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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A esmola e o encontro com o pobre




















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Um dos preceitos aos quais os católicos estão obrigados, não só durante a Quaresma mas durante todo o ano, todo o tempo de suas vidas, é o de assistir os pobres e sofredores em suas necessidades, seja com ajuda material, conforto psicológico e emocional, dedicando ao menos um tempo mínimo para confortar (seja auxiliando concretamente ou pelo menos ouvindo) àqueles que não tem ninguém ao seu lado e a dizer-lhes uma palavra de esperança.


Sim. Dar esmolas é um preceito da Igreja. Mas qual seria a a maneira mais correta, humana e socialmente responsável de dar esmolas? Dar dinheiro aos pedintes nas ruas ou colaborar com alguma instituição de caridade séria, preferencialmente (mas não necessariamente) ligada à Igreja?


Essa discussão é controversa e merece uma atenção especial. Particularmente, venho sentindo o problema na pele de modo especial nos últimos anos, pois o número de moradores de rua em São Paulo vem crescendo assustadoramente. Em 2010, o FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) já apontava um crescimento de 57%(!), e de lá para cá a situação certamente se agravou ainda muito mais. Em 2012, o Censo do IBGE dizia que entre 0,6 e 1% da população brasileira é constituída de moradores de rua! Isso nos dá a impressionante estimativa de 1,8 milhões de moradores de rua no território nacional! São quase dois milhões de pessoas jogadas debaixo de viadutos, espalhadas pelas calçadas, dormindo ao relento, estendendo as mãos nos cruzamentos, nas portas das casas, das igrejas...


Um quadro, de fato, assustador. O lado mais cruel dessa história é que qualquer cidadão minimamente consciente desta imensa metrópole chamada São Paulo, que abriga por certo uma parcela importante desta imensa população de rua, sabe muito bem que a grande maioria dos pedintes é formada por aproveitadores, vadios por opção e/ou alcoólatras/consumidores de drogas (que por sua vez ajudam a sustentar o tráfico). 

A outrora elegante Avenida Paulista é um exemplo perfeito: suas largas calçadas encontram-se atualmente tomadas por pedintes, homens e mulheres, crianças e idosos, mães com bebês a tiracolo... Especialmente à noite, o passeio público tornou-se uma chateação. Não se andam dez metros sem que alguém venha pedir dinheiro.


Muitos viciados são recolhidos das ruas pela Prefeitura e levados para centros de desintoxicação e ressocialização, - cujos serviços lamentavelmente deixam muito a desejar, o que é um outro grave problema, - mas não aceitam permanecer ali, nem querem ajuda de espécie alguma no sentido de buscar a reabilitação. Outros (e são muitos) rejeitam a ajuda de suas próprias famílias e simplesmente se recusam a sair das ruas, onde não precisam obedecer regras e sempre arrumam quem lhes dê dinheiro e comida. Diversas reportagens e estudos já demonstraram que não são raros os pedintes que, nas ruas, chegam a ganhar bem mais do que um trabalhador assalariado. Viver nas ruas, para muita gente, é um estilo de vida, é uma opção, um negócio. 


E o nosso governo atual entende que é "um direito" de todo cidadão morar na praça, na rua, debaixo do viaduto, como se fosse um amontoado de lixo, urinando e defecando na via pública, fazendo sexo em público, muitas vezes se drogando, às vezes cometendo pequenos furtos, num suicídio lento e progressivo... Onde bem entender. E o cidadão comum, pagante de impostos (e como!) deve se submeter a tudo isso sem reclamar. Seu direito de viver numa cidade minimamente humanizada, por certo, não tem importância.




As maiores vítimas das esmolas irresponsáveis são as crianças. Muitas famílias recebem do Governo Federal uma ajuda mensal de R$ 200,00 para que seus filhos deixem de vender produtos nas ruas. Entretanto, muitos abrem mão deste benefício e preferem continuar a explorar seus filhos, expondo-os aos perigos das ruas, porque é mais lucrativo. Então, quando compramos produtos de crianças nas ruas, em vez de ajudar, podemos estar reforçando ainda mais as correntes da miséria e da exploração.


Muitos dizem que não dão dinheiro, e sim comida e/ou roupas. Bem, isso dá quase no mesmo: qualquer doação pode servir como incentivo para que a pessoa se acomode na situação de pedinte. Que criança ou adolescente vai querer ficar em um abrigo, quando as ruas oferecem tantas (falsas) vantagens imediatas? Com tanta gente "boazinha" disposta a sustentá-la, mantê-la exatamente do jeitinho que ela está, na rua, na indigência, com acesso a todos os prazeres e vícios do mundo? Sim, ao ajudar essa criança a permanecer nas ruas, o seu destino é quase certo: prostituição, vício e delinquência. 


A esmola irresponsável torna mais difícil para as pastorais e equipes humanitárias convencerem as crianças dos aspectos negativos da rua. "É uma concorrência desleal", diz a coordenadora da Comissão Municipal de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, Júlia Obst (Portal Zero Hora).


Aqui é que termina a questão de caridade cristã e começa o problema social. É um fato que a grande maioria da população de rua (ao menos aqui de São Paulo) está nessa situação por opção própria. Minha experiência em pastorais e a vivência em casas de acolhida me levaram a perceber que, quando damos esmola na rua, diretamente ao pedinte, ajudamos a aumentar essa população que não quer ajuda e nem quer se ajudar.




Sei que a minha fala soa um pouco radical, principalmente da parte de um cristão, e muitos serão rápidos em me chamar de desumano, mas vejo claramente que o povo brasileiro é muito “bonzinho” nas situações erradas. Concordo 100% com a campanha "Esmola Não Ajuda", da Secretaria de Assistência Social de Ribeirão Preto (as imagens deste post são de cartazes desta campanha). 


Claro que existem exceções, momentos em que encontramos pessoas que realmente precisam de uma ajuda material e, como cristãos, devemos ajudar. Jesus mandou dar esmola, mas precisamos entender o conceito de esmola. Considero muito mais válido, por exemplo, procurar uma família pobre, que sabemos que passa por dificuldades (quem não conhece uma?), e ajudar talvez anonimamente ('Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas...' - Mt 6, 2), enviando algum dinheiro ou víveres, na medida do possível.


Todo católico pode e deve promover o encontro com os pobres, de que Papa Francisco tanto fala. É nossa obrigação oferecer amor, carinho, compreensão, amizade, oferecer esse conforto e calor humano a todo aquele que precisa. Participo de uma pastoral que me dá a oportunidade de viver essa experiência profunda, e isso é ser cristão tanto ou mais do que estudar e conhecer a Doutrina. Nem toda a Filosofia e a Teologia, juntas, são capazes de nos aproximar de Cristo tanto quanto uma vida de amor a Deus e ao próximo, que se reflete em ações concretas. "Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês em Deus; fazes bem. Também os demônios creem e tremem" (Tg 2, 18-19).


Mas a grande verdade, insisto, é que existem muitas instituições sérias precisando da nossa ajuda, e fazemos muito melhor colaborando com elas do que dando dinheiro a quem pede nas ruas. Os seus trocados não vão ajudar muito àquela pessoa esfarrapada, mas uma instituição organizada pode fazer muito, e são obras belíssimas por aí tentando fazer a diferença e contando com a nossa ajuda. Quando damos esmola do jeito errado, ajudamos uma verdadeira "indústria da esmola" que se encontra em plena expansão. Alguns pedintes vêm se "profissionalizando" na arte de comover as pessoas, com histórias tristes e até choro ensaiado. Esmola na rua não é solução. O assunto é longo e não há como abordá-lo devidamente neste espaço, mas em outros países foram feitas interessantes experiências no sentido de orientar a população a evitar a esmola nas ruas e ajudar de modo concreto, de um jeito que realmente faça a diferença. O resultado foi uma diminuição drástica na população de rua, que passou a procurar ajuda especializada e a se ajudar ao invés de se acomodar e passar a vida pedindo. Para ajudar de fato os necessitados, é preciso mudar a mentalidade. Dar dinheiro na rua não é caridade; é atraso para o nosso país.


Finalizo com uma citação da Didaqué, o primeiro Catecismo da Igreja, e que siga cada um a sua consciência. Deus sabe de que maneiras praticamos a nossa caridade. Pessoalmente, me recuso a fazer parte desse verdadeiro negócio que é a mendicância no Brasil, um sistema viciado e vergonhoso.

"Dê a quem pede a você e não peça para devolver, pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. (…) Ai de quem recebe: se recebe por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebe sem ter necessidade, deverá prestar contas do motivo e da finalidade pelos quais recebeu. Será posto na prisão e interrogado sobre o que fez; e daí não sairá até que tenha devolvido o último centavo. A esse respeito, também foi dito: Que a sua esmola fique suando nas mãos, até que você saiba para quem a está dando.” (Didaqué, 1, 5-6)

______
Referência:
acesso 26/10/013.vozdaigreja.blogspot.com




4 comentários:


Imagije se Jesus pensasse como vc e deixasse de atender a todos os necessitados que encontrou pelo cainho. Nem esse site existiria.Responder

Respostas




Pelo jeito você não leu o post, anônimo, ou se leu não entendeu. O que estou dizendo é que devemos ajudar os necessitados do jeito certo, porque muitas vezes, quando você dá um trocado, está mais prejudicando do que ajudando àquelas pessoas.

Aliás, não se trata só do que eu penso. Pelo que diz a Didaqué, no trecho que eu acrescentei ao final do post e que é chamada "Instrução dos Apóstolos", vemos que na Igreja primitiva já havia essa mesma consciência, de saber a quem e como ajudar.

Abraço fraterno e a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

Apostolado Fiel Católico



Isso que o anonimo fala é bem o jeitinho que o brasileiro pensa. Por isso é que os moradores de rua estão aumentando tanto, e a tendência é que no futuro todos nós vamos morar na rua. Pra que trabalhar, pra que correr atrás da vida se eu tenho quem me sustente, quem me pague o almoço, me dê roupa, tudo que eu preciso? E isso mesmo, bonzinho na hora errada e do jeito errado.

P. C. S.




A todos os cristãos, Graça e Paz

Muito oportuna essa discussão. Esse ano, tive a oportunidade de conversar com 2 moradores de rua. Descobri que passaram por tragédias pessoais e que tinham família, mas preferiram a rua, por não saber lidar com o sofrimento. Um era engenheiro, traído pela esposa. Outro era operador de máquinas e que perdeu esposa e filhos, soterrados em um deslizamento de terra. O que fiz por eles foi falar do amor de Cristo,que poderia regenerá-los, e que eles deveriam se agarrar a esse amor e procurar suas famílias, pois com essa situação apenas conseguiam trazer ainda mais dor àqueles que os amavam. A saída é sempre o amor de Deus. Orei por eles e fico na esperança que Deus os trará de volta à dignidade. Creio que o papel da Igreja é também ajudar quem precisa, e dar dignidade não é sustentar de qualquer jeito mas gerar o suprimento das necessidades físicas, morais e espirituais; é trazer Cristo, que traz a mudança de vida!

Obrigado.


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“Se não fosse a Santa Comunhão, eu estaria caindo continuamente. A única coisa que me sustenta é a Santa Comunhão. Dela tiro forças, nela está o meu vigor. Tenho medo da vida, nos dias em que não recebo a Santa Comunhão. Tenho medo de mim mesma. Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim. Do Sacrário tiro força, vigor, coragem e luz. Aí busco alívio nos momentos de aflição. Eu não saberia dar glória a Deus, se não tivesse a Eucaristia no meu coração.”



(Diário de Santa Faustina, n. 1037)

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