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domingo, 27 de outubro de 2013

[ZP131027] O mundo visto de Roma


ZENIT

O mundo visto de Roma
Serviço semanal - 27 de Outubro de 2013
Pensamento do dia, domingo, 27 de outubro


"A doce misericórdia é o verdadeiro sinal da nobreza". 

William Shakespeare (1564 – 1616) 


Papa Francisco 
Oração do Papa Francisco à Sagrada Família 
"Jesus, Maria e José a vós com confiança rezamos, a vós com alegria nos confiamos" 
Missa conclusiva da Jornada Mundial da Família. Homilia completa do Papa 
A família que reza, a família que conserva a fé e a família que vive a alegria. 
O matrimônio é "partir e caminhar juntos, de mãos dadas, entregando-se na mão grande do Senhor" 
Papa Francisco se reúne com as famílias na Praça de São Pedro. Mais de 80 mil pessoas de 70 países. 
Ter a coragem de chamar os pecados pelo seu nome perante o confessor 
Homilia desta manhã na Missa celebrada pelo Papa Francisco na Casa de Santa Marta 
Levar a sério Jesus Cristo. Não podemos ser cristãos pela metade 
Em Santa Marta, o Papa alerta para a atitude do digo que sou cristão, mas vivo como pagão " e exorta a levar adiante a santificação realizada por Cristo em nós com obras de justiça 
Audiência de quarta-feira: o papa faz perguntas e os fiéis respondem 
Francisco incentiva o diálogo com os fiéis na praça de São Pedro 
Nos deixamos iluminar pela fé de Maria? 
Catequese do Papa Francisco na manhã de hoje 
Francisco volta a enfatizar a insuficiência da razão humana no caminho rumo a Deus 
Homilia na Casa Santa Marta: papa destaca que, para entrar no mistério de Deus, também são necessárias a contemplação, a proximidade e a abundância 
O apego ao dinheiro destrói tudo: pessoas, famílias, relacionamentos 
Na missa em Santa Marta, o Papa afirma que a riqueza é um dom de Deus que deve ser usado para ajudar os outros e não para ser acumulado com ganância 
Santa Sé 
Já são quase 10 milhões os seguidores do Papa no Tweeter. 4 milhões em espanhol 
Verdadeiras cápsulas de espiritualidade e esperança. Com as re-tuitadas chegam a 60 milhões de pessoas 
O santo padre celebrará a missa do dia de Todos os Santos no cemitério Verano, de Roma 
O simbólico cemitério romano tem grande relevância nos últimos três séculos da Cidade Eterna 
A unidade não é um resultado principalmente do nosso esforço, mas sim da ação do Espírito Santo 
As palavras do Papa Francisco à Federação Luterana Mundial e representantes da Comissão para a Unidade Luterano-Católica 
Pregação Sagrada 
Conselhos práticos para oratória e pregação 
Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo 
Igreja e Religião 
Na liturgia "a música deve sempre estar a serviço da liturgia e dos ritos" 
Entrevista com Jorge e Tânia, criadores do CD "Dois nos caminhos do Senhor", vendido em prol da construção da Paróquia de Guadalupe em Brasília 
"Com o Papa Francisco, evangelizar com a misericórdia" 
Arcebispo de Yangon lança apelo à evangelização 
O papa afasta dom Van Elst da diocese de Limburg 
Após análise exaustiva por comissão especial, o bispo não poderá exercer o seu ministério. Ele é acusado de gastar 31 milhões de euros em reforma da residência episcopal. 
A "Lumen Fidei " se transforma em audiobook na Polônia 
O trabalho será apresentado na Feira do Livro de Cracóvia, do 24 ao 25 de Outubro 
Acolher com abertura e cordialidade os divorciados recasados, mas sem os sacramentos 
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Ludwig Müller,confirma a posição da Igreja Católica 
Indissolubilidade do matrimônio e do debate sobre os divorciados recasados e os sacramentos 
Artigo completo de Dom Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé 
A principal festa islâmica é dedicada em Roma ao papa Francisco 
Comunidade árabe italiana comemorou o Id al-Adha este ano em honra de Bergoglio, do seu pontificado e do diálogo inter-religioso 
Movimento apostólico de Schoenstatt abre seu ano jubilar 
O ano de celebrações começou neste 18 de outubro com uma missa celebrada pelo cardeal Rylko 
Liturgia e Vida Cristã 
Que posição os fiéis devem adotar depois da comunhão? 
Responde o pe. Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual 
Pequeninos do Senhor 
Preciso saber onde vou semear... 
Coluna de orientação catequética aos cuidados de Rachel Lemos Abdalla 
Familia e Vida 
Famílias do mundo inteiro se reúnem no Vaticano neste sábado e domingo 
Fórum das Associações Familiares: "Uma resposta positiva às agressões contra a família" 
Brasil celebra hoje o Dia Nacional da Família 
Carta de Dom João Carlos Petrini, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família (CEPVF) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 
"Protege o teu coração", um projeto completo para a educação sexual dos filhos 
Entrevista a Dora Porto, Diretora e representante do Protege o teu Coração no Brasil 
Entrevistas 
A revolução de Francisco 
Entrevista com teólogo próximo do Papa, dom Víctor Fernández, da Pontifícia Universidade Católica da Argentina 
Análise 
"Me amas? Apascenta as minhas ovelhas!" 
Sobre algumas críticas ao Papa Francisco 



Papa Francisco
Oração do Papa Francisco à Sagrada Família 
"Jesus, Maria e José a vós com confiança rezamos, a vós com alegria nos confiamos"


ROMA, 27 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Jesus, Maria e José

a vós, Sagrada Família de Nazaré,
hoje, dirigimos o olhar
com admiração e confiança;
em vós contemplamos
a beleza da comunhão no amor verdadeiro;
a vós confiamos todas as nossas famílias;
para que se renovem nessas maravilhas da graça.

Sagrada Família de Nazaré,
escola atraente do santo Evangelho:
ensina-nos a imitar as tuas virtudes
com uma sábia disciplina espiritual,
doa-nos o olhar claro
que sabe reconhecer a obra da providência
nas realidades cotidianas da vida.

Sagrada Família de Nazaré,
guardiã fiel do mistério da salvação:
faz renascer em nós a estima pelo silêncio,
torna as nossas famílias cenáculo de oração
e transforma-as em pequenas Igrejas domésticas,
renova o desejo de santidade,
sustenta o nobre cansaço do trabalho, da educação,
da escuta, da recíproca compreensão e do perdão.

Sagrada Família de Nazaré,
desperta na nossa sociedade a consciência
do caráter sagrado e inviolável da família,
bem inestimável e insubstituível.
Cada família seja morada acolhedora de bondade e de paz
para as crianças e para os idosos,
para quem está doente e sozinho,
para quem é pobre e necessitado.

Jesus, Maria e José
a vós com confiança rezamos, a vós com alegria nos confiamos.

(Tradução Canção Nova / Jéssica Marçal)





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Missa conclusiva da Jornada Mundial da Família. Homilia completa do Papa 
A família que reza, a família que conserva a fé e a família que vive a alegria.


ROMA, 27 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - As leituras deste domingo nos convidam a meditar sobre algumas características fundamentais da família cristã.

1. A primeira: a família que reza. O trecho do Evangelho coloca em evidência dois modos de rezar, um falso – aquele do fariseu – e outro autêntico – aquele do publicano. O fariseu encarna uma atitude que não exprime a gratidão a Deus pelos seus benefícios e a sua misericórdia, mas sim satisfação de si. O fariseu se sente justo, se sente no lugar, se apoia nisso e julga os outros do alto de seu pedestal. O publicano, ao contrário, não multiplica as palavras. A sua oração é humilde, sóbria, permeada pela consciência de sua própria indignidade, das próprias misérias: este é um homem que realmente se reconhece necessitado do perdão de Deus, da misericórdia de Deus. A oração do publicano é a oração do pobre, é a oração que agrada a Deus, que, como diz a primeira Leitura "chega às nuvens" (Eclo 35, 20), enquanto a do fariseu é sobrecarregada pelo peso da vaidade.

À luz desta Palavra, gostaria de perguntar a vocês, queridas famílias: rezam alguma vez em família? Alguns sim, eu sei. Mas tantos me dizem: como se faz? Mas, se faz como o publicano, é claro: humildemente, diante de Deus. Cada um com humildade se deixa olhar pelo Senhor e pede a sua bondade, que venha a nós. Mas, em família, como se faz? Porque parece que a oração seja algo pessoal e então não há nunca um momento adequado, tranquilo, em família… Sim, é verdade, mas é também questão de humildade, de reconhecer que temos necessidade de Deus, como o publicano! E todas as famílias têm necessidade de Deus: todos, todos! Necessidade da sua ajuda, da sua força, da sua benção, da sua misericórdia, do seu perdão. E é necessário simplicidade: para rezar em família, é necessário simplicidade! Rezar junto o "Pai Nosso", em torno da mesa, não é algo extraordinário: é algo fácil. E rezar junto o Rosário, em família, é muito bonito, dá tanta força! E também rezar um pelo outro: o marido pela esposa, a esposa pelo marido, ambos pelos filhos, os filhos pelos pais, pelos avós… Rezar um pelo outro. Isto é rezar em família, e isto torna forte a família: a oração.

2. A Segunda Leitura nos sugere um outro ponto: a família conserva a fé.O apóstolo Paulo, no fim de sua vida, faz um balanço fundamental e diz: "Conservei a fé" (2 Tm 4, 7). Mas como a conservou? Não em um cofre! Não a escondeu sob a terra, como aquele servo um pouco preguiçoso. São Paulo compara a sua vida a uma batalha e a uma corrida. Conservou a fé porque não se limitou a defendê-la, mas a anunciou, irradiou-a, levou-a longe. Colocou-se do lado oposto a quem queria conservar, "embalsamar" a mensagem de Cristo nos confins da Palestina. Por isto fez escolhas corajosas, foi a territórios hostis, deixou-se provocar pelos distantes, por culturas diversas, falou francamente sem medo. São Paulo conservou a fé porque, como a havia recebido, doou-a, indo às periferias sem se apegar a posições defensivas.

Também aqui, podemos perguntar: de que modo nós, em família, conservamos a nossa fé? Nós a temos para nós, na nossa família, como um bem privado, como uma conta no banco, ou sabemos partilhá-la com o testemunho, com o acolhimento, com a abertura aos outros? Todos sabemos que as famílias, especialmente as mais jovens, muitas vezes são "apressadas", muito ocupadas: mas alguma vez já pensaram que esta "corrida" pode ser também a corrida da fé? As famílias cristãs são famílias missionárias. Mas, ontem ouvimos, aqui na Praça, o testemunho de famílias missionárias. São missionárias também na vida de todos os dias, fazendo as coisas de todos os dias, colocando em tudo o sal e o fermento da fé! Conservar a fé na família e colocar o sal e o fermento da fé nas coisas do cotidiano.

3. Um último aspecto recebemos da Palavra de Deus: a família que vive a alegria. No Salmo responsorial encontra-se esta expressão: "os pobres escutem e se alegrem" (33/34, 3). Todo este Salmo é um hino ao Senhor, origem de alegria e de paz. E qual é o motivo deste alegrar-se? É este: o Senhor está próximo, escuta o grito dos humildes e os livra do mal. Escrevia ainda São Paulo: "Alegrai-vos sempre…o Senhor está próximo" (Fil 4, 4-5). É…eu gostaria de fazer uma pergunta hoje. Mas, cada um leve-a ao seu coração, a sua casa, como uma tarefa a fazer, certo? E se responda sozinho. Como está a alegria na sua casa? Como está a alegria na sua família? E dêem vocês a resposta.

Queridas famílias, vocês sabem bem: a verdadeira alegria que se desfruta na família não é algo superficial, não vem das coisas, das circunstâncias favoráveis…A alegria verdadeira vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos sentem no coração, e que nos faz sentir a beleza de estar junto, de apoiar-nos uns aos outros no caminho da vida. Mas na base deste sentimento de alegria profunda está a presença de Deus, a presença de Deus na família, está o seu amor acolhedor, misericordioso, respeitoso para com todos. E, sobretudo, um amor paciente: a paciência é uma virtude de Deus e nos ensina, em família, a ter este amor paciente, um com o outro. Ter paciência entre nós. Amor paciente. Somente Deus sabe criar a harmonia das diferenças. Se falta o amor de Deus, também a família perde a harmonia, prevalecem os individualismos e se extingue a alegria. Em vez disso, a família que vive a alegria da fé a comunica espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.

Queridas famílias, vivam sempre com fé e simplicidade, como a Sagrada Família de Nazaré. A alegria e a paz do Senhor estejam sempre com vocês!

(Tradução Canção Nova / Jéssica Marçal)


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O matrimônio é "partir e caminhar juntos, de mãos dadas, entregando-se na mão grande do Senhor" 
Papa Francisco se reúne com as famílias na Praça de São Pedro. Mais de 80 mil pessoas de 70 países.

Por Thácio Lincon Soares de Siqueira


ROMA, 26 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Cerca de oitenta a cem mil pessoas, de mais de 70 países, se reuniram hoje na Praça de São Pedro em Roma, para o Encontro das famílias com o Papa. Dia de sol, céu aberto, e muito colorido pela diversidade de balões que as crianças tinham nas mãos, as apresentações, músicais e testemunhos que marcaram a jornada.

Antes da benção final o Santo Padre perguntou-se: diante de tanta dificuldade para se formar uma família hoje "Como é possível, hoje, viver a alegria da fé em família?"

A vida é difícil, procurar trabalho é difícil, mas "aquilo que mais pesa na vida é a falta de amor. Pesa não receber um sorriso, não ser benquisto. Pesam certos silêncios, às vezes mesmo em família, entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos. Sem amor, a fadiga torna-se mais pesada", disse o Papa, recordando o que Jesus diz às famílias hoje: "Vinde a Mim, famílias de todo o mundo, e Eu vos hei-de aliviar, para que a vossa alegria seja completa".

No momento da cerimônia de casamento, quando o casal promete fidelidade todos os dias da vida, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza..., o santo padre comentou que "Naquele momento, os esposos não sabem quais são as alegrias e as tristezas que os esperam. Partem, como Abraão; põem-se juntos a caminho", e assim define o matrimônio: "Partir e caminhar juntos, de mãos dadas, entregando-se na mão grande do Senhor".

"Os esposos cristãos não são ingênuos, conhecem os problemas e os perigos da vida. Mas não têm medo de assumir a própria responsabilidade, diante de Deus e da sociedade", porque confiam na fidelidade de Deus, disse o Papa, assegurando que é por isso que existe a graça do sacramento, que não é só festa, cerimônia, "Os sacramentos não servem para decorar a vida; o sacramento do Matrimónio não se reduz a uma linda cerimónia! Os cristãos casam-se sacramentalmente, porque estão cientes de precisarem do sacramento!". Disse de forma espontânea: "A graça não é pra decorar a vida, mas é pra fazer-nos fortes, para seguirmos adiante".

Deixando de lado o texto, o Papa lembrou as três palavras necessárias para se construir uma família: "Por favor, obrigado, desculpa. Três palavras para poder levar adiante uma família".

Uma família tem muitos momentos felizes, "Mas, se falta o amor, falta a alegria, falta a festa; ora o amor é sempre Jesus quem no-lo dá: Ele é a fonte inesgotável, e dá-Se a nós na Eucaristia".

Reforçando a importância do encontro das gerações, da valorização das gerações anteriores, disse Francisco que "Os avós são a sabedoria da família, de um povo. Um povo que não escuta os avós é um povo que morre". E olhando para o ícone presente na Praça de São Pedro da Apresentação do Senhor no Templo, o Papa disse que "Estes dois anciãos – Joaquim e Ana - representam a fé como memória. Maria e José são a Família santificada pela presença de Jesus, que é o cumprimento de todas as promessas. Cada família, como a de Nazaré, está inserida na história de um povo e não pode existir sem as gerações anteriores."

Por fim disse o Papa, "Juntos, façamos nossas estas palavras de São Pedro, que nos têm dado força e continuarão a dar nos momentos difíceis: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!»


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Ter a coragem de chamar os pecados pelo seu nome perante o confessor 
Homilia desta manhã na Missa celebrada pelo Papa Francisco na Casa de Santa Marta

Por Redacao


ROMA, 25 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Ter a coragem de chamar os pecados pelo seu nome perante o confessor. Esta a ideia principal da homilia desta manhã na Missa celebrada pelo Papa Francisco na Casa de Santa Marta que foi inteiramente dedicada ao Sacramento da Reconciliação. Segundo o Santo Padre, para muitos adultos confessar os pecados perante um sacerdote é um esforço insustentável que pode transformar um momento de verdade num exercício de ficção. O Papa Francisco comentou a Carta de S. Paulo aos Romanos em que o Apóstolo admite publicamente perante toda a comunidade que na "sua carne não habita o bem" e ainda admitiu ser um "escravo" que não faz o bem que quer, mas cumpre o mal que não quer. O Papa diz-nos que esta é a luta dos cristãos:

"E esta é a luta dos cristãos. É a nossa luta de todos os dias. E nós nem sempre temos a coragem de falar como fala Paulo sobre esta luta. Sempre tentamos uma via de justificação: 'Mas sim, somos todos pecadores. Dizemos assim, não é? Isto dizêmo-lo dramaticamente: é a nossa luta. E se nós não reconhecermos isto nunca poderemos ter o perdão de Deus."

"Alguns dizem: 'Ah, eu confesso-me com Deus!. Mas, é fácil, é como confessar por email, não é? Deus está lá longe, eu digo as coisas e não há um face a face, não há um olho no olho. Paulo confessa as suas debilidades diretamente aos irmãos, face a face. Há ainda outros que dizem: eu vou confessar-me; mas confessam-se de coisas tão etéreas, tanto no ar que não são concretas. E isso é a mesma coisa que não o fazer. Confessar os nossos pecados não é como ir ao psiquiatra, ou ir para uma sala de tortura: é dizer ao Senhor; eu sou pecador, mas dizê-lo através do irmão, para que seja concreto."

O cristão deve lidar com o seu pecado de uma forma concreta, honesta e ter a capacidade de se envergonhar perante Deus, pedindo perdão e reconciliando-se confessando os seus pecados. E, segundo o Papa Francisco, o melhor mesmo é imitarmos as crianças:

" Os pequenos têm aquela sabedoria: quando uma criança vem confessar-se nunca diz coisas genéricas. 'Mas Padre eu fiz isto à minha tia, eu disse aquela palavra!' São concretos. Têm aquela simplicidade da verdade. E nós temos sempre a tendência de escondermos a realidade e as nossas misérias. Mas, há uma coisa bela: quando confessamos os nossos pecados, como estamos na presença de Deus, sentimos sempre vergonha. Envergonharmo-nos perante Deus é uma graça. Recordemos Pedro quando depois do milagre de Jesus no Lago diz: 'Senhor afasta-te de mim que sou pecador'. Envergonha-se do seu pecado perante a santidade de Jesus Cristo." (Red. Rádio Vaticano / Red. ZENIT T.S.)


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Levar a sério Jesus Cristo. Não podemos ser cristãos pela metade 
Em Santa Marta, o Papa alerta para a atitude do digo que sou cristão, mas vivo como pagão " e exorta a levar adiante a santificação realizada por Cristo em nós com obras de justiça

Por Salvatore Cernuzio


ROMA, 24 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Além da Igreja e da Cúria, se existe uma "reforma" que o Papa Francisco está implementando é a da consciência do povo de Deus, alertando, através das homilias diárias em Santa Marta, sobre as tentações e clichês com os quais o cristão corre o risco de se afastar de Cristo.

Também na missa celebrada hoje, no Vaticano, o Santo Padre foi peremptório: "Não é possível ser cristão de meio caminho". Há um antes e um depois de Jesus, ou seja, um momento inicial, sujo pelo pecado e pela injustiça, e depois, a "recriação" operada por Jesus. E nós, enquanto batizados, devemos "levar a sério" a estrada traçada por Cristo com as gotas de seu sangue, e leva-la adiante com obras de santidade.

São Paulo, na Carta aos Romanos, usa essa lógica do "antes e depois" de Jesus, para explicar o mistério da nossa redenção. "Nós fomos refeitos em Cristo!" -disse Francisco-. "O que Cristo fez por nós é uma recriação: o sangue de Cristo nos recriou". Se antes "toda a nossa vida, nosso corpo, nossa alma, nossos hábitos estavam na estrada do pecado, da iniquidade, após esta recriação devemos fazer um esforço de caminhar na estrada da justiça, da santificação".

No momento em que recebemos o Batismo -disse o Papa- "nossos pais em nosso nome fizeram um Ato de fé: "Creio em Jesus Cristo, que nos perdoou os pecados". Esta fé, portanto, devemos "levar adiante com o nosso modo de vida", realizando "obras para a santificação" que renovam "a primeira santificação que todos nós recebemos no Batismo".

"Realmente nós somos fracos e, muitas vezes, cometemos pecados, imperfeições" –e observou o Santo Padre- "este é o caminho da santificação?". Depende. "Se você se acostuma: 'Minha vida é um pouco assim, mas eu acredito em Jesus Cristo, mas vivo como eu quero; isso não te santifica, e não está bem! É uma contradição!" -advertiu o Papa-. Ao contrário, "se você disser: Eu sou mesmo um pecador, eu sou fraco e vai dizer ao Senhor: "Mas Senhor, o Senhor tem a força, dá-me a fé! O Senhor pode curar-me!" E, no Sacramento da Reconciliação se deixa curar, até mesmo nossas imperfeições servem neste caminho de santificação".

O verdadeiro problema - comentou Bergoglio - é que precisamos "levar a sério" o caminho para a santidade que Cristo nos indicou. A primeira maneira é fazer obras de justiça: nem milagres, nem atos heroicos, mas "obras simples" como "adorar a Deus" e "ajudar os outros". Ou seja, as obras que "Jesus fez: obras de justiça, obras de recriação". "Quando damos comida a quem tem fome" -acrescentou o Papa- "recriamos nele a esperança". Se, ao invés, "aceitamos a fé e depois não a vivemos, somos cristãos apenas na memória". 

"Sem esta consciência do antes e depois da qual Paulo nos fala, nosso cristianismo não serve para ninguém!" -afirmou o Santo Padre-. Corre-se o risco de desviar do caminho de santidade para o atalho da hipocrisia, do "me digo cristão, mas vivo como pagão". Desta forma, "nos tornamos cristãos de meio caminho", cristãos "mornos" que não levam a sério o fato de que "somos santos, justificados, santificados pelo sangue de Cristo". 

O Papa insistiu: "Devemos deixar tudo o que nos afasta de Jesus Cristo e refazer tudo do início: Tudo é novidade em Cristo!". Não é impossível – encoraja o Papa- "é possível fazer": fez São Paulo e tantos outros santos, até mesmo aqueles anônimos que vivem o cristianismo seriamente".

Francisco concluiu sua homilia com uma pergunta: "Queremos viver o cristianismo seriamente? Queremos levar adiante esta recriação?". Se assim for –exortou- "peçamos a São Paulo que nos dê a graça de viver seriamente como cristãos, de acreditar que fomos realmente santificados pelo sangue de Jesus Cristo".

(Trad.:MEM)


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Audiência de quarta-feira: o papa faz perguntas e os fiéis respondem 
Francisco incentiva o diálogo com os fiéis na praça de São Pedro

Por Rocio Lancho García


ROMA, 23 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Eram quase 10h da manhã quando o santo padre chegou à praça no papamóvel. Desde as primeiras horas, ônibus de peregrinos já estacionavam nos arredores do Vaticano e os peregrinos ocupavam os lugares para tentar saudar o santo padre. Mesmo no fim de outubro, o tempo em Roma ainda permite audiências ao ar livre, sem a necessidade de transferi-las para a Sala Paulo VI, onde o espaço é bem mais limitado. Na manhã de hoje, cerca de 100.000 pessoas estiveram presentes na audiência geral.

Ao ritmo de tambores e em meio aos balões que coloriam a Praça de São Pedro, Francisco percorreu as "ruas" improvisadas entre a multidão e saudou os fiéis vindos de todo o mundo para escutar a sua catequese. Hoje, o papa propôs uma reflexão sobre a Virgem Maria como "modelo da Igreja na ordem da fé, da caridade e da união perfeita com Cristo".

Durante o trajeto, o bispo de Roma desceu do papamóvel algumas vezes. Ele conversou durante alguns minutos com uma senhora em cadeira de rodas, a quem abraçou e deu a bênção, além de, com muita ternura, lhe colocar um chapéu. Um pouco mais adiante, um jovem também em cadeira de rodas pôde intercambiar outras palavras com Francisco.

Durante a catequese, o santo padre fez perguntas em várias ocasiões aos fiéis presentes na praça e os incentivou com gestos a responder em voz alta e com força.

"Na catequese de hoje", disse ele, "e seguindo o concílio Vaticano II, quero refletir sobre Maria como modelo da 'Igreja na ordem da fé, da caridade e da união perfeita com Cristo'. Ela é modelo de fé não só porque, como judia, esperava o redentor, e, com seu sim, aderiu ao projeto de Deus, mas porque, desde aquele momento da vida, ela se centrou em Jesus".

"Ela se centra em Jesus na cotidianidade de uma mulher humilde, que, no entanto, vive imersa no mistério. O seu sim, já perfeito desde o início, cresce até a cruz, em que a sua maternidade abraça todos. E é modelo de caridade, como vemos na Visitação, porque ela não apenas ajuda a prima, como também leva até ela o Cristo, a perfeita alegria que vem do Espírito e um amor oblativo".

"Maria é modelo também de união com Cristo, seja em suas tarefas cotidianas, seja no caminho da cruz, até se unir a Ele no martírio do coração. E agora vamos nos perguntar: como é que a figura de Maria nos interpela? Apenas de longe? Recorremos a ela somente na hora da provação? Somos capazes, como ela, de amar na entrega total? Estamos unidos a Jesus, seguindo o exemplo dela, em uma relação constante, ou só nos lembramos dele na hora da necessidade?".

Ao finalizar as despedidas em diversos idiomas, o santo padre continuou saudando as pessoas, entre elas os bispos presentes, com quem intercambiou afetuosos abraços. Depois, desceu a rampa e se aproximou dos doentes, dos recém-casados e das demais pessoas que estavam nas fileiras mais próximas.


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Nos deixamos iluminar pela fé de Maria? 
Catequese do Papa Francisco na manhã de hoje


ROMA, 23 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Continuando as catequeses sobre a Igreja, hoje gostaria de olhar para Maria como imagem e modelo da Igreja. Faço isso retomando uma expressão do Concílio Vaticano II. Diz a Constituição Lumen gentium: "Como já ensinava Santo Ambrósio, a Mãe de Deus é figura da Igreja na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo" (n. 63).

1. Partamos do primeiro aspecto, Maria como modelo de fé. Em que sentido Maria representa um modelo para a fé da Igreja? Pensemos em quem era a Virgem Maria: uma moça judia, que esperava com todo o coração a redenção do seu povo. Mas naquele coração de jovem filha de Israel havia um segredo que ela mesma ainda não conhecia: no desígnio do amor de Deus estava destinada a tornar-se a Mãe do Redentor. Na Anunciação, o Mensageiro de Deus chama-a "cheia de graça" e lhe revela este projeto. Maria responde "sim" e daquele momento a fé de Maria recebe uma luz nova: concentra-se em Jesus, o Filho de Deus que dela se fez carne e no qual se cumprem as promessas de toda a história da salvação. A fé de Maria é o cumprimento da fé de Israel, nela está justamente concentrado todo o caminho, toda a estrada daquele povo que esperava a redenção, neste sentido é o modelo da fé da Igreja que tem como centro Cristo, encarnação do amor infinito de Deus.

Como Maria viveu esta fé? Viveu na simplicidade das mil ocupações e preocupações cotidianas de toda mãe, como fornecer o alimento, a vestimenta, cuidar da casa… Justamente esta existência normal de Maria foi terreno onde se desenvolveu uma relação singular e um diálogo profundo entre ela e Deus, entre ela e o seu Filho. O "sim" de Maria, já perfeito desde o início, cresceu até o momento da Cruz. Ali a sua maternidade se espalhou abraçando cada um de nós, a nossa vida, para nos guiar ao seu Filho. Maria viveu sempre imersa no mistério de Deus feito homem, como sua primeira e perfeita discípula, meditando cada coisa no seu coração à luz do Espírito Santo, para compreender e colocar em prática toda a vontade de Deus.

Podemos fazer-nos uma pergunta: deixamo-nos iluminar pela fé de Maria, que é nossa Mãe? Ou a pensamos distante, muito diferente de nós? Nos momentos de dificuldade, de provação, de escuridão, olhamos para ela como modelo de confiança em Deus, que quer sempre e somente o nosso bem? Pensemos nisso, talvez nos fará bem encontrar Maria como modelo e figura da Igreja nesta fé que ela tinha!

2. Vamos ao segundo aspecto: Maria modelo de caridade. De que modo Maria é para a Igreja exemplo vivo de amor? Pensemos em sua disponibilidade para com a prima Isabel. Visitando-a, a Virgem Maria não lhe levou somente uma ajuda material, também isto, mas levou Jesus, que já vivia em seu ventre. Levar Jesus àquela casa queria dizer levar a alegria, a alegria plena. Isabel e Zacarias estavam felizes pela gravidez que parecia impossível em sua idade, mas é a jovem Maria que leva a eles a alegria plena, aquela que vem de Jesus e do Espírito Santo e se exprime na caridade gratuita, no partilhar, no ajudar, no compreender.

Nossa Senhora quer trazer também a nós o grande presente que é Jesus e com Ele nos traz o seu amor, a sua paz, a sua alegria. Assim é a Igreja, é como Maria: a Igreja não é um negócio, não é uma agência humanitária, a Igreja não é uma ONG, a Igreja é enviada a levar Cristo e o seu Evangelho a todos; não leva a si mesma – se pequena, se grande, se forte, se frágil, a Igreja leva Jesus e deve ser como Maria quando foi visitar Isabel. O que levava Maria? Jesus. A Igreja leva Jesus: este é o centro da Igreja, levar Jesus! Se por hipótese, uma vez acontecesse que a Igreja não levasse Jesus, aquela seria uma Igreja morta! A Igreja deve levar a caridade de Jesus, o amor de Deus, a caridade de Jesus.

Falamos de Maria, de Jesus. E nós? Nós que somos a Igreja? Qual é o amor que levamos aos outros? É o amor de Jesus, que partilha, que perdoa, que acompanha, ou é um amor aguado, como se diluísse o vinho com água? É um amor forte ou frágil, tanto que segue as simpatias, que procura um retorno, um amor interessado? Outra pergunta: Jesus gosta do amor interessado? Não, não gosta, porque o amor deve ser gratuito, como o seu. Como são as relações nas nossas paróquias, nas nossas comunidades? Nós nos tratamos como irmãos e irmãs? Ou nos julgamos, falamos mal uns dos outros, cuidamos de cada um como o próprio jardim, ou cuidamos uns dos outros? São perguntas de caridade!

3. Brevemente um último aspecto: Maria modelo de união com Cristo. A vida da Virgem Maria foi a vida de uma mulher do seu povo: Maria rezava, trabalhava, ia à sinagoga… Mas cada ação era cumprida sempre em união perfeita com Jesus. Esta união alcança o ponto alto no Calvário: aqui Maria se une ao Filho no martírio do coração e na oferta da vida ao Pai pela salvação da humanidade. Nossa Senhora fez sua a dor do Filho e aceitou com Ele a vontade do Pai, naquela obediência que dá frutos, que dá a verdadeira vitória sobre o mal e sobre a morte.

É muito bonita esta realidade que Maria nos ensina: ser sempre mais unidos a Jesus. Podemos perguntar-nos: nós nos lembramos de Jesus somente quando algo não vai bem e temos necessidade ou a nossa relação é constante, uma amizade profunda, mesmo quando se trata de segui-Lo no caminho da cruz?

Peçamos ao Senhor que nos doe a sua graça, a sua força, a fim de que na nossa vida e na vida de cada comunidade eclesial reflita-se o modelo de Maria, Mãe da Igreja. Assim seja!

(Fonte da Tradução: Canção Nova/Jéssica Marçal)


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Francisco volta a enfatizar a insuficiência da razão humana no caminho rumo a Deus 
Homilia na Casa Santa Marta: papa destaca que, para entrar no mistério de Deus, também são necessárias a contemplação, a proximidade e a abundância

Por Salvatore Cernuzio


CIDADE DO VATICANO, 22 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Partindo da primeira leitura de hoje (Rm 5,12.15b.17-19.20b-21), o Santo Padre afirmou que o mistério de Deus "é sempre um mistério maravilhoso".

A compreensão desse mistério, que se refere "à nossa salvação e redenção", só ocorre "quando nos ajoelhamos em contemplação". Quando a inteligência pretende explicar sozinha algo que é mistério, "ela se torna louca", completou o papa.

A contemplação é, portanto, "a primeira palavra que talvez nos ajude" a entrar no mistério, e o mistério deve absorver cada componente humano: "inteligência, coração, joelhos, oração".

A segunda palavra que nos ajuda a entrar no mistério é "proximidade", que se substancia na natureza de Jesus Cristo: como ser humano, ele faz um "trabalho de artesão, de operário". Se um homem, Adão, cometeu o primeiro pecado, também um homem, Jesus, nos redimiu. E Deus sempre "caminhou junto com o seu povo", desde os tempos de Abraão.

Como um "enfermeiro" no hospital, "Deus vai curando as feridas". Ele "se envolve nas nossas misérias, fica mais perto das nossas feridas e as cura com a mão, e, para ter mãos, ele se tornou homem".

Deus vem essencialmente para nos curar do pecado e não nos salva "por decreto", mas com "ternura"; nos salva "com carícias" e "com a vida".

A terceira palavra-chave é "abundância". São Paulo diz: "Onde o pecado abundou, a graça superabundou". Cada um de nós sabe dos seus pecados e da sua miséria, mas "o desafio que Deus nos faz é vencer, curar essas feridas", e, acima de tudo, "doar superabundantemente o seu amor, a sua graça". Assim, entendemos a "preferência de Jesus pelos pecadores".

Se no coração das pessoas "abundava o pecado", ele se aproximava com "a superabundância da graça e do amor". A graça de Deus sempre vence, "porque é ele mesmo quem se dá, quem se achega, quem nos acaricia, quem nos cura".

Embora algumas pessoas possam não gostar muito de reconhecer, "aqueles que estão mais próximos do coração de Jesus são os mais pecadores". Ele mesmo diz: "Quem tem boa saúde não precisa de médico. Eu vim para curar, para salvar".

Um dos "pecados mais feios", continuou o Santo Padre, é a desconfiança, especialmente em relação a Deus. Como é possível "desconfiar de um Deus tão próximo, tão bom, que prefere o coração pecador?". É um mistério difícil de entender, especialmente se nos obstinamos em tentar entendê-lo apenas "com a inteligência".

De muito mais ajuda, disse Francisco, serão as três palavras mencionadas: contemplação, proximidade e abundância. E Deus sempre vence "com a superabundância da sua graça, com a sua ternura", "com a sua riqueza de misericórdia", encerrou o papa.


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O apego ao dinheiro destrói tudo: pessoas, famílias, relacionamentos 
Na missa em Santa Marta, o Papa afirma que a riqueza é um dom de Deus que deve ser usado para ajudar os outros e não para ser acumulado com ganância

Por Salvatore Cernuzio


ROMA, 21 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - O dinheiro destrói tudo: famílias, relações com os outros, você mesmo. Para os pastores e padres a reflexão do Papa Francisco nesta manhã em Santa Marta será um novo ponto de partida para as catequeses e homilias: "O Papa disse que não devemos ser atacados ao dinheiro". Para alguns críticos será outra banalidade dita por Bergoglio, o "Papa – pauperista" que pensa apenas nos pobres.

A homilia do Santo Padre não é uma 'pílula matutina do bom humor', mas uma denúncia do que pode ser um veneno para a alma do homem: a ganância.

Papa Francisco reiterou isso muito bem: o apego ao dinheiro "leva à idolatria, destrói as relações com os outros". E quando falta um relacionamento de amor com o outro, é difícil ter um relacionamento com Deus. Bergoglio, no entanto, não quis simplesmente condenar a riqueza: essa "pode ser um instrumento de salvação e redenção, se você a considerar como dom de Deus e colocar à disposição daqueles que necessitam – afirmou.

O Papa fala por fatos, através das coisas que viveu e experimentou durante décadas de ministério pastoral no meio do povo: "Quantas famílias destruídas vemos pelo problema do dinheiro: irmão contra irmão, pai contra filho...". Bem como mostra o Evangelho, na liturgia de hoje (Lc 12, 13-21) que conta a história de um homem que corre o risco de separar-se de um irmão de carne por questão de herança e pede a Jesus para intervir.

"Essa é a primeira consequencia da atitude de estar apegado ao dinheiro: destrói" - disse o Papa - "Quando uma pessoa é apegada ao dinheiro, destrói a si mesma, destrói a família! O dinheiro destrói!É assim ou não?"

"O dinheiro - melhor explica o Santo Padre - serve para levar avante muitas coisas boas, muitos projetos para desenvolver a humanidade, mas quando o seu coração está apegado, destrói a pessoa". Jesus narra a parábola do homem rico que "acumula tesouros para si e não é rico para Deus".

"Isso é o que dói -acrescenta Francisco- a cupidez na minha relação com o dinheiro. Ter mais, ter mais, ter mais... ". O problema não é ser rico -diz o Papa- "mas a atitude, que se chama ganância" e que "provoca doença, porque leva você a pensar tudo em função do dinheiro".

"A cupidez é um instrumento da idolatria pois vai na direção contrária àquela que Deus traçou para nós". O Papa recordou São Paulo quando diz: "Jesus Cristo, que era rico, se fez pobre para nos enriquecer". O caminho de Deus é, portanto, "a humildade, o abaixar-se para servir". A cupidez, ao invés, leva o cristão a percorrer uma estrada contrária: "Você, que é um pobre homem, se faz Deus por vaidade"- disse o Santo Padre.

O caminho que Deus nos ensina "não é o caminho da pobreza pela pobreza" - destacou Bergoglio- é "o caminho da pobreza como instrumento, para que Deus seja Deus, para que Ele seja o único Senhor". Por isso, "todos os bens que temos, o Senhor nos dá para que levemos adiante o mundo, adiante a humanidade, para ajudar os outros".

Jesus -recordou o Papa- "nos diz que não devemos nos preocupar, pois o Senhor sabe do que precisamos", e convida-nos ao "abandono confiante no Pai, que faz florir os lírios do campo e alimenta as aves". Então - concluiu o Papa- devemos "esculpir hoje, no coração, a Palavra de Deus:'Cuidado e mantenham distância de toda cupidez, porque mesmo que alguém viva na abundância, a sua vida não depende daquilo que possui".

(Trad.:MEM)


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Santa Sé
Já são quase 10 milhões os seguidores do Papa no Tweeter. 4 milhões em espanhol 
Verdadeiras cápsulas de espiritualidade e esperança. Com as re-tuitadas chegam a 60 milhões de pessoas

Por Redacao


ROMA, 25 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - A conta de Twitter do Papa Francisco " @Pontifex" está quase nos 10 milhões de seguidores. Disse hoje o arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais à Rádio Vaticano.

Por outro lado, a página do Twitter em espanhol ultrapassou 4 milhões de seguidores, seguido daquele em inglês, @Pontifex, com mais de 3 milhões. O perfil em língua portuguesa, @Pontifex_pt, reunia mais de 830 mil seguidores.

No total são 9.980.000 seguidores seguidores nas nove contas "@Pontifex": espanhol, Inglês , Italiano, Português , francês, latim, alemão , polonês e árabe, colocado aqui em ordem de acordo com o número de pessoas.

Isto porque, considerou o cardeal, junto com a capacidade de comunicação do Papa Francisco. "Para nós, o importante é isso: é o papa que quer falar com os homens e as mulheres de hoje e com uma linguagem que seja compreensível e amplamente utilizada. Utiliza a linguagem do tweet, que se comunica só com 140 caracteres" .

"Um tweet do Papa – continua mons. Celli – é reenviado pelos seus amigos e de acordo com uma estimativa, podem estar chegando a umas 60 milhões de pessoas". E conclui: "Também Jesus usava na sua linguagem, por assim dizer a um 'mini-tuit': pensemos somente na formulação das bem-aventuranças evangélicas como Bem-aventurados os pobres de espírito".

(Red.T.S)


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O santo padre celebrará a missa do dia de Todos os Santos no cemitério Verano, de Roma 
O simbólico cemitério romano tem grande relevância nos últimos três séculos da Cidade Eterna

Por Redacao


ROMA, 25 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Na solenidade de Todos os Santos, dia 1º de novembro à tarde, o papa Francisco celebrará a santa missa na entrada do cemitério monumental de Roma, seguida por uma oração e pela bênção dos túmulos. A informação é do site da arquidiocese de Roma, que acrescenta que o papa será acompanhado pelo bispo auxiliar e pelo pároco do cemitério.

O enorme campo santo é o principal e mais conhecido da Cidade Eterna, reconhecido como um "museu a céu aberto" graças à quantidade de obras e testemunhos artísticos culturais dos séculos XIX e XX.

O cemitério atual foi criado durante o reinado napoleônico (1805-1814), que decretou que as sepulturas deveriam ficar localizadas fora das muralhas da cidade. O papa Pio VII, ao retornar a Roma, manteve o cemitério após a abdicação de Napoleão.

No cemitério Verano estão enterrados os Zuavos Pontifícios, o corpo militar de elite composto por combatentes voluntários, muitos dos quais morreram ao defender a cidade de Roma antes da sua queda, durante a unificação italiana e o pontificado de Pio IX.

(RED/HSM)


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A unidade não é um resultado principalmente do nosso esforço, mas sim da ação do Espírito Santo 
As palavras do Papa Francisco à Federação Luterana Mundial e representantes da Comissão para a Unidade Luterano-Católica


CIDADE DO VATICANO, 21 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Apresentamos as palavras do Papa Francisco à Federação Luterana Mundial e representantes da Comissão para a Unidade Luterano-Católica. 

Queridos irmãos e irmãs luteranos, queridos irmãos católicos,

De bom grado dou as boas-vindas a todos vocês, Delegação da Federação Luterana Mundial e representantes da Comissão para a Unidade Luterano-Católica. Este encontro dá continuidade àquele que, muito cordialmente, eu tive com o senhor, estimado bispo Younan, e com o secretário da Federação Luterana Mundial, reverendo Junge, por ocasião da celebração do início do meu ministério como bispo de Roma.

Com profundo sentimento de gratidão a nosso Senhor Jesus Cristo, eu olho para os muitos passos que as relações entre luteranos e católicos vêm dando nas últimas décadas, não só através do diálogo teológico, mas também da colaboração fraterna em muitas áreas pastorais e, especialmente, no compromisso de avançar no ecumenismo espiritual. Este último, em certo sentido, é a alma de nossa jornada rumo à plena comunhão, e nos permite saborear desde agora alguns frutos, ainda que imperfeitos: na medida em que nos aproximamos com humildade de espírito de nosso Senhor Jesus Cristo, temos a certeza de nos aproximar também entre nós, e, na medida em que clamamos ao Senhor pelo dom da unidade, temos a certeza de que Ele nos pegará pela mão e será o nosso guia. Temos que nos deixar conduzir pela mão de nosso Senhor Jesus Cristo.

Este ano, como resultado do diálogo teológico que já completa cinquenta anos, e tendo em vista a comemoração do quinto centenário da Reforma, foi publicado o texto da Comissão para a Unidade Luterano-Católica, que tem o significativo título "Do conflito à comunhão: a interpretação luterano-católica da Reforma em 2017".

Eu acho realmente importante, para todos, o esforço de se dialogar sobre a realidade histórica da Reforma, sobre as suas consequências e sobre as respostas que foram dadas a ela. Católicos e luteranos podem pedir perdão pelos danos causados ​​por uns contra os outros e pelas culpas cometidas diante de Deus, e, juntos, alegrar-se com o anseio de unidade que o Senhor despertou em nossos corações e que nos faz olhar para frente com esperança.

À luz do caminho das últimas décadas e dos tantos exemplos de comunhão fraterna entre luteranos e católicos, que estamos testemunhando, confortados pela confiança na graça que nos é dada em nosso Senhor Jesus Cristo, eu estou certo de que saberemos continuar a nossa jornada de diálogo e de comunhão, abordando as questões fundamentais e as diferenças que surgem no campo da antropologia e da ética. É claro que existem dificuldades, que exigirão mais paciência, diálogo, compreensão mútua, mas não nos assustemos! Sabemos bem, e quantas vezes Bento XVI nos recordou, que a unidade não é um resultado principalmente do nosso esforço, mas sim da ação do Espírito Santo, a quem devemos abrir o coração com confiança, para que ele nos conduza pelo caminho da reconciliação e da comunhão.

O beato João Paulo II se perguntava: "Como anunciar o evangelho da reconciliação sem ao mesmo tempo comprometer-se com a reconciliação dos cristãos?" (Ut Unum Sint, 98).

Que a oração fiel e constante em nossas comunidades apoie o diálogo teológico, a renovação da vida e a conversão dos corações, de modo que, com a ajuda de Deus Uno e Trino, caminhemos para o cumprimento da vontade do Filho, Jesus Cristo, de que todos sejam um. Obrigado.


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Pregação Sagrada
Conselhos práticos para oratória e pregação 
Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

Por Pe. Antonio Rivero, L.C.


SãO PAULO, 25 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - QUANTO À FORMA

Adotar um tom ameno e simples em todo o discurso.

Evitar o perigo de fazer literatura, descuidando o caráter persuasivo do discurso.

Sensibilizar os argumentos: quanto mais, melhor.

Aplicar os diversos métodos de sensibilização (concretização, desenvolvimento, visualização, dramatização) escolhendo bem o afeto que se quer despertar.

Não se exceder nas enumerações nem cansar com exemplos excessivos.

Evitar os lugares comuns, as frases feitas.

Diante de imprevistos (barulhos, microfones…), agir com humor e elegância, para controlar o nervosismo e a eventual irritação.

É mais fácil e eficaz falar sem ler. Mas se não houver remédio:

- Imprimir os textos com espaçamento duplo.

- Olhar alternadamente, com naturalidade, para o papel e para o rosto dos espectadores.

- Trazer já sublinhados no papel o início dos parágrafos e as ideias mais importantes.

Vídeos e apresentações:

Ponto positivo: Vale mais uma boa imagem do que mil palavras, é verdade. O principiante se entusiasma com as ajudas visuais.

Ponto negativo: Vale muito mais, porém, uma mensagem pessoal, transmitida com toda a pessoa, em palavras e gestos, do que todos os vídeos juntos. Usando slides, não vejo os rostos do auditório nem o auditório vê o meu. Acontecem falhas técnicas. Atrapalha-se a passagem dos assistentes. A visão das últimas filas é ruim. Se mesmo assim você usar vídeos, chegue antes e ensaie tudo primeiro.

Nas imagens:

É melhor usar poucas, mas bem selecionadas.

Devem ser imagens oratórias, não meramente literárias.

Que sejam cheias de cor e dinamismo.

Buscá-las no ambiente do público.

Que sejam incisivas e fiquem gravadas na mente dos ouvintes.

Historinhas:

Use-as com discrição.

Não transforme o discurso num balaio de citações, historinhas e relatos.

Escolha bem, para que elas não sejam um corpo estranho no discurso. Integre-as com o fundo.

Misture as histórias e as citações com o fundo para não ficar alternando "blocos agradáveis" com "blocos pesados": todo o discurso deve ser homogêneo e interessante.

Evite historietas menos aptas para um orador sagrado, pois elas podem ser contraproducentes.

Evite casos que se prestem a polêmica.

Diga o autor da citação quando a sua autoridade apoiar as suas ideias.

Exórdio:

- Deve ser bem integrado ao discurso ("ex visceribus rei").

- Promova o interesse e a clareza.

- Aborde, já no exórdio, o problema do ouvinte, para que ele se sinta aludido.

- Desperte desejo de escutar o resto, mas de forma atrativa, não extravagante.

- Seja original, mas sem forçar nem ser vulgar.

Peroração:

- Recapitule brevemente o discurso.

- Procure deixar uma frase breve e crucial como diretriz, para que o ouvinte guarde a ideia central do discurso.

- Que seja simples, clara e fácil de recordar. Procure repeti-la várias vezes para deixá-la gravada, mas sem cansar o auditório.

Dúvida os sugestões? Comunique-se, por favor, com o pe. Antonio Rivero: arivero@legionaries.org 

Para ler o artigo anterior clique aqui


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Igreja e Religião
Na liturgia "a música deve sempre estar a serviço da liturgia e dos ritos" 
Entrevista com Jorge e Tânia, criadores do CD "Dois nos caminhos do Senhor", vendido em prol da construção da Paróquia de Guadalupe em Brasília

Por Thácio Lincon Soares de Siqueira


BRASíLIA, 25 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Tânia e Jorge são um belo exemplo de amor e compromisso com a própria paróquia e com a evangelização.

Nesse ano concretizaram uma bonita iniciativa utilizando os seus próprios dons musicais para gravar juntos, os "Dois", o primeiro CD de música religiosa.

A venda desse CD, chamado "Dois nos caminhos do Senhor", está sendo revertida totalmente em prol da construção da sede definitiva da paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, localizada na Eqs 311/312, Asa Sul, Brasília.

Publicamos a seguir a entrevista uma nova entrevista que o casal concedeu a ZENIT aprofundando em uma das faixas do CD, a música "Despertar".

Para adquirir o CD "Dois nos caminhos do Senhor" acesse:http://www.paroquiadeguadalupe.com.br

***

ZENIT - Nesta caminhada a "Dois nos Caminhos do Senhor" quando foi que nasceu a música "Despertar"? Qual a principal mensagem que a música deseja passar?

Jorge e Tânia - A música Despertar talvez tenha sido a primeira que fizemos juntos. Nos casamos em fevereiro de 1999 e ela foi composta em outubro daquele ano. Não temos exatamente uma recordação de como tudo aconteceu, mas geralmente trabalhamos a partir de algum sentimento ou de alguma saudade de Deus que estamos sentindo no momento.

Queremos estar sempre em oração e, quando ficamos um tempinho sem essa conexão com Deus, dá saudade. O mesmo em relação a Nossa Senhora. E também em relação aos nossos Anjos da Guarda. Sabe, recentemente nos apaixonamos por São José também e temos sentido tanta saudade dele que fizemos uma música!

Esse tema do reencontro com Deus é algo recorrente em nossas músicas. A canção Deus Amigo (faixa 5 do CD) também faz alusão aos momentos de deserto espiritual que vivemos e à ideia de que nosso Deus de infinita misericórdia está sempre nos esperando de braços abertos.

Mas voltando a Despertar, expressamos nessa canção nossa vontade imensa de dar graças ao Senhor porque Ele é bom e porque a misericórdia d´Ele é infinita e se revela em nossa vida nas pequenas e grandes coisas.

Há momentos em que as preocupações do mundo nos afligem e tomam conta dos nossos afazeres, mas é importante e necessário pararmos para nos voltarmos para Deus.

Despertar também alude, mesmo que de modo indireto, ao sacramento da Confissão: pecamos, Senhor, e sabemos que por merecimento não ganharíamos o Seu perdão, mas Sua misericórdia é tão imensa que, tendo em vista nosso arrependimento, volta a encher nossa vida de cores. E é essa vida colorida pelo amor de Deus que de novo oferecemos a Ele, compreendendo que tudo é do Senhor - o que somos, temos, vivemos.

Quanto à melodia, começou como uma bossinha; às vezes ainda tocamos Despertar com uma cadência diferente daquela do CD. Mas isso nos leva à próxima pergunta. 

ZENIT - Poderia comentar como é o processo de escolha dos arranjos para uma música? E de forma especial para esta música "Despertar" como foi a escolha dos arranjos? Foi um processo simples? ou complexo?

Jorge e Tânia - O processo de escolha dos arranjos no CD foi todo feito junto com o Duda Suliano, o produtor sensível, competente e orante que Deus nos mandou.Geralmente, apresentávamos a ideia da música e como a executávamos até o momento.

No caso de Despertar, enviamos para ele dois arranjos: o primeiro era uma bossinha, como costumamos tocar na missa com piano e voz; o segundo era uma gravação que tinhamos com a Banda Sinai, da qual fizemos parte com os parceiros Cristiano Nunes, Jorge Nassar, Claudio Braga, Marcelo Megale, Lisa Santos e Ana Caichiolo, e tinha uma pegada mais para o Soul.

O Duda, com sua percepção aguda, elaborou um terceiro arranjo mais animadinho e a gente amou! Em geral, no processo de gravação, nós dávamos indicações de instrumentos que gostaríamos de ouvir no CD. Ele acrescentava em cada caso o instrumento ou arranjo vocal que tivesse a ver com a música. Em Despertar, temos um naipe de metais que deu um colorido especial à canção e um lindo solo de trombone. Nosso compadre, Jorge Mattar, profundo conhecedor de música, disse que o arranjo lembra um pouco o estilo do João Donato. Para nós, e para o Duda, esse foi um dos maiores elogios que o CD recebeu até o momento.

ZENIT - Na Pastoral da Música de uma Paróquia como deve ser este despertar para a escolha das músicas que ajudem os paroquianos a viverem bem os atos litúrgicos? Pode ser qualquer tipo de música em qualquer hora? Pode nos dar um exemplo de ato liturgico e de música que formam uma combinação perfeita para vocês?

Jorge e Tânia - Nossa, a Liturgia é reflexo de sabedoria milenar e os ritos existem para dar organicidade ao que a Igreja prega há milênios. Os ritos, a nosso ver, também servem para dar unidade: os mesmos ritos que rezamos aqui são rezados na China, na Polônia, enfim, a unidade da Igreja se baseia na ação do Espírito Santo, mas se materializa nos ritos que são comuns em toda parte.

Por isso, a música deve sempre estar a serviço da liturgia e dos ritos. A música não pode estar desconectada dos momentos em que se encaixa. Cantar um Aleluia na Quaresma não é adequado porque é um hino de louvor que se enquadra, de modo lógico, à celebração da Ressurreição, e na Quaresma temos cânticos mais introspectivos, de pedido de misericórdia, de aceitação da nossa pequenez perante tudo por que passou Jesus para nossa salvação.Do mesmo modo, os momentos mais festivos pedem músicas mais alegres.

Cada parte da Santa Missa tem uma característica que compõe um todo coeso: muito resumidamente, primeiro nos apresentamos; depois pedimos perdão; damos graças e glória a Deus por nos sentirmos perdoados; refletimos sobre as leituras; fazemos a oferta da nossa vida inteira; comungamos; damos graças a Deus; e saímos felizes e renovados desse momento de adoração.

Para cada uma dessas etapas, há músicas que cabem como uma luva. São tantos os exemplos! Veja que mesmo o Pai Nosso pode ser cantado. Há um Pai Nosso lindo cantado pelo Padre Marcello Rossi, que vez ou outra cantamos nas celebrações. O pessoal às vezes não entende porque rezamos o Pai Nosso depois, mas é que essa música, em especial, acrescenta palavras à oração que Cristo nos ensinou, então rezamos exatamente as palavras que Ele nos ditou para confirmar nossa unidade. O canto vem como acréscimo para a elevação das almas a Deus.

Outro momento em que é importante atentar para as palavras é o Ato Penitencial. Às vezes cantamos apenas pedindo perdão; outras vezes cantamos apenas nos confessando. Mas o momento é de confessar e pedir a misericórdia de Deus. Por isso, certas músicas são "incompletas" no sentido oracional, e os padres, logo após o canto, rezam o Kyrie Eleyson ("Senhor, tende piedade de nós..."), novamente com essa ideia de unidade, da comunhão dos Santos em um só rito, uma só liturgia.

Para esclarecer esse caso, a música Confissão, que está no CD Dois, é uma música pela qual nos apresentamos a Deus como pecadores e pedimos perdão; mas nela não falamos "Senhor, tende piedade de nós; Cristo, tende piedade de nós; Senhor, tende piedade de nós". Assim, quando o Padre nos permite cantar essa música no Ato Penitencial, ela é logo seguida do Kyrie falado. A música é apenas um acessório que ajuda a elevar nossas almas.Ocorre que como a música é uma forma de arte - e, com isso, enseja alguma vaidade, algum orgulho de fazer algo belo -, vários músicos começam a achar que as canções são o centro da celebração da Santa Missa, e porque gostam mais de uma ou outra, porque essa ou aquela canção é mais pop, acham que podem encaixar qualquer música em qualquer momento litúrgico. Precisamos, então, despertar para a necessidade do serviço: serviço à liturgia, aos ritos, à comunidade.


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"Com o Papa Francisco, evangelizar com a misericórdia" 
Arcebispo de Yangon lança apelo à evangelização


ROMA, 24 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - "Um dos grandes evangelizadores da história cristã é o atual Papa Francisco: as suas palavras e ações restituíram entusiasmo aos cristãos e ao mundo. Ele se tornou o pároco da aldeia global. O seu método de evangelização centralizado na misericórdia e na compaixão está inspirando muitas pessoas": com essas palavras, o Arcebispo de Yangon, Dom Charles Maung Bo, relançou um apelo à evangelização recordando que "ser missionária é a vocação da Igreja".

Num discurso divulgado por ocasião do Dia Mundial das Missões, e enviado pelo Arcebispo à Agência Fides, Dom Bo afirma: "Todo seguidor de Cristo é um missionário. Hoje, necessitamos de mais missionários. Missionário é aquele hoje que está pronto para encontrar e descobrir os vestígios de Deus nos outros". A dinâmica da evangelização mudou nos séculos, nota o texto: "Séculos atrás, a Europa foi evangelizar outros povos"; enquanto hoje o velho continente se tornou "terra de missão", povoada por centena s de sacerdotes provenientes de todo o mundo. "O encontro entre várias culturas gerou novo vigor às igrejas europeias. O Espírito atua em todos os apóstolos das jovens igrejas – asiáticos, africanos e latino-americanos. São as jovens Igrejas na África, Ásia e América do Sul que estabelecem hoje os parâmetros da evangelização".

O Arcebispo, recordando o trecho do Evangelho que diz "sejam misericordiosos como o nosso Pai", afirma que a evangelização cristã está baseada na suprema qualidade humana: a compaixão. A compaixão é valorizada na tradição religiosa budista, vivida em Mianmar, que teve uma testemunha excepcional na idade modera: Madre Teresa de Calcutá. "Reencontrando os vestígios de Deus na vida dos pobres e dos doentes, Madre Teresa, unicamente com a virtude da compaixão, levou a mensagem de Cristo a milhões de pessoas", afirma o Arcebispo. Dom Bo nota que o Papa Francisco colocou novamente no centro da evangelização "a antiga mensagem da misericórdia e da compaixão, um modo e um método de evangelização que está inspirando muitas pessoas".

(Agência Fides)


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O papa afasta dom Van Elst da diocese de Limburg 
Após análise exaustiva por comissão especial, o bispo não poderá exercer o seu ministério. Ele é acusado de gastar 31 milhões de euros em reforma da residência episcopal.

Por Redacao


ROMA, 23 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Depois de várias e intensas controvérsias levantas na Alemanha durante a semana passada por causa dos gastos excessivos em sua residência, dom Franz-Peter Tebartz-van Elst, bispo da diocese alemã de Limburg, foi suspenso do ministério episcopal.

Em comunicado, a Sala de Imprensa da Santa Sé afirma que "o Santo Padre foi informado ampla e objetivamente sobre a situação na diocese de Limburg [...], onde veio a criar-se uma situação em que o bispo, dom Franz-Peter Tebartz-van Elst, não pode no momento presente exercer o seu ministério episcopal".

Uma pequena comissão foi criada para investigar o prelado, que é acusado de ter empregado uma soma de 31 milhões de euros para reformar a residência episcopal. Diz o comunicado: "Depois da visita fraterna de Sua Eminência, o cardeal Giovanni Lajolo, no mês de setembro, a Conferência Episcopal Alemã, após acordo com o bispo e com o Capítulo da Catedral de Limburg, constituiu uma comissão para realizar uma análise minuciosa da construção da sé episcopal".

"Em espera dos resultados das investigações sobre as responsabilidades a este respeito, a Santa Sé considera apropriado autorizar a Sua Excelência, dom Franz-Peter Tebartz-van Elst, um período de permanência fora da diocese [...] Por decisão da Santa Sé, entra em vigor a partir de hoje a nomeação de Wolfgang Rösch como vigário geral". Rösch, que já estava nomeado para assumir as funções do vicariato geral da diocese a partir de 1º de janeiro de 2014, administrará desde agora a diocese de Limburg durante a ausência do bispo, "com os poderes atrelados ao cargo".

Após furiosa polêmica na Alemanha, dom Van-Elst tinha viajado a Roma no início da semana passada para se encontrar com o papa Francisco. O papa o recebeu na terça-feira, após consultar, nos dias precedentes, o presidente da Conferência Episcopal Alemã, dom Robert Zollitsch, e o arcebispo de Colônia, cardeal Joachim Meisner.

Na véspera da audiência com o papa, o bispo de Limburg também recebeu a visita, em Roma, de seu compatriota mons. Georg Gaenswein, prefeito da Casa Pontifícia e secretário pessoal do papa emérito Bento XVI.


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A "Lumen Fidei " se transforma em audiobook na Polônia 
O trabalho será apresentado na Feira do Livro de Cracóvia, do 24 ao 25 de Outubro

Por Don Mariusz Frukacz


CRACóVIA, 23 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - A " Lumen Fidei ", a encíclica do Papa Francisco escrita em ' dueto ' com o Papa emérito Bento XVI, se transformou em um audiobook no idioma polonês. A notícia foi dada pela KAI , Agência Católica de Informação na Polônia).

Esse audiobook é o o primeiro trabalho dos Padres Palotinos em Nowa Huta, em colaboração com a Rádio Niepokalanow e a Editora Apostolicum.

O texto da encíclica é lido por Jerzy Zelnik , um ator polonês conhecido . O audiobook será apresentado na quarta "Viagem de evangelização no rio Vístula", que será realizada em 24 e 25 de outubro, durante a Feira do Livro em Cracóvia.

Para mais informações:

http://www.nowohuckie.pl/

http://www.nowohuckie.pl/11-aktualnosci/500-lumen-fidei-audiobook


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Acolher com abertura e cordialidade os divorciados recasados, mas sem os sacramentos 
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Ludwig Müller,confirma a posição da Igreja Católica

Por Redacao


ROMA, 22 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Aos divorciados recasados a Igreja confirma o seu 'não a Eucaristia', mas "os esforços pastorais devem dirigir-se ainda mais a favor destes fiéis". Afirmou oPrefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Ludwig Müller,ao jornal da Santa Sé, L'Osservatore Romano,e publicado em português pela Rádio Vaticano.

A finalidade do documento é aprofundar com serenidade o tema que urge cada dia mais, "mesmo se, por natureza íntima dos sacramentos, a admissão a eles por parte dos divorciados recasados não for possível, os esforços pastorais devem dirigir-se ainda mais a favor destes fiéis, mesmo se eles devem permanecer na dependência das normas derivantes da Revelação e da doutrina da Igreja". 

"O percurso indicado pela Igreja-prossegue Dom Müller -para as pessoas diretamente concernidas não é simples, mas elas devem saber e sentir que a Igreja acompanha o seu caminho como uma comunidade de cura e de salvação. Com o seu compromisso a compreender a prática eclesial e a não receber a Comunhão, os cônjuges apresentam-se à sua maneira como testemunhas da indissolubilidade domatrimônio".

A questõessobre avida cristã dos "divorciados recasados certamente não deveria limitar-se à questão da recepção da Eucaristia", afirmao monsenhor recordando ainda que "a este propósito, além da Comunhão sacramental há outros modos para entrar em comunhão com Deus"que vivemos "quando nos dirigimos a ele na fé, na esperança e na caridade, no arrependimento e na oração".

"Deus pode conceder a sua proximidade e a sua salvação às pessoas por diversos caminhos, mesmo se elas vivem em situações contraditórias"- escreve -.

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé citando o recente documento do Magistério chama os pastores e a comunidade cristã a "acolher com abertura e cordialidade" os divorciados recasados, "com empatia, com a ajuda concreta e para lhes fazer sentir o amor do Bom Pastor. Uma cura pastoral fundada na verdade e no amor encontrará sempre e novamente neste campo os caminhos a percorrer e as formas mais justas".



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Indissolubilidade do matrimônio e do debate sobre os divorciados recasados e os sacramentos 
Artigo completo de Dom Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé


ROMA, 22 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Publicamos na integra o artigo do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Ludwig Müller, sobre matrimônio, família e cuidado pastoral dos divorciados, publicado no jornal da Santa Sé, L'Osservatore Romano.

Um testemunho sobre o poder da graça

Acerca da indissolubilidade do matrimônio e do debate sobre os divorciados recasados e os sacramentos

O estudo da problemática dos fiéis que contraíram um novo vínculo civil depois de um divórcio não é novo e foi sempre guiado com grande seriedade pela Igreja com o propósito de ajudar as pessoas concernidas, dado que o matrimónio é um sacramento que abrange de modo particularmente profundo a realidade pessoal, social e histórica do homem. Considerando o número crescente de pessoas concernidas nos países de antiga tradição cristã trata-se de um problema pastoral de vasto alcance. Hoje os crentes questionam-se muito seriamente: não pode a Igreja permitir, em determinadas condições, o acesso aos sacramentos aos fiéis divorciados recasados? Em relação a tal questão tem a Igreja as mãos amarradas para sempre? Os teólogos consideraram deveras todas as implicações e consequências em relação a esta matéria?

Questões como estas devem ser tratadas em conformidade com a doutrina católica sobre o matrimónio. Uma pastoral plenamente responsável pressupõe uma teologia que se abandone a Deus que se revela «prestando-lhe o total obséquio do intelecto e da vontade e assentindo voluntariamente à Revelação que ele faz» (Concílio Vaticano II, Constituição dogmática Dei Verbum, 5). Para tornar compreensível o ensinamento autêntico da Igreja devemos proceder a partir da Palavra de Deus que está contida na Sagrada Escritura, ilustrada na Tradição da Igreja e interpretada de modo vinculador pelo Magistério.

O testemunho da Escritura

Não está isento de problemáticas o facto de apresentar imediatamente a nossa questão no âmbito do Antigo Testamento, porque naquela época o matrimónio ainda não era considerado um sacramento. A Palavra de Deus no Antigo Testamento é contudo significativa em relação a isto também para nós, a partir do momento que Jesus se coloca nesta tradição e argumenta a partir dela. Encontra-se no Decálogo o mandamento «Não cometer adultério» (Êx 20, 14), mas noutras partes o divórcio é considerado possível. Segundo Dt 24, 1-4, Moisés estabelece que um homem pode dar à esposa um libelo de repúdio e pode mandá-la embora da sua casa se ela não achar mais graça diante dos seus olhos. Como consequência disto, o homem e a mulher podem voltar a casar. Contudo, em paralelo com a concessão do divórcio no Antigo Testamento encontra-se também um certo constrangimento em relação a esta prática. Assim como o ideal da monogamia, também o ideal da indissolubilidade é entendido no confronto que os profetas instituem entre a aliança de Javé com Israel e o vínculo matrimonial. O profeta Malaquias expressa com clareza tudo isto: «Ninguém atraiçoe a mulher da sua juventude... a mulher a ti vinculada por um pacto» (Ml 2, 14-15).

Foram sobretudo as controvérsias com os fariseus que deram a Jesus a ocasião para se ocupar do tema. Ele distanciou-se expressamente da prática veterotestamentária do divórcio, que Moisés tinha permitido por causa da «dureza do coração» dos homens, e ao contrário indicou a vontade originária de Deus: «Mas no início da criação varão e mulher os criou; por isto o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher e os dois serão uma só carne […] Por conseguinte, não separe o homem o que Deus uniu» (Mc 10, 5-9; cf. Mt 19, 4-9; Lc 16, 18). A Igreja católica, no seu ensinamento e na sua prática, referiu-se constantemente às palavras de Jesus sobre a indissolubilidade do matrimónio. O Pacto que une íntima e reciprocamente os dois cônjuges é instituído pelo próprio Deus. Trata-se por conseguinte de uma realidade que vem de Deus e já não está na disponibilidade dos homens.

Hoje, alguns exegetas afirmam que estas expressões do Senhor já teriam encontrado nos tempos apostólicos uma certa flexibilidade na aplicação: e precisamente, no caso da porneia/fornicação (cf. Mt 5,32; 19, 9) e no caso da separação entre um cônjuge cristão e outro não cristão (cf. 1 Cor 7, 12-15). As cláusulas sobre a fornicação foram objecto de debate controverso desde o início no campo exegético. Muitos estão convictos de que não se trata de excepções em relação à indissolubilidade do matrimónio, mas antes de vínculos matrimoniais não válidos. Contudo, a Igreja não pode basear a sua doutrina e a sua prática em hipóteses exegéticas controversas. Ela deve ater-se ao ensinamento claro de Cristo.

Paulo estabelece que a proibição de divórcio é uma vontade expressa de Cristo: «Mando aos casados, não eu mas o Senhor, que a mulher se não separe do marido. Se, porém, se separar, que não torne a casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não repudie a mulher» (1 Cor 7, 10-11). Ao mesmo tempo, baseando-se na própria autoridade, Paulo concede que um não cristão possa separar-se do seu cônjuge que se tornou cristão. Neste caso o cristão já não está «submetido à escravidão», isto é, já não está obrigado a permanecer não-casado (1 Cor 7, 12-16). A partir desta posição, a Igreja reconheceu que só o matrimónio entre um homem e uma mulher baptizados é sacramento em sentido próprio e só para estes é válida a indissolubilidade incondicional. De facto, o matrimónio dos não-baptizados está subordinado à indissolubilidade, mas pode contudo ser dissolvido em determinadas circunstâncias – devido a um bem maior (Privilegium Paulinum). Não se trata portanto de uma excepção ao ensinamento do Senhor: a indissolubilidade do matrimónio sacramental, do matrimónio no âmbito do Mistério de Cristo, permanece.

De grande significado para o fundamento bíblico da compreensão sacramental do matrimónio é a Carta aos Efésios, na qual se afirma: «Maridos, amai as vossas mulheres como também Cristo amou a Igreja e por ela se entregou» (Ef 5, 25). E mais adiante o apóstolo escreve: «Por isso, o homem deixará pai e mãe, ligar-se-á à mulher e passarão os dois a ser uma só carne. É grande este mistério; digo-o porém, em relação a Cristo e à Igreja» (Ef 5, 31-32). O matrimónio cristão é um sinal eficaz da aliança de Cristo e da Igreja. O matrimónio entre baptizados é um sacramento porque distingue e age como mediador da graça deste pacto.

O testemunho da tradição da Igreja

Os Padres da Igreja e os Concílios constituem sucessivamente um importante testemunho para o desenvolvimento da posição eclesiástica. Segundo os Padres as instruções bíblicas são vinculadoras. Eles não admitem as leis civis sobre o divórcio considerando-as incompatíveis com o pedido de Jesus. A Igreja dos Padres, em obediência ao Evangelho, rejeitam o divórcio e o segundo matrimónio, em relação a esta questão o testemunho dos Padres é inequívoco.

Na época patrística os crentes separados que se tinham voltado a casar civilmente não eram readmitidos aos sacramentos nem sequer depois de um período de penitência. Alguns textos patrísticos deixam entender que os abusos nem sempre eram rigorosamente rejeitados e que por vezes foram procuradas soluções pastorais para raríssimos casos-limite.

Mais tarde nalgumas zonas, sobretudo por causa da crescente interdependência entre Igreja e Estado, chegou-se a compromissos maiores. No Oriente este desenvolvimento prosseguiu o seu curso e levou, sobretudo depois da separação da Cátedra de Pedro, a uma prática cada vez mais liberal. Hoje nas Igrejas ortodoxas existe uma variedade de causas para o divórcio, que normalmente são justificadas com referência à oikonomia, a clemência pastoral para cada um dos casos difíceis, e abrem o caminho a um segundo ou terceiro matrimónio com carácter penitencial. Esta prática não é coerente com a vontade de Deus, claramente expressa pelas palavras de Jesus acerca da indissolubilidade do matrimónio, e isto representa certamente uma questão ecuménica que não deve ser subestimada.

No Ocidente, a reforma gregoriana contrastou as tendências de liberalização e voltou a propor o conceito originário das Escrituras e dos Padres. A Igreja católica defendeu a absoluta indissolubilidade do matrimónio até à custa de grandes sacrifícios e sofrimentos. O cisma da «Igreja da Inglaterra», que se separou do Sucessor de Pedro, aconteceu não por causa de diferenças doutrinais, mas porque o Papa, em obediência à palavra de Jesus, não podia favorecer o pedido do rei Henrique VIII para a dissolução do seu matrimónio.

O Concílio de Trento confirmou a doutrina da indissolubilidade do matrimónio sacramental e esclareceu que ela corresponde ao ensinamento do Evangelho (cf. DH 1807). Por vezes afirma-se que a Igreja tolerou de facto a prática oriental, mas isto não corresponde à verdade. Os canonistas sempre falaram de uma prática abusiva, e há testemunhos acerca de alguns grupos de cristãos ortodoxos que, tendo-se tornado católicos, tiveram que assinar uma confissão de fé na qual era feita referência explícita à impossibilidade da celebração de segundas ou terceiras núpcias.

O Concílio Vaticano II propôs de novo uma doutrina teológica e espiritualmente profunda do matrimónio na Constituição pastoral Gaudium et spes sobre a Igreja no mundo contemporâneo, expondo com clareza também o princípio da sua indissolubilidade. O matrimónio é entendido como uma completa comunhão corporal e espiritual de vida e de amor entre homem e mulher, que se doam e se acolhem um ao outro enquanto pessoas. Através do acto pessoal e livre do consentimento recíproco é fundada por direito divino uma instituição estável, orientada para o bem dos cônjuges e da prole, e não dependente do arbítrio do homem: «Esta união íntima, enquanto mútua doação de duas pessoas, assim como o bem dos filhos, exigem a plena fidelidade dos cônjuges e reclamam a sua unidade indissolúvel» (n. 48). Por meio do sacramento Deus concede aos cônjuges uma graça especial: «Com efeito, como outrora Deus tomou a iniciativa de uma aliança de amor e fidelidade com o seu povo assim agora o Salvador dos homens e esposo da Igreja vem ao encontro dos cônjuges cristãos através do sacramento do matrimónio. Além disso, permanece com eles para que, assim como ele amou a Igreja e se entregou por ela, também os cônjuges possam amar-se um ao outro fielmente, para sempre, com dedicação mútua» (ibid.). Mediante o sacramento a indissolubilidade do matrimónio encerra um significado novo e mais profundo: ela torna-se imagem do amor de Deus pelo seu povo e da fidelidade irrevogável de Cristo à sua Igreja.

Só é possível compreender e viver o matrimónio como sacramento no âmbito do Mistério de Cristo. Se se seculariza o matrimónio ou se for considerado uma realidade meramente natural permanece como que impedido o acesso à sua sacramentalidade. O matrimónio sacramental pertence à ordem da graça e é inserido na comunhão definitiva de amor de Cristo com a sua Igreja. Os cristãos estão chamados a viver o seu matrimónio no horizonte escatológico da vinda do Reino de Deus em Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado.

O testemunho do Magistério em época recente

Com o texto ainda hoje fundamental da Exortação apostólica Familiaris consortio, publicada por João Paulo II a 22 de Novembro de 1981 depois do Sínodo dos Bispos sobre a família cristã no mundo contemporâneo, foi expressamente confirmado o ensinamento dogmático da Igreja acerca do matrimónio. Sob o ponto de vista pastoral a Exortação pós-sinodal ocupou-se também da cura dos fiéis recasados com rito civil, mas que ainda estão vinculados por um matrimónio válido para a Igreja. O Papa demonstrou uma medida alta de solicitude e atenção.

No n. 84 («Os divorciados recasados») são expostos os seguintes princípios:

1. Os pastores que cuidam das almas são obrigados por amor à verdade «a discernir bem as diversas situações». Não é possível avaliar tudo e todos do mesmo modo.

2. Os pastores e as comunidades são obrigados a ajudar «com caridade solícita» os fiéis concernidos; com efeito também eles pertencem à Igreja, têm direito à cura pastoral e devem poder participar da vida da Igreja.

3. A admissão à Eucaristia não lhes pode contudo ser concedida. Em relação a isto é aduzido um duplo motivo: a) «o seu estado e condição de vida estão em contraste objectivo com aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e realizada pela Eucaristia»; b) «se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio». Uma reconciliação mediante o sacramento da penitência – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – só pode ser concedida com base no arrependimento em relação a quanto aconteceu, e com a disponibilidade «a uma forma de vida já não em contradição com a indissolubilidade do matrimónio». Isto comporta, em concreto, que quando a nova união não pode ser dissolvida por motivos sérios – como, por exemplo, a educação dos filhos – ambos os cônjuges «assumem o compromisso de viver em continência total».

4. Por motivos teológico-sacramentais, e não por uma constrição legal, ao clero é expressamente feita a proibição, enquanto subsiste a validade do primeiro matrimónio, de concretizar «cerimónias de qualquer género» a favor de divorciados que se recasam civilmente.

A Carta da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a recepção da Comunhão eucarística por parte de fiéis divorciados recasados de 14 de Setembro de 1994 confirmou que a prática da Igreja sobre este tema «não pode ser modificada com base nas diferentes situações» (n. 5). Além disso, é esclarecido que os crentes concernidos não devem receber a sagrada Comunhão com base no seu juízo de consciência: «Caso o julgasse possível, os pastores e os confessores […] têm o grave dever de o repreender porque tal juízo de consciência está em aberto contraste com a doutrina da Igreja» (n. 6). No caso de dúvidas acerca da validade de um matrimónio fracassado, elas devem ser verificadas pelos órgãos judiciários competentes em matéria matrimonial (cf. n. 9). Permanece de importância fundamental fazer «com caridade solícita tudo o que pode fortalecer no amor de Cristo e da Igreja os fiéis que se encontram em situação matrimonial irregular. Só assim será possível para eles acolher plenamente a mensagem do matrimónio cristão e suportar na fé o sofrimento da sua situação. Na acção pastoral dever-se-á fazer todos os esforços para que seja bem compreendido que não se trata de discriminação alguma, mas unicamente de fidelidade absoluta à vontade de Cristo que nos voltou a dar e confiou de novo a indissolubilidade do matrimónio como dom do Criador» (n. 10).

Na Exortação pós-sinodal Sacramentum caritatis de 22 de Fevereiro de 2007 Bento XVI retoma e relança o trabalho do precedente Sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia. Ele chega a falar da situação dos fiéis divorciados recasados no n. 29, onde não hesita defini-la «um problema pastoral delicado e complexo». Bento XVI reafirma «a prática da Igreja, fundada na Sagrada Escritura (cf. Mc 10, 2-12), de não admitir aos Sacramentos os divorciados recasados», mas chega até a esconjurar os pastores a dedicar «especial atenção» em relação às pessoas concernidas «no desejo de que cultivem, na medida do possível, um estilo cristão de vida através da participação na Santa Missa, mesmo sem receber a Comunhão, da escuta da Palavra de Deus, ad adoração eucarística, da oração, da participação na vida comunitária, do diálogo confidente com um sacerdote ou um mestre de vida espiritual, da dedicação à caridade vivida, das obras de penitência, do compromisso educativo dos filhos». É reafirmado que, em caso de dúvidas acerca da validade da comunhão de vida matrimonial que foi interrompida, elas devem ser examinadas atentamente pelos tribunais competentes em matéria matrimonial.

A mentalidade contemporânea está bastante em contraste com a compreensão cristã do matrimónio, sobretudo em relação à sua indissolubilidade e à abertura à vida. Considerando que muitos cristãos são influenciados por tal contexto cultural, os matrimónios são provavelmente com mais frequência não válidos nos nossos dias de quanto o eram no passado, porque é deficitária a vontade de se casar segundo o sentido da doutrina matrimonial católica e também a pertença a um contexto vital de fé é muito limitada. Portanto, uma verificação da validade do matrimónio é importante e pode levar a uma solução dos problemas. Quando não é possível comprovar uma nulidade do matrimónio, é possível a absolvição e a Comunhão eucarística se for seguida a aprovada prática eclesial que estabelece que se viva juntos «como amigos, como irmão e irmã». As bênçãos de vínculos irregulares devem «ser evitadas em qualquer caso […] para que não surjam entre os fiéis confusões acerca do valor do Matrimónio». A bênção (bene-dictio: aprovação por parte de Deus) de uma relação que se contrapõe à vontade divina deve ser considerada em si uma contradição.

Na homilia pronunciada em Milão a 3 de Junho de 2012, por ocasião do VII Encontro mundial das famílias, Bento XVI voltou a falar deste doloroso problema: «Gostaria de dedicar uma palavra também aos fiéis que, mesmo partilhando os ensinamentos da Igreja sobre a família, estão marcados por experiências dolorosas de fracasso ou de separação. Sabei que o Papa e a Igreja vos amparam na vossa fadiga. Encorajo-vos a permanecer unidos às vossas comunidades, enquanto faço votos por que as dioceses realizem iniciativas adequadas de acolhimento e proximidade».

O último Sínodo dos Bispos sobre o tema «A nova Evangelização para a transmissão da fé cristã» (7-28 de Outubro de 2012) ocupou-se de novo da situação dos fiéis que, a seguir ao fracasso da comunhão de vida matrimonial (não a falência do matrimónio, que subsiste enquanto sacramento) iniciou uma nova união e convivem sem o vínculo sacramental do matrimónio. Na mensagem final os Padres sinodais dirigiram-se com estas palavras aos fiéis concernidos: «A todos eles desejamos dizer que o amor do Senhor não abandona ninguém, que também a Igreja os ama e é casa acolhedora para todos, que eles permanecem membros da Igreja mesmo se não podem receber a absolvição sacramental e a Eucaristia. As comunidades católicas sejam acolhedoras em relação a quantos vivem em tais situações e apoiem caminhos de conversão e de reconciliação».

Considerações antropológicas e teológico-sacramentais

A doutrina sobre a indissolubilidade do matrimónio encontra com frequência incompreensão num ambiente secularizado. Onde se perderam as razões fundamentais da fé cristã, uma mera pertença convencional à Igreja já não é capaz de guiar as escolhas de vida importantes e de oferecer apoio algum nas crises do estado matrimonial – como também do sacerdócio e da vida consagrada. Muitos se questionam: como posso vincular-me por toda a vida a uma só mulher/a um só homem? Quem me pode dizer como será daqui a dez, vinte, trinta, quarenta anos de matrimónio? É efectivamente possível um vínculo definitivo com uma só pessoa? As muitas experiências de comunhão matrimonial que hoje se interrompem reforçam o cepticismo dos jovens em relação às decisões definitivas da vida.

Por outro lado, o ideal da fidelidade entre um homem e uma mulher, fundado na ordem da criação, nada perdeu do seu fascínio, como evidenciam os recentes inquéritos entre os jovens. A maior parte deles deseja uma relação estável e duradoura, enquanto isso corresponderia também à natureza espiritual e moral do homem. Além disso, deve recordar-se o valor antropológico do matrimónio indissolúvel: ele subtrai os cônjuges do arbítrio e da tirania dos sentimentos e dos estados de ânimo; ajuda-os a enfrentar as dificuldades pessoais e a superar as experiências dolorosas; protege sobretudo os filhos, que são vítimas do maior sofrimento da interrupção dos matrimónios.

O amor é algo mais do que o sentimento e o instinto; na sua essência é dedicação. No amor conjugal duas pessoas dizem um ao outro consciente e voluntariamente: só tu – e tu para sempre. A palavra do Senhor: «O que Deus uniu...» corresponde à promessa do casal: «Recebo-te como meu esposo... recebo-te como minha esposa... Quero amar-te e honrar-te toda a minha vida, enquanto a morte não nos separar». O sacerdote abençoa o pacto que os cônjuges estabeleceram entre si diante de Deus. Quem tiver dúvidas sobre o facto de que o vínculo matrimonial tenha qualidade ontológica, pode deixar-se instruir pela Palavra de Deus: «No princípio Deus criou o homem e a mulher. Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua esposa e os dois serão uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 4-6).

Para os cristãos é válido o facto de que o matrimónio dos baptizados, incorporados no Corpo de Cristo, tem um carácter sacramental e representa, por conseguinte, uma realidade sobrenatural. Um dos problemas pastorais mais graves consiste no facto de que muitos, hoje, julgam o matrimónio exclusivamente segundo critérios mundanos e pragmáticos. Quem pensa segundo o «espírito do mundo» (1 Cor 2, 12) não pode compreender a sacramentalidade do matrimónio. À crescente falta de compreensão acerca da santidade do matrimónio, a Igreja não pode responder com uma adequação pragmática ao que parece inevitável, mas só com a confiança no «Espírito de Deus, para que possamos conhecer o que Deus nos doou» (1 Cor 2, 12). O matrimónio sacramental é um testemunho do poder da graça que transforma o homem e prepara toda a Igreja para a cidade santa, a nova Jerusalém, a própria Igreja, pronta «como uma esposa adornada para o seu esposo» (Ap 21, 2). O Evangelho da santidade do matrimónio deve ser anunciado com audácia profética. Um profeta tíbio procura na adequação ao espírito dos tempos a sua própria salvação, mas não a salvação do mundo em Jesus Cristo. A fidelidade às promessas do matrimónio é um sinal profético da salvação que Deus doa ao mundo: «quem pode compreender, compreenda» (Mt 19, 12). O amor conjugal é purificado, fortalecido e aumentado pela graça sacramental: «Este amor, ratificado por um compromisso comum e sobretudo consagrado por um sacramento de Cristo, permanece indissoluvelmente fiel na boa e na má sorte, a nível do corpo e do espírito; por conseguinte exclui qualquer adultério e divórcio» (Gaudium et spes, 49). Por conseguinte, os esposos, participando em virtude do sacramento do matrimónio do amor definitivo e irrevogável de Deus, podem em virtude disto ser testemunhas do amor fiel de Deus, nutrindo constantemente o seu amor através de uma vida de fé e de caridade.

Certamente, há situações – cada pastor o sabe – nas quais a convivência matrimonial se torna praticamente impossível por causa de graves motivos, como por exemplo em caso de violência física ou psíquica. Nestas dolorosas situações a Igreja sempre permitiu que os cônjuges se pudessem separar e não vivessem mais juntos. Contudo, deve ser esclarecido que o vínculo conjugal de um matrimónio validamente celebrado permanece estável diante de Deus e ambas as partes não são livres de contrair um novo matrimónio enquanto o outro cônjuge for vivo. Os pastores e as comunidades cristãs devem portanto comprometer-se em promover de todas as formas a reconciliação também nestes casos ou, quando isto não for possível, em ajudar as pessoas concernidas a enfrentar na fé a própria difícil situação.

Anotações teológico-morais

Com sempre maior frequência é sugerido que a decisão de receber ou não a Comunhão eucarística deveria ser deixada à consciência pessoal dos divorciados recasados. Este assunto, que se baseia num conceito problemático de «consciência», já foi rejeitado na carta da Congregação de 1994. Certamente, em cada celebração da Missa os fiéis são obrigados a respeitar na sua consciência se é possível receber a Comunhão, possibilidade à qual a existência de um pecado grave não confessado se opõe sempre. Por conseguinte, eles têm a obrigação de formar a própria consciência e de tender para a verdade; para esta finalidade podem ouvir na obediência o magistério da Igreja, que os ajuda «a não se desviarem da verdade acerca do bem do homem, mas, sobretudo nas questões mais difíceis, a alcançar com segurança a verdade e a permanecer nela» (João Paulo II, Carta encíclica Veritatis splendor, 64).

Se os divorciados recasados estão subjectivamente na convicção de consciência que o precedente matrimónio não era válido, isto deve ser objectivamente demonstrado pela competente autoridade judiciária em matéria matrimonial. O matrimónio não diz respeito só à relação entre duas pessoas e Deus, mas é também uma realidade da Igreja, um sacramento, sobre cuja validade não só o indivíduo para si mesmo, mas a Igreja, na qual ele mediante a fé e o Baptismo está incorporado, deve decidir. «Se o matrimónio precedente de fiéis divorciados recasados era válido, a sua nova união não pode ser considerada de modo algum lícita, pelo facto de que a recepção dos Sacramentos não pode estar baseada em razões interiores. A consciência do indivíduo está vinculada sem excepções a esta norma» (Card. Joseph Ratzinger, A pastoral do matrimónio deve fundar-se na verdade, L'Osservatore Romano, edição italiana de 30 de Novembro de 2011, pp. 4-5).

Também a doutrina da «epiqueia», segundo a qual uma lei é válida em termos gerais, mas nem sempre a acção humana lhe pode corresponder totalmente, não pode ser aplicada neste caso, porque a indissolubilidade do matrimónio sacramental é uma norma de direito divino, que por conseguinte não está na disponibilidade da autoridade da Igreja. Contudo, ela tem o pleno poder – na linha do privilégio paulino – de esclarecer quais condições devem ser satisfeitas antes de poder definir um matrimónio indissolúvel segundo o sentido que Jesus lhe atribuiu. Sobre esta base, a Igreja estabeleceu os impedimentos para o matrimónio que são motivo de nulidade matrimonial e preparou um pormenorizado procedimento processual.

Uma ulterior tendência a favor da admissão dos divorciados recasados aos sacramentos é a que invoca o argumento da misericórdia. Dado que o próprio Jesus solidarizou com os sofredores doando-lhes o seu amor misericordioso, a misericórdia seria por conseguinte um sinal especial da autêntica sequela. Isto é verdade, mas é um argumento débil em matéria teológico-sacramentária, também porque toda a ordem sacramental é precisamente obra da misericórdia divina e não pode ser revogada invocando o mesmo princípio que a sustém. Através daquela que objectivamente ressoa como uma falsa invocação da misericórdia incorre-se no risco da banalização da própria imagem de Deus, segundo a qual Deus mais não poderia fazer do que perdoar. Pertencem ao mistério de Deus, além da misericórdia, também a santidade e a justiça; se se escondem estes atributos de Deus e não se leva seriamente a realidade do pecado, não se pode nem sequer mediar às pessoas a sua misericórdia. Jesus encontrou a mulher adúltera com grande compaixão, mas também lhe disse: «Vai, e doravante não voltes a pecar» (Jo 8, 11). A misericórdia de Deus não é uma dispensa dos mandamentos de Deus e das instruções da Igreja; aliás, ela concede a força da graça para a sua plena realização, para se levantar depois de uma queda e para uma vida de perfeição à imagem do Pai celeste.

A cura pastoral

Mesmo se, por natureza íntima dos sacramentos, a admissão a eles por parte dos divorciados recasados não for possível, os esforços pastorais devem dirigir-se ainda mais a favor destes fiéis, mesmo se eles devem permanecer na dependência das normas derivantes da Revelação e da doutrina da Igreja. O percurso indicado pela Igreja para as pessoas directamente concernidas não é simples, mas elas devem saber e sentir que a Igreja acompanha o seu caminho como uma comunidade de cura e de salvação. Com o seu compromisso a compreender a prática eclesial e a não receber a Comunhão, os cônjuges apresentam-se à sua maneira como testemunhas da indissolubilidade do matrimónio.

A cura para os divorciados recasados certamente não deveria limitar-se à questão da recepção da Eucaristia. Trata-se de uma pastoral global que procura satisfazer o mais possível as exigências das diversas situações. É importante recordar, a este propósito, que além da Comunhão sacramental há outros modos para entrar em comunhão com Deus. A união com Deus alcança-se quando nos dirigimos a ele na fé, na esperança e na caridade, no arrependimento e na oração. Deus pode conceder a sua proximidade e a sua salvação às pessoas por diversos caminhos, mesmo se elas vivem em situações contraditórias. Como frisam constantemente os recentes documentos do Magistério, os pastores e as comunidades cristãs estão chamados a acolher com abertura e cordialidade as pessoas que vivem em situações irregulares, para estar ao seu lado com empatia, com a ajuda concreta e para lhes fazer sentir o amor do Bom Pastor. Uma cura pastoral fundada na verdade e no amor encontrará sempre e novamente neste campo os caminhos a percorrer e as formas mais justas.

(Fonte: Rádio Vaticano)


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A principal festa islâmica é dedicada em Roma ao papa Francisco 
Comunidade árabe italiana comemorou o Id al-Adha este ano em honra de Bergoglio, do seu pontificado e do diálogo inter-religioso


ROMA, 22 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - A importante festa islâmica do Id al-Adha foi comemorada em Roma na noite deste sábado, 19 de outubro, em honra do papa Francisco, do seu pontificado e do diálogo inter-religioso, conforme breve relato do jornal L'Osservatore Romano.

Cerca de 1,4 bilhão de muçulmanos de todo o mundo consideram a festa do Id al-Adha uma das mais importantes do calendário islâmico. A comunidade árabe na Itália quis comemorá-la com uma grande reunião que contou com a participação de diplomatas árabes e palestinos, do imã do Centro Cultural Islâmico da Itália e de algumas famílias de imigrantes.

A data foi "uma oportunidade para celebrar, mas também um momento para continuar o debate saudável sobre as questões de natureza religiosa e, em particular, sobre o caminho iniciado pelo papa Francisco", declarou, em entrevista ao jornal vaticano, Foad Aodi, presidente da Co-Mai (comunidades do mundo árabe na Itália) e do Movimento Unidos para Unir.

O Id al-Adha (em árabe, "Festa do Sacrifício") é comemorado todos os anos no mês lunar de Dhu l' Hijjah, em que acontece a peregrinação canônica chamada Hajj. Ela recorda as provações superadas pelo profeta Abraão e pela sua família, formada por Hagar e pelo filho Ismael. Em particular, é praticado um sacrifício ritual que evoca o sacrifício do cordeiro oferecido a Deus por Abraão. É, portanto, a celebração por excelência da fé e da submissão total e inquestionável a Deus (literalmente, "islam") .


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Movimento apostólico de Schoenstatt abre seu ano jubilar 
O ano de celebrações começou neste 18 de outubro com uma missa celebrada pelo cardeal Rylko


ROMA, 21 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - O movimento de Schoenstatt acaba de dar início ao seu ano internacional de jubileu, neste último dia 18 de outubro, preparando-se para o seu centenário, a completar-se no dia 18 de outubro de 2014. O cardeal Stanislaw Rylko, presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, foi o primeiro a entrar no santuário original, no vale de Schoenstatt, na Alemanha, durante este ano jubilar, representando toda a família mundial de Schoenstatt.

Mais de dois mil participantes se reuniram no santuário original, em união com centenas de milhares de pessoas do mundo inteiro. Só no santuário nacional de Schoenstatt em Tuparendá, no Paraguai, 40.000 peregrinos cantaram louvores a Maria, como acontece todo dia 18 de cada mês, renovando e atualizando a aliança de amor que o pe. Kentenich e os jovens seminaristas selaram com Maria há exatamente 99 anos.

A irmã Nilza da Silva, porta-voz de Schoenstatt no Brasil, relata que as celebrações no país envolveram "milhares de paróquias" e numerosas catedrais, com a participação de dezenas de milhares de peregrinos, juntamente com seus párocos e bispos.

O ano de celebrações começou em Schoenstatt com uma missa na Igreja do Peregrino, celebrada pelo cardeal Rylko. À tarde, houve uma peregrinação iniciada na Igreja da Adoração, no Monte Schoenstatt, em cuja sacristia jazem os restos mortais do pe. José Kentenich, até o Santuário Original. À noite aconteceram as celebrações centrais da abertura do ano jubilar.

Diversas equipes de líderes de Schoenstatt estão trabalhando há anos sob a coordenação do pe. Stefan Stecker, da Presidência Geral do Movimento, a fim de preparar as celebrações do centésimo aniversário do movimento, que, além dos eventos no vale alemão, prosseguirá na semana seguinte em Roma, incluindo na agenda uma audiência com o papa Francisco. São esperados para este evento mais de 10.000 peregrinos de todo o mundo.

O pe. Andrew Pastore, coordenador da equipe de comunicação, diz que "a nossa contribuição à Igreja e ao mundo se manifesta através de diversos projetos nos cinco principais campos de apostolado em que Schoenstatt esteve mais envolvido durante os seus primeiros 100 anos de vida, que são um dom para a Igreja e para o mundo". Trata-se da "medula das celebrações de Schoenstatt": a cultura da aliança. Cada campo central de ação terá seu pavilhão gigante em outubro de 2014 em Schoenstatt, representando a sua contribuição à Igreja. Os temas, resumindo os projetos missionários do apostolado, são Matrimonio e Família, Juventude, Pedagogia, Igreja e Sociedade.


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Liturgia e Vida Cristã
Que posição os fiéis devem adotar depois da comunhão? 
Responde o pe. Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual

Por Pe. Edward McNamara, L.C.


ROMA, 25 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Em sua coluna semanal sobre liturgia, o padre McNamara responde hoje a uma pergunta feita por um missionário italiano em Ruanda.

Eu gostaria de perguntar quais são as posições a manter durante as várias partes da celebração eucarística: de pé, sentados, ajoelhados... Em particular, depois de comungar, alguns esperam para sentar-se após o padre colocar o Santíssimo Sacramento no tabernáculo; outros voltam para o seu lugar e sentam-se imediatamente para adorar o Senhor que acabaram de receber. Obrigado. - E.B., Kigali

Os gestos e posturas que os fiéis devem assumir são tratados na Instrução Geral do Missal Romano, nº 43:

Os fiéis estão de pé: desde o início do cântico de entrada, ou enquanto o sacerdote se encaminha para o altar, até à oração coleta, inclusive; durante o cântico do Aleluia que precede o Evangelho; durante a proclamação do Evangelho; durante a profissão de fé e a oração universal; e desde o convite "Orai, irmãos", antes da oração sobre as oblatas, até ao fim da Missa, exceto nos momentos adiante indicados.

Estão sentados: durante as leituras que precedem o Evangelho e durante o salmo responsorial; durante a homilia e durante a preparação dos dons ao ofertório; e, se for oportuno, durante o silêncio sagrado depois da Comunhão.

Estão de joelhos durante a consagração, exceto se razões de saúde, a estreiteza do lugar, o grande número dos presentes ou outros motivos razoáveis a isso obstarem. Aqueles, porém, que não estão de joelhos durante a consagração, fazem uma inclinação profunda enquanto o sacerdote faz a genuflexão depois da consagração.

Compete, todavia, às Conferências Episcopais, segundo as normas do direito, adaptar à mentalidade e tradições razoáveis dos povos os gestos e atitudes indicados no Ordinário da Missa. Atenda-se, porém, a que estejam de acordo com o sentido e o caráter de cada uma das partes da celebração. Onde for costume que o povo permaneça de joelhos desde o fim da aclamação do Sanctus até ao fim da Oração eucarística, é bom que este se mantenha.

Para se conseguir a uniformidade nos gestos e atitudes do corpo na celebração, os fiéis devem obedecer às indicações que, no decurso da mesma, lhes forem dadas pelo diácono, por um ministro leigo ou pelo sacerdote, de acordo com o que está estabelecido nos livros litúrgicos.

No tocante à pergunta desta semana, a frase-chave do parágrafo tem sido fonte de controvérsia, especialmente nos EUA. A tradução inglesa do texto diz que os fiéis podem ficar "sentados ou ajoelhados durante o silêncio sagrado depois da comunhão".

Alguns liturgistas e até bispos interpretaram estas palavras como uma proibição de se ajoelhar ou de sentar-se antes de se receber a comunhão. A polêmica levou o cardeal Francis George, como presidente da Comissão Litúrgica da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, a pedir uma interpretação autêntica da Santa Sé, em 26 de maio de 2003.

O então prefeito da Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos, cardeal Francis Arinze, respondeu à pergunta em 5 de junho daquele mesmo ano (Prot 855/03/L):

Em muitos lugares, os fiéis estão acostumados a ficar de joelhos em oração pessoal ou sentados depois de regressar aos seus lugares após receberem, individualmente, a Sagrada Eucaristia durante a missa. As normas da terceira edição típica do Missal Romano proíbem esta prática?

A lógica é que o nº 43 da Instrução Geral do Missal Romano pretende estabelecer, dentro de amplos limites, uma certa uniformidade de posições a serem assumidas pela assembleia durante as várias partes da celebração da Santa Missa, mas, ao mesmo tempo, não estabelecê-las tão rigidamente a ponto de aqueles que desejam permanecer ajoelhados ou sentados não poderem fazê-lo.

Depois de receber esta resposta, o boletim da Comissão comentou: "Na aplicação da Instrução Geral do Missal Romano, as posições não devem ser reguladas de modo rígido, a ponto se de proibirem os indivíduos que comungam de se ajoelhar ou sentar-se após receber a Sagrada Comunhão" (p. 26).

O que é válido para Washington é aplicável também nos outros lugares: os fiéis podem se ajoelhar ou sentar-se depois de terem comungado.

***

Os leitores podem enviar perguntas para liturgia.zenit@zenit.org . Pedimos mencionar a palavra "Liturgia" no campo assunto. O texto deve incluir as iniciais do remetente, cidade, estado e país. O pe. McNamara só pode responder a uma pequena seleção das muitas perguntas que recebemos.





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Pequeninos do Senhor
Preciso saber onde vou semear... 
Coluna de orientação catequética aos cuidados de Rachel Lemos Abdalla

Por Rachel Lemos Abdalla


CAMPINAS, 25 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Depois dos catequizandos conhecerem o seu catequista, o que ele gosta, como é a sua vida, sua família e profissão etc, chegou a hora do catequista conhecer quem são os seus discípulos.

Se eles forem crianças ou jovenzinhos, prepare cartões, podem ser coloridos ou brancos, para que cada um escreva o seu nome, o nome de sua mãe e/ou do seu pai, ou do seu responsável, e também dos irmãos e do bichinho de estimação, se tiverem. Se forem adultos, peça que escrevam apenas o nome com o sobrenome e profissão, em cartões brancos que serão transformados em crachás com barbantes, sem problemas! Eles deverão usá-los até que todos os colegas e o catequista tenham seus nomes guardados no coração.

Depois do crachá pronto, deixe que cada um fale um pouco sobre si, pois este é o momento de apresentação deles, onde o catequista irá conhecer a realidade em que estará envolvido nos próximos meses ou anos. Com as informações passadas por eles neste primeiro momento, o catequista vai começar a se situar no contexto em que cada um vive, ter consciência de que um é diferente do outro e, por isso a catequese não pode ser padronizada, enlatada como se satisfizesse a todos do mesmo modo. E, também, vai notar que, embora exista uma pluralidade e diversidade de realidades, existe algo em comum entre eles que é o fato de estarem ali, seja por qual motivo for: por livre e espontânea vontade ou por vontade de outrem.

Além disso, o catequista vai conhecer um pouco sobre a família do catequizando, se está unida ou separada e quais as suas características como: se é constituída por um casal heterosexual ou homossexual; se é família mosaico, ou seja, formada por casais separados que se unem para um novo relacionamento levando consigo seus filhos do primeiro relacionamento e gerando novos filhos que são irmãos do anteriores; ou se é uma família considerada modelo dentro das convenções estabelecidas pela sociedade ao longo dos anos, ou seja, um homem e uma mulher que se casam em matrimônio e no civil, e geram filhos que serão chamados cristãos pelo Batismo. Tem também o fato do catequizando ser fruto de uma produção independente ou adotado, apenas para se ter conhecimento, caso ele venha a citar esta realidade.

Se o catequizando for adulto, a linguagem será madura e o catequista deverá, neste momento, pedir que ele fale sobre a sua pessoa, suas características pessoais como, por exemplo: se é tímido ou extrovertido; qual é a sua maior dificuldade e sua maior habilidade; como é a sua personalidade e a sua família; e também sobre a sua profissão e vocação.

A partir destas informações, o catequista estará entrando no terreno que vai preparar, arar e semear durante o processo de evangelização, o qual está disposto a servir.

Os catequizandos precisam sentir que o catequista se interessa por eles, sem que estejam invadindo a sua privacidade, e que estão ali para o que der e vier, pois juntos vão trilhar o mesmo caminho durante um tempo e, por isso, se encontrarem um amigo no outro, mais interessante será o percurso sendo visto de vários ângulos.

Quando o catequista conhece, de fato, os seus catequizandos, ele sabe driblar as situações e transformar as dificuldades em momentos propícios para um aprendizado maior.

Para ler o artigo anterior clique aqui.


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Familia e Vida
Famílias do mundo inteiro se reúnem no Vaticano neste sábado e domingo 
Fórum das Associações Familiares: "Uma resposta positiva às agressões contra a família"


CIDADE DO VATICANO, 24 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - "Temos certeza de que a próxima peregrinação das famílias ao túmulo de Pedro, neste sábado, 26, e no domingo, 27 de outubro, é um evento da graça divina", diz Francesco Belletti, presidente do Fórum. "Chegamos a um momento em que a família vem sendo submetida a uma enxurrada de ataques contra a sua identidade e contra o seu significado".

"O encontro na Praça de São Pedro quer ser uma resposta positiva para lembrar ao mundo a beleza de ser família. A sociedade não existe sem a família. Também é muito relevante o fato de que este encontro com Pedro e com o papa Francisco é o último grande evento organizado durante o Ano da Fé, um período tão importante para a Igreja no mundo inteiro. Para a Itália, o evento tem um significado adicional. Ele se relaciona idealmente com a Semana Social de Turim, que, há um mês, recordou os deveres da família perante a sociedade e os da sociedade em relação à família, uma responsabilidade mútua que se torna ainda mais chamativa no atual momento de grave dificuldade econômica. Por todas estas razões, o Fórum e as associações que o compõem concordaram com entusiasmo em desenvolver, juntamente com tantos outros agentes, um papel de serviço na organização do evento. Sob a orientação de dom Paglia, presidente do Conselho Pontifício para a Família, esperamos ter contribuído, apesar das mil dificuldades, para que o encontro deste sábado e domingo seja o melhor possível". 
"Esperamos", conclui Belletti, "que as famílias que vêm de todas as nações encontrem um novo encorajamento para cumprir a sua missão essencial na Igreja e na sociedade, e que esse momento seja uma oportunidade para as famílias italianas renovarem a sua consciência da vocação de proteger o outro e toda a criação, tão frequente nas palavras do Santo Padre. É uma vocação inscrita indelevelmente na vida cotidiana de cada família".


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Brasil celebra hoje o Dia Nacional da Família 
Carta de Dom João Carlos Petrini, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família (CEPVF) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Por Redacao


BRASíLIA, 21 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - No dia 17 de maio de 2012 foi instituído no Brasil o Dia Nacional de Valorização da Família. Nesse dia os brasileiros são chamados a dedicar mais tempo à própria família e continuar "na evangelização por um mundo justo e fraterno", como disse Dom João Carlos Petrini, bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família (CEPVF) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Publicamos a seguir a carta de Dom João Carlos Petrini para essa ocasião.

***

Caros bispos e agentes da família,

Paz!

No Brasil o dia 17 de maio de 2012 a Lei nº 12.647, foi instituído como o Dia Nacional de Valorização da Família. A data é comemorada, anualmente, no dia 21 de outubro, em todo o território nacional.

Todos os brasileiros são convidados a aproveitar este dia em favor da evangelização da família brasileira, promovendo atividades e eventos que sinalizem nossa adesão católica. Este dia pode tornar-se um precioso recurso para promover a Família como espaço privilegiado e insubstituível para que um homem e uma mulher possam, através do matrimônio, gerar e educar seus filhos. (cf. Carta às Família,10) no exercício da família cidadã.

A Gaudium et Spes ( 41) descreve a situação que encontra-se a família e exorta-nos que o" bem-estar da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado com uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar. Por esse motivo, os cristãos, juntamente com todos os que têm em grande apreço esta comunidade, alegram-se sinceramente com os vários fatores que fazem aumentar entre os homens a estima desta comunidade de amor e o respeito pela vida e que auxiliam os cônjuges e os pais na sua sublime missão. Esperam daí ainda melhores resultados e esforçam-se por os ampliar. Porém, a dignidade desta instituição não resplandece em toda a parte com igual brilho. Encontra-se obscurecida pela poligamia, pela epidemia do divórcio, pelo chamado amor livre e outras deformações. Além disso, o amor conjugal é muitas vezes profanado pelo egoísmo, amor do prazer e por práticas ilícitas contra a geração. E as atuais condições econômicas, sócio-psicológicas e civis introduzem ainda na família não pequenas perturbações. Finalmente, em certas partes do globo, verificam-se, com inquietação, os problemas postos pelo aumento demográfico. Com tudo isto, angustiam-se as consciências. Mas o vigor e a solidez da instituição matrimonial e familiar também nisto se manifestam: as profundas transformações da sociedade contemporânea, apesar das dificuldades a que dão origem, muito frequentemente revelam de diversos modos a verdadeira natureza de tal instituição".

Diante desse olhar tão atual a Gaudium et Spes (52 ) convida as pessoas de boa vontade, em especial os cristãos a anunciar e empenharem-se na construção da família "como que uma escola de valorização humana. Para que esteja em condições de alcançar a plenitude da sua vida e missão, exige, porém, a benévola comunhão de almas e o comum acordo dos esposos, e a diligente cooperação dos pais na educação dos filhos. A presença ativa do pai contribui poderosamente para a formação destes; mas é preciso assegurar também a assistência ao lar por parte da mãe, da qual os filhos, sobretudo os mais pequenos, têm tanta necessidade; sem descurar, aliás, a legítima promoção social da mulher. Os filhos sejam educados de tal modo que, chegados à idade adulta, sejam capazes de seguir com inteira responsabilidade a sua vocação, incluindo a sagrada, e escolher um estado de vida; e, se casarem, possam constituir uma família própria, em condições morais, sociais e econômicas favoráveis. Compete aos pais ou tutores guiar os jovens na constituição da família com prudentes conselhos que eles devem ouvir de bom grado; mas evitem cuidadosamente forçá-los, direta ou indiretamente, a casar-se ou a escolher o cônjuge.

A família - na qual se congregam as diferentes gerações que reciprocamente se ajudam a alcançar uma sabedoria mais plena e a conciliar os direitos pessoais com as outras exigências da vida social - constitui assim o fundamento da sociedade. E por esta razão, todos aqueles que têm alguma influência nas comunidades e grupos sociais, devem contribuís eficazmente para a promoção do matrimônio e da família. A autoridade civil há de considerar como um dever sagrado reconhecer, proteger e favorecer a sua verdadeira natureza, assegurar a moralidade pública e fomentar a prosperidade doméstica. Deve salvaguardar-se o direito de os pais gerarem e educarem os filhos no seio da família. Protejam-se também e ajudem-se convenientemente, por meio duma previdente legislação e com iniciativas várias, aqueles que por infelicidade não beneficiam duma família".

Como o tempo urge no processo de valorização da família, sugerimos a todos que valorizem este dia através de instrumentos publicitários de propaganda com as insígnias católicas da Diocese e/ou Pastoral Familiar e/ou da CNBB (placa de out door, ou faixas, cartazes, ou algo semelhante). E ainda, vale a pena divulgarmos este dia na perspectiva católica através dos meios de comunicação. E ainda divulgarmos o tema de trabalho evangelizador para o ano de 2014: A espiritualidade cristã na família. Espiritualidade cristã e família, casamento que deu certo.

Feliz Dia Nacional de Valorização da Família!

Que a Sagrada Família abençoe ás nossas famílias.

Dom João Carlos Petrini

Bispo de Camaçari-BA

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família


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"Protege o teu coração", um projeto completo para a educação sexual dos filhos 
Entrevista a Dora Porto, Diretora e representante do Protege o teu Coração no Brasil

Por Thácio Lincon Soares de Siqueira


BRASíLIA, 21 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Preocupados pela "formação sexual" que os seus filhos iriam receber, logo após o governo colombiano aprovar uma lei que obrigava a educação sexual em todas as instituições educativas em meados de 1992, o casal Maria Luisa e Juan Francisco criaram o projeto "Protege o teu coração" que atualmente se encontra em 15 países.

Em entrevista à ZENIT de Agosto desse ano, o casal expressou a sua preocupação "com que a sexualidade fosse reduzida a uma lista de doenças ou porcentagens sobre a gravidez" e viram com "clareza que a sexualidade tinha que ser educada" e decidiram "converter essa visão em oportunidade".

Protege o teu coração já se encontra funcionando no Brasil desde o ano 2005. As duas representantes são Carmen Silvia Porto e Dora Porto.

Em entrevista a ZENIT, Dora Porto disse que "Ainda que uma grande maioria confunda sexualidade com sexo, entender a sexualidade como a vivência pessoal como homem e como mulher, em todas as nossas dimensões é o grande diferencial, dado que a maioria dos projetos de educação sexual limita-se a prevenir riscos e doenças".

O projeto não é um mero solucionador de problemas - disse Dora - "Os principais responsáveis pela educação dos filhos são os pais" e desde o início é importante se fundamentar "na parceria com os pais, dando também a eles ferramentas para ajudá-los nesta sua missão tão importante" de ensinar os filhos a "Ir em busca do amor verdadeiro".

Acompanhe abaixo a íntegra da entrevista com Dora Porto, Diretora e representante do Protege o teu Coração no Brasil.

***

ZENIT: Como foi que o projeto Protege o seu coração chegou ao Brasil?

Dora: O Programa Protege o teu coração, programa de educação da afetividade e da sexualidade, baseado na formação do caráter, já atua há 20 anos na América Latina, América do Norte, Europa e Ásia. Teve início na Colômbia por iniciativa do casal María Luisa e Juan Francisco Veléz, que procuravam alternativas para formar seus filhos no campo da educação da sexualidade. A missão desse projeto é "Educar um caráter forte, para viver uma sexualidade inteligente". O que buscamos com o programa é que os adolescentes sejam capazes de cultivar um amor verdadeiro, base de família estruturadas e felizes.

Carmen Silvia Porto, e eu (Dora Porto – ambas diretoras e representantes do programa no Brasil)) estávamos buscando modos novos de ajudar as famílias na formação da personalidade do adolescente e concretamente, a compreender o sentido do amor e da sexualidade. Nesta época, acabávamos de formar-nos no Instituto de Ciências para la familia da Universidade de Navarra com o Máster em matrimonio e família. Fomos ao Congresso Internacional sobre educação da afetividade na cidade do México (2005) organizado pela Intermedia Consulting, que reuniu várias iniciativas que já existiam nesse campo da educação. Lá conhecemos o projeto Protege o teu Coração - PTC. Não imaginávamos que um projeto como este já existia desde 1993. Caiu como uma luva, e a decisão de trazer o programa para o Brasil foi imediata.

Conhecer os fundadores, Maria Luísa e Juan Francisco Veléz, foi fundamental. Sua convicção, segurança e entusiasmo criaram em nós uma vontade enorme de oferecer às famílias brasileiras uma proposta diferente, positiva, cheia de esperança. Meios? Não tínhamos. Marcamos uma data e nos pusemos a trabalhar para conseguir organizar um Seminário de Capacitação, o 1o. Seminário de Capacitação com os fundadores em São Paulo, e buscar um patrocínio para dar os primeiros passos. Isto aconteceu em setembro desse mesmo ano com a consequente aquisição do programa e o início dos trabalhos. Vimos a importância deste programa e que tinha vindo para ficar. Os fundadores já estiveram no Brasil mais duas vezes para capacitação e reciclagem dos moderadores.

No início encontramos algumas resistências para a implantação nas escolas e começamos com grupos de adolescentes e pais nas casas de famílias. Pouco a pouco fomos conseguindo apresentar e implantar o programa em algumas escolas.

ZENIT: Já está funcionando? Os pais brasileiros podem contar com essa ajuda para a educação dos seus filhos?

Dora: Sim, o PTC está funcionando no Brasil, como afirmamos anteriormente, e está atualmente em fase de expansão em São Paulo, Campinas e Londrina.

Começaremos o 2oPrograma de Capacitação para Moderadores - PCM em Londrina, Paraná. A capacitação dos moderadores é fundamental para o bom desempenho do programa nas escolas. Precisam estar muito bem preparados, ter um "superávit argumental" e um perfil assertivo, e isso exige uma profunda preparação, além de estágios práticos.

Se os pais brasileiros podem contar com o programa? Na realidade, são precisamente os pais, aqueles que podem conseguir que o PTC atue na escola de seus filhos. Há uma preocupação bastante grande por parte dos educadores com relação ao tema da sexualidade e a direção das escolas está sempre atenta às reivindicações dos pais.

O adolescente necessita do apoio dos amigos para tomar decisões e também como referência para o seu comportamento. Com a aplicação do programa nas escolas, seus amigos também são beneficiados com o mesmo aprendizado e sentem-se fortalecidos para juntos, ir em busca do amor verdadeiro. 

ZENIT: Com a educação sexual que o MEC dá nas escolas, o projeto pode ser uma solução eficaz para aqueles pais que estão preocupados com a situação?

Dora: Claro. O PTC é um programa de Educação da Sexualidade, algo muito mais abrangente do que a educação sexual. Ainda que uma grande maioria confunda sexualidade com sexo, entender a sexualidade como a vivência pessoal como homem e como mulher, em todas as nossas dimensões é o grande diferencial, dado que a maioria dos projetos de educação sexual limita-se a prevenir riscos e doenças. Com uma sexualidade vivida com liberdade e inteligência, os adolescentes poderão comportar-se livre e responsavelmente e formar famílias sólidas e estruturadas no futuro.

O programa é na sua totalidade, positivo, afirmativo. Nada se impõe, mas propomos uma conduta inteligente aos jovens e lhes ajudamos a adquirir habilidades para vencer algumas carências que lhe são próprias.

É aplicado preferencialmente nas escolas, e atua de forma gradual, oferecendo 3 sessões por ano aos alunos e uma ou duas sessões para os pais. O programa não é um "solucionador de problemas", mas um processo de conscientização da sexualidade, de fortalecimento do caráter para viver a sexualidade com inteligência. Parte do princípio que os principais responsáveis pela educação dos filhos são os pais e por isto apóia-se desde o início na parceria com os pais, dando também a eles ferramentas para ajudá-los nesta sua missão tão importante.

Através da metodologia empregada (sessões expositivas, vídeos e dinâmicas em sala de aula), ajudamos a que se conheçam melhor através da ferramenta das 5 dimensões; que percebam as pressões que sofrem dos amigos, da mídia e como lidar positivamente com elas; que identifiquem suas emoções, para poder governá-las com inteligência; que alcancem um autodomínio indispensável para atuar junto às novas tecnologias; que valorizem a vida humana; que aprendam a viver um amor verdadeiro; que valorizem a sua família como um espaço fundamental para o seu crescimento.

O programa reforça a confiança nos pais, nos educadores e oferece aos adolescentes a possibilidade de ser protagonistas de suas escolhas. Ninguém é forçado a pensar e agir de uma forma determinada, pois nada se impõe, apenas se propõe. Se o adolescente quiser e puser o esforço necessário para adquirir as habilidades fortalecerá o seu caráter e poderá dedicar-se ao que realmente é importante nessa fase: cultivar amizades, estudar, preparar-se para a Universidade, para uma carreira profissional e para a construção de uma família fundada sobre um amor verdadeiro.

ZENIT: Poderia contar-nos alguma experiência positiva do projeto aqui no Brasil?

Dora: Nossa experiência com os adolescentes tem sido, em geral, muito positiva. Costumo dizer que "gosto muito" dos adolescentes. Estão numa fase importantíssima da vida, mas muitas vezes o que acontece é que não falam sobre suas dúvidas e inquietações a não ser com outros adolescentes. Buscam informações na internet, muitas vezes de forma inadequada. É muito comum confundirem amor com sexo o que os leva a buscar o prazer imediato, sem pensar nas conseqüências. Nos seminários para professores e pais, além das sessões com os adolescentes nos deparamos com todo tipo de situações, (gravidez na adolescência, aborto, problemas de relacionamento com a família, uso de drogas, adição a vídeo games e internet, sexting ( envio de fotos íntimas pela internet) entre outras. Não se ensina os jovens a amar! Verificamos que, quando lhes ajudamos a refletir e lhes damos as ferramentas necessárias, são capazes de escolher um novo modo de se comportar e abrem-se para o amor e para os ideais próprios da juventude.

Percebemos, no contato com os pais, que não se omitem por negligência, mas por despreparo. Quando percebem que falar sobre sexualidade é algo maravilhoso, que envolve toda a pessoa e não só a dimensão física, sentem-se imediatamente mais aptos a iniciar uma conversa sincera com os filhos.

Há alguns exercícios do programa que facilitam o dialogo entre pais e filhos. Não é raro ouvir frases como: comecei a conversar com meus pais sobre assuntos que nunca havia falado antes.

Também os professores, sentiram-se apoiados, pois é comum que os pais deleguem à escola a função de conversar sobre a sexualidade e, segundo eles, nem sempre estão capacitados.

Um aluno do 2oano do Ensino Médio nos chamou especialmente a atenção. Apresentava problemas de comportamento depois da morte da mãe e preocupava bastante o pai e as orientadoras da escola Na primeira sessão falou muito pouco e estava bastante ressabiado. Mas com o decorrer das outras sessões foi se soltando, e passou a ter uma participação intensa. Na sua avaliação final ( os alunos avaliam cada sessão por escrito) escreveu: "Este programa é muito forte. Ensina o jovem a dizer que não a tantas pressões que sofrem. Acho que deveria ser aplicado em todas as escolas".

Outra adolescente, depois de uma sessão sobre as pressões, entendeu que nas "baladas" estava sendo pressionada a beber e disse que agora, se as pessoas insistissem para que bebesse iria chamar o segurança!

ZENIT: Qual é o caminho que devem percorrer os pais do Brasil que estejam interessados no projeto?

Dora: Sugerimos que entrem no site brasileiro www.protegeteucoracao.com.br e também no site internacional www.protegetucorazon.com para conhecerem um pouco mais sobre o programa.

Aqueles que tenham interesse que o programa chegue às escolas de seus filhos podem entrar em contato conosco pelos emails: contato@protegeteucoracao

dora.porto@protegeteucoracao.com.br

carmen.silvia@protegeteucoracao.com.br


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Entrevistas
A revolução de Francisco 
Entrevista com teólogo próximo do Papa, dom Víctor Fernández, da Pontifícia Universidade Católica da Argentina

Por Sergio Mora


ROMA, 22 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - "Chega de padres que vivem no luxo. Vou explicar a revolução de Francisco": com este título, o jornal italiano La Repubblica veiculou hoje uma entrevista de página inteira com o arcebispo dom Víctor Fernandez, diretor da Pontifícia Universidade Católica da Argentina e teólogo muito próximo do santo padre.

O ponto central, diz o teólogo, é que "Francisco pensa que uma Igreja que quer sair de si mesma e chegar a todos tem a necessidade de adaptar o seu modo de pregar". Por isso, "ele aplica um critério que foi proposto pelo concílio Vaticano II e que é muitas vezes esquecido: a hierarquia da verdade". Porque o problema é que "muitas vezes os preceitos da doutrina moral da Igreja são propostos fora do contexto que lhes dão significado", o que faz com que "eles não manifestem por inteiro o coração da mensagem".

O arcebispo especifica: "Por exemplo, se um pároco fala dez vezes por ano sobre moral sexual e só duas ou três vezes sobre o amor fraterno ou a justiça, é evidente que existe uma desproporção". E o mesmo ocorre "se ele fala muito contra o casamento homossexual e pouco sobre a beleza do matrimônio". Se o convite "não brilha com força e com poder de atração, a moral da Igreja corre o risco de desabar, como um castelo de cartas. Este é o maior perigo".

Sobre as características do papa Francisco, o diretor da PUCA observa: "Ele vai além das discussões teológicas sobre o concílio, porque o santo padre está interessado em dar continuidade ao espírito de renovação e de reforma da Igreja, que vem desde o próprio concílio. Ele está fora de qualquer obsessão ideológica" e tem a intenção de "levar a Igreja para fora de si mesma, para chegar a todos".

Quanto às relações às vezes difíceis entre Bergoglio e a presidente Cristina Kirchner, o arcebispo redimensiona, explicando que as homilias foram muitas vezes interpretadas a partir de uma perspectiva política, quando, na realidade, nenhum político pode afirmar "que teve Bergoglio como aliado político, seja de esquerda, seja de direita". E o arcebispo amplia o horizonte da problemática: "Eu acho que quem tem alguma forma de poder, inclusive eclesiástico, não pode deixar de sentir sobre si mesmo o aguilhão de Bergoglio, porque ele é e sempre será intérprete de quem não tem poder".

Dom Fernández recorda: "Em 2000, Bergoglio expressou um desejo: 'que o poder não seja um privilégio inexpugnável'. E isto vale para um presidente, para um governador ou para um homem de negócios, para um cardeal e para os membros da cúria romana".

O reitor considera, no entanto, que "uma certa afinidade com o peronismo existiu", na medida em que o peronismo "assumiu com força valores da doutrina social da Igreja", embora reconheça: "Isto não significa que Bergoglio tenha sustentado alguma vez algum poder político".

O teólogo também fala da pregação do papa sobre a pobreza: "Não é um amor ao sacrifício por si mesmo, nem uma obsessão pela austeridade", mas um despojar-se interior "voltado a colocar Deus e os outros no centro da própria vida". E enfatiza que "o papa Francisco não gosta dos 'padres príncipes', que tiram férias caras ou jantam nos melhores restaurantes, que ostentam objetos de ouro por cima das vestes ou que fazem contínuas visitas a pessoas poderosas".

Sobre a reforma na cúria romana, o arcebispo considera que o mais importante não é a simplificação da estrutura, "mas outras formas de participação (sínodos, conferências episcopais, consulta aos leigos), que, nos últimos anos, foram mais reais do que formais". Isto requer que alguns setores da cúria deixem de ser excessivamente jurídicos, inquisidores e ao mesmo tempo majestosos, "pois eles estão correndo o risco de se tornar autorreferenciais". O reitor da universidade comenta: "Algumas vezes, ouvi personalidades da cúria dizerem 'nós' sem incluírem toda a Igreja, nem sequer o papa, mas apenas a si mesmos".


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Análise
"Me amas? Apascenta as minhas ovelhas!" 
Sobre algumas críticas ao Papa Francisco

Por Andrea Filoscia


ROMA, 23 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Logo após a eleição do Papa Francisco conversávamos entre os amigos sobre os comentários positivos que surgiram da sua eleição, provenientes não só dos mais diversos ambientes eclesiais, como também das mais díspares áreas do pensamento laico e laicista.

Certamente o mais interessante foi notar que a sua figura atraía muitas pessoas até agora distantes de uma vida de fé regular ou de uma participação dos ritos da comunidade cristã; ao mesmo tempo foi evidente um grande entusiasmo dos pobres e dos pequenos, seja do sul do mundo que das nossas cidades, daqueles que estão acostumados a expressar uma fé simples.

Se nos perguntarmos sobre o significado dessa manifestação de entusiasmo, que podíamos chamar, por uma boa razão, de "universal", nos encontramos com uma pitada saudável de curiosidade, na espera de prováveis desapontamentos e de certas críticas que logo chegariam.

Papa Francisco nos últimos meses continua a surpreender-nos e a suscitar entusiasmo falando de pobreza, de periferias, de ovelhas e do seu fedor, mais do que de ovelhas imaculadas de certa holografia. Simbolicamente escolheu morar em um apartamento modesto, levar uma malinha para os seus traslados, quebrar as normas de segurança, telefonar para casas de simples fieis que se dirigiam a ele com as mais diversas súplicas. Mas junto com esses sinais retomados e transmitidos pelos meios de comunicação, em tantas ocasiões, certamente menos contado foi que nos recomendou a devoção a Maria, consagrando o Mundo inteiro à Nossa Senhora de Fátima. Chama a nossa atenção com anedotas e experiências pessoais da forma mais simples, tradicional, popular, de expressão do amor pelo Senhor. Reafirmou a sacralidade da vida de todo homem, especialmente dos não-nascidos, dos jovens e dos anciãos, que são o futuro e o passado, a esperança e a memória de cada nação e de cada sociedade.

Depois concedeu algumas entrevistas, se ofereceu para falar com alguns jornalistas, conservando também com eles o mesmo estilo imediato que não mede as palavras, que quer aquecer o coração do seu interlocutor para prepará-lo para receber a semente que ele lança, sem saber e sem perguntar-se se e quando brotará: podem imaginar Scalfari emocionado por causa do telefonema do Papa (ele mesmo disse), que não sabe quais palavras utilizar, que aceita o encontro, lugar, dia e hora, proposto pelo Papa Francisco sem complicações por compromissos anteriores?

E chegaram as críticas.

As primeiras vieram de dentro mesmo da Igreja e isso em si não é ruim, é sempre um sinal de atenção, por outro lado o Papa não é sempre infalível, na verdade só raramente fala ex cathedra, comprometendo-nos aos seguimento sem discussões, portanto, na maioria das vezes, especialmente quando o contexto é informal, quase confidencial (e Francisco muitas vezes se move nestes espaços), que é suficientemente formado e informado, suficientemente respeitável e especializado, com as devidas formas e com toda a caridade que é capaz, pode também fazer críticas, pedir esclarecimentos ou expressar perplexidades.

O que não é aceitável, e que é substancialmente risível, é acusar o Papa de intenções cismáticas ou de subversivo com relação ao Magistério.

Acho que Francisco quer deixar claro que a sua atenção é realmente cada um de nós, assim como a de Jesus, por isso interpreta o papel do Pontífice de modo literal, procura contatos pessoais de uma forma incrível, correndo o risco da simplificação, às vezes, até mesmo do equívoco, aproximando-se de cada um de acordo com a lei da gradualidade que, como nos ensinaram, não é a gradualidade da lei.

O próprio São Francisco foi ao Papa de joelhos, não fundou outra Igreja, mas esperou que o Papa, com o seu discernimento e com a ajuda do Espírito reconhecesse a extraordinária novidade da sua pregação, que o abençoasse e o enviasse ao mundo.

Realmente, algum de nós pensa ser mais inspirado?

De Paulo, de Apolo ou de Cefas, de João Paulo II, de Bento ou de Francisco: "Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro: tudo é vosso! Mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus" (1 Cor 22-23). Jesus é o fundamento, Ele é o Caminho, Ele escolheu Pedro, nós acreditamos que também escolheu Francisco. Por outro lado, ou é assim e temos que cerrar fileiras em torno a ele, ou não é assim e então tudo seria em vão, e até mesmo as nossas considerações e esclarecimentos!

Penso eu que três palavras deveriam estar impressas na nossa mente e no nosso coração depois destes primeiros meses de pontificado: ternura, custódia, misericórdia. Sobre cada uma, sabendo fazê-lo, poder-se-ia escrever muito, mas de forma essencial delineiam a fisionomia do "Homem Novo", exposto às intempéries do Mundo, parado na porta, mas acolhedor, guardião confiável porque forte, embora suave, capaz de perdão porque conhece bem a debilidade, que não se retira do encontro e do confronto porque "o Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei? O Senhor é a fortaleza da minha vida, de quem terei medo? " (Sl 26).

Cada Papa é o que tem que ser, porque, graças a Deus, não depende de nós.

***

Andrea Filoscia é Presidente da Associação Ciência e Vida de Viterbo, na Itália

[Este artigo também será publicado pela revista da diocese de Viterbo, Vita. Traduzido do original italiano por Thácio Siqueira]


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'A Lógica da Criação'


Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim




“Se não fosse a Santa Comunhão, eu estaria caindo continuamente. A única coisa que me sustenta é a Santa Comunhão. Dela tiro forças, nela está o meu vigor. Tenho medo da vida, nos dias em que não recebo a Santa Comunhão. Tenho medo de mim mesma. Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim. Do Sacrário tiro força, vigor, coragem e luz. Aí busco alívio nos momentos de aflição. Eu não saberia dar glória a Deus, se não tivesse a Eucaristia no meu coração.”



(Diário de Santa Faustina, n. 1037)

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