HISTÓRIA DE PORTUGAL
(01)-BATALHA DE ALJUBARROTA !
Batalha de Aljubarrota, num quadro de Veloso Salgado de harmonia com as fantasias dos autores.
Em 14 de Agosto de 2012 celebrámos os 627 anos da Batalha de Aljubarrota.
Tratando-se de um facto histórico da maior importância, a Batalha de Aljubarrota tem também um sentido religioso muito significativo, à luz da vida cristã e religiosa no futuro de Portugal.
Portugal jogava a sua grande cartada na procura de uma consagrada Independência final e bem arreigada.
E fazia-o com a sua grande confiança na força de todos os Portugueses, mas também confiado na extraordinária protecção da Sempre Virgem Maria a quem prometeu erguer o monumento de Santa Maria da Vitória no lugar que se ficaria a chamar Batalha.
Por seu turno, os Espanhóis também não queriam abdicar do seu já longo desejo de dominar Portugal, aquele pequeno reduto, que tanto os incomodava, e lhes aparecia sempre como um David contra Golias.
D. João de Castela não queria repetir o erro de entrar em Portugal quase desacompanhado de tropas, como se a vitória contra os Portugueses fosse uma coisa fácil.
Mandou apregoar a guerra por todo o reino e foi concentrando na fronteira contingentes vindos de toda a parte.
O próprio rei quis iniciar as hostilidades e foi pôr cerco a Elvas.
Ao fim de poucos dias chegou a notícia de um revés grave : as tropas de João Rodrigues de Cantanheda e do Alcaide-mor de Toledo, acompanhadas por outros importantes fidalgos espanhóis, tinham-se infiltrado na Beira e penetrado até Viseu ; quando regressavam com gados e prisioneiros travaram combate, junto de Trancoso, com forças portuguesas e tinham sido vencidos.
Da coluna espanhola, formada por 400 lanças, havia poucos sobreviventes.
Repetira-se na Beira a situação dos Atoleiros : a cavalaria castelhana julgara poder esmagar a peonagem reunida à pressa pelas aldeias e deixara-se vencer.
No Norte do país, D. João I e Nuno Álvares, já nomeado Condestável, reduziam uma a uma as vilas do partido adversário : Neiva, Viana, Guimarães, Braga e Ponte de Lima.
O rei de Castela iniciava entretanto a invasão pela fronteira da Beira.
Desceu o vale do Mondego, passou junto de Coimbra, onde o não deixaram entrar, e encaminhou-se para Lisboa, pela estrada de Leiria e Alcobaça.
Acompanhavam-no tropas muito numerosas :
- Fernão Lopes refere-se a 5000 lanças (20.000 homens), mais 2000 ginetes (cavalaria ligeira), 8000 besteiros e 15000 peões.
- Froissart fala em 20000 cavaleiros, mais 2000 franceses.
Os Portugueses seriam :
- Para Fernão Lopes, 1700 lanças, 800 besteiros e 4000 peões.
- Para Froissart seriam 10000 homens o que não anda longe dos números precedentes.
Todas estas indicações têm de ser tomadas com reserva, mas é certo que a desproporção de forças era enorme e todos os autores lhe fazem referência.
Nuno Álvares decidiu (como já quisera fazer no ano anterior), interceptar a marcha do invasor e evitar que voltasse a pôr cerco à capital.
As tropas portuguesas foram colocadas junto à estrada para Lisboa, entre Leiria e Alcobaça, num lugar de passagem obrigatória do exército de Castela.
O plano era temerário, porque as tropas portuguesas não dispunham de víveres e não podiam manter-se muitas horas naquela posição; bastava que os Castelhanos se limitassem a deixar passar o tempo para que os nossos tivessem que retirar, o que, segundo as regras de cavalaria, representava a derrota.
Um embaixador do rei de França apercebeu-se da situação e expô-la a D. João de Castela.
Mas os fogosos jovens que formavam a vanguarda do exército real entenderam que não era uma solução honrosa e reincidiram no erro de Atoleiros e de Trancoso : subestimaram o valor militar daquela peonagem mal armada, muralha de lanças colada à terra, com os cotos da lança cravados no solo.
O Condestável tinha escolhido um terreno que a superioridade numérica pouco ajudava os Castelhanos : uma peneplanície aparente, mas realmente cortada por dois barrancos, sulcos de ribeiros, que se iam aproximando um do outro e que eram suficientemente fundos para provocarem a queda de cavalos e cavaleiros.
À medida que avançavam, os cavaleiros apertavam-se uns contra os outros e não podiam estacar, porque os que vinham atrás empurravam-nos.
"Os peões e lanceiros de Portugal eram muitos e atiravam muitos dardos, setas e pedras, de modo que os cavaleiros não puderam entrar neles", escreveu o cronista Ayala, que goza de especial autoridade por ter tomado parte na batalha, onde foi feito prisioneiro.
Muito antes de poderem terçar armas, os cavaleiros de Castela eram alvo das pedradas dos fundibulários que Nuno Álvares trouxera do Alentejo, dos tiros dos besteiros portugueses e do rápido golpe dos archeiros chegados de Inglaterra e cujo número se supõe atingir as sete centenas.
A situação invertia-se : a batalha transformava-se num massacre, mas os massacrados eram os Castelhanos.
Estávamos perante uma situação de uma Batalha Real, por se travar entre dois reis.
Com bravura, o exército português insistiu durante meia hora : E duró la porfia de la batalla, antes que pareciese quales perdian ó ganaban, media hora assaz pequeña, informa Ayala.
É essa insistência que explica o número de mortos, extremamente elevado para um embate tão rápido.
A lista dos grandes fidalgos espanhóis (e portugueses que com eles vinham) que morreram na batalha é surpreendentemente alta e revela provavelmente que morreram os que, dada a proeminência das suas posições sociais, cavalgavam nas filas dianteiras.
Por outro lado, a tradicional cortesia cavalheiresca, que muitas vezes convertia os combates em espectaculares torneios em que só acidentalmente se perdia a vida, não funcionou em Aljubarrota.
Nem os temidos frecheiros ingleses nem os soldados alentejanos que acompanhavam Nuno Álvares tinham sido educados nessa escola.
A luta era para eles de vida ou de morte.
Por isso Aljubarrota foi um facto decisivo na história nacional, e sê-lo-ia também para a história cristã e religiosa desta Terra de Santa Maria.
O rei de Castela, a coberto da noite, atingiu Santarém e aí tomou uma embarcação que o levou ao estuário do Tejo, onde uma nau castelhana o recolheu e levou a Sevilha.
O pânico apoderou-se dos seus partidários.
Santarém entregou-se imediatamente ao novo rei : Leiria, Óbidos, Torres Vedras, Alenquer, Torres Novas, o muito alto e fragoso castelo de Sintra, o Crato, Monforte, Vila Viçosa, Mourão e muitos outros lugares, cujos alcaides, diz Fernão Lopes, não se quiseram vir à batalha, mas aguardavam por ver quem venceria, aderiram à causa da vitória.
Uma vez alcançada a Vitória, D. João I deu seguimento à sua promessa de edificar na região o Mosteiro de Santa Maria da Vitória no lugar que ainda hoje se chama Batalha.
Segundo reza a história ou se diz como lenda, desempenhou um papel de certo relevo no fim da derrocada, a afamada Padeira de Aljubarrota.
Nascimento
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