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    domingo, 20 de maio de 2012

    Perseguição aos cristãos - Atentados durante 2 cerimônias religiosas deixam 23 mortos na Nigéria


    Blogs e Colunistas
    30/04/2012
    às 7:27

    Perseguição aos cristãos - Atentados durante 2 cerimônias religiosas deixam 23 mortos na Nigéria

    No Estadão:
    Terroristas atacaram ontem pessoas que participavam de uma cerimônia religiosa num campus universitário na cidade de Kano, norte da Nigéria, usando pequenos explosivos para expulsar fiéis em pânico e, em seguida, matá-los num atentado em que pelo menos 18 pessoas perderam a vida, informaram as autoridades.
    Homens armados também atacaram uma Igreja Cristã na cidade de Maiduguri, matando quatro fiéis e o pastor. A cidade é considerada reduto espiritual do grupo radical islâmico Boko Haram, que quer adotar a lei islâmica (sharia) no país, até mesmo nas áreas cristãs, e exige a libertação de seus seguidores que estão presos.
    Em Kano, os atiradores escolheram uma parte antiga do campus da Universidade Bayero, onde grupos religiosos usam um teatro e outros locais para realizar serviços religiosos, segundo o porta-voz da polícia local, Ibrahim Idris. Muitas outras pessoas ficaram gravemente feridas. “Quando chegamos ao local, eles já haviam desaparecido usando suas motos”, afirmou.
    Depois do ataque, a polícia e soldados do Exército isolaram o campus enquanto tiros eram ouvidos pelas ruas próximas. Abubakar Jibril, porta-voz da Agência Nacional de Administração de Emergências da Nigéria, disse que as forças de segurança não permitiram que socorristas entrassem no campus. Os soldados impediram também o ingresso de jornalistas na universidade.
    “Lançavam explosivos e faziam disparos, provocando muito pânico entre os fiéis. Depois os perseguiram abrindo fogo contra eles. Também atacaram outra cerimônia no complexo desportivo”, disse uma testemunha, acrescentando que eles chegaram em um veículo e duas motocicletas.
    Segundo informações colhidas por Andronicus Adeyemo, representante da Cruz Vermelha nigeriana, em hospitais e necrotérios da cidade, o ataque deixou pelo menos 18 mortos. Várias pessoas ficaram feridas, embora a agência não dispusesse imediatamente de um número exato.
    Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque. Mas Idris disse que os atiradores usaram na ação pequenos explosivos acondicionados em latinhas de refrigerantes, método já usado pelo Boko Haram, cujo nome significa “a educação ocidental é um pecado”.
    O Boko Haram vem lançando uma luta sectária cada vez mais intensa contra o frágil governo central da Nigéria, usando carros-bomba e fuzis de assalto em ataques em todo o norte do país predominantemente muçulmano, e ao redor da capital, Abuja. Entre as vítimas estão cristãos, muçulmanos e representantes do governo. A seita é acusada de ter assassinado mais de 450 pessoas somente este ano, segundo a agência Associated Press.
    Diplomatas e militares afirmam que o Boko Haram está ligado a dois outros grupos terroristas alinhados com a Al-Qaeda na África. Membros da seita também teriam sido localizados no norte do Mali, uma região que rebeldes tuaregues e islâmicos radicais passaram a controlar no mês de março. Em janeiro, um ataque coordenado do Boko Haram contra edifícios do governo e outros locais em Kano, matou pelo menos 185 pessoas. Desde então, o grupo foi responsabilizado por ataques a delegacias de polícia e por atentados menores na cidade.
    (…)
    Por Reinaldo Azevedo

    O que o PT escreve e o que o PT faz. E o caso curioso do navio que abandona os ratos


    Blogs e Colunistas
    Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)
    20/05/2012
    às 7:11

    O que o PT escreve e o que o PT faz. E o caso curioso do navio que abandona os ratos


    Na quinta-feira, dia 17, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), membro da CPI do Cachoeira, violentou a língua e o decoro e mandou aquela mensagem ao governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio, que já se tornou um clássico: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso, e nós somos teu”.  Vai figurar nos próximos livros aprovados pelo MEC, ao lado de “nós pega os peixe, mas proteje (com “j”, claro!!!) os tubarão”. No dia seguinte, o Diretório Nacional do PT, reunido em Porto Alegre, aprovou uma “Resolução Política”. Pode-se ler o seguinte trecho:
    (…) A organização criminosa comanada pelo contraventor Carlos Cachoeira atuava dentro das estruturas do Estado de Goiás, governado por Marconi Perillo, espalhando seus tentáculos nas instituições dos poderes constituídos de outros estados do Brasil.
    Os fatos revelados pelas citadas operações da PF reforçam a urgência de reformas de fundo no sistema político e nas instituições nacionais, especialmente o financiamento público das campanhas eleitorais, com mais fiscalização e transparência em todas as esferas da política. A CPMI, ao levar a bom termo sua missão, dará sua contribuição ao incessante combate à corrupção travado pelos presidentes Lula e Dilma.”
    A resolução, por óbvio, não fala em Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal, e em Sérgio Cabral. Enquanto era redigida, PT e PMDB acertavam os ponteiros para tirar a Delta Nacional e Fernando Cavendish do centro das investigações. Também ao ainda dono da Delta se poderia disparar um torpedo: “Não se preocupe; você é nosso, e nós somos teu”. A edição da VEJA desta semana explicou os cuidados com o empresário: ele mandou alguns emissários seus recomendar prudência aos digníssimos parlamentares e partidos. Segundo contas que circulam em seu mundo, a Delta doou R$ 100 milhões para campanhas eleitorais nos últimos anos. E tudo por aquele método consagrado pelo grande moralista Delúbio Soares: “recursos não-contabilizados”.
    Mas, como diria aquele príncipe chatinho, o essencial no trecho acima da resolução é quase invisível aos olhos. Notem que a exemplo do que fez com o mensalão, o PT está a considerar que as safadezas do esquema Delta-Cachoeira também se limitam a caixa dois de campanha. E aproveita para voltar à tese vigarista do financiamento público. Pela ordem: há, sim, caixa dois de campanha, e os emissários de Cavendish resolveram lembrar isso a alguns ‘patriotas”. Mas é evidente que não há só isso (como se fosse pouco!). Há indícios de superfaturamento, de licitações de meia-tigela, de pagamento de propina pura e sumples… de ASSALTO AOS COFRES PÚBLICOS.
    Um das mentiras do PT
    Uma das mentiras do PT em sua resolução é atribuir ao financiamento privado de campanha a lambança do esquema Cachoeira-Delta. Mesmo que fosse público, o que impediria o grupo de fazer o que fez? Estivesse o Tesouro a arcar com o custo das eleições (indiretamente, em período eleitoral, mais de R$ 600 milhões vão para os partidos), a Delta, com seus métodos, não seria a campeã das obras do PAC, por exemplo? O financiamento público, como quer o PT, só vai aumentar o assalto ao erário sem coibir minimamente o caixa dois. Aliás, qualquer pessoa que tenha frequentado o nível “Massinha I” das aulas de lógica vai concluir que, garantida a impunidade (como querem muitos na CPI) e proibidas as doações privadas, os ditos “recursos não-contabilizados” vão é aumentar, certo? Ou os lobistas, movidos pelo mais severo civismo, decidirão: “Não, gente! Agora há financiamento público de campanha. Vamos ficar fora das eleições”?
    Impunidade, sem-vergonhice e leis frouxas é que estimulam a fraude. O ex-senador democrata John Edwards, dos Estados Unidos, corre o risco de pegar bem uns 15 anos de cadeia caso fique provado, como tudo indica, que pagou pensão a uma filha que teve fora do casamento e à mãe da menina com recursos arrecadados para campanha política. Entenderam o ponto? O financiamento de candidaturas nos EUA é privado, mas o sujeito não pode fazer o que bem entende com o dinheiro. A Justiça funciona, e a sociedade não aceita lambança. No Brasil, o petismo quer coibir o caixa dois incentivando o… caixa dois!
    Não foi a única…
    Não foi a única vigarice da resolução. Num outro trecho, que vem destacado em negrito no original, encontramos estas belas palavras:
    É fundamental mobilizarmos a sociedade em defesa de uma ampla apuração de todas as denúncias relatadas nas operações da PF, bem como de todas as ramificações da organização criminosa, doa a quem doer, pois ninguém, seja na área pública ou privada, pode situar-se acima da lei. Entre as denúncias que precisam ser apuradas a partir de elementos probatórios em mãos da CPMI estão as relações entre o crime organizado e alguns órgãos de imprensa. O que está em jogo é a apuração de fatos criminosos, não os ataques à liberdade de expressão, como tentam confundir setores da mídia conservadora. Quanto aos meios de comunicação, reafirmamos a resolução aprovada no 4º. Congresso do PT: “Para nós, é questão de princípio repudiar, repelir e barrar qualquer tentativa de censura ou restrição à liberdade de imprensa”.
    Como? É uma pena para o PT e uma sorte para o Brasil que os petistas não possam enviar a seguinte mensagem à imprensa independente: “Você é nossa, e nós somos teus” (corrijo a língua de Vaccarezza, já que é impossível corrigir os hábitos). Dado o espetáculo que se ensaia na CPI, os petistas resolveram — e quem está surpreso? — atacar o jornalismo!!! “Relação entre o crime organizado e alguns órgãos de imprensa?” Quais? Jornalistas que se prezam recorrem, sim, muitas vezes, a fontes do submundo — com o qual alguns políticos fazem negócios, inclusive  os do PT — para denunciar o assalto aos cofres públicos. Querer intimidar a imprensa é fazer o jogo dos bandidos… Não! Errei! Querer intimidar a imprensa é trabalho de bandido que se beneficia dessa promiscuidade.
    Recorrendo às mesmas acusações que Goebbels fazia à “imprensa dos judeus” na Alemanha hitlerista, o PT deixa claro que quer perseguir apenas o mau jornalismo, sem agredir a liberdade de imprensa. Ah, bom! E qual é o “mau jornalismo”? Necessariamente aquele que denuncia também as falcatruas de petistas. Ora, se fosse bom, só exaltaria as qualidades do petismo, certo?
    Como cinismo é matéria farta por ali, retomam afirmação de um texto anterior e mandam ver:
    “Para nós, é questão de princípio repudiar, repelir e barrar qualquer tentativa de censura ou restrição à liberdade de imprensa”.
    Uma ova! Questão de princípio nunca foi. Quiseram expulsar um correspondente estrangeiro que contou uma grande mentira, não é? Lula gosta de umas cachaças. Tentaram impor o Conselho Federal de Jornalismo — que, na prática, funcionaria como um Conselho de Censura, com poderes até para caçar licença de jornalista. Propuseram mecanismos explícitos de controle da informação no Plano Nacional (Socialista) de Direitos Humanos. Já tinham apresentando proposta semelhante na Conferência de Comunicação. A verdadeira questão de princípio do petismo é outra: é controlar a imprensa.
    Não podendo impor a censura (não por enquanto), o partido atua na outra ponta. Por intermédio do governo e de estatais (com o nosso dinheiro!), financia revistas, blogs, sites e TV que praticam um troço semelhante ao jornalismo — está para o setor como o uísque paraguaio está para um scotch. Pode não parecer, mas se trata de uma agressão não só à imprensa: também ao regime democrático e ao estado de direito! Quando o logotipo de um banco estatal ilustra uma página cujo propósito é atacar a oposição — um trabalho partidário — e instituições da República, o que se tem é apropriação de dinheiro de todos para defender as causas de um grupo. É de uma obviedade escandalosa!
    Falhou mais uma tentativa de intimidar o jornalismo. Os que insistem nessa tecla começam a falar sozinhos, abraçados a seu rancor. Assistiu-se, assim, a um caso curioso em que navio acabou abandonando os ratos.
    Por Reinaldo Azevedo
    20/05/2012
    às 7:09

    Bodas bárbaras. Ou: Na era do politicamente cretino

    Leiam este texto. Volto depois.
    *
    O marxismo é uma variante da preguiça. Se você acredita que a base material condiciona mudanças na cultura, na forma de pensar e nas relações intersubjetivas, basta fazer como os romanos do poema “À Espera dos Bárbaros”, de Kafávis: sentar na calçada e esperar a banda passar. E há os que resolveram acelerar a história para que o inexorável chegasse antes: Lênin, Stálin, Mao, Pol Pot. O resultado se mede em crânios.
    O truque da chamada Escola de Frankfurt - de que Habermas é caudatário, embora infinitamente mais chato porque escreve mal - já é mais divertido do que o marxismo clássico. O que em um é consequência vira, no outro, causa, e a cultura é vista como o motor das mudanças materiais. É uma bobagem que alimenta intelectuais cuja profissão é contestar o regime - que lhes garante a liberdade de contestação. Mas muito influente.
    O velho marxismo morreu de falência múltipla dos órgãos. A sua realização prática eram as economias planificadas, que não resistiram à globalização - descrita ou antevista, como queiram, pelo próprio Marx no “Manifesto Comunista”. Já ali se podia supor que o socialismo buscava represar o mar. O neomarxismo pretendeu fazer a crítica à ortodoxia esquerdista sem ceder à razão burguesa. Deu em quê?
    Da maçaroca de esquerdismos não-dogmáticos nasceu uma vulgata virulenta: o pensamento politicamente correto. Tanto se dedicaram os intelectuais da dita nova esquerda à desconstrução do suposto eixo autoritário das democracias burguesas que a política militante degenerou, nos países ricos, no que Robert Hughes chama de “cultura da reclamação” e, nos pobres, de “excluídos militantes”, que rejeitam os valores universais da igualdade e o Estado de Direito. Querem que suas demandas particularistas sejam tratadas como reparação histórica.
    Negros, feministas, homossexuais, índios, sem-terra, sem-teto, sem eira nem beira… Todos anseiam que a História seja vivida como culpa, e a desculpa se traduz na concessão de algum privilégio. Isso que já é uma ética coletiva supõe que todos são vítimas de alguém ou de alguma coisa. De quem ou do quê? Ninguém sabe. “Da sociedade” talvez. A hipótese é interessante. Poderíamos zerar a História, dissolver os contratos e voltar ao estado da natureza. O Brasil já tem um novo “negro” ou um novo “índio”: é o macho branco, pobre, heterossexual e católico. É um pobre coitado, um discriminado, um sem-ONG. Nem os padres querem saber dele.
    As “minorias” se profissionalizam, e a luta sempre continua. Não temos uma política pública digna desse nome que se ocupe, por exemplo, da qualidade do ensino fundamental e médio, mas se faz, com cotas e ProUni, suposta justiça social na universidade, onde o único critério cabível de seleção é o saber - que mascararia as diferenças de classe e traria consigo um contencioso de injustiças históricas. Eis o desastre: competência e justiça, nesse raciocínio perturbado, passam a se opor, viram uma disjuntiva. Nas TVs, e até nos cadernos de cultura dos jornais, “manos” do rap e “MCs” fazem-se porta-vozes de uma nova metafísica, oposta àquele saber universal, formalista e reacionário. Padre Pinto é o santo padroeiro dessa guerra à ortodoxia.
    Igualdade? Justiça? Reparação? Nada disso. Consolida-se é o divórcio entre os partidários desse igualitarismo - que, de fato, é um particularismo que corrói as bases do Estado de Direito - e os da universalidade. O “novo homem” do antigo marxismo - que era, sim, uma utopia liberticida e homicida - foi substituído pelos bárbaros, cujo mundo ideal é aquele disputado por hordas, tribos, bandos, de que entidades do “terceiro setor” são proxenetas bem remuneradas.
    Os tais mercados não dão a menor bola para isso. A plateia que vi mais incomodada e, até certo ponto, indignada com a crítica severa que faço ao PT e a seu viés totalitário era composta de pessoas ligadas ao mercado financeiro. A democracia, como a defendiam os antigos liberais, é a eles irrelevante. Trata-se de dinheiro novo. Assistimos ao casamento entre os hunos e essa gente muito prática. As bodas bárbaras.
    *
    Voltei
    Esse meu texto saiu publicado no dia 3 de junho de 2006 no jornal “O Globo”, de que eu era colunista antes de meu blog se hospedar na VEJA. Está no livro “O País dos Petralhas”, que eu estava folheando nesta madrugada. Na segunda, conto por quê. É provável que muitos dos novos leitores não o conheçam. Poderia ter sido escrito há alguns minutos, não?
    Por Reinaldo Azevedo
    19/05/2012
    às 18:01

    Uma decisão sobre aborto de anencéfalos ou o envio das religiões para o banco dos réus?


    Blogs e Colunistas
    11/04/2012
    às 15:41

    Uma decisão sobre aborto de anencéfalos ou o envio das religiões para o banco dos réus?


    No post anterior, vocês viram que, conforme o previsto, Marco Aurélio Mello votou em favor do aborto de anencéfalos. A essência de seu argumento está exposta ali, no texto da VEJA Online. Antes que prossiga, uma observação se faz necessária. Gosto, no geral, dos votos do ministro Marco Aurélio — e, às vezes, discordo dele radicalmente, como aconteceu no caso da permanência, no Brasil, do terrorista Cesare Battisti. Não é que Mello tenha votado em favor dessa permanência. Entendeu que cabia a Lula, e só a ele, como presidente da República então, decidir. Eu me alinhei com aqueles que consideravam que não é assim. Discordar dele não quer dizer satanizá-lo — como tem virado hábito no país: há um esforço deliberado de certos grupos de pressão para esmagar a divergência. O curioso é que os “divergentes” quase sempre estão com a maioria da população. Isso significa que, cada vez mais, usa-se o território da lei para impor a vontade de uma minoria supostamente mais esclarecida. É evidente que maioria, por si, não é critério de verdade. Mas também não é sinônimo de mentira. Sigamos.
    O que me incomoda do que leio — não assisti ao voto; depois vou ler o de cada ministro — sobre a exposição do ministro Marco Aurélio é uma certa tensão, quem sabe oposição, criada entre a dignidade humana e o que seria a perspectiva religiosa, para declarar, então, que, sendo leigo, o estado não tem de se ocupar dos óbices religiosos.
    Há aí, parece-me, algumas confusões. Em primeiro lugar, a perspectiva religiosa não é, por si, contrária à dignidade humana coisa nenhuma. Para saber se é ou não, forçoso se faz analisar seu conteúdo. Em que, por exemplo, os fundamentos do cristianismo se oporiam a essa dignidade? Alguém conseguiria demonstrar algo a respeito? Duvido! O moderno humanismo tem seus pilares no cristianismo. Ignorá-lo é fazer má história; é produzir apenas ideologia sem fundamento. Sendo laico, de fato, o estado não é um procurador de religiões, mas também não deve ser seu algoz, como se tudo o que adviesse dessa experiência militasse contra valores universais. A defesa que o cristianismo faz da vida humana — sem restrições ou precondições — é ou não “universal”? Interessa ou não ao conjunto e a cada um dos homens? Na China moderna, os valores do cristianismo tornariam a vida mais arriscada ou mais segura?
    Criou-se uma falsa questão quando o aborto é debatido — seja o de anencéfalos ou não. As religiões, invariavelmente, são mandadas para o banco dos réus, passam por um processo que eu chamaria de “ilegitimação civil”, como se professar uma crença fosse fruto de um exotismo qualquer, de um desvio, quem sabe de um subpensamento, de uma categoria inferior na ordem dos valores. O nome disso é preconceito.
    No caso  do aborto — de anencéfalos ou não —, os que, como eu, advogam contra a corrente majoritária (dos grupos de pressão, não necessariamente da população; desconheço pesquisa a respeito) não cuidam de determinar se a vida é divina ou não; se ela tem início na concepção ou não. Não estamos naquele terreno cinzento entre a ciência e a fé. Trata-se de saber se a sociedade deve, dado o consenso do momento, estabelecer que vida merece ser vivida e por quanto tempo.
    Não posso assegurar que pensamento eu teria se fosse outro, é evidente. Assim, não vou aqui cair naquele truque vigarista de afirmar que “enquanto cidadão, penso tal coisa, mas enquanto cristão, penso…” Não! Sou um! Dados os fundamentos que entendo civilizados, que protegem a vida humana, repudio que seja o estado a determinar que vida deva ser vivida. Acho que isso é um retrocesso das conquistas do humanismo.
    Assim, meu caro ministro Marco Aurélio, isso que o senhor poderia chamar “perspectiva religiosa” coincide, segundo o meu entendimento e o de milhões de pessoas, com a perspectiva laica. Essa contradição entre uma coisa é outra, seja ou não esta a intenção do meritíssimo (e eu acredito que não seja, deixo claro), corresponde a uma tentativa de alijar a experiência religiosa da vida das sociedades.
    Quando isso acontecer, boa parte do que se entende por humanismo vai para o lixo. Arremato lembrando que, com efeito, guerras religiosas já fizeram muitas vítimas, como lembram constantemente alguns militantes ateus meio furibundos. Mas ninguém matou tanto quanto os estados oficialmente ateus. Se não é lícito, e não é, atribuir os milhões de mortos do comunismo, por exemplo, ao ateísmo em si, não foi a fé, também em si, que fez as vítimas dos conflitos religiosos. Mas aqui já derivo um pouco. Retomo o ponto. Precisamos decidir se, a cada questão que debatermos relativa à moral, à ética e aos costumes, será preciso, antes, exorcizar a religião para, então, tomar uma decisão que estaria pautada pela pureza.
    Esse, pra mim, é o mundo do obscurantismo da razão.
    Por Reinaldo Azevedo

    Diário Oficial publica critérios do CFM para aborto em caso de anencefalia. Ou: O avanço da cultura da morte


    Blogs e Colunistas
    14/05/2012
    às 15:57

    Diário Oficial publica critérios do CFM para aborto em caso de anencefalia. Ou: O avanço da cultura da morte

    Da Agência Brasil. Volto em seguida.
    O Diário Oficial da União publica na edição desta segunda, 14, os critérios definidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para a interrupção da gravidez no caso de fetos anencéfalos (malformação no tubo neural, no cérebro). A interrupção só deve ocorrer depois que for feito um exame ultrassonográfico detalhado e assinado por dois médicos. A cirurgia para interromper a gravidez deve ocorrer em local com estrutura adequada, ressalta o texto. Na Seção 1 do Diário Oficial, páginas 308 e 309, estão os seis artigos e a exposição de motivos.
    A divulgação dos critérios ocorre 32 dias depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter aprovado por 8 votos a 2 a autorização para a interrupção da gravidez em caso de anencefalia. O CFM criou uma comissão de especialistas em ginecologia, obstetrícia, genética e bioética para definir as regras e normas. A comissão foi criada no dia seguinte à decisão do STF.
    A Resolução nº1.989, de 10 de maio de 2012, é assinada pelo presidente do conselho, Carlos Vital Tavares Corrêa, pelo secretário-geral, Henrique Batista e Silva, e pelo relator do caso, Henrique Fernando Maia.
    A interrupção da gestação só será recomendada quando houver um “diagnóstico inequívoco de anencefalia”, conforme a decisão do conselho. O exame ultrassonográfico deverá ser feito a partir da 12ª semana de gravidez (três meses de gestação), registrando duas fotografias em posição sagital (que mostra o feto verticalmente) e outra em polo cefálico com corte transversal (detalhando a caixa encefálica).
    Na decisão, o CFM reitera também que os conselhos regionais de Medicina (CRMs) deverão atuar como “julgadores e disciplinadores” da decisão seguindo “a ética”. Segundo a resolução, a gestante está livre para decidir se quer manter a gravidez. Caso decida levar adiante a gestação ou interrompê-la, a mulher deve ter assistência médica adequada.
    A resolução é clara ainda na proibição de pressão sobre a gestante para tomar uma decisão. “Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano”, diz o texto. “O médico deve zelar pelo bem-estar da paciente.” Segundo a norma, a interrupção da gravidez só pode ocorrer em “hospital com estrutura adequada”. Não há detalhes sobre o que vem a ser uma estrutura adequada. A decisão da gestante ou do responsável por ela deve ser lavrada em ata.
    Cabe ao médico, segundo a resolução, informar toda a situação à gestante, que terá ainda liberdade para requisitar outro diagnóstico e buscar uma junta médica. O profissional médico deverá ainda comunicar à grávida os riscos de recorrência de novas gestações com fetos anencéfalos e orientá-la a tomar providências contraceptivas para reduzir essas ameaças.
    Na exposição de motivos, o Conselho Federal de Medicina ressalta as distinções que devem ser feitas entre interrupção da gravidez, aborto e aborto eugênico (visando ao suposto melhoramento da raça).
    “Apesar de alguns autores utilizarem expressões ‘aborto eugênico ou eugenésico” ou ‘antecipação eugênica da gestação’, afasto-as, considerado o indiscutível viés ideológico e político impregnado na palavra eugenia”, diz o texto, reproduzindo palavras do relator do processo no STF, ministro Marco Aurélio Mello.
    Voltei
    Não há dúvida de que a decisão do Supremo se referiu especificamente a fetos anencéfalos. O que a resolução do Conselho Federal de Medicina faz é estabelecer os critérios objetivos para a sua aplicação. Não havia, e não há, nenhuma dúvida a respeito disso. O ponto é outro sem deixar de ser o mesmo. Explico.
    A exegese desenvolvida pela maioria dos ministros do Supremo para os casos de anencefalia vale pode valer para outros casos de má-formação dos fetos. Se permitido nesse caso, por que não em outros, em que se pode alegar que o nascituro terá vida curta ou não terá uma vida independente?
    Não por acaso, os grupos pró-aborto comemoraram a decisão do Supremo não por causa da coisa em si — ninguém estava ligando muito para o sofrimento das mulheres grávidas de fetos ditos anencéfalos (a anencefalia propriamente dita não existe; se sem cérebro, o feto simplesmente não se desenvolve) —, mas por causa do seu sentido político. Todos entenderam o óbvio: boa parte da argumentação que se ouviu no tribunal justificaria, no fim das contas, qualquer interrupção da gravidez.
    O que avança é a cultura do aborto — não adianta tentar tapar o sol com a peneira. Aquela tal comissão de juristas que elabora propostas para a reforma do Código Penal, por exemplo, enviou ao Senado uma sugestão realmente encantadora: desde que atestado por médico ou psicólogo que a mulher não tem “condições psicológicas” — seja lá o que isso signifique — de ser mãe, o aborto legal seria autorizado.
    “Condições psicológicas?” Ora, bastaria que a mulher dissesse: “Não quero a criança e pronto!” Ou algum psicólogo iria se arriscar fazendo o seguinte laudo: “A dona Maricota diz que não quer o bebê, mas ela tem plenas condições psicológicas de ser mãe”? Entenderam? A tal comissão propõe um a maneira malandra, oblíqua, de mandar às favas a Constituição. Abrir-se-ia, ainda, outra janela: poderia existir uma grávida convicta de que quer ter o filho, mas um parecer contrário de algum médico ou psicólogo. Eis a vereda para outra prática perversa: a indução ao aborto, depois de “uma conversa” com a mulher…
    Dado o contexto, a formalização dos critérios, feita pelo CFM, é positiva. Mas ela vem no contexto de um avanço da cultura da morte.
    Por Reinaldo Azevedo

    Líderes pró-vida reagem à decisão do Tribunal Europeu com relação à lei contra o aborto na Irlanda

    European Court _ com



    Líderes pró-vida reagem à decisão do Tribunal Europeu com relação à lei contra o aborto na Irlanda

    Hilary White
    ROMA, Itália, 16 de dezembro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Líderes pró-vida em todo o continente da Europa estão respondendo à decisão confusa de hoje dada pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos no Caso ABC.

    O Tribunal decidiu em favor da queixa de uma das três mulheres no caso, que vinha recebendo tratamento de câncer na época que queria fazer o aborto, dizendo que as leis pró-vida da Irlanda violavam o direito dela à privacidade sob a Convenção Europeia de Direitos Humanos.

    Ao mesmo tempo, o Tribunal revelou que não há “nenhum direito humano ao aborto” que tenha tido origem na Convenção Europeia de Direitos Humanos.

    (Clique aqui para descobrir mais sobre a decisão.)

    Patrick Buckley, um irlandês e diretor da Rede Pró-Vida Europeia na Irlanda, disse que a decisão de hoje sobre as leis pró-vida da Irlanda é uma ameaça às vidas inocentes que elas protegem bem como à soberania nacional da Irlanda.

    Falando diretamente de Estrasburgo nesta manhã, Buckley disse que o tribunal “unilateralmente” interpretou de forma errada as leis da Irlanda, inclusive sua cláusula constitucional que protege a vida desde a concepção.

    “A Irlanda precisa sem mais descartar essa interferência numa questão nacional e constitucional muito delicada. A Europa está de novo decidindo sobre as cabeças do povo irlandês. Ficamos pensando no que virá amanhã”, disse ele.

    Youth Defence (Defesa Jovem), a maior organização de defesa pró-vida da Irlanda, descreveu a decisão judicial como “intrusiva, indesejável e uma tentativa de violar as leis pró-vida da Irlanda”. Eles avisaram ao governo irlandês que qualquer tentativa de implementá-la por meio do afrouxamento na proibição ao aborto na Irlanda se defrontaria com imediata ação conjunta.

    Rebecca Roughneen, de Youth Defence, disse que o veredicto do Tribunal “não era de surpreender” e confirmou que está em linha com muito da instituição da UE em sua dominante mentalidade pró-aborto. Roughneen comentou que o Conselho da Europa, que governa o tribunal, tentou também “coagir a Irlanda a legalizar o aborto”.

    Roughneen acrescentou que não é verdade que as mulheres grávidas da Irlanda não podem obter tratamento para câncer, ainda que isso represente uma ameaça a um bebê em gestação: “O que o tribunal recusou reconhecer foi que o tratamento médico para câncer que provoca danos involuntários ao bebê em gestação não é aborto, e esse tratamento é pois totalmente acessível para todas as mulheres irlandesas”.

    O Centro Europeu para Direito e Justiça (CEDJ) disse que “vê com cautela” a decisão. Num comunicado à imprensa o CEDJ disse que “aplaude que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos tenha reconhecido o ‘direito à vida do bebê em gestação’” e o direito da Irlanda de criar suas próprias leis sobre o aborto.

    Contudo, continuaram eles, o CEDJ “rejeita a hipótese de que o TEDH tem de que a constituição irlandesa realmente permite o aborto”.

    “Para o CEDJ, tem de ficar bem claro que a interpretação autêntica da Constituição da Irlanda pertence somente ao Tribunal Constitucional Irlandês, não ao TEDH”, disse a organização.

    Bernadette Smyth, diretora de Precious Life (Vida Preciosa), disse: “Recebemos de bom grado a decisão do Tribunal de que as duas mulheres envolvidas no caso não tiveram seus direitos quebrados. Mas o Tribunal Europeu interpretou de forma errada a Constituição irlandesa em sua decisão judicial sobre a terceira mulher”.

    “Eles cometeram o erro de obscurecer a diferença clara entre tratamento médico legítimo e aborto”, disse ela. “Sob a Constituição irlandesa, nenhuma mulher na Irlanda sofre recusa quando precisa de tratamento médico legítimo por qualquer complicação durante a gravidez. Em alguns casos a criança pode morrer como efeito colateral involuntário do tratamento, mas isso não é aborto. Não há circunstâncias médicas em que a vida de uma mulher grávida só possa ser salva pelo aborto. O fato é, sem o aborto, a Irlanda é o país mais seguro no qual estar grávida. As mulheres irlandesas recebem a melhor assistência médica do mundo. No relatório mais recente da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mortalidade materna, a Irlanda ficou em primeiro lugar em termos de segurança para mulheres grávidas”.

    Niamh Uí Bhriain do Instituto da Vida disse que a decisão judicial não é obrigatória.

    “O Tribunal não pode forçar a Irlanda a mudar suas leis ou cobrar penalidades da Irlanda se recusarmos”, disse ela. Embora o TEDH, disse ela, não tenha uma sustentação legal na Irlanda, tem com essa decisão judicial “demolido completamente sua própria autoridade moral ao negar direitos humanos aos bebês em gestação”.

    “Essa foi uma opinião judicial arrogante e coerciva”, disse ela. “Foi uma decisão movida à agenda, ilógica e recusa reconhecer os fatos médicos, ou o direito soberano do povo irlandês de decidir em importantes questões morais”.

    “Na Irlanda, sob nossa constituição, o povo é soberano: eles farão a decisão final com relação ao aborto. Esse é um direito sobre o qual o povo irlandês tem fortes sentimentos — e é por isso que nossos políticos não se moveram para legalizar o aborto aqui — porque haveria agitações”, acrescentou ela.

    Youth Defence disse que o trâmite inteiro foi parte de uma campanha maior para fazer com que o aborto fosse classificado como tratamento médico na Irlanda. Roughneen apontou para o fato de que a Associação de Planejamento Familiar da Irlanda, a principal organização irlandesa que faz pressões políticas e legais em favor do aborto, liderou uma campanha de propaganda no passado para definir os tratamentos médicos para gravidez ectópica ou câncer, os quais podem resultar na morte não intencional do bebê em gestação. Essa tentativa de confundir a questão, Roughneen disse, foi rechaçada com sucesso por uma campanha em massa de conscientização do público feita por Youth Defence.

    John Smeaton, diretor da Sociedade para a Proteção dos Bebês em Gestação e veterano na luta contra o crescimento global da ideologia pró-aborto, disse: “Esse caso nunca teve nada a ver com assistência às mulheres que se defrontam com uma gravidez de crise”.
    “Esse caso foi instigado por grupos pró-aborto internacionais de pressão política e legal, que têm o objetivo máximo de forçar os governos em todo o mundo a reconhecerem o acesso ao aborto como um direito legal”.

    Joseph Meaney, que trabalha para Human Life International (Vida Humana Internacional), falou com LSN a partir de seu escritório em Roma, dizendo: “Esse caso inteiro foi uma tática da Federação Internacional de Planejamento Familiar* para atacar as leis pró-vida na Irlanda e na Europa de forma geral”.

    O Tribunal, disse ele, mostrou uma “visão torcida” da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

    “Felizmente, eles decidiram realmente que as leis da Irlanda têm de ser respeitadas em não permitir o aborto por motivos sociais, econômicos ou de saúde, mas eles de fato aceitaram que o aborto tem de ser permitido para um risco não definido à vida da mãe”. Essa definição foi usada em outros países para abrir a porta para o aborto legal irrestrito.

    Meaney assegurou que sua organização trabalhará na Irlanda e no mundo inteiro para impedir essa decisão judicial de derrubar a lei da Irlanda.

    “Uma vigilância ainda maior é necessária aqui”, disse ele, “já que os promotores do aborto agora tentarão torcer a interpretação dessa pequena vitória nas leis e normas que efetivamente permitirão o aborto para muitas mães na Irlanda”.

    * Nota do tradutor: Federação Internacional de Planejamento Familiar, em inglês International Planned Parenthood Federation (IPPF), é a maior organização de aborto, educação sexual e planejamento familiar do mundo.

    Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com

    Jovem pai pró-vida quase perdeu filho para o aborto: diz que pais não têm direitos legais




    Jovem pai pró-vida quase perdeu filho para o aborto: diz que pais não têm direitos legais

    Hilary White

    DUBLIN, Irlanda, 8 de novembro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Joseph Lee, que trabalha como encarregado de desenvolvimento da Sociedade para a Proteção dos Bebês em Gestação da Escócia, é o pai de um menino de quatro anos. Mas ele quase perdeu seu filho há exatamente quatro anos, graças ao fato de que as leis de aborto da Inglaterra não permitem que os homens sejam levados em consideração nas decisões de aborto.

    Lee contou seu testemunho doloroso para LifeSiteNews.com numa conferência neste final de semana em Dublin.

    Aos 22 anos, a namorada de Lee ficou grávida e tinha a intenção de fazer aborto. Apesar do fato de que ele queria ter o bebê e cria que o aborto é moralmente errado, ele se achou sem nenhum recurso legal para salvar a vida de seu filho em gestação.

    Sem nenhum lugar para onde ir para pedir ajuda, a única opção que restou para Lee foi a oração.

    Duas vezes antes da aprovação da Lei de Aborto de 1967 os homens tentaram e fracassaram nos tribunais em seus esforços para proteger seus filhos do aborto legal. Lee havia estudado direito e sabia que “não havia dúvida de que eu estava indo a um advogado”.

    “Eu sabia que seria completamente inútil. Por isso, eu sabia que tudo o que eu podia realmente fazer era, primeiro orar sobre isso, e tentar persuadi-la a ficar com o bebê. Era muito frustrante”.

    A mãe de Lee tinha estado envolvida no movimento pró-vida. “Portanto, eu sabia que eu era completamente contra o aborto em todos os casos”, disse ele. “Mas eu nunca havia tido um desafio nessa área e nunca fiz nada sobre isso. Assim, minha namorada ia fazer um aborto numa clínica, mas eu não conseguia enfrentar isso, independente do fato de que eu tinha apenas 22 anos, e eu não estava em condições de cuidar nem de mim mesmo, sem mencionar de outra pessoa. Por isso, tentei persuadi-la a não abortar, mas ela foi em frente e marcou uma consulta”.

    Lee diz que está convencido de que foi apenas pelo poder da oração que a enfermeira na clínica de aborto mostrou a imagem de ultrassom para a namorada dele. Nas clínicas de aborto do mundo inteiro, um ultrassom é normalmente exigido para se averiguar o tempo exato de gestação da criança para decidir qual método de aborto usar. Mas as mulheres rotineiramente são proibidas de ver imagens de seus bebês em gestação se tais imagens as influenciarem contra o aborto.

    Como ocorreu com tantas outras mulheres, logo que a namorada de Lee viu o ultrassom, ela compreendeu que não poderia fazer o aborto.

    “Lembro-me de uma ligação telefônica em que ela disse que não ia fazer o aborto naquele dia, e que ela viu nosso filho na imagem, parecendo bem feliz, nadando ali dentro. Ela disse que ele parecia como uma minúscula pessoa. Lembro-me de pensar: ‘A razão é porque é uma pessoa’”.

    Ele relata que a enfermeira que estava oferecendo a pílula “médica” de aborto RU-486 disse, “Estou feliz em lhe dar isso, a menos que você tenha 100 por cento de certeza”.

    “E obviamente ela não estava 100 por cento segura, porque eu estava fazendo tudo que eu podia fazer para persuadi-la a ficar com o bebê. Eu não percebi isso na época, mas descobri mais tarde que ela tinha conversado com uma amiga que havia usado a pílula do aborto, de modo que talvez isso fosse algo que tenha influenciado a decisão dela. Aquela pode não ter sido uma noite agradável”.

    Lee apontou para o fato de que “é muito raro” ver algo escrito sobre os direitos dos pais no debate do aborto.

    “Até mesmo entre as pessoas que são pró-vida… os grupos de aborto de pressão política colocam todo o foco nos direitos das mulheres”, disse ele. “As pessoas pró-vida tendem com justiça a ter como foco a criança. A maioria dos conselheiros enfoca a mulher, mas nada coloca o pai como foco”.

    Perguntado se há alguém fazendo algum tipo de trabalho legal em favor de homens nessa situação, Joseph respondeu: “Não que eu saiba”.

    “Isso tudo mostra que o lado pró-aborto tem tido muito sucesso em fazer do aborto uma questão exclusivamente das mulheres, o que é completamente ridículo, pois tenho visto, a partir da minha própria experiência, que as mulheres têm muito mais probabilidade de fazerem aborto se o homem não se envolve”.

    Ele apontou para o fato de que as leis de aborto isolam as mulheres. Mesmo que uma mulher não esteja sendo pressionada para fazer um aborto, sem o pai envolvido ela não tem apoio: “Se o cara diz, ‘É só você e sua vida’, isso é o que coloca pressão nela e dá a ela a sensação de que ela tem de fazer o aborto. É uma mentira completa sugerir que as mulheres devam depender somente de si mesmas para fazer a decisão. Não há mal em admitir que às vezes ela precisa do conselho e apoio de outras pessoas. O aborto é uma das decisões mais horrendas que alguém faz em toda a vida, e ter de fazê-la sozinha é algo muito assustador”.

    Os homens recebem tratamento injusto da lei, quer eles sejam pais ou não, disse Lee, que argumenta que o aborto legal tem dado aos homens a desculpa para abandonaram as mães de seus filhos. “O aborto legal legitima os homens não se envolvendo [na criação de filhos] e sendo aptos a abandoná-los. Eles terão a expectativa de que as mulheres tenham um aborto. Não há contradição quando um homem é desprezado se ele não está presente quando seu filho nasce, mas dizem a ele que ele não tem parte na situação toda. Ele é difamado por não ter um papel na vida do filho, por não apoiá-lo, considerando que isso é favoravelmente incentivado desde o próprio começo da vida da criança. Portanto, não é surpresa que vejamos homens abandonando filhos”.

    Ele acrescentou: “Sei que não devemos julgar as pessoas, mas eu realmente penso que o que um homem faz em relação a seus filhos é um jeito em que podemos até certo ponto medir se ele é um homem de verdade ou não, pois se um homem abandona seu próprio filho, então ele não é um homem de verdade aos meus olhos”.


    Traduzido por Julio Severo:
    www.juliosevero.com

    Veja também este artigo original em inglês:
    http://www.lifesitenews.com/ldn/2010/nov/10110805.html

    Folha de S.Paulo: Criminalização da homofobia, legalização do aborto e casamento gay são temas que voltarão à pauta do Congresso


    Folha de S.Paulo: Criminalização da homofobia, legalização do aborto e casamento gay são temas que voltarão à pauta do Congresso
    30/01/2011 - 10h40

    Depois de protagonizar a campanha presidencial, a polêmica sobre o aborto e temas ligados à comunidade gay promete acirrar ânimos no novo Congresso, que toma posse na terça-feira, destaca neste domingo o jornal
    Folha de S.Paulo. Arquivado no início de janeiro pelo Senado, o projeto que criminaliza a homofobia vai ser a primeira pauta a causar polêmica no Legislativo. A proposta prevê punição para uma série de discriminações e preconceitos, entre eles pela orientação sexual.

    Senadores ligados à causa gay se articulam para recolher as 27 assinaturas necessárias para desarquivá-lo. O texto já havia tramitado por duas legislaturas sem ir a votação no plenário. A senadora eleita Marta Suplicy (PT-SP) lidera o movimento para a retomada da matéria. "Assim que estiver empossada, iniciarei as conversas para obter as assinaturas. Tenho me manifestado em assumir a relatoria desde já", disse ela.


    A principal barreira para a aprovação do texto está na bancada evangélica, que vê a possibilidade de censura às pregações dos pastores.


    O presidente da ABLGT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Toni Reis, disse que adotará estratégia mais enérgica em favor do projeto. "Fizemos todas a concessões possíveis." Reis antevê outra batalha, para o segundo semestre: o projeto que regulamenta o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Até então, o foco vinha sendo a aprovação da união homoafetiva, mas a comunidade gay quer ampliar o debate.


    Outra polêmica engatilhada é a legalização do aborto. Uma nova minuta de projeto de lei está em discussão pelas feministas e pode chegar ao Congresso neste semestre.


    Telia Negrão, secretária-executiva da Rede Feminista de Saúde, esteve com os ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Maria do Rosário (Direitos Humanos) neste mês para discutir o assunto, entre outros itens da pauta.


    O movimento de mulheres quer o engajamento do governo federal na aprovação da proposta.


    O outro lado da disputa não está paralisado e se articula para frear as iniciativas. O dia da posse dos novos congressistas, na terça-feira, será festejado com o "Show Vida", evento católico que ocorrerá em Brasília e é articulado por parlamentares ligados à igreja -caso do recém-eleito deputado Eros Biondini (PTB-MG). "Já fiz outros shows como esse. No dia da posse, [o objetivo] é fincar uma das nossas bandeiras", afirma o eleito. Biondini promete reapresentar, se necessário, o chamado Estatuto do Nascituro, projeto que garante o direito à vida mesmo antes do nascimento.


    Como medida imediata, o grupo "pró-vida" no Congresso vai tentar a revogação da resolução do Conselho Federal de Medicina que confirmou o uso da reprodução assistida por casais gays.


    Fonte: Folha de S.Paulo




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    Immaculata mea

    In sobole Evam ad Mariam Virginem Matrem elegit Deus Filium suum. Gratia plena, optimi est a primo instanti suae conceptionis, redemptionis, ab omni originalis culpae labe praeservata ab omni peccato personali toto vita manebat.


    Cubra-me

    'A Lógica da Criação'


    Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim




    “Se não fosse a Santa Comunhão, eu estaria caindo continuamente. A única coisa que me sustenta é a Santa Comunhão. Dela tiro forças, nela está o meu vigor. Tenho medo da vida, nos dias em que não recebo a Santa Comunhão. Tenho medo de mim mesma. Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim. Do Sacrário tiro força, vigor, coragem e luz. Aí busco alívio nos momentos de aflição. Eu não saberia dar glória a Deus, se não tivesse a Eucaristia no meu coração.”



    (Diário de Santa Faustina, n. 1037)

    Ave-Maria

    A Paixão de Cristo