É de aconselhar que se leia primeiro toda a Liturgia da Palavra.
DOMINGO DE RAMOS
NA PAIXÃO DO SENHOR - ANO C !
A Liturgia da Palavra deste Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – C, é toda referente a Cristo triunfante ao encontro da morte com a liberdade de Filho.
As duas primeiras Leituras são comuns para os três Ciclos A, B e C.
A Liturgia deste domingo, portanto, reveste-se de dois aspectos, aparentemente contraditórios.
Fala-nos de triunfo e de glória para, logo a seguir nos apresentar a leitura da Paixão, que neste ano é segundo S. Lucas
Apresenta-nos, portanto, a figura de Jesus no seu aspecto de Rei messiânico e ao mesmo tempo de «Servo do Senhor».
A entrada triunfal conduz à Paixão, mas a Paixão só é plenamente compreendida por aquele que reconhece o carácter messiânico de Jesus Cristo.
A morte é apenas um aspecto do Mistério total da Páscoa.
Jesus caminha para a morte, voluntariamente, numa liberdade total, em amorosa entrega pelos homens.
Ao aceitar o entusiasmo da multidão, que bem depressa se mostrará desiludida com o Messianismo de Jesus, o Senhor quer mostrar a liberdade perfeita com que o «Servo Sofredor» vai realizar a Sua missão redentora.
Na 1ª Leitura, o profeta Isaías apresenta-nos o «Servo de Deus» que se oferece como vítima pelos homens seus irmãos.
- "Apresentei as costas àqueles que me batiam e as faces aos que me arrancavam a barba, e não furtei o rosto aos insultos e aos escarros".(1ª Leitura).
Entregando-Se confiadamente à Vontade do Pai, seguro de que Ele O assistirá, não hesita em cumprir a Sua missão, que o levará à morte.
No aniquilamento da morte começa, porém, a Sua elevação à glória.
Na Sua humilhação, Deus far-Lhe-á conhecer a exaltação, ainda que por momentos possa sentir o abandono de Deus, como proclama também o Salmo Responsorial :
- "Meu Deus, Meu Deus, porque Me abandonastes".
Na 2ª Leitura, S. Paulo diz aos Filipenses, e hoje também a todos os homens, que Jesus se fez um de nós, sujeitando-se às contingências da natureza humana, em obediência ao Pai, para nos poder salvar.
- "Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até a morte, e morte de cruz".(2ª Leitura).
No aniquilamento da morte começa, porém, a Sua elevação à glória.
A narração da Paixão é segundo S. Lucas.
Evangelista da misericórdia, é sobretudo a bondade que brilha no relato de Lucas.
Envolto no clarão da Divindade, Jesus é apresentado como aquele que combate contra o poder das trevas não pela força exterior, mas pela força da alma e pela bondade.
Essa bondade manifesta-se para com Pedro, Malco, as mulheres de Jerusalém e o bom ladrão.
- «Em verdade te digo : Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso». (Evangelho).
O próprio carácter odioso dos inimigos de Jesus parece atenuar-se, através de pormenores, que o Evangelista anota.
Uma atmosfera de serenidade e de misericórdia envolve, na verdade, a Pessoa do Salvador.
Ao antigo Povo eleito, obstinado em não reconhecer a divindade de Jesus, sucede-se o novo Povo de Deus.
Na Encarnação, Jesus fez sua a pobreza radical do homem perante Deus.
A pobreza é, pois, o sacrifício espiritual, a realidade profunda de toda a oferta e imolação de animais e de coisas em honra de Deus.
Coerente com esta escolha, apoiou-se na palavra do Pai, que nas Escrituras e nos acontecimentos lhe indica o caminho para cumprir a sua missão; não se subtraiu à condição de homem pecador, ao sofrimento que provém do egoísmo, nem aos limites da natureza humana, entre os quais, antes de tudo, a morte.
Um homem como todos, um pobre em poder de todos; assim se mostra o sucinto e objectivo relato dos evangelistas.
Vemo-l'O como uma vítima da intolerância e da injustiça, um amotinador ou, quando muito, um sacrificado pelos seus por um falaz cálculo político.
Mas isto não bastaria para dele fazer um salvador
O que resgata a sua morte, o que a transfigura – para ele e para nós – é o imenso peso de amor com que faz dom da sua vida, para libertar-nos da violência e do ódio, do fanatismo e do medo, do orgulho e da auto-suficiência; para tornar-nos – como ele – disponíveis a Deus e aos outros, capazes de amar e perdoar, de ter confiança e reconstruir, de crer no homem ultrapassando as aparências e as deformações.
Graças ao sacrifício de Jesus, todos os homens podem agora aproximar-se de Deus, dentro do plano da História da Salvação.
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Diz-nos o Catecismo da Igreja Católica :
559. – Como vai Jerusalém acolher o seu Messias ? Embora tenha sempre evitado as tentativas populares de O fazerem Rei, Jesus escolheu o momento e preparou os pormenores da sua entrada messiânica na cidade de «David, seu pai»(Lc.1,32). E é aclamado como filho de David e como aquele que traz a salvação("Hosanna" quer dizer «então salva», «dá salvação»). Ora, o «rei da glória»(Sl.23,7-10) entra na «sua cidade», «montado num jumento»(Za.9,9). Não conquista a filha de Sião, figura da Igreja, nem pela astúcia nem pela violência, mas pela humildade que dá testemunho da verdade. Por isso é que os súbditos do seu reino, naquele dia, são as crianças e os «pobres de Deus», que O aclamam, tal como os anjos O tinham anunciado aos pastores. A aclamação deles : «Bendito o que vem em nome do Senhor» (Sl.117,26), é retomada pela Igreja no «Sanctus» da Liturgia Eucarística, a abrir o Memorial da Páscoa do Senhor.
560. – A entrada de Jesus em Jerusalém manifesta a vinda do reino que o rei Messias vai realizar pela Páscoa da sua Morte e da sua Ressurreição. É pela sua celebração, no domingo de Ramos, que a Liturgia da Igreja começa a Semana Santa.
Hosana ao Filho de David !... Bendito o que vem e nome do Senhor.
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