo de nossa vida e o destino no outro.No entanto, muitos vivem como se esta pergunta não devesse ser feita e de fato não há fazem, tornando sua existência aqui totalmente sem rumo e sem objetivo. Esta pessoa não pode falar de liberdade, por nunca usará sua vida para o fim a que ela foi destinada.
    Deus nos criou para conhece-LO, ama-LO e servi_LO neste mundo e ser eternamente feliz com Ele no outro. Desde que o dever do Homem é o aperfeiçoamento de sua personalidade em suas virtudes, mais alta pela união eterna coma Vida-Perfeita, a Verdade e o Amor que é Deus, segue-se que a liberdade tem algo a fazer na escolha dos meios para realizar tal finalidade, ou rejeita-la inteiramente. Assim pode um homem decidir salvar sua alma ou ter a decisão de não salvar sua alma de jeito nenhum.
    Qual é porém, a mais elevada espécie de liberdade? Fazer o que devo, isto é, obedecer a minha consciência e salvar a minha alma, ou fazer tudo o que eu queira seja bom ou mau? São ambas aspectos da liberdade, pois alguém pode se fazer santo pela mesmo vontade porque pode tornar-se um demônio. Fazer o que "devemos" é uma forma mais elevada de liberdade do que fazer o que " queremos", porque a primeira conduz ao perfeito desenvolvimento de nossa personalidade e a última a sua sujeição.
    Toda liberdade usada erradamente, acaba por tornar o homem escravo. Escolhe mal, age mal e fica escravo da vontade enfraquecida que não consegue mais optar pelo bem. O erro cometido pela sociedade  moderna é pensar que liberdade significa independência da lei e que infringir as leis de Deus é uma forma de "afirmação da personalidade"
    Liberdade não significa, portanto, ilegalidade. Pelo contrário, ela está condicionada á obediência, à lei. Liberdade fora da lei não existe, só existe liberdade dentro da lei, seja ela científica, natural, humana ou divina.
    Assim se dá com a lei moral: somos verdadeiramente livres quando obedecemos à finalidade ou à lei para que fomos criados, qual seja o desdobramento e desenvolvimento de nossa  personalidade para a nossa eterna felicidade em Deus. Temos a liberdade de ignorar a lei moral: de beber em excesso, de roubar, de matar, de ser adúlteros, de sacudir os punhos com ódio, tal como temos liberdade de ignorar a lei da gravitação, mas toda veze que a ignoramos, ou diminuímos ou destruímos a nossa liberdade.
    Deus implantou na natureza humana e em Sua Igreja as leis que nos permitem realizar a finalidade da vida e atingir os mais altos objetivos. Essas leis não são represas que detém o progresso; são diques que impedem que as águas do egoísmo e da concupiscência invadam a terra. Se as obedecer ou fizer o que devo, serei livre.
    Pecar que é o desprezo da finalidade e da lei da vida, não é prova de liberdade, é o começo da escravidão, porque, como disse Nosso Senhor Jesus, " todo aquele que comete pecado, é escravo do pecado" ( S.Jo, VIII,34)
    A liberdade não é um mero direito constitucional, nem um direito natural; nem um direito humano, nem tampouco um direito social; é acima de tudo o mais, um direito espiritual. O liberalismo e as ditaduras devem todos reconhecer o seu erro, onde se esquecem a finalidade do homem. Todos devem entender que liberdade nunca deve significar liberdade para sim mesmo e escravidão para os outros, nem que os fortes tem liberdade de afirmar seus direitos, ou que os fracos tem liberdade de ser indefesos.
    As ditaduras devem entender que a liberdade não está no Estado, nem na coletividade, nem na raça, nem na classe - está no homem, entronizada em cada pessoa, no tabernáculo de cada alma, como um dom de Deus e nenhum Estado pode tira-la daí.
    A liberdade liberal, que ama a liberdade em seu próprio eu egoísta, criou monstruosas injustiças econômicas. a liberdade da ditadura, no seu eu coletivo,  criou a escravidão.  O liberalismo não foi o berço da liberdade e a ditadura não é a sua descoberta. A liberdade já tinha suas raízes na natureza espiritual do homem antes que existisse um liberal, um democrata, um fascista soviético ou comunista.
    A liberdade não surgiu de nenhuma organização social nem de nenhuma constituição ou partido, mas da  alma do homem. Os comunistas gabam-se de estar restaurando a liberdade ao elevar o homem acima de coletividade, os liberais gabam-se de estar preservando a liberdade  ao darem mais completa satisfação aos apetites materiais. Os comunistas e os liberais devem aprender que não são eles que dão liberdade ao homem, mas o homem é lhes dá sua liberdade.Que o homem entenda que as raízes de sua liberdade estão em seu destino de criatura feita á imagem e semelhança de Deus.
    Há muito que vivemos na suposição de que, se fossemos livres, descobriríamos a Verdade. Jesus Cristo apresentou-nos isso às avessas: " A Verdade vos libertará" Isso significa que a verdadeira libertação vem do conhecimento da finalidade e do destino do homem. Nossa indiferença a Verdade resultou na perda da paixão pela Verdade. O resultado é que são hoje muito poucos os ideais porque o homem quira morrer, ou mesmo se sacrificar.
    Nosso falso espírito de tolerância - que ao menos saibamos -, nasceu na nossa perda da fé, da nossa incerteza. Por termos perdido a paixão pela verdade, pela justiça e pela honra, a letargia e a apatia apoderaram-se de tal modo de nossa civilização que encontramos dificuldades em preservar até mesmo a lealdade nos atos da vida cotidiana. Não sentimos entusiasmo pelas grandes causas nem ódio pelo mal, atiramos fora os nossos roteiros da vida e não sabemos que caminho tomar. É horrível de contemplar, mas é provável não haver no mundo bastante amor pela Verdade para lançar o grito de uma Cruzada.
    Essa perda de entusiamo pelo bem tem permitido que o mal e a irreligião se propaguem como uma peste. Todas as ideologias, como nazismo e comunismo, procuram confinar a finalidade do homem dentro dos limites acidentais do sangue e do partido. Forçado o homem a render-se à sua suprema autoridade, desligaram o homem daqueles mesmos fins a que a irreligião já o tornara indiferente.
    O resultado é que o homem do mundo atirou poeira em seus próprios olhos e, cego, não mais pode ver encontrar o caminho que o leva de volta à casa. Disseram-lhe que a religião é um ópio, seu destino eterno uma lenga lenga teológica, e que se desvencilhasse de suas obrigações e aborrecimentos, poderia fazer deste mundo um paraíso. Como um idiota, ele assim o fez, mas em vez de ver  sua vida material enriquecida, acabou por ver-se mais pobre e o pior, sem o consolo da esperança de alguma coisa para além da morte.

    Por nenhum outro meio se poderá por cobro a essa traição da liberdade senão pela pregação cristã sobre a finalidade do homem, qual seja o desdobramento social, econômico e político de sua personalidade neste mundo e sua plenitude espiritual no outro. Deus poderia salvar-nos do caos e da escravidão pela força, mas seria isso a destruição da liberdade.

    Deus aguarda a livre e espontânea resposta do homem ao Seu chamamento e por isso é que Seu último adeus ao mundo partiu do desamparo e abandono da Cruz, onde apenas Seus olhos podiam convidar-nos ao suave ideal da vida. Foi mesmo por amor da liberdade, indulgente para com os maiores malfeitores. Tal liberdade não é a liberdade indiferente à verdade, nem tolerante com a inverdade, mas a liberdade que crê numa verdade tão santa que bem vale a morte numa Cruz.

    A fé na verdade do Calvário é a fé na liberdade do homem. Só aos pés dessa Cruz compreenderá o homem que a liberdade não está na libertação ante a verdade, nem na violenta sujeição a ela, mas no abraço amorável de uma alma que compreendeu a sua finalidade e clama das profundezas de um coração abrasado pela verdade: "Sou tua, ó Deus! Socorre-me a mim a quem Tu criaste!"

    Fonte: O problema da Liberdade.

    quinta-feira, 7 de junho de 2012

    Homilia de Bento XVI na Festa de Corpus Christi



    Homilia de Bento XVI na Festa de Corpus Christi


    Esta noite gostaria de meditar com vocês sobre dois aspectos, entre eles relacionados, do Mistério eucarístico: o culto da Eucaristia e a sua sacralidade. É importante levá-los em consideração para preservá-los de visões incompletas do próprio Mistério, como as que se verificaram num passado recente.

    Antes de tudo, uma reflexão sobre o valor do culto eucarístico, em especial da adoração ao Santíssimo Sacramento. É a experiência que também esta noite nós viveremos depois da Missa, antes da procissão, durante sua realização e no seu final. Uma interpretação unilateral do Concílio Vaticano II penalizou esta dimensão, restringindo na prática a Eucaristia ao momento celebrativo.

    Com efeito, foi muito importante reconhecer a centralidade da celebração, em que o Senhor convoca o seu povo, o reúne em torno da dúplice Ceia da Palavra e do Pão da vida, o nutre e o une a Si na oferta do Sacrifício. Essa valorização da assembleia litúrgica, em que o Senhor atua e realiza o seu mistério de comunhão, permanece naturalmente válida, mas deve ser reinserida no justo equilíbrio.

    Com efeito, como muitas vezes acontece, para destacar um aspecto se acaba por sacrificar outro. Neste caso, a acentuação dada à celebração da Eucaristia foi em detrimento da adoração, como ato de fé e de oração dirigido ao Senhor Jesus, realmente presente no Sacramento do altar. Esse desequilíbrio teve repercussões também na vida espiritual dos fiéis. De fato, concentrando toda a relação com Jesus Eucaristia somente no momento da Santa Missa, corre-se o risco de esvaziar de Sua presença o restante do tempo e do espaço existenciais.

    E assim se percebe menos o sentido da presença constante de Jesus no meio de nós e conosco, uma presença concreta, próxima, entre as nossas casas, como “Coração pulsante” da cidade, do país, do território com as suas várias expressões e atividades. O Sacramento da Caridade de Cristo deve permear toda a vida cotidiana.

    Na realidade, está errado contrapor celebração e adoração, como se estivessem em concorrência uma com a outra. É justamente o contrário: o culto do Santíssimo Sacramento constitui o “ambiente” espiritual dentro do qual a comunidade pode celebrar bem e em verdade a Eucaristia. Somente se for precedida, acompanhada e seguida por essa atitude interior de fé e de adoração, a ação litúrgica poderá expressar seu pleno significado e valor.

    O encontro com Jesus na Santa Missa se realiza realmente e plenamente quando a comunidade é capaz de reconhecer que Ele, no Sacramento, habita a sua casa, nos aguarda, nos convida à sua ceia e, a seguir, depois que a assembleia se desfaz, permanece conosco, com a sua presença discreta e silenciosa, e nos acompanha com a sua intercessão, continuando a recolher os nossos sacrifícios espirituais e a oferecê-los ao Pai.

    A esse propósito, quero ressaltar a experiência que viveremos juntos esta noite. No momento da adoração, nós estamos todos no mesmo plano, de joelhos diante do Sacramento do Amor. O sacerdócio comum e o ministerial se encontram acomunados no culto eucarístico. É uma experiência muito bela e significativa, que vivemos diversas vezes na Basílica de S. Pedro, e também nas inesquecíveis vigílias com os jovens – lembro por exemplo as de Colônia, Londres, Zagreb e Madri.

    É evidente a todos que esses momentos de vigília eucarística preparam a celebração da Santa Missa, preparam os corações ao encontro, de modo que isso resulte ainda mais frutuoso. Estar todos em silêncio prolongado diante do Senhor presente no seu Sacramento é uma das experiências mais autênticas do nosso ser Igreja, que acompanha de modo complementar a celebração da Eucaristia, ouvindo a Palavra de Deus, cantando, aproximando-se junto da ceia do Pão da Vida.

    Comunhão e contemplação não podem se separar, vão juntas. Para comunicar realmente com outra pessoa devo conhecê-la, saber estar em silêncio ao seu lado, ouvi-la, olhá-la com amor. O verdadeiro amor e a verdadeira amizade vivem sempre desta reciprocidade de olhares, de silêncios intensos, eloquentes, repletos de respeito e de veneração, de modo que o encontro seja vivido profundamente, de modo pessoal e não superficial.

    E, infelizmente, se falta esta dimensão, também a própria comunhão sacramental pode se tornar, da nossa parte, um gesto superficial. Ao invés, na verdadeira comunhão, preparada com o colóquio da oração e da vida, nós podemos dizer ao Senhor palavras íntimas, como as que ressoaram agora há pouco no Salmo responsorial: “Sou teu servo, filho de tua serva, rompeste os meus grilhões. Vou te oferecer um sacrifício de louvor, invocando o nome do Senhor” (Salmo 115, 16-17).

    Agora gostaria de passar brevemente para o segundo aspecto: a sacralidade da Eucaristia. Também aqui sofremos no passado recente com certa incompreensão da mensagem autêntica da Sagrada Escritura. A novidade cristã quanto ao culto foi influenciada por uma mentalidade mundana dos anos 60 e 70 do século passado. É verdade, e permanece sempre válido, que o centro do culto já não está mais nos ritos e nos sacrifícios antigos, mas no próprio Cristo, na sua pessoa, na sua vida, no seu mistério pascal.

    E, todavia, desta novidade fundamental não se deve concluir que o sagrado não existe mais, mas que encontrou sua realização em Jesus Cristo, Amor divino encarnado. A carta aos Hebreus, que ouvimos esta noite na segunda Leitura, nos fala justamente da novidade do sacerdócio de Cristo, “sumo sacerdote dos bens vindouros” (Hb 9, 11), mas não diz que o sacerdócio acabou. Cristo “é mediador de uma nova aliança” (Hb9,15), estabelecida no seu sangue, que purifica “a nossa consciência das obras mortas” (Hb9,14).

    Ele não aboliu o sagrado, mas o levou a cabo, inaugurando um novo culto, que é sim plenamente espiritual, mas que todavia, até que estejamos em caminho no tempo, se serve ainda de sinais e de ritos, que desaparecerão somente no fim, na Jerusalém celeste, onde não haverá mais nenhum templo. Graças a Cristo, a sacralidade é mais verdadeira, mais intensa, e, como acontece para os mandamentos, também mais exigente!

    Não basta observar o rito, mas se requer a purificação do coração e o envolvimento da vida. Apraz-me sublinhar que o sagrado possui uma função educativa, e seu desaparecimento inevitavelmente empobrecerá a cultura, de modo particular a formação das novas gerações.

    Se, por exemplo, em nome de uma fé secularizada e não mais necessária de sinais sagrados, fosse abolida esta procissão urbana de Corpus Domini, o perfil espiritual de Roma resultaria “esvaziado”, e nossa consciência pessoal e comunitária se tornaria enfraquecida. Também pensamos em uma mãe e em um pai que, em nome de uma fé dessacralizada, privassem seus filhos de qualquer ritual religioso: na realidade terminariam por deixar o campo livre a tantos substitutos presentes na sociedade de consumo, e a outros ritos e a outros sinais, que mais facilmente poderiam se tornar ídolos.

    Deus, nosso Pai, não fez assim com a humanidade: enviou seu Filho ao mundo não para abolir, mas para dar cumprimento também ao sacro. No cume desta missão, na última Ceia, Jesus instituiu o Sacramento de seu Corpo e de seu Sangue, o Memorial de seu Sacrifício Pascal. Assim fazendo Ele mesmo se colocou no lugar dos sacrifícios antigos, mas o fez dentro de um rito, que mandou os Apóstolos perpetuar, qual sinal supremo do verdadeiro Sagrado, que é Ele mesmo.

    Com esta fé, queridos irmãos e irmãs, celebramos hoje e cada dia o Mistério Eucarístico e o adoramos como centro de nossa vida e coração do mundo. Amém.



    _


    Immaculata mea

    In sobole Evam ad Mariam Virginem Matrem elegit Deus Filium suum. Gratia plena, optimi est a primo instanti suae conceptionis, redemptionis, ab omni originalis culpae labe praeservata ab omni peccato personali toto vita manebat.


    Cubra-me

    'A Lógica da Criação'


    Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim




    “Se não fosse a Santa Comunhão, eu estaria caindo continuamente. A única coisa que me sustenta é a Santa Comunhão. Dela tiro forças, nela está o meu vigor. Tenho medo da vida, nos dias em que não recebo a Santa Comunhão. Tenho medo de mim mesma. Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim. Do Sacrário tiro força, vigor, coragem e luz. Aí busco alívio nos momentos de aflição. Eu não saberia dar glória a Deus, se não tivesse a Eucaristia no meu coração.”



    (Diário de Santa Faustina, n. 1037)

    Ave-Maria

    A Paixão de Cristo