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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

[ZP131209] O mundo visto de Roma



Campanha de doações



Como acontece todos os anos no começo da campanha de doações, está acabando o dinheiro de Zenit. Ajude-nos a ter os recursos disponíveis para pagar nossos gastos de dezembro

Contamos com o apoio de todos os leitores na campanha de donativos que acabamos de lançar, para que ZENIT receba os fundos necessários para seguir adiante outro ano!

Como já sabe, ZENIT vive de sua generosidade!


Muito obrigado!
ZENIT
O mundo visto de Roma
Serviço semanal - 09 de Dezembro de 2013
Pensamento do dia, segunda-feira, 09 de Dezembro


"Sou todo teu, Maria, e tudo o que é meu é teu" 

São Luis María Grignon de Montfort (1673 - 1716) 


Preparação para o matrimônio 
Preparação próximo ao matrimônio: Os filhos 
Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais (CIC 2378) 
Doc. Papa Francisco 
Suprimindo a dimensão transcendente, uma cultura se empobrece 
Discurso do Papa Francisco por ocasião da Visita Ad Limina Apostolorum dos bispos dos Países Baixos 
Não é necessário se resignar à monotonia da vida cotidiana, mas cultivar grandes projetos 
Homilia do Santo Padre nas Vésperas do I Domingo de Advento com os universitários 
Papa Francisco 
Homilia do papa: rezar é incomodar a Deus até que ele nos escute 
O santo padre explica como rezar: com insistência e com a certeza de que Deus nos escuta e agirá, da sua maneira e no momento certo 
O Papa lamenta a morte de Nelson Mandela 
Em um telegrama de condolências, o Papa recorda a figura do líder Prêmio Nobel da Paz, um homem que gastou a vida para criar uma nova África do Sul 
Palavras cristãs sem Cristo enganam, fazem mal 
Em Santa Marta, o Papa Francisco adverte para o perigo de falar palavras boas, não fundamentadas na rocha, e que nos torna soberbos 
Francisco à Igreja holandesa: "estejam presentes no debate público" 
O Santo Padre encontra os bispos em visita ad limina. Dar a própria contribuição nos debates sobre família, matrimônio e fim da vida 
Santa Sé 
Texto completo da primeira pregação de Advento do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap. 
Francisco de Assis e a reforma da Igreja por meio da santidade 
São Francisco de Assis "nunca pensou ser chamado para reformar a Igreja", disse o pregador da casa Pontifícia 
Na primeira pregação do Advento, Pe. Raniero Cantalamessa explicou de que forma o patrono da Itália contribuiu para a reforma da Igreja 
Vaticano institui comissão para a proteção de crianças 
Papa Francisco aprova comissão responsável por pastoral de apoio às vítimas de abuso e cooperação com as autoridades civis. Consistório para criação de novos cardeais será dia 20 de fevereiro 
Último dia das reuniões do Conselho de Cardeais: em avaliação, a Cúria Romana 
Reuniões serão retomadas em fevereiro de 2014. Avaliadas na reunião de ontem a Congregação para as Causas dos Santos, a da Educação Católica e a da Evangelização dos Povos 
O Papa está cansado e adia a audiência com o cardeal Scola 
O anúncio foi feito pelo porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi. Ele confirmou que o encontro entre o Papa e o arcebispo de Milão será em janeiro 
Pregação Sagrada 
Homilética: Solenidade da Imaculada Conceição 
Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia dominical 
Igreja e Religião 
Onda de violência na Argentina: Igreja diz que causa não é pobreza, mas vandalismo 
Conferência Episcopal Argentina enviou mensagem ao arcebispo e à população de Córdoba expressando solidariedade e apoio 
Dom Pietro Parolin: "É muito fácil trabalhar com o papa Francisco" 
Novo secretário de Estado do Vaticano participa da apresentação de um livro do cardeal Maradiaga e confirma boa condição de saúde 
Ato ecumênico marca Natal iluminado em São Paulo 
Iniciativa partiu do convite feito pelo arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer 
Santo Sudário será exposto em 2015 
Iformação foi divulgada hoje pelo arcebispo de Turim, Cesare Nosiglia, guardião pontifício da relíquia 
Campanha da Fraternidade de 2014 será sobre Tráfico Humano 
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil abordará o tema pela primeira vez 
Santuário de Fátima reedita primeiro volume da Documentação Crítica de Fátima 
Projeto de investigação crítica das fontes documentais e informativas relacionadas com as aparições de 1917 em Fátima, iniciado em 1992 
Missa recorda os 450 anos do concílio de Trento 
O cardeal Brandmuller, enviado especial do papa Francisco, reitera a continuidade entre o concílio do século XVI e o Vaticano II 
Católicos e cristãos ortodoxos: juntos para defender a família 
Relações cada vez mais estreitas entre a Igreja católica na Polônia e a Igreja ortodoxa russa 
Cultura e Sociedade 
Espanha: socialistas querem denunciar os acordos do país com a Santa Sé 
Membros do partido admitem que não fizeram a denúncia durante o governo Zapatero porque a batalha da esquerda na época estava focada no direito ao aborto e ao casamento homossexual 
Croácia: 65% votam contra o casamento gay 
700 mil assinaturas foram coletadas para garantir a consulta popular 
Mundo 
Religiosas sequestradas na Síria estão bem 
Madre superiora fala ao telefone com o Patriarcado grego ortodoxo 
Renovado compromisso com a alfabetização no Brasil 
Movimento de Educação de Base utiliza método que parte de temas importantes para a comunidade 
JMJ Cracóvia 2016: P2P - People to people, prayer to prayer 
Organização lança campanha para começar a preparar a Jornada Mundial da Juventude 
Islâmicos sequestram doze religiosas ortodoxas 
Notícia foi confirmada por dom Mario Zenari, núncio do Vaticano em Damasco 
Regnum Christi: primeira assembleia geral das consagradas 
Delegado pontifício preside evento que vai até 18 de dezembro: 42 consagradas participam neste marco da renovação do movimento 
"No Natal, volte às origens": uma campanha em prol das crianças palestinas 
Iniciativa da ATS pro Terra Sancta quer ajudar as famílias de Belém 
Espiritualidade 
Natal com Jesus é Natal 
Não temeis, eis que vos anuncio uma Boa Nova: ... hoje vos nasceu o Salvador que é o Cristo Senhor (Lucas 2, 10 11) 
A confissão cura a alma 
Cardeal Mauro Piacenza convida todos os fiéis a viverem o sacramento da reconciliação, a começar pelos sacerdotes 
Análise 
A propagação da escravidão moderna 
Uma chaga que afeta dezenas de milhões de pessoas 
Audiência de quarta-feira 
O papa reza pelas freiras ortodoxas sequestradas na Síria por rebeldes islâmicos 
Audiência geral na praça de São Pedro: Francisco afirma que a ressurreição de Jesus é a prova da ressurreição dos mortos 
Creio na ressurreição da carne: verdade não simples e longe de ser óbvia 
Palavras do Papa Francisco pronunciadas durante a Audiência Geral desta quarta-feira 



Preparação para o matrimônio
Preparação próximo ao matrimônio: Os filhos 
Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais (CIC 2378)

Por André Parreira


SãO PAULO, 06 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Os noivos deverão ser instruídos sobre questões como a reta concepção de paternidade-maternidade responsável e o ato conjugal com as suas exigências e finalidades. (PSM35)

Em nosso último artigo (Edição do Zenit de 22 de Novembro de 2013) abordamos a dimensão da sexualidade na vida do casal como uma grande riqueza para eles, uma fonte de alegria e prazer (CIC2362). Contudo, os noivos precisam conhecer também uma dimensão muito maior, que é a importância da reta vivência da sexualidade para a Igreja e, assim, para o mundo. Precisam ter conhecimento que a vida sexual não se encerra na satisfação física do casal, sendo esta também um bem, mas paralelo. Ela deve refletir o grande compromisso dos cônjuges, que se tornam cooperadores de Deus na geração da vida.

Isto nos remete ao tema de Planejamento Familiar ou Paternidade Responsável, amplamente discutido na preparação próxima dos noivos. Mas, em muitos casos, temos visto o tema se reduzir à apresentação científica dos sistemas reprodutores masculino e feminino, seguida de uma aula sobre os métodos contraceptivos disponíveis no mercado. E o pior, como se fossem procedimentos normais, como uma rotina que vai se impondo em nossa sociedade: adiar ao máximo a chegada dos filhos e quando chegarem, que sejam poucos.

É fato que muitos noivos, especialmente os que não tiveram tal formação na idade escolar, precisam de uma visão geral sobre a reprodução. Para isto, a Igreja nos pede que a equipe de agentes tenha pessoas capacitadas para colaborar de forma consistente, apresentando também o aspecto biológico. "A preparação próxima deverá certamente prever que os noivos possuam os elementos basilares de caráter psicológico, pedagógico, legal e médico, concernentes ao matrimônio e à família." (Humanae Vitae 9)

Contudo, não se trata de momento meramente técnico. O documento Preparação para o Sacramento do Matrimônio recomenda que "os conteúdos, sem esquecer aspectos vários da psicologia, da medicina e de outras ciências humanas, devem ser centrados sobre a doutrina natural e cristã do matrimônio."(PSM48). Note, na citação, sobre onde devem ser centrados todos os temas. Isto nos provoca, mais uma vez, a refletir que a preparação dos noivos não é uma reunião para troca de ideias em concordância com tudo que circula em nosso mundo contemporâneo. Ela é, primeiramente, a palavra da Igreja que recebe, em seguida, contribuição da ciência.

Desta forma, falar em Paternidade Responsável é primeiro falar na beleza da abertura à vida, mostrando que "a fecundidade é um dom, um fim do matrimônio" (CIC2366). Se esta dimensão não for bem sedimentada, como os noivos poderão, durante a celebração do matrimônio, afirmar que estão dispostos a "receber com amor os filhos que Deus os confiar"?

E você, casado e agente na pastoral com noivos, está se lembrando disso?

Aqui entra a questão íntima do casal, que expressa a preocupação do tema Paternidade Responsável. A responsabilidade que nos é pedida pela Igreja fica muito bem explicada na Encíclica Humanae Vitae (que devia ser estudada por todos os casados e, muito mais, por aqueles que trabalham com casais!). Tanto a Encíclica com o Catecismo da Igreja Católica são claros ao mostrar que os casais têm a faculdade de espaçar o nascimento dos filhos quando há razões justas. Há que se ter muito cuidado para que uma mentira contada mil vezes não se torne uma verdade. Muitos propagam que a Humanae Vitae orienta que os casais podem escolher quantos filhos querem ter. Alguns até já casam com um número decidido: vamos ter x filhos... Mas a maravilhosa proposta que temos do Senhor é de administrar de forma consciente, o que significa que devemos ser abertos à vida e identificar, com responsabilidade, a necessidade de espaçar o nascimento, seja o espaço de um ano, dois ou vinte!

Isto me faz lembrar a pergunta que frequentemente escutamos, minha esposa e eu, sobre termos seis filhos: E agora, fechou a fábrica?

Sem dúvida, a geração da vida não tem nada de fábrica, de tão sagrada que é. Mas aproveito o termo popular para refletir que, se fosse uma fábrica, não poderia fechar, pois não é nossa. A missão que temos, como administradores, é organizar a produção, como uma linha de produção que vai mais rápida ou lentamente. As motivações para a velocidade da linha de produção são justamente as razões justas, como comenta a Igreja. E estas são questões pessoais e que não podem ser definidas por ninguém além do casal, mas que também não podem ser levadas pela correnteza do mundo que troca a geração de filhos por carro, casa de praia, títulos acadêmicos, carreira etc.

Precisamos testemunhar aos noivos que os filhos são dons, são bênçãos de Deus em qualquer momento que venham, sejam frutos de um desejo ou não. Assim, uma vez que se apresente de forma clara e profunda o que representa um filho para o casal e para a Igreja, os agentes precisam partir para a forte defesa dos meios adequados para que os noivos busquem organizar seus justos planos, mas ainda assim abertos à vida. Não podemos deixar de mostrar, sem receio algum, que a Igreja tem motivos bastante sólidos para dizer que somente é digno e moralmente aceitável o recurso aos métodos naturais. E que usar método natural não é atitude de gente sem instrução, mas de quem aceita o projeto de Deus. Alem disso, é a palavra da Igreja, que não relativiza, não aprova outras opções e nem transfere a bispos e padres a capacidade de aprovar que seus féis usem outras alternativas.

Veja a clareza da afirmação que nos faz o documento Preparação para o Sacramento do Matrimônio (PSM): "Hoje está firmemente reconhecida a base científica dos métodos naturais de regulação da fertilidade. É útil o seu conhecimento; o seu emprego, quando existam causas justas, não deve permanecer mera técnica de comportamento, mas deve ser inserido na pedagogia e no processo de crescimento do amor. É então que a virtude da castidade entre os cônjuges leva a viver a continência periódica." (PSM35)

Enquanto agentes, precisamos aprofundar no estudo destas questões que, sem dúvidas, são das mais desafiadoras nos cursos de noivos. Devemos ter segurança para explicar que o fato de todo ato matrimonial dever permanecer aberto a vida não significa que a relação exista somente para a procriação. Sabemos das funções "unitiva e procriativa", mas não podemos criar barreiras à natureza criada por Deus, apenas podemos buscar entende-la e fazer uso dela. Pois, "Deus dispôs com sabedoria leis e ritmos naturais de fecundidade, que já por si mesmos distanciam o suceder-se dos nascimentos. Mas, chamando a atenção dos homens para a observância das normas da lei natural, interpretada pela sua doutrina constante, a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida" (Humanae Vitae 11).

Não se trata de uma mensagem difícil, reservada somente aos intelectuais. Pelo contrário, pode e deve ser dita de forma simples e acessível. Em geral, não há tempo suficiente nos cursos/encontros de noivos para aprofundamento, mas a orientação dos agentes e, mais importante, seus testemunhos, são a ponto de partida para que os noivos se encantem por este projeto de vida.

E você e sua equipe, que documentos da Igreja você já estudou ou está estudando para apoiar seu trabalho pastoral?

Paz e bem!

André Parreira (alparreira@gmail.com), da diocese de São João del-Rei-MG, é autor de livros sobre a preparação para o matrimônio e responsável no Brasil pelo DVD "Sim, Aceito!", lançado em parceria com a Pastoral Familiar da CNBB. Empresário, casado e pai de 6 filhos, colabora na formação de jovens e casais e é colunista colaborador de ZENIT.


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Doc. Papa Francisco
Suprimindo a dimensão transcendente, uma cultura se empobrece 
Discurso do Papa Francisco por ocasião da Visita Ad Limina Apostolorum dos bispos dos Países Baixos


ROMA, 03 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Apresentamos o discurso pronunciado pelo Papa Francisco aos bispos dos Países Baixos, por ocasião da Visita "Ad Limina Apostolorum" realizada nesta segunda-feira, 2 de dezembro, no Palácio Apostólico Vaticano.

Queridos irmãos no Episcopado,

Nestes dias nos quais vocês realizam a vossa visita ad limina Apostolorum, saúdo cada um de vocês com afeto no Senhor e vos asseguro a minha oração para que esta peregrinação seja roca de graça e fecunda para a Igreja nos Países Baixos. Obrigado. Obrigado, querido Cardeal Willem Jacobus Eijk, pelas palavras que me dirigiu em nome de todos!

Permitam-me, antes de tudo, exprimir o meu reconhecimento pelo serviço de Cristo e do Evangelho que vocês realizam para o povo que vos foi confiado, em circunstâncias muitas vezes árduas. Não é fácil conservar a esperança nas dificuldades que vocês devem enfrentar! O exercício colegial do vosso ministério episcopal, em comunhão com o Bispo de Roma, é uma necessidade para fazer crescer esta esperança, em um diálogo verdadeiro e uma colaboração efetiva. Fará bem a vocês olhar com confiança aos sinais de vitalidade que se manifestam nas comunidades cristãs das vossas dioceses. São sinais da presença ativa do Senhor em meio aos homens e mulheres do vosso país que esperam autênticos testemunhos da esperança que nos faz viver, aquela que vem de Cristo.

A Igreja, com paciência materna, prossegue os seus esforços para responder às inquietações de tantos homens e mulheres que experimentam a angústia e o desencorajamento diante do futuro. Com os vossos sacerdotes, os vossos colaboradores diretos, vocês querem se fazer próximos às pessoas que sofrem do vazio espiritual e que estão em busca de sentido para suas vidas, mesmo se nem sempre o saibam exprimir. Como acompanhá-los fraternalmente nesta busca, se não se colocando em escuta para partilhar com eles a esperança, a alegria, a capacidade de seguir adiante que Jesus Cristo nos dá?

Por isso, a Igreja procura propor a fé de maneira autêntica, compreensível e pastoral. O Ano da Fé foi uma feliz oportunidade para manifestar como o conteúdo da fé pode alcançar cada homem. A antropologia cristã e a doutrina social da Igreja fazem parte do patrimônio de experiência e de humanidade sobre o qual se funda a civilização européia e essas podem ajudar a reafirmar concretamente o primado do homem sobre técnicas e sobre estruturas. E este primado do homem pressupõe a abertura à transcendência. Ao contrário, suprimindo a dimensão transcendente, uma cultura se empobrece, enquanto essa deveria mostrar a possibilidade de conectar em constante harmonia fé e razão, verdade e liberdade. Assim, a Igreja não propõe somente as verdades morais imutáveis e atitudes contracorrente no que diz respeito ao mundo, mas propõe as como a chave do bem humano e do desenvolvimento social. Os cristãos têm uma missão própria para concentrar-se neste desafio. A educação das consciências torna-se então prioritária, especialmente mediante a formação do juízo crítico, embora tendo uma abordagem positiva sobre realidades sociais; se evitará, assim, a superficialidade dos juízos e a resignação à indiferença. Depois, isso requer que os católicos, sacerdotes, pessoas consagradas, leigos adquiram uma formação sólida e de qualidade. Encorajo-vos vivamente a unir os vossos esforços para responder a esta necessidade e permitir um melhor anúncio do Evangelho. Neste contexto, o testemunho e o compromisso dos leigos na Igreja e na sociedade têm um papel importante e devem ser fortemente apoiadas. Todos nós batizados somos convidados a ser discípulos-missionários, lá onde estamos!

Em vossa sociedade, fortemente marcada pela secularização, encorajo-vos também a estar presente no debate público, em todas as áreas em que está em causa o homem, para tornar visível a misericórdia de Deus, e sua ternura por todas as criaturas. No mundo de hoje, a Igreja tem o dever de repetir incansavelmente as palavras de Jesus: "Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mt 11, 28). Mas nos perguntemos: quem nos encontra, que encontra um cristão, percebe algo da bondade de Deus, a alegria de ter encontrado Cristo? Como afirmei frequentemente, a partir da experiência autêntica do ministério episcopal , a Igreja não se expande por proselitismo, mas por atração. Ela é enviado por todo o mundo para acordar, despertar, manter a esperança! Daí a importância de incentivar aos seus fiéis a acolherem as ocasiões de diálogo, tornando-se presentes nos lugares onde se decide o futuro, levando assim uma contribuição aos debates sobre as grandes questões sociais relativas, por exemplo, a família, o matrimônio, o fim da vida.

Hoje, mais do que nunca, se sente a necessidade de avançar no caminho do ecumenismo, convidando a um verdadeiro diálogo que procure os elementos da verdade e da bondade, e ofereça respostas inspiradas no Evangelho. O Espírito Santo nos impulsiona a sair de nós mesmos e ir em direção aos outros! Em um país rico, sob diversos aspectos, a pobreza afeta um número cada vez maior de pessoas. Valorizem a generosidade dos fiéis para trazer luz e compaixão de Cristo nos lugares em que se espera, em particular, para as pessoas mais marginalizadas! Além disso, a escola católica, proporcionando aos jovens uma sólida educação, continuará a favorecer a formação humana e espiritual, num espírito de diálogo e de fraternidade com aqueles que não compartilham sua fé. Portanto, é importante que os jovens cristãos recebam uma catequese de qualidade, que sustente a fé que possuem, e o leve a encontrar Cristo. Formação sólida e espírito de abertura ! Eis como a Boa Notícia continua a difundir-se.

Vós sabeis bem que o futuro e a vitalidade da Igreja nos Países Baixos depende também das vocações sacerdotais e religiosas! É urgente suscitar uma pastoral vocacional vigoroso e atraente, e também a busca comum de como acompanhar o amadurecimento humanoe espiritual dos seminaristas. Que eles vivam uma relação pessoal com o Senhor, isso será a base de toda a vida sacerdotal deles! Sentimos também a urgência de rezar pelo Dono da messe!

A redescoberta da oração sob diversas formas e, particularmente, a adoração eucarística, é uma motivo de esperança que faz a Igreja a crescer. Como é importante e imprescindível estar perto de vossos presbíteros, disponíveis a cada um de vossos sacerdotes, para apoiá-los e orientá-los, se eles precisarem! Como pais, encontrem tempo para recebê-los e ouvi-los, sempre que eles pedirem. E não se esqueçam também de ir ao encontro daqueles que não se aproximam, pois alguns deles, infelizmente, não cumprem bem os seus compromissos. De um modo muito particular, desejo exprimir a minha compaixão e garantir-vos a minha oração por cada vítima de abusos sexuais e às suas famílias. Peço-vos para continuar a apoiá-los no doloroso caminho de cura, realizado com coragem. Estejam atentos para responder ao desejo de Cristo, o Bom Pastor, tenham um coração para defender e fazer crescer toda a unidade em todos e entre todos.

Para concluir, gostaria dar graças, convosco, pelos sinais de vitalidade com que o Senhor abençoou a Igreja que está nos Países Baixos, neste contexto, que nem sempre é fácil. Ele vos encoraje e vos confirme na delicada missão de guiar as vossas comunidades no caminho da fé e da unidade, da verdade e da caridade. Eu confio a vós, os sacerdotes, as pessoas consagradas e fiéis leigos das vossas Dioceses à proteção da Virgem Maria, Mãe da Igreja, de coração dou a minha Bênção Apostólica, penhor de paz e alegria espiritual e fraternalmente , peço que não se esqueçam de rezar para mim!

(Tradução: CN notícias)


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Não é necessário se resignar à monotonia da vida cotidiana, mas cultivar grandes projetos 
Homilia do Santo Padre nas Vésperas do I Domingo de Advento com os universitários


CIDADE DO VATICANO, 02 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - O Papa Francisco presidiu a oração das Primeiras Vésperas do I Domingo de Advento, na tarde deste sábado, 30 de novembro, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, com os estudantes das Universidades de Roma.


Segue, na íntegra, a homilia do Santo Padre

Renova-se hoje o tradicional encontro de Advento com os estudantes das Universidades de Roma, aos quais se unem os reitores e professores das Universidades romanas e italianas. Saúdo cordialmente a todos: o Cardeal Vigário, os Bispos, as autoridades acadêmicas e institucionais, os assistentes das Capelanias e grupos universitários. Saúdo particularmente vocês, queridos universitários e universitárias.

O augúrio que São Paulo dirige aos cristãos de Tessalônica, para que Deus possa santificá-los até a perfeição, por um lado mostra a sua preocupação com sua santidade de vida colocada em perigo, e de outro uma grande confiança na intervenção do Senhor. Esta preocupação do Apóstolo é válida também para nós cristãos de hoje. A plenitude da vida cristã que Deus realiza nos homens, na verdade, está sempre ameaçada pela tentação de ceder ao espírito mundano. Por isso, Deus nos doa a sua ajuda mediante a qual podemos preservar os dons do Espírito Santo, a nova vida no Espírito que Ele nos deu. Conservando esta "linfa" saudável em nossa vida, todo o nosso ser, espírito, alma e corpo, se conserva irrepreensível, na posição vertical. Mas por que Deus, depois de ter concedido seus tesouros espirituais, ainda tem de intervir para mantê-los íntegros? Porque somos fracos, a nossa natureza humana é frágil e os dons de Deus são preservados em nós como em "vasos de argila".

A intervenção de Deus em favor de nossa perseverança até o fim, até o encontro definitivo com Jesus, é expressão de sua fidelidade. Ele é fiel primeiramente a si mesmo. Portanto, a obra que começou em cada um de nós, com seu chamado, Ele a levará até o fim. Isso nos dá segurança e grande confiança: uma confiança que se apoia em Deus e exige nossa colaboração ativa e corajosa para enfrentar os desafios do momento presente.

Queridos jovens universitários, a sua vontade e suas capacidades, unidas ao poder do Espírito Santo que habita dentro de cada um de vocês desde o dia de seu Batismo, permitem que vocês sejam não espectadores, mas protagonistas dos acontecimentos contemporâneos.

São vários os desafios que vocês jovens estudantes universitários são chamados a enfrentar com coragem interior e audácia evangélica. O contexto sociocultural em que vocês estão inseridos às vezes sofre o peso da mediocridade e do tédio. Não é necessário se resignar à monotonia da vida cotidiana, mas cultivar grandes projetos, ir além do comum: não lhes deixem roubar o entusiasmo juvenil! Seria um erro também deixar-se aprisionar pelo pensamento fraco e pelo pensamento uniforme, bem como pela globalização entendida como homologação. Para superar estes riscos, o modelo a seguir não é da esfera na qual está nivelada toda saliência e desaparece toda diferença; o modelo é do poliedro que inclui uma multiplicidade de elementos e respeita a unidade na variedade.

O pensamento, de fato, é fecundo quando é expressão de uma mente aberta, que discerne sempre iluminada pela verdade, pelo bem e pela beleza. Se vocês não se deixarem condicionar pela opinião dominante, mas permanecerem fiéis aos princípios éticos e religiosos cristãos, vocês encontrarão a coragem para caminhar até mesmo contracorrente. Num mundo globalizado, vocês poderão contribuir para salvar peculiaridade e características próprias, buscando, porém não baixar o nível ético. De fato, a pluralidade de pensamento e de individualidade reflete a multiforme sabedoria de Deus, quando se aproxima da verdade com honestidade e rigor intelectual, de modo que cada um pode ser um dom para o benefício de todos.

O compromisso de caminhar na fé e se comportar de maneira coerente com o Evangelho acompanhe vocês neste tempo de Advento, para viver de maneira autêntica a festa do Natal do Senhor. Pode ajudá-los o belo testemunho do Beato Pier Giorgio Frassati, que dizia: "Viver sem uma fé, sem um patrimônio para defender, sem apoiar numa luta contínua a verdade, não é viver, mas com viver com dificuldade. Nós não deveríamos viver com dificuldade, mas viver".

Obrigado e boa caminhada rumo a Belém!

(Fonte: Rádio Vaticana/Red ZENIT. MEM)


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Papa Francisco
Homilia do papa: rezar é incomodar a Deus até que ele nos escute 
O santo padre explica como rezar: com insistência e com a certeza de que Deus nos escuta e agirá, da sua maneira e no momento certo

Por Redacao


ROMA, 06 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Durante a homilia desta manhã na Casa Santa Marta, o santo padre nos convidou a rezar com insistência e com a certeza de que Deus escutará a nossa oração. Ele explicou que a oração tem duas características: a "necessidade" e ao mesmo tempo a "certeza" de que Deus, no seu tempo e do seu jeito, satisfará a nossa necessidade.

Quando é verdadeiramente cristã, a oração oscila entre a necessidade e a certeza de ser atendida, embora não se saiba exatamente quando. Quem reza não teme "incomodar" a Deus e nutre uma confiança cega em seu amor de Pai. Confiança como a dos dois cegos da passagem do evangelho de hoje, que gritam atrás de Jesus para mostrar a sua necessidade de cura. Ou como o cego de Jericó, que invoca a intervenção do Mestre gritando mais alto que aqueles que o mandam calar a boca. O santo padre recorda que o próprio Jesus nos ensinou a rezar como "o amigo incômodo", que mendiga comida à meia-noite, ou como "a viúva que procura o juiz corrupto".

Francisco afirmou: "Não sei se isto soa mal, mas rezar é mais ou menos como incomodar a Deus até que ele nos escute. Mas é nosso Senhor quem diz: como o amigo à meia-noite, como a viúva diante do juiz... É atrair os olhos, atrair o coração de Deus para nós... E os leprosos que foram falar com ele também fizeram isto: 'Se quiseres, podes me curar'. Eles agiram com um grau de certeza. É assim que Jesus nos ensina a rezar. Quando nós rezamos, pensamos às vezes: 'Mas eu falo desta necessidade, eu falo para Deus uma, duas, três vezes, mas não com muita força. Depois me canso de pedir e me esqueço de pedir'. Eles não: eles gritavam e não se cansavam de gritar. Jesus nos diz: 'Peçam', mas também nos diz: 'Batam à porta'. E quem bate à porta incomoda, perturba".

Insistir a ponto até de incomodar, mas com uma certeza inquebrantável: o santo padre observou que "a oração tem essas duas atitudes: a necessidade e a certeza. Oração de necessidade sempre: a oração, quando pedimos algo, é de necessidade: 'Eu tenho esta necessidade, Senhor, escuta'. Mas também, quando é verdadeira, ela tem certeza; 'Escuta, Senhor! Eu acredito que tu podes fazer isso porque tu prometeste".

"Ele prometeu": esta é a pedra angular em que se apoia a certeza de uma oração. Francisco recordou que, "com esta certeza, nós contamos para Deus as nossas necessidades, convictos de que Ele pode atender". E completou: rezar é sentir que Jesus nos dirige a pergunta dos dois cegos: 'tu acreditas que eu posso fazer isso?'.

Para terminar, o santo padre explicou que "Deus pode. Quando e como, não sabemos. Esta é a certeza da oração. A necessidade de dizer a verdade a Deus. 'Sou cego, Senhor. Tenho esta necessidade. Tenho esta doença. Tenho este pecado. Tenho este sofrimento...', mas sempre a verdade, do jeito que ela é. E ele sente a necessidade, mas sente que nós pedimos a sua ajuda com certeza. Vamos pensar nisto: se a nossa oração é de necessidade e de certeza. De necessidade porque nos dizemos a verdade para nós mesmos, e de certeza porque acreditamos mesmo que Deus pode fazer aquilo que pedimos".


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O Papa lamenta a morte de Nelson Mandela 
Em um telegrama de condolências, o Papa recorda a figura do líder Prêmio Nobel da Paz, um homem que gastou a vida para criar uma nova África do Sul

Por Redacao


ROMA, 06 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - O mundo inteiro está de luto pela morte de Nelson Mandela, o histórico líder sul- Africano que morreu ontem aos 95 anos, em Pretória . Até o Papa Francisco quis expressar suas condolências recordando em um telegrama um homem que gastou a vida para criar uma "nova África do Sul", na qual todos os cidadãos tivessem igual dignidade. Na mensagem enviada ao Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, o Papa enviou suas "condolências e orações" para a família do Prêmio Nobel da Paz, ao governo e a todo o povo da África do Sul .

O Santo Padre encomendou "a alma do falecido à infinita misericórdia de Deus Todo-Poderoso", pedindo ao Senhor "para confortar e dar força a todos os que choram a sua perda". Logo prestou homenagem ao "compromisso permanente" e à "firme determinação" demonstrada por Mandela "de promover a dignidade humana de todos os cidadãos da nação e na formação de uma nova África do Sul construída sobre sólidos fundamentos da não-violência, a reconciliação e a verdade".

Finalmente, Papa Francisco elevou ao Senhor uma oração para que "o exemplo do defunto presidente possa inspirar gerações da África do Sul para colocar a justiça e o bem comum na vanguarda das suas aspirações políticas". "Com estes sentimentos - concluiu – invoco para todo o povo da África do Sul os dons divinos da paz e da prosperidade"

(Red.TS)


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Palavras cristãs sem Cristo enganam, fazem mal 
Em Santa Marta, o Papa Francisco adverte para o perigo de falar palavras boas, não fundamentadas na rocha, e que nos torna soberbos

Por Salvatore Cernuzio


ROMA, 05 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Enquanto, na sala ao lado, os oito cardeais davam prosseguimento aos trabalhos para a Reforma da Cúria romana, o Papa Francisco também continuava, na Capela Santa Marta, uma obra de reforma. Não dos Dicastérios, mas da consciência do cristão. Na missa celebrada esta manhã, o Santo Padre destacou um aspecto do 'ser cristão' que há alguns meses ele já havia admoestado durante suas homilias matutinas: "ser cristão sem Cristo", ou seja, pronunciar palavras boas, mas não colocá-las em prática, fazendo mal a si mesmo e aos outros.

Em sua reflexão, citando a liturgia do dia, Francisco destacou que Jesus repreende os fariseus, que conheciam os mandamentos, mas não os praticavam em suas vidas. O que sai da boca dos fariseus "são palavras boas, mas se não são colocadas em prática não servem a nada e fazem mal, enganam, nos fazem acreditar que temos uma casa bonita, mas sem fundamento".

A figura da casa que não é construída sobre a rocha, explica Francisco, "se refere ao Senhor". Isaías, na primeira leitura, afirma: Confiem no Senhor sempre, pois o Senhor é uma rocha eterna. A rocha é Jesus Cristo! A rocha é o Senhor! Exclama o Papa explicando que: "Uma palavra é forte, dá vida, pode ir em frente, pode resistir a todos os ataques, se tem suas raízes em Jesus Cristo. Uma palavra cristã que não tem suas raízes vitais, na vida de uma pessoa, em Jesus Cristo, é uma palavra cristã sem Cristo!" E as palavras cristãs sem Cristo enganam, fazem mal!"

O Papa aprofundou o conceito citando um escritor inglês que falando sobre heresias disse: "uma heresia é uma verdade, uma palavra, uma verdade que se tornou louca". "Quando as palavras cristãs são sem Cristo iniciam a caminhar na estrada da loucura", destaca Bergolgio.

Com efeito, essa loucura nos conduz ao pecado de orgulho e soberba. "Uma palavra cristã sem Cristo leva à vaidade, à segurança de si mesmo, ao orgulho e ao poder pelo poder".

"O Senhor derruba essas pessoas". A história da salvação demonstra isso constantemente. E recorda ainda Bergolgio: "É o que diz Ana, a mãe de Samuel, diz Maria no Magnificat: o Senhor derrubou a vaidade, o orgulho daquelas pessoas que acreditam ser rocha".

O Senhor humilha "essas pessoas que só vão atrás de uma palavra", até mesmo uma palavra cristã, mas pronunciada "sem o relacionamento com Jesus Cristo, sem a oração com Jesus Cristo, sem o serviço a Jesus Cristo e sem o amor a Jesus Cristo".

O Papa acrescenta que o "Senhor nos diz hoje para construir a nossa vida sobre esta rocha e a rocha é Ele". "Nos fará bem fazer um exame de consciência", para entender "como são as nossas palavras, se são palavras "que se consideram potentes, ou se são "palavras com Jesus Cristo"."Refiro-me às palavras cristãs, porque quando não há Jesus Cristo até mesmo essas palavras nos dividem, causam divisão na Igreja".

Ao terminar a homilia, como de costume, o Papa indicou uma graça a ser pedida. "Hoje, peçamos ao Senhor a graça de nos ajudar nesta humildade que devemos ter sempre, de dizer palavras cristãs em Jesus Cristo e não sem Ele. Com a humildade de ser discípulos salvos e ir em frente não com palavras que, considerando-se poderosas, terminam na loucura da vaidade, na loucura do orgulho, mas de dizer palavras com Jesus Cristo, fundadas Nele." 

(Trad.:MEM)


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Francisco à Igreja holandesa: "estejam presentes no debate público" 
O Santo Padre encontra os bispos em visita ad limina. Dar a própria contribuição nos debates sobre família, matrimônio e fim da vida

Por Redacao


ROMA, 02 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - O Santo Padre recebeu hoje os bispos holandeses, que estão em Roma em visita Ad Limina. "Não é fácil manter a esperança nas dificuldades que devem enfrentar", exclamou Francisco no começo do seu discurso.

Falando sobre a situação concreta da Holanda, o santo padre observou que "nesta sociedade, fortemente marcada pela secularização, incentivo vocês a estarem presentes no debate público, em todos os ambientes nos quais está em causa o homem, para tornar visível a misericórdia de Deus, na sua ternura para com todas as criaturas". E lembrou que "a Igreja não se espalha por proselitismo, mas por atração". A partir daqui – continuou o santo padre – a importância de "animar os vossos fieis a aproveitar as oportunidades de diálogo, estando presentes em lugares onde o futuro é decidido; poderão assim levar a sua contribuição nos debates sobre as grandes questões sociais relacionadas por exemplo à família, ao matrimônio, ao fim da vida".

É interessante notar que apenas alguns dias atrás, no país vizinho da Bélgica, foi aprovado a extensão da lei da eutanásia aos menores de idade, embora a proposta ainda deva ser ratificada no plenário.

Por outro lado, o papa lembrou que hoje mais do que nunca "sente-se a necessidade de avançar no caminho do ecumenismo convidando a um verdadeiro diálogo que procure os elementos de verdade e de bondade e ofereça respostas inspiradas no Evangelho". O Espírito – afirmou – nos empurra a sair de nós mesmos para ir aos outros.

Voltando à situação da Holanda, Francisco destacou que "em um país rico em muitos aspectos, a pobreza toca um crescente número de pessoas". Por isso, exortou-lhes a "valorizar a generosidade dos fieis para levar a luz e a compaixão de Cristo nos lugares onde a esperam e especialmente às pessoas mais marginalizadas". Além do mais, lembrou que o trabalho da escola católica, que dá aos jovens uma educação sólida, continuará favorecendo sua formação humana e espiritual, em um espírito de diálogo e de fraternidade com os que não compartilham da sua fé.

Ainda assim, o santo padre chamou a atenção para a urgência da criação de uma pastoral vocacional forte e atraente, bem como a busca comum de como acompanhar a maturidade humana e espiritual dos seminaristas. Da mesma forma, ressaltou a importância de que os prelados estejam perto do seu presbitério, disponíveis para cada um dos seus sacerdotes para apoiá-los e guia-los quando precisem. Também lhes disse que não podem esquecer de ir ao encontro daqueles que não se aproximam.

De um modo particular, Francisco expressou sua compaixão e assegurou sua oração para cada uma das vítimas dos abusos sexuais e seus familiares. Assim, o papa lhes pediu para que "continuem ajudando-as no seu doloroso caminho de cura empreendido com valor".

Da mesma forma, destacou que o exercício colegial do seu ministério episcopal, em comunhão com o bispo de Roma, "é uma necessidade para fazer crescer a esperança em um verdadeiro diálogo e uma colaboração efetiva". Por isso, destacou, "lhes fará bem olhar com confiança aos sinais de vitalidade que se manifestam nas comunidades cristãs das vossas dioceses. São sinais da presença ativa do Senhor em meio aos homens e mulheres do vosso país que esperam encontrar autênticas testemunhas da esperança que nos faz viver, a que vem de Cristo".

O Santo Padre destacou que a igreja, com paciência maternal" continua seus esforços para responder às preocupações de tantos homens e mulheres que experimentam a angústia e o desespero de cara ao futuro".

Por outro lado, afirmou que " a antropologia cristã e a doutrina social da Igreja fazem parte do patrimônio de experiência e de humanidade em que a civilização europeia está fundada" e exortou-lhes a convidar os homens a abrirem-se à dimensão de transcendência sem a qual "uma cultura se empobrece".

Para concluir, o pontífice agradeceu pelos sinais de vitalidade com os que o Senhor abençoou a Igreja que está nos Países Baixos, neste contexto "que não é sempre fácil".

(Trad.TS)


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Santa Sé
Texto completo da primeira pregação de Advento do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap. 
Francisco de Assis e a reforma da Igreja por meio da santidade

Por Redacao


ROMA, 06 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Na manhã desta sexta-feira o pregador da casa pontifícia, Pe. Raniero Cantalamessa, OFM, Cap, dirigiu a primeira pregação de Advento. Publicamos a seguir o texto na íntegra:

***

Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap.

Primeira pregação de Advento

FRANCISCO DE ASSIS E A REFORMA DA IGREJA POR MEIO DA SANTIDADE

O propósito destas três meditações do Advento é preparar-nos para o Natal na companhia de Francisco de Assis. Dele, nesta primeira meditação, gostaria de destacar a natureza do seu retorno ao Evangelho. O teólogo Yves Congar, em seu estudo sobre "Verdadeira e falsa reforma na Igreja" vê em Francisco o exemplo mais claro de reforma da Igreja pelo caminho da santidade[1]. Gostaríamos de procurar compreender em que consistiu a sua reforma pelo caminho da santidade e o que o seu exemplo implica para cada época da Igreja, inclusive a nossa.

1. A conversão de Francisco

Para entender um pouco da aventura de Francisco é preciso partir da sua conversão. Desse evento existem, nas fontes, diferentes descrições com notáveis diferenças entre si. Felizmente temos uma fonte absolutamente confiável que nos dispensa de escolher entre as várias versões. Temos o mesmo testemunho de Francisco no seu Testamento, a sua ipsissima vox, como se diz das palavras certamente ditas por Cristo no Evangelho. Diz:

«O Senhor concedeu a mim, irmão Francisco, que começasse a fazer penitência assim: quando eu estava nos pecados parecia-me muito amargo ver os leprosos: e o próprio Senhor conduziu-me entre eles e fui misericordioso para com eles. E ao afastar-me deles, o que me parecia amargo foi-me trocado por doçura de alma e corpo. E, depois, demorei só um pouco e saí do mundo" » (FF 110). 

É sobre esse texto que justamente se baseiam os historiadores, mas com um limite intransponível para eles. Os historiadores, mesmo os mais bem intencionados e mais respeitosos com as peculiaridades da vida de Francisco, como era, entre os italianos Raoul Manselli, não conseguem entender o porquê último da sua mudança radical. Detêm-se – e com razão, por causa do seu método - na porta, falando de um "segredo de Francisco", destinado a permanecer assim para sempre.

O que se consegue constatar historicamente é a decisão de Francisco de mudar o seu status social. De pertença à classe superior, que contava na cidade por nobreza e riqueza, ele escolheu colocar-se no extremo oposto, compartilhando a vida dos últimos, daqueles que não eram nada, os assim chamados "menores", atingidos por todos os tipos de pobreza.

Os historiadores justamente insistem no fato de que Francisco não escolheu a pobreza e muito menos o pauperismo; escolheu os pobres! A mudança é motivada mais pelo mandamento; "Ama o teu próximo como a ti mesmo", que pelo conselho: "Se queres ser perfeito, vai', vende tudo o que tens e dá aos pobres, depois vem e segue-me". Era a compaixão pela pobre gente, mais do que a busca da própria perfeição que o movia, a caridade mais do que a pobreza.

Tudo isso é verdade , mas ainda assim não toca o fundo do problema. É o efeito da mudança, não a sua causa. A escolha verdadeira é muito mais radical: não se tratou de escolher entre riqueza e pobreza, nem entre ricos e pobres, entre a pertença a uma classe mais do que a outra, mas de escolher entre si mesmo e Deus, entre salvar a própria vida ou perdê-la pelo Evangelho.

Houve alguns (por exemplo, em tempos mais recentes, Simone Weil ), que chegaram a Cristo por meio do amor aos pobres e houve outros que chegaram aos pobres partindo do amor por Cristo. Francisco pertence a este segundo grupo. A razão profunda da sua conversão não é de natureza social, mas evangélica. Jesus tinha formulado a lei uma vez por todas com uma das frases mais solenes e mais certamente autênticas do Evangelho:

"Se alguém quer vir após mim , negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá , mas quem perder a sua vida por minha causa a encontrará " (Mt 16 , 24-25) .

Francisco, beijando o leproso, negou-se a si mesmo naquilo que era mais "amargo" e repugnante à sua natureza. Fez violência a si mesmo. O detalhe não escapou ao seu primeiro biógrafo que descreve assim o episódio:

"Um dia um leproso parou diante dele: fez violência a si mesmo, aproximou-se dele e o beijou. A partir daquele momento decidiu desprezar-se sempre mais, até que pela misericórdia do Redentor obteve plena vitória"[2].

Francisco não foi voluntariamente aos leprosos, motivado por humana e religiosa compaixão. "O Senhor, escreve, levou-me no meio deles". É nesse pequeno detalhe que os historiadores não sabem – nem poderiam – dar um juízo, e de fato é a origem de tudo. Jesus tinha preparado o seu coração para que a sua liberdade, no momento certo, respondesse à graça. O sonho de Spoleto tinha servido para isso e a pergunta de se preferia servir o servo ou o patrão, a doença, a prisão em Perugia e aquele mal-estar estranho que não lhe permitia mais encontrar alegria nas diversões e lhe fazia procurar lugares solitários.

Embora sem pensar que se tratasse de Jesus em pessoa sob as aparências de um leproso (como mais tarde tentou-se fazer, pensando no caso análogo da vida de São Martinho de Tours[3]), naquele momento o leproso para Francisco representava em todos os aspectos Jesus. Não tinha ele dito: "O fizestes comigo"? Naquele momento escolheu entre si mesmo e Jesus. A conversão de Francisco é da mesma natureza daquela de Paulo. Para Paulo, em um certo momento, aquilo que antes tinha sido "lucro" mudou e tornou-se "perda", "por amor de Cristo" (Fil 3, 5ss); para Francisco aquilo que tinha sido amargo converteu-se em doçura, também aqui "por Cristo". Depois deste momento, ambos podem dizer: "Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim".

Tudo isso nos obriga a corrigir uma certa imagem de Francisco popularizada pela literatura posterior e aceita por Dante na Divina Comedia. A famosa metáfora das núpcias de Francisco com a Senhora Pobreza que deixou marcas profundas na arte e na poesia franciscanas pode ser enganosa. Não apaixona-se por uma virtude, nem mesmo pela pobreza; apaixona-se por uma pessoa. As núpcias de Francisco foram, como aquelas de outros místicos, um casamento com Cristo.

Aos companheiros que lhe perguntavam se ele pretendia ter uma mulher, vendo-o uma noite estranhamente ausente e brilhante, o jovem Francisco respondeu : "Terei a esposa mais nobre e bela que vocês jamais viram". Esta resposta é muitas vezes mal interpretada. Do contexto aparece claro que a esposa não é a pobreza, mas o tesouro escondido e a pérola preciosa, ou seja, Cristo. "Esposa, comenta Celano que narra o episódio, é a verdadeira religião que ele abraçou; e o reino dos céus é o tesouro escondido que ele procurou"[4].

Francisco não se casou com a pobreza, nem sequer com os pobres; casou-se com Cristo e foi por amor a ele que se casou, por assim dizer "em segundas núpcias" com a Senhora pobreza. Assim será sempre na santidade cristã. Na base do amor pela pobreza e pelos pobres, ou está o amor por Cristo, ou os pobres serão, de um modo ou de outro, instrumentalizados e a pobreza se tornará facilmente um fato polêmico contra a Igreja, ou uma ostentação de maior perfeição com relação a outros na Igreja, como aconteceu, infelizmente, também em alguns dos seguidores do Poverello. Em ambos os casos, faz-se da pobreza a pior forma de riqueza, aquela da própria justiça.

2. Francisco e a reforma da Igreja

Como foi que aconteceu que a partir de um evento tão íntimo e pessoal, como foi a conversão do jovem Francisco, tenha começado um movimento que mudou ao mesmo tempo o rosto da Igreja e teve tanta influência na história, até os nossos dias?

É preciso dar uma olhada na situação da época. Na época de Francisco a reforma da Igreja era uma necessidade sentida mais ou menos conscientemente por todos. O corpo da Igreja vivia tensões e lacerações profundas. De um lado estava a Igreja institucional - papa, bispos, alto clero – desgastados pelos seus perenes conflitos e pelas suas alianças muito próximas com o império. Uma Igreja sentida muito distante, envolvida em assuntos muito acima dos interesses do povo. Em seguida, estavam as grandes ordens religiosas, muitas vezes prósperas pela cultura e espiritualidade após as várias reformas do século XI, entre as quais aquela Cisterciense, mas fatalmente identificadas com os grandes proprietários de terras, senhores feudais da época, vizinhos e ao mesmo tempo remotos também eles, por problemas e padrões de vida, do povo comum.

No lado oposto havia uma sociedade que começava a emigrar dos campos para as cidades em busca de maior liberdade das várias servidões. Esta parte da sociedade identificava a Igreja com as classes dominantes das quais se sentia a necessidade de libertar-se. Assim, se alinhavam de boa vontade com aqueles que a contradiziam e a combatiam: hereges, grupos radicais e pauperísticos, enquanto simpatizava com o baixo clero, muitas vezes não com a altura espiritual dos prelados, porém mais perto das pessoas.

Havia, portanto, fortes tensões que cada um procurava explorar em proveito próprio. A Hierarquia procurava responder a estas tensões melhorando a própria organização e reprimindo os abusos, tanto internamente (luta contra a simonia e concubinato dos padres) quanto externamente na sociedade. Os grupos hostis procuravam, pelo contrário, explodir as tensões, radicalizando o contraste com a Hierarquia dando origem a movimentos mais ou menos cismáticos. Todos brandiam contra a Igreja o ideal da pobreza e simplicidade evangélica fazendo disso uma arma polêmica, mais do que um ideal espiritual a ser vivido com humildade, chegando a questionar também o ministério da Igreja, o sacerdócio e o papado.

Estamos acostumados a ver Francisco como o homem providencial que capta essas demandas populares de renovação, as purifica de toda carga polêmica e as traz de volta ou as atua na Igreja em profunda comunhão e submissão a essa. Francisco, portanto, como uma espécie de mediador entre os hereges rebeldes e a Igreja institucional. Em um conhecido manual de história da Igreja é apresentada dessa forma a sua missão:

"Já que a riqueza e o poder da Igreja apareciam muitas vezes como uma fonte de graves males e os hereges do tempo a utilizavam como argumento para as principais acusações contra ela, em algumas almas piedosas surgiu o nobre desejo de restaurar a vida pobre de Jesus e da Igreja primitiva, para poder assim mais eficazmente, influenciar no povo com a palavra e o exemplo"[5].

Entre estas almas coloca-se naturalmente em primeiro lugar, juntamente com São Domingos, Francisco de Assis. O historiador protestante Paul Sabatier, embora tão benemérito dos estudos franciscanos, tornou quase canônica entre os historiadores, e não só entre aqueles leigos e protestantes, a tese segundo a qual o cardeal Ugolino (o futuro Papa Gregório IX) teria tido a intenção de captar Francisco para a Cúria, domesticando a carga crítica e revolucionária do seu movimento. Na prática é a tentativa de fazer de Francisco, um precursor de Lutero, ou seja, um reformador pela via de críticas, mais do que da santidade.

Não sei se esta intenção possa ser atribuída a algum dos grandes protetores e amigos de Francisco. Parece difícil atribuí-la ao card. Ugolino e menos ainda a Inocêncio III, conhecido pela ação reformadora e o apoio dado às várias formas novas de vida espiritual surgidas em seu tempo, incluído os Frades Menores, os dominicanos, os Humilhados Milaneses. Uma coisa, porém, é absolutamente certa: aquela intenção nunca passou pela mente de Francisco. Ele nunca pensou ser chamado para reformar a Igreja.

É preciso ter cuidado para não tirar conclusões erradas das famosas palavras do Crucifixo de São Damião "Vai', Francisco e repara a minha Igreja que, como vês, está em ruínas". As fontes mesmas nos asseguram que ele compreendeu aquelas palavras no sentido bastante modesto de ter que reparar materialmente a igrejinha de São Damião. Foram os discípulos e os biógrafos que interpretaram – e, é preciso dizer, não sem razão - aquelas palavras como se referindo à Igreja instituição e não só à Igreja edifício. Ele permaneceu sempre na sua interpretação literal e de fato continuou a reparar outras igrejinhas nos arredores de Assis que estavam em ruínas.

Também o sonho em que Inocêncio III teria visto o Poverello sustentar com as suas costas a Igreja de Latrão desmoronando não diz nada de mais. Supondo que o fato seja histórico (um fato análogo também é narrado sobre São Domingos), o sonho foi do papa, não de Francisco! Ele nunca foi visto como o vemos hoje no afresco de Giotto. Isto significa ser reformador pelo caminho da santidade: sê-lo, sem sabê-lo!

3. Francisco e o retorno ao Evangelho

Se não quis ser um reformador, o que foi que quis ser e fazer Francisco? Também aqui temos a sorte de ter o testemunho direto do Santo no seu Testamento:

"E depois que o Senhor me deu irmãos , ninguém me mostrou o que eu deveria fazer; mas o mesmo Altíssimo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do santo Evangelho. E eu com poucas palavras e simplesmente o fiz escrever, e o senhor Papa mo confirmou".

Fala do momento no qual, durante uma Missa, escutou a passagem do evangelho onde Jesus envia os seus discípulos dizendo: "Enviou-os a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos. E disse-lhes: «Nada leveis para o caminho, nem bastão, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; tampouco tenhais duas túnicas" (Lc 9, 2-3)[6]. Foi uma revelação impressionante daquelas que orientam toda uma vida. Daquele dia em diante foi clara a sua missão: um retorno simples e radical ao evangelho real, aquele vivido e pregado por Jesus. Restaurar no mundo a forma e o estilo de vida de Jesus e dos apóstolos descrito nos evangelhos. Escrevendo a Regra para os seus frades começará assim:

"A regra e a vida dos Frades Menores é esta: observar o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo".

Francisco não teorizou esta sua descoberta, tornando-a o programa para a reforma da Igreja. Ele realizou em si a reforma e assim indicou tacitamente à Igreja o único caminho para sair da crise: reaproximar-se do evangelho, reaproximar-se dos homens e especialmente dos humildes e dos pobres.

Este retorno ao Evangelho reflete-se em primeiro lugar na pregação de Francisco. É surpreendente, mas todos notaram: o Poverello fala quase sempre de "fazer penitência". A partir de então, diz o Celano, com grande fervor e exultação, ele começou a pregar a penitência, edificando todos com a simplicidade de suas palavras e a generosidade de seu coração. Onde quer que fosse, Francisco dizia, recomendava, suplicava que fizessem penitência[7].

O que é que Francisco compreendia com esta palavra que ele trazia tanto no coração? Neste sentido caímos (pelo menos eu caí por muito tempo) em erro. Reduzimos a mensagem de Francisco a uma simples exortação moral, a um bater-se no peito, angustiar-se e mortificar-se para expiar os pecados, enquanto que tem toda a vastidão e o ar do evangelho de Cristo. Francisco não exortava a fazer "penitências", mas fazer "penitência" (no singular"!) que, veremos, é totalmente outra coisa.

O Poverello, exceto nos poucos casos que conhecemos, escrevia em latim. E o que encontramos no texto latino, do Testamento, quando escreve: "O Senhor deu a mim, frade Francisco, começar a fazer penitência assim"? Encontramos a expressão "poenitentiam agere". Sabe-se que ele amava expressar-se com as mesmas palavras de Jesus. E esta palavra – fazer penitência – é a palavra com a qual Jesus começou a pregar e que repetia em cada cidade e aldeia onde ia:

"Depois que João foi preso, veio Jesus para a Galiléia proclamando o Evangelho de Deus: cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1, 15).

A palavra que hoje se traduz com "convertei-vos" ou "arrependei-vos", no texto da Vulgata usado pelo Poverello, soava "poenitemini" e em Atos 2, 37 ainda mais literalmente "poenitentiam agite", fazei penitência. Francisco nada fez além de relançar o grande apelo à conversão com o qual se abre a pregação de Jesus no Evangelho e aquela dos apóstolos no dia de Pentecostes. O que ele quis dizer com a palavra "conversão" não precisa explicá-lo: sua vida, ele mostrou.

Francisco fez no seu tempo aquilo que no tempo do Concílio Vaticano II tentou-se fazer com o lema: "quebrar as muralhas": quebrar o isolamento da Igreja, trazê-la de novo para o contato com o povo. Um dos fatores de escuridão do evangelho era a transformação da autoridade compreendida como serviço, em autoridade compreendida como poder que tinha produzido infinitos conflitos dentro e fora da Igreja. Francisco, por sua vez, resolve o problema em senso evangélico. Na sua Ordem, novidade absoluta, os superiores se chamarão ministros, ou seja, servos, e todos os outros frades, ou seja, irmãos.

Outro muro de separação entre a Igreja e o povo era a ciência e a cultura da qual o clero e os monges tinham o monopólio na prática. Francisco sabe disso e, portanto, assume a posição drástica que sabemos sobre este ponto. Ele não é contrário à ciência-conhecimento, mas à ciência-poder; aquela que favorece aqueles que sabem ler sobre aqueles que não sabem ler e lhes permite comandar com altivez ao irmão: "Traga-me o breviário". Durante o famoso Capítulo das Esteiras a alguns dos seus irmãos que queriam empurrá-lo a adequar-se à atitude das "ordens" cultas do tempo, respondeu com palavras de fogo que deixaram, lê-se, os frades tomados de temor:

"Irmãos, meus irmãos, Deus me chamou para trilhar o caminho da simplicidade e o mostrou para mim. Não quero, portanto que me citem outrsa Regras, nem aquela de Santo Agostinho, nem aquela de São Bernardo ou de São Bento. O Senhor revelou -me ser sua vontade que eu fosse um idiota no mundo: esta é a ciência à qual Deus quer que nos dediquemos! Ele vos confundirá por meio da vossa mesma ciência e sabedoria"[8].

Sempre a mesma atitude coerente. Ele quer para si e para os seus irmãos a mais rígida pobreza, mas na Regra, exorta-os a "não desprezar e a não julgar os homens que vêm vestidos com hábitos finos e coloridos e usar comida e bebida delicadas, mas sim cada um julgue e despreze a si mesmo"[9]. Escolhe ser um iletrado mas não condena a ciência. Uma vez assegurado que a ciência não extinga "o espírito da santa oração e devoção", será ele mesmo a permitir a frade Antonio de dedicar-se ao ensino da teologia e São Boaventura não pensa que está traindo o espírito do fundador, abrindo a ordem aos estudos nas grandes universidades. Yves Congar vê nisso uma das condições essenciais da "verdadeira reforma" na Igreja, a reforma, ou seja, que permanece tal e não se transforma em cisma: isto é, a capacidade de não absolutizar a própria intuição, mas permanecer solidário com o todo que é a Igreja[10]. A convicção, diz o Papa Francisco, na sua recente Exortação apostólica Fidei gaudium, que "o todo é superior à parte".

4. Como imitar Francisco

O que diz a nós hoje a experiência de Francisco? O que podemos imitar dele, todos e rápido? Sejam aqueles que Deus chama a reformar a Igreja pelo caminho da santidade, sejam aqueles que se sentem chamados a renová-la pelo caminho da crítica, sejam aqueles que ele mesmo chama a reformá-la pelo caminho do cargo que ocupam? A mesma coisa com a qual se começou a aventura espiritual de Francisco: a sua conversão do eu a Deus, a sua negação de si. É assim que nascem os verdadeiros reformadores, aqueles que mudam realmente algo na Igreja. Os mortos a si mesmos. Melhor, aqueles que decidem seriamente morrer a si mesmos, porque se trata de uma empresa que dura toda a vida e também além, se, como dizia brincando santa Teresa de Ávila, o nosso amor próprio morre vinte minutos depois de nós.

Dizia um santo monge ortodoxo, Silvano do Monte Athos: "Para ser verdadeiramente livres, é necessário começar a ligar a si mesmo". Homens como estes são livres com a liberdade do Espírito; nada os para e nada os espanta mais. Tornam-se reformadores pelo caminho da santidade, e não somente pelo caminho do ofício.

Mas o que significa a proposta de Jesus de negar-se a si mesmo? É ainda possível propô-la a um mundo que fala somente de auto-realização, auto-afirmação? A negação nunca é fim em si mesmo, nem um ideal em si. A coisa mais importante é aquela positiva: Se queres seguir-me; É o seguir Cristo, possuir Cristo. Dizer não a si mesmo é o meio; dizer sim a Cristo é o fim. Paulo a apresenta como uma espécie de lei do espírito: "Se com a ajuda do Espírito fazes morrer as obras da carne, vivereis" (Rom 8, 13). Isso, como se pode ver, é um morrer para viver; é o oposto da visão filosófica que diz que a vida humana é "um viver para morrer" (Heidegger).

Trata-se de saber qual fundamento queremos dar à nossa existência: se o nosso "eu" ou "Cristo"; na linguagem de Paulo, se queremos viver "para nós mesmos", ou "para o Senhor" (cf. 2 Coríntios 5, 15, Rom 14 , 7-8). Viver "para si mesmos" significa viver para a própria comodidade, a própria glória, o próprio progresso; viver "para o Senhor" significa recolocar sempre em primeiro lugar, nas nossas intenções, a glória de Cristo, os interesses do Reino e da Igreja. Cada "não", pequeno ou grande, falado a si mesmo por amor, é um sim dito a Cristo.

Somente deve-se evitar a ilusão. Não se trata de saber tudo sobre a negação cristã, sua beleza e necessidade; trata-se de passar ao ato, de praticá-la. Um grande mestre de espírito da antiguidade dizia: "É possível despedaçar dez vezes a própria vontade em um brevíssimo tempo; e vos digo como. A pessoa está passeando e vê algo; o seu pensamento lhe diz: "Olha lá", mas ele responde ao seu pensamento: "Não, não olho", e despedaça assim a própria vontade. Depois encontra outros que estão falando (leia falando mal de alguém) e o seu pensamento lhe diz: "Fale' também você aquilo que sabe", e despedaça a sua vontade calando"[11]. 

Este antigo Padre traz, como se vê, exemplos tirados todos da vida monástica. Mas eles podem ser atualizados e adaptados facilmente para a vida de cada um, clérigos e leigos. Encontros, se não com um leproso como Francisco, com um pobre que você sabe que vai lhe pedir algo; o seu homem velho te empurra a passar do lado oposto do caminho, e você pelo contrário, se faz violência e lhe vai ao encontro, talvez presenteando-lhe somente com uma saudação e um sorriso, se não pode fazer outra coisa. Oferecem a você a ocasião para um lucro ilícito: e você diz não e negou a si mesmo. Foi contestado em uma ideia; toca o ponto sensível, gostaria de responder com força, cala e espera: despedaçou o seu eu. Acredita ter sido passado pra trás, um tratamento, ou um destino não adequado aos seus merecimentos: gostaria de contar para todos, fechando-se em um silêncio cheio de tácita reprovação. Diz não, quebra o silêncio, sorri e reabre o diálogo. Negou a si mesmo e salvou a caridade. E assim por diante. Um sinal que prova uma boa luta contra o próprio eu, é a capacidade ou ao menos o esforço de alegrar-se pelo bem feito ou a promoção recebida de outro, como se acontecesse consigo mesmo:

"Bem aventurado aquele servo – escreve Francisco em uma das suas Admoestações – que não se orgulha pelo bem que o Senhor diz e obra por meio dele, mas sim pelo bem que diz e obra por meio de outro".

Uma meta difícil (eu não falo certamente como quem já a alcançou!), mas a história de Francisco, nos mostra o que pode nascer de uma negação de si feita em resposta à graça. A meta final é poder dizer com Paulo e com Ele: "Não mais eu que vivo, Cristo vive em mim". E haverá alegria e paz plenas, já sobre esta terra. Francisco, em sua "perfeita alegria", é um exemplo vivo da "alegria que vem do Evangelho," do Evangelii gaudium!

Traduzido do original italiano por Thácio Siqueira

[1] Y.Congar, Vera e falsa riforma nella Chiesa,Milano Jaka Book, 1972, p. 194.

[2] Celano, Vita Prima, VII, 17 (FF 348).

[3] Cf. Celano, Vita Seconda, V, 9 (FF 592)

[4] Cf. Celano, Vita prima, III, 7 (FF, 331).

[5] Bihhmeyer – Tuckle, II, p. 239.

[6] Legenda dei tre compagni VIII (FF 1431 s.).

[7] FF, 358; 1436 s.; 1508.

[8] Legenda perugina 114 (FF 1673).

[9] Regola Bollata, cap. II.

[10] Sobre as condições da verdadeira reforma veja Congar, ob. cit. pp. 177 ss.

[11] Doroteo di Gaza, Opere spirituali, I,20 (SCH 92,p.177).


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São Francisco de Assis "nunca pensou ser chamado para reformar a Igreja", disse o pregador da casa Pontifícia 
Na primeira pregação do Advento, Pe. Raniero Cantalamessa explicou de que forma o patrono da Itália contribuiu para a reforma da Igreja

Por Thácio Lincon Soares de Siqueira


BRASíLIA, 06 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - "O propósito destas três meditações do Advento é preparar-nos para o Natal na companhia de Francisco de Assis", disse Pe. Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, na sua primeira pregação de Advento dirigida ao Santo Padre e aos prelados da Cúria na manhã desta sexta-feira.

Seguindo o Poverello de Assis Pe. Raniero se aventurou em compreender qual o caminho de santidade de São Francisco, caminho este que foi causa de reforma para a Igreja, e, portanto, saber como nós, hoje, poderíamos fazer o mesmo.

Em primeiro lugar o pregador da casa pontifícia destacou que a conversão de Giovanni de Pietro de Bernardone não foi propriamente uma obra pessoal, uma obra fruto do esforço pessoal, mas de Deus. "Francisco não escolheu a pobreza e muito menos o pauperismo; escolheu os pobres!" Porém, a escolha verdadeira não se tratou de "escolher entre riqueza e pobreza, nem entre ricos e pobres", mas "de escolher entre si mesmo e Deus". Em definitiva, Francisco não "apaixona-se por uma virtude, nem mesmo pela pobreza; apaixona-se por uma pessoa", Cristo. E no fundo no fundo, não foi ele que o procurou, mas foi o próprio Cristo que "tinha preparado o seu coração para que a sua liberdade, no momento certo, respondesse à graça".

Na época do santo de Assis - destaca Pe. Raniero - "Todos brandiam contra a Igreja o ideal da pobreza e simplicidade evangélica fazendo disso uma arma polêmica, mais do que um ideal espiritual a ser vivido com humildade, chegando a questionar também o ministério da Igreja, o sacerdócio e o papado".

Francisco, porém, nunca teve a intenção de reformar a Igreja, disse Pe. Raniero. "Ele nunca pensou ser chamado para reformar a Igreja". E relembrando as famosas palavras do crucifixo da Igreja de São Damião "vai, Francisco, e repara a minha Igreja", o pregador da casa pontifícia exortou a não tirar conclusões erradas e precipitadas de tais palavras. Porque Francisco mesmo "compreendeu aquelas palavras no sentido bastante modesto de ter que reparar materialmente a igrejinha de São Damião".

Portanto, perguntou-se Pe. Raniero, "Se não quis ser um reformador, o que foi que quis ser e fazer Francisco?". E respondeu dizendo: "Ele realizou em si a reforma e assim indicou tacitamente à Igreja o único caminho para sair da crise: reaproximar-se do evangelho, reaproximar-se dos homens e especialmente dos humildes e dos pobres."

"Francisco não exortava a fazer "penitências", mas fazer "penitência" (no singular"!) que, veremos, é totalmente outra coisa." Portanto, reaproximar a Igreja do povo, sem necessariamente distanciar-se da cultura. "Francisco fez no seu tempo aquilo que no tempo do Concílio Vaticano II tentou-se fazer com o lema: "quebrar as muralhas": quebrar o isolamento da Igreja, trazê-la de novo para o contato com o povo." Também "Escolhe ser um iletrado mas não condena a ciência."

A verdadeira reforma da Igreja, destacou o Pe. Raniero citando Yves Congar, é a "que permanece tal e não se transforma em cisma: isto é, a capacidade de não absolutizar a própria intuição, mas permanecer solidário com o todo que é a Igreja".

Imitar Francisco hoje, trazer a sua experiência para nossa época, implica começar como o próprio santo começou, convertendo-se, negando-se, porém não esquecendo-se que "a coisa mais importante é aquela positiva: Se queres seguir-me;" Ou seja, "É o seguir Cristo, possuir Cristo. Dizer não a si mesmo é o meio; dizer sim a Cristo é o fim".

O pregador da casa pontifícia terminou a sua primeira meditação de advento reconhecendo que tudo isso é "Uma meta difícil (eu não falo certamente como quem já a alcançou!), mas a história de Francisco, nos mostra o que pode nascer de uma negação de si feita em resposta à graça."

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Vaticano institui comissão para a proteção de crianças 
Papa Francisco aprova comissão responsável por pastoral de apoio às vítimas de abuso e cooperação com as autoridades civis. Consistório para criação de novos cardeais será dia 20 de fevereiro

Por Redacao


CIDADE DO VATICANO, 05 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - O Santo Padre Francisco, continuando a linha traçada pelo Papa Emérito Bento XVI, aceitou a proposta do conselho de cardeais e decidiu criar uma comissão especial para a proteção das crianças. Também terá como objetivo aconselhar o Papa sobre o compromisso da Santa Sé na proteção das crianças, o cuidado pastoral às vítimas de abuso e a cooperação com as autoridades civis para casos existentes.

O Cardeal O'Malley, arcebispo de Boston e membro do Conselho de Cardeais, que tem se destacado por sua luta contra casos de abuso, anunciou as decisões durante uma conferência de imprensa no Vaticano, nesta manhã.

O Conselho de Cardeias, instituído por Francisco, esteve reunido em Santa Marta, desde terça-feira até esta quinta-feira, 05 de dezembro.

O cardeal afirmou que esta comissão deve estudar o estado atual do programa para a proteção de crianças e fazer sugestões para novas iniciativas da cúria em colaboração com as conferências episcopais, bispos e superiores religiosos.

Também será responsável por propor pessoas competentes para realizar estas iniciativas, incluindo leigos, religiosos e sacerdotes com experiência no serviço de proteção a crianças, e nas relações com as vítimas, sua saúde mental, e a aplicação de leis. O cardeal relatou que a composição e as funções desta nova comissão será anunciado em breve com mais detalhes pelo Santo Padre, através de um documento apropriado.

Antecipando algumas das possíveis responsabilidades desta comissão, o cardeal explicou que as orientações são para a proteção das crianças, o desenvolvimento e implementação de normas, procedimentos e estratégias para a proteção de menores e prevenção de abuso infantil, programas de formação para crianças, pais e todos aqueles que trabalham com crianças: catequistas, sacerdotes, seminaristas, etc.

Protocolos de segurança do ambiente também serão criados, além de código de conduta profissional, certificação de idoneidade para o ministério sacerdotal, cooperação com as autoridades civis, informativos sobre acusados, respeito pelos direitos civis.

Respondendo aos jornalistas, o Cardeal O'Malley explicou que a experiência dos Estados Unidos "mostra que cursos de preparação têm ajudado muito a prevenir" e que as crianças podem aprender a detectar situações de perigo. Por outro lado, esclareceu que "o assunto é estudado por vários dicastérios, que fizeram algumas recomendações, mas o nosso trabalho está apenas começando".

Em seguida, o diretor da sala de imprensa do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que foi decidida a data para o próximo encontro que reunirá a comissão de cardeais, conhecido como G8: de 17 a 19 de Fevereiro.

Esta reunião precederá o consistório do colégio cardinalício dos dias 20 e 21 para a criação de novos cardeais em 22 de fevereiro e a solene celebração dos novos cardeais dia 23. O porta-voz do Vaticano também lembrou que está prevista reunião da secretaria do sínodo para os dias 24 e 25 de fevereiro.

(Trad.:MEM)


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Último dia das reuniões do Conselho de Cardeais: em avaliação, a Cúria Romana 
Reuniões serão retomadas em fevereiro de 2014. Avaliadas na reunião de ontem a Congregação para as Causas dos Santos, a da Educação Católica e a da Evangelização dos Povos

Por Salvatore Cernuzio


ROMA, 05 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Prosseguem na Domus Sanctae Marthae as reuniões do chamado C8, o conselho de oito cardeais criado pelo papa Francisco para auxiliá-lo no governo da Igreja. Na sessão de ontem de manhã, o papa não compareceu devido à audiência geral de todas as quartas-feiras na Praça de São Pedro, mas voltou a participar no período da tarde. O secretário de Estado, dom Pietro Parolin, também se fez presente para cumprimentar os cardeais e manifestar a sua disponibilidade para colaborar com eles.

O foco do trabalho dos cardeais é a elaboração de uma nova constituição apostólica sobre a Cúria Romana, que deverá substituir a atual Pastor Bonus.

As reuniões serão interrompidas hoje e retomadas em fevereiro de 2014. O pe. Federico Lombardi, porta-voz vaticano, comenta: "Esperamos que seja uma etapa significativa, pois teremos a terceira reunião do conselho de cardeais e o consistório".

Lombardi explicou aos jornalistas que há sempre vários departamentos da Cúria Romana no centro dos trabalhos. Ontem de manhã, por exemplo, os cardeais trataram das congregações para as Causas dos Santos, para a Educação Católica e para a Evangelização dos Povos. "Pelo menos sobre as congregações, os cardeais já fizeram as suas primeiras considerações, uma primeira rodada de reflexões", completou o porta-voz.

Perguntado sobre a possibilidade de os cardeais se encontrarem com os chefes dos dicastérios, Lombardi explicou que o próprio papa Francisco está em constante contato com a Cúria. "O papa se reúne com os chefes dos dicastérios regularmente, com grande frequência, até, e durante sessões prolongadas. Então já existe esse canal, além da possibilidade [para os dicastérios] de apresentar documentos, pareceres, memorandos, informações por escrito, inclusive aos oito cardeais. Especialmente porque os oito cardeais repartiram entre si os principais temas a tratar e os apresentam para discussão do grupo".

Aos repórteres que pediam informações sobre os casos de abuso contra menores, o diretor da Sala de Imprensa do Vaticano disse que a Santa Sé enviou respostas sobre o seu próprio relatório anterior ao Comitê Internacional dos Direitos da Criança em Genebra. "Há perguntas, por exemplo, sobre os fatos ocorridos na Irlanda, já que a convenção opera territorialmente. A Santa Sé explicou que a competência sobre esses fatos é da Irlanda, do governo irlandês e das leis da Irlanda". De qualquer forma, as respostas estão disponíveis para o público no site oficial do Vaticano.


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O Papa está cansado e adia a audiência com o cardeal Scola 
O anúncio foi feito pelo porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi. Ele confirmou que o encontro entre o Papa e o arcebispo de Milão será em janeiro

Por Redacao


CIDADE DO VATICANO, 04 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Foi divulgado ontem pela assessoria de imprensa do Vaticano que o papa Francisco encontraria hoje, depois da Audiência Geral de quarta-feira, na Sala Paulo VI, o cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão. Junto com o cardeal, uma delegação da Expo 2015. A reunião tinha como objetivo convidar formalmente o Papa para uma visita apostólica a Milão, por ocasião do evento da diocese ambrosiana de 2015.

No entanto, a audiência foi adiada. O motivo? Bergoglio estava cansado.

A confirmação foi de padre Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, que disse hoje aos repórteres: "O Papa, após a audiência geral na Praça de São Pedro e a saudação aos fiéis, que durou quase três horas, expressou sua fadiga e o desejo de adiar essa reunião para depois do Natal, para janeiro do próximo ano".

(S.C/ Trad.:MEM)


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Pregação Sagrada
Homilética: Solenidade da Imaculada Conceição 
Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia dominical

Por Pe. Antonio Rivero, L.C.


SãO PAULO, 06 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Ciclo A

Textos: Gênesis 3, 9-15.20; Efésios 1, 3-6.11-12; Lucas 1, 26-38.

Idéia principal: A Imaculada Conceição é o primeiro dos privilégios concedidos à Maria, com vista à sua futura maternidade divina. Privilégio e dom que a torna digna de ser toda de Deus e somente de Deus, desde o primeiro momento da sua concepção, dado que, desde então, foi preservada imune de toda mancha do pecado original, com o qual todos nascemos, herança dos nossos primeiros pais, Adão e Eva. Grande mistério!

Aspectos desta idéia:

Em primeiro lugar, aprofundemos o mistério. A pobre razão humana dos teólogos, mesmo iluminada pela fé, levou muitos séculos para encontrar uma maneira de harmonizar o dogma da Imaculada Conceição, com a redenção universal de Cristo, que inclui todos os seres humanos, sem exceção, nem sequer a Mãe de Deus. Os cristãos, porém, que ignoram os tratados científicos, mas têm o sentido da fé que vem do mesmo Espírito Santo, já aceitavam alegremente, desde muitos séculos, a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, e não davam ouvidos as objeções e as dificuldades que os estudiosos colocavam na mesma. Por outro lado, louvavam com alegria as razões de conveniência, embora não satisfizessem os teólogos, que preenchiam completamente o coração e a piedade dos fiéis. E repetiam, convencidos de que, se Deus pudesse fazer imaculada a Maria, e era conveniente que a fizesse, não há dúvida que assim o fez. Era impossível que a Rainha dos anjos, que iria esmagar a cabeça de Satanás (primeira leitura), estivesse sob seu controle, mesmo que fosse só por um momento. Também não era concebível que a mediadora necessária para a reconciliação do mundo com Deus, tivesse sido sua inimiga, nem sequer por um instante. Era impensável que Maria, por meio da qual a salvação veio a nós, dando-nos Cristo, tivesse sido concebida em pecado. Não podia ser possível que o sangue redentor de Cristo brotasse de uma fonte manchada por culpa.

Em segundo lugar, façamos um percorrido histórico pelo Oriente e Ocidente, sempre perguntando sobre este maravilhoso mistério. Esta festa foi celebrada pela primeira vez em algumas igrejas do Oriente, a partir do século VIII, na Irlanda desde o IX e na Inglaterra desde o século XI. Em seguida, ela se espalhou pela Espanha, França e Alemanha. Apesar de vários teólogos medievais questionarem ou terem negado o privilégio da Virgem, pelo que dissemos (Cristo redimiu todos), a Igreja proclamou oficialmente o dogma no século XIX, com o Papa Pio IX, esta doutrina que estava em sintonia com o senso sobrenatural do coração do cristão, continuou a se espalhar por todo o mundo. Assim, Maria não foi redimida se não pecou? A resposta dada pela Igreja e a teologia a este mistério é esta: Maria recebeu a graça preventiva que era para ser a Mãe do Redentor. A graça preventiva é mais sublime do que a graça redentora; esta supõe que existia uma mancha que Deus deveria ter limpado. Em Maria não aconteceu isto. Por isso, o anjo a chamou: "cheia de graça" (evangelho).

Finalmente, esta Solenidade nos compromete, se somos realmente filhos de Maria e criaturas remidas pelo sangue de Cristo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele pelo amor (segunda leitura). Em cada Eucaristia o Verbo Encarnado descerá junto a nós, de maneira análoga ao modo em que desceu ao puro ventre de Maria na Encarnação. Esperemos que o encontre limpo e puro.

Para refletir: Luto por reconquistar a pureza perdida pelo pecado? Que meios estão ao meu alcance para limpar a minha alma das consequências do pecado? Ao me olhar pode Deus se alegrar, como com Maria?

Qualquer sugestão ou dúvida entre em contato com o Padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org


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Igreja e Religião
Onda de violência na Argentina: Igreja diz que causa não é pobreza, mas vandalismo 
Conferência Episcopal Argentina enviou mensagem ao arcebispo e à população de Córdoba expressando solidariedade e apoio

Por Redacao


ROMA, 06 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Por causa da onda de violência que assolou a província argentina de Córdoba, o novo bispo auxiliar local, dom Pedro Javier Torres, nomeado em 16 de novembro, descreveu os atos de violência como "saques e criminalidade, e não atos de um movimento social que reage contra a fome".

"Tudo isso não aconteceu por causa da pobreza e da procura de comida, mas por causa da delinquência na província". 

A situação em Córdoba se tornou caótica depois de um pedido de reajuste salarial da polícia. Os policiais entraram em greve e alguns grupos de vândalos e delinquentes aproveitaram para saquear lojas de todo tipo. Parte da população se juntou aos saques.

Não foram saqueados apenas os supermercados e os pontos de venda de alimentos, mas também lojas de eletrodomésticos e de produtos supérfluos. Em muitos casos, os roubos foram cometidos com violência e com a destruição dos locais. Enfrentamentos violentos aconteceram entre os vândalos e as famílias que queriam proteger seus estabelecimentos comerciais. 

O depósito da Cáritas em Córdoba também foi saqueado durante a onda de vandalismo, de acordo com a vice-diretora da entidade, Ana Campoli.

Falando na televisão local, dom Torres denunciou as autoridades argentinas pelo "abandono total da província por parte do governo central, coisa que nos dói muito". Ele considerou "justo e digno de ser escutado" o pedido da polícia de Córdoba, mas afirmou também que "o fim não justifica os meios. É necessário dar um basta a essa anarquia". 

A Conferência Episcopal Argentina enviou hoje uma mensagem ao arcebispo e à população de Córdoba expressando "solidariedade e apoio diante dos graves fatos ocorridos na província".

O texto do Conselho Permanente, enviado à Agência Fides, declara: "Peçamos que nosso Senhor inspire serenidade e calma neste tempo de Advento, e que Maria, Rainha da paz, proteja todos os cordobeses".


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Dom Pietro Parolin: "É muito fácil trabalhar com o papa Francisco" 
Novo secretário de Estado do Vaticano participa da apresentação de um livro do cardeal Maradiaga e confirma boa condição de saúde

Por Rocio Lancho García


ROMA, 05 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Dom Pietro Parolin, novo secretário de Estado do Vaticano, manifestou ontem o seu "carinho por todos os habitantes da América Latina, porque eu tenho lembranças muito carinhosas de todos os anos que passei na Venezuela". O secretário respondeu ao pedido dos jornalistas ali presentes de dizer algumas palavras em espanhol ao chegar à apresentação do livro "Entre ética e empresa: a pessoa no centro", do cardeal Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, em coautoria com Giuseppe Colaiacovo e Manlio Sodi.

Sobre o seu trabalho nos primeiros dias no Vaticano, Parolin comentou: "Estou começando, e, quando você começa, nem sempre é fácil, ainda mais num trabalho tão exigente e de tanta responsabilidade como esse, de secretário de Estado. Mas, com a ajuda de Deus e ao lado do papa Francisco, eu espero cumprir a minha tarefa".

O secretário de Estado, que assumiu o cargo alguns dias depois da data prevista por causa de uma cirurgia, comentou sobre a própria saúde e afirmou que "graças a Deus, tudo terminou bem".

Parolin considera que "é muito fácil trabalhar com o papa porque, como todo mundo sabe, ele é um homem muito simples e muito próximo, que tenta ajudar e não complicar as coisas. Eu espero que esta colaboração possa crescer cada dia mais, para a glória de Deus e da Igreja".

Foi ele mesmo quem abriu a apresentação do livro "Entre ética e empresa: a pessoa no centro". Em sua fala, Parolin lembrou que o atual momento de profunda crise econômica tem como fundo uma profunda crise antropológica. Afirmou que a economia tem que ficar sempre a serviço do homem e não o contrário. Fazendo referência ao título da obra apresentada, ele destacou a importância de recolocar a pessoa no centro e de nunca permitir que ela seja um mero meio, em nenhuma atividade e em nenhuma circunstância. Ressaltou ainda que a Igreja tem a responsabilidade de comunicar a esperança que vem do Evangelho e também a alegria, como recorda Francisco na exortação apostólica Evangelii Gaudium. É necessário, segundo o secretário vaticano, "apoiar o compromisso de todos na construção de uma sociedade mais justa e mais digna do homem, uma sociedade aberta à esperança, que não fique fechada em si mesma na defesa dos interesses de poucos, mas que se abra para a perspectiva do bem comum".

Por sua vez, o cardeal hondurenho Maradiga mencionou o Festival da Doutrina Social da Igreja, celebrado em Verona de 21 a 24 de novembro com o lema "Menos desigualdades, mais diferenças". O cardeal manifestou o desejo de que o festival se repita em mais lugares, porque é "um sinal de esperança".

Aprofundando no tema central do livro, ele destacou a diferença entre "homem de negócios" e "empresário". O primeiro visa apenas o dinheiro. O segundo, que é o verdadeiro empreendedor, procura o bem comum e quer ajudar os outros. "É destes que precisamos", afirmou Maradiaga.

O purpurado aproveitou para sublinhar a importância de que a Igreja e os sacerdotes tenham conhecimentos de economia. Recordou o tempo em que foi encarregado do comitê econômico do Celam, quando, ao tentar estabelecer relações com institutos de economia, ouvia como resposta: "Os padres não entendem de economia". Ele próprio decidiu estudar por conta. Avaliando as dificuldades que estão provocando a crise econômica atual, Maradiaga propõe criatividade, pesquisa e ousadia como formas de superá-la: "No âmbito da economia, podemos pensar diferente".


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Ato ecumênico marca Natal iluminado em São Paulo 
Iniciativa partiu do convite feito pelo arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer


SãO PAULO, 04 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - A Catedral Metropolitana de São Paulo recebeu os líderes das igrejas que participam do Movimento de Fraternidade de Igrejas Cristãs (Mofic) para o lançamento do projeto "Natal Iluminado", que tem por objetivo deixar a capital paulista mais iluminada e decorada no final do ano. O evento, realizado no dia 1º de dezembro, também contou com a presença de líderes de outras religiões. 

A iniciativa partiu do convite feito pelo arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer. Segundo o responsável pela Comissão de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da arquidiocese, cônego José Bizon, o ato ecumênico destaca o espírito de acolhida e fraternidade, próprio do tempo do Natal. "Festa das luzes, da paz, da justiça e também a festa da acolhida e da solidariedade", explica o cônego.

O reverendo Marcelo Leandro, da Igreja Presbiteriana Unida, declarou no evento que o Advento é o momento para os cristãos estarem unidos e demonstraram a luz suprema de Jesus. "Nós devemos estar iluminados, ajudando a sociedade que é carente não somente da pobreza material, mas espiritual". Ao falar sobre a importância do diálogo ecumênico, recordou Nelson Mandela. "Como ele, sonho que um dia todos seremos irmãos, independentemente da placa de igreja", disse.

O representante da Nação Ketu, do Candomblé, Sílvio Ribeiro, acredita que para o convívio harmonioso entre todas as religiões é necessário respeitar as diferenças. "Podemos ter a cor, cabelo, etnia e vestes diferentes do outro irmão, mas todos temos Deus no coração. Ele só muda de nome. A minha religião fala de paz, igual às outras que eu reconheço. As que não falam de amor, de paz, eu não reconheço".

Para o sheikh Houssam El Boustani, da comunidade muçulmana, a iniciativa foi um sinal de grande respeito para as outras religiões. "Que o Natal seja iluminado para toda criatura que existe na face da terra, seja cristão ou não, pois todos nós precisamos da luz de Deus. Para nós muçulmanos Deus é luz do céu e da terra. Nós queremos e precisamos dessa luz. Pedimos ao Deus altíssimo para que nos guie e leve-nos para o caminho certo, derramando sob o mundo as grandes misericórdias, principalmente nas zonas dos conflitos, das guerras e de miséria", afirmou Houssam.

Representando o Mofic estavam líderes das igrejas Católica Apostólica Romana; Ortodoxa Antioquina; Episcopal Anglicana; Presbiteriana Unida do Brasil; Apostólica Armênia; Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; e a Armênia Católica (Igreja Católica de Ritos Orientais). Entre as diferentes tradições religiosas estavam líderes do judaísmo; islamismo; budismo; espiritismo; umbanda e candomblé).

(CNBB / Arquidiocese de São Paulo)


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Santo Sudário será exposto em 2015 
Iformação foi divulgada hoje pelo arcebispo de Turim, Cesare Nosiglia, guardião pontifício da relíquia


ROMA, 05 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - O Santo Sudário, lençol em que Jesus teria sido envolto depois de retirado da cruz e no qual a sua imagem teria ficado inexplicavelmente estampada, será exposto ao público em 2015 na cidade italiana de Turim. A informação foi divulgada hoje pelo arcebispo local, Cesare Nosiglia, guardião pontifício da relíquia.

Em entrevista coletiva, Nosiglia afirmou: "Recebi há poucos dias o consentimento do santo padre para fazermos essa exposição, dentro da celebração do segundo centenário do nascimento de São João Bosco, o padre dos jovens, cujo fecundo carisma é hoje mais atual e vital do que nunca, nas obras que ele iniciou, no serviço que os seus filhos e filhas das congregações salesianas realizam em favor da Igreja universal".

A exposição do Santo Sudário, também chamado de Santa Síndone, será feita em 2015 entre o tempo pascal e o encerramento do bicentenário do nascimento de dom Bosco, no dia 16 de agosto. A exposição anterior foi realizada em 2010, incluindo uma breve exibição ao vivo do sudário na televisão.

O sudário mede 436 cm × 113 cm. Suas origens e a figura estampada nele são objeto de debate entre cientistas, historiadores e pesquisadores, que não chegaram ainda a uma resposta para os inumeráveis enigmas que a Síndone envolve. A imagem impressa no pano pode ser apreciada mais nitidamente quando vista em seu negativo. Em 1898, o fotógrafo Secondo Pia descobriu o fenômeno ao revelar os negativos das fotos que tinha tirado do tecido.

Em 1988, a Santa Sé autorizou a datação do sudário mediante o método do carbono 14, aplicado em três laboratórios diferentes. Os resultados dataram o pano entre os séculos XIII e XIV. A precisão dessa datação através do carbono 14, porém, foi questionada devido à poluição sofrida pela relíquia ao longo dos séculos.


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Campanha da Fraternidade de 2014 será sobre Tráfico Humano 
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil abordará o tema pela primeira vez

Por Izabel Fidelis


BRASíLIA, 04 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Fraternidade e Tráfico Humano: esse será o tema da Campanha da Fraternidade (CF) do próximo ano, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Com o lema "É para a liberdade que Cristo nos libertou", baseado na passagem bíblica de Gálatas 5, o objetivo geral da Campanha é identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-lo como violação da dignidade e da liberdade humanas, mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar este mal, com vistas ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus.

Segundo o assessor da Campanha da Fraternidade, padre Luis Carlos Dias, o tráfico de pessoas é uma atividade que atenta contra a dignidade, mas que a sociedade está hoje mais atenta quanto a esse assunto. "Na história da CF é a primeira vez que se aborda o tema do tráfico humano. Apesar do gigantismo da estrutura deste crime organizado, só recentemente a sociedade em geral começou a conhecer a gravidade deste problema social e a mobilizar-se para seu enfrentamento", afirma.

Desde o último mês de setembro a CNBB disponibilizou o texto-base da Campanha, com informações e estatísticas sobre a questão do tráfico humano, obtidas em órgãos oficiais e organismos internacionais, sobretudo da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). No Brasil, foram analisados dados do Ministério da Justiça, que apontam que este tipo de crime está presente em todos os Estados da Federação, com mais de 240 rotas de tráfico.

O lançamento da Campanha da Fraternidade será na quarta-feira de cinzas, uma data bastante propícia, segundo o padre Luis Carlos. "É bom frisar que a Campanha da Fraternidade é realizada na quaresma, tempo litúrgico que se apresenta como um itinerário de conversão para os cristãos em vista da celebração da Páscoa. Por meio da Campanha da Fraternidade, a Igreja quer ampliar o âmbito de conversão para que este convite não permaneça alheio aos grandes problemas que nos atingem na vida em sociedade, especialmente aos irmãos e irmãs mais necessitados."

Outros subsídios da Campanha, como o cartaz, o manual e os folhetos quaresmais podem ser adquiridos no site: www.edicoescnbb.org.br ou pelo telefone: (61) 2193.3001


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Santuário de Fátima reedita primeiro volume da Documentação Crítica de Fátima 
Projeto de investigação crítica das fontes documentais e informativas relacionadas com as aparições de 1917 em Fátima, iniciado em 1992


FáTIMA, 03 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Na abertura do novo ano pastoral, a 30 de novembro, o Santuário de Fátima apresentou o mais recente trabalho editorial: a reedição do primeiro volume da Documentação Crítica de Fátima (DCF), projeto de investigação crítica das fontes documentais e informativas relacionadas com as aparições de 1917 em Fátima, iniciado em 1992. Sem documentos novos relativamente à primeira edição, esta reedição surge porque o primeiro volume há muito que se encontrava esgotado.

Publicamos a seguir a apresentação do Padre Luciano Coelho Cristino, capelão do Santuário de Fátima, sobre a reedição da DCF.

O projeto da Documentação Crítica de Fátima (DCF), para a edição científica dos documentos relacionados com os acontecimentos da Cova da Iria, Fátima, em 1917, com a evolução do Santuário naquele lugar e com a expansão da mensagem, em Portugal e no estrangeiro, começou a concretizar-se, em agosto de 1992, com a edição do primeiro volume, dedicado aos Interrogatórios aos videntes (1917-1919).

O segundo volume, dedicado ao Processo canónico diocesano (1922-1930), foi editado em 1999. Seguiram-se, entre 2002 e 2013, mais três volumes, com os documentos por ordem cronológica, correspondentes a três períodos: das aparições ao processo canónico diocesano, 1917-1922; do início do processo canónico diocesano à criação da capelania, 1922-1927; da criação da capelania à carta pastoral de D. José, 1927-1930, distribuídos por 12 tomos. Em toda a obra (15 tomos), foram editados 3 811 documentos, em 8 217 páginas.

Em maio deste ano de 2013, foi editado um tomo, intitulado Seleção de Documentos, com 139 documentos mais significativos, de 1917 a 1930. A partir da edição portuguesa desta Seleção, está a proceder-se já à tradução para inglês e italiano.

Esgotado o primeiro volume, sai agora a público a segunda edição, com os interrogatórios que o pároco de Fátima, o Dr. Formigão, o Dr. Carlos Mendes, o Administrador do concelho, o P. Santos Alves, o P. Lacerda e Joaquim Gregório Tavares, fizeram aos videntes e a outras pessoas, em 1917. São publicados, também, o processo paroquial de Fátima e os inquéritos vicariais de Porto de Mós e de Ourém, sobre o dia 13 de outubro de 1917, e uma descrição da igreja paroquial. Ao todo, são 59 documentos.

Em relação à edição de 1992, não surgiram documentos novos. Fez-se nova leitura dos documentos e corrigiram-se os lapsos da primeira edição. Na transcrição dos documentos, é respeitada a ortografia dos autores, mesmo quando estes usam formas diferentes para a mesma palavra. A Reitoria do Santuário de Fátima, ouvido o Conselho de Diretores de Serviço, decidiu, desde 1 de janeiro de 2012, adotar o novo "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990", em todas as edições da sua responsabilidade. Por isso, as introduções, normas de edição, siglas, abreviaturas, sumários, aparato crítico, notas e os índices deste volume seguem o referido acordo.

Documentação Crítica de Fátima – Interrogatórios aos videntes (1917-1919). 2.ª edição, Fátima: Santuário de Fátima, 2013, 413 páginas, 15 Euros.

P. Luciano Coelho Cristino

Serviço de Estudos e Difusão (SESDI)


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Missa recorda os 450 anos do concílio de Trento 
O cardeal Brandmuller, enviado especial do papa Francisco, reitera a continuidade entre o concílio do século XVI e o Vaticano II

Por Sergio Mora


ROMA, 02 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Na catedral da cidade italiana de Trento, que sediou o concílio iniciado em 1545 e concluído em 1563, foi celebrada na tarde deste domingo, 1º de dezembro, uma missa em recordação dos 450 anos do evento eclesial. A celebração foi presidida pelo cardeal alemão Walter Brandmuller, enviado especial de sua santidade, o papa Francisco.

O concílio de Trento esclareceu a doutrina da Igreja diante das propostas protestantes e afirmou que o credo niceno-constantinopolitano contém tudo aquilo em os batizados devem crer.

Na homilia deste domingo, o cardeal alemão recordou que um estudioso daquele concílio o definiu como "o milagre de Trento" e que "somente em retrospectiva podemos reconhecer a potência com que o espírito de Deus agiu por meio desse concílio no destino da Igreja", a ponto de os séculos posteriores serem definidos como pós-tridentinos. "Depois de 450 anos em que nós, cristãos do terceiro milênio, entoamos o mesmo Te Deum de então, não devemos manter um olhar nostálgico para o passado, mas sim celebrar este jubileu com os olhos voltados para a Igreja e para o mundo aqui e agora", disse o cardeal.

Brandmuller perguntou qual é a mensagem do concílio que nos chega hoje, ao longo dos séculos, provocando: "Será que tinha razão quem considerava o concílio Vaticano II uma despedida do concílio de Trento?".

Ele mesmo responde: bastaria recordar que "a constituição Lumen Gentium, do Vaticano II, que expõe os ensinamentos sobre a Igreja em dezesseis blocos, faz referência explícita aos documentos doutrinais do concílio de Trento. Depois de 450 anos, portanto, ele continua presente na doutrina da Igreja".

Ao encerrar a homilia, o cardeal alemão nascido em família protestante e convertido à Igreja católica na juventude, apontou a necessidade de se descobrir na figura terrena e humana da Igreja "a figura do divino, para superar aquela deplorável mundanização da Igreja, que é um obstáculo para a salvação eterna dos homens".

Olhando para o passado, ele recordou que, na abertura do concílio de Trento, nenhum dos poucos cardeais presentes vinha da Alemanha. Temia-se um futuro obscuro para a Igreja. "Não temas, pequeno rebanho, disse o Senhor aos seus apóstolos e, portanto, também aos seus sucessores reunidos em Trento. E eles se dedicaram ao trabalho para entender e discernir a verdade da fé diante dos erros da reforma".

Brandmuller recordou ainda os frutos do concílio de Trento, ente os quais a evangelização dos novos continentes descobertos.

"Hoje, nós temos que estar repletos não apenas de gratidão, mas também da esperança de que o concílio Vaticano II, que os mais velhos de nós viveram pessoalmente, possa dar oportunamente os mesmos frutos desse concílio que hoje recordamos".


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Católicos e cristãos ortodoxos: juntos para defender a família 
Relações cada vez mais estreitas entre a Igreja católica na Polônia e a Igreja ortodoxa russa

Por Don Mariusz Frukacz


CZESTOCHOWA, 02 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - A necessidade de proteger os valores da família, a defesa dos cristãos perseguidos em todo o mundo e as relações entre Igreja e Estado na Polônia e na Rússia foram o objeto da reunião entre o arcebispo Józef Michalik, presidente da Conferência Episcopal Polonesa, e o metropolita Hilarion, presidente do Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou.

De acordo com a Agência Católica de Informação na Polônia (KAI), o encontro aconteceu no dia 30 de novembro, na sede da Conferência Episcopal Polonesa, durante o seminário "O futuro do cristianismo na Europa: o papel das igrejas e dos povos da Polônia e da Rússia", realizado na Universidade Cardeal Stefan Wyszynski, em Bielany.

"Procuramos escolher assuntos nos quais podemos trabalhar juntos", disse o arcebispo Michalik. Entre eles, a violação dos direitos humanos e a perseguição contra os cristãos, em especial no Egito, na Síria e em alguns outros países asiáticos.

O presidente da conferência dos bispos da Polônia também se disse preocupado com algumas ideologias que se opõem ao cristianismo na Europa. "Os valores cristãos não são bem vistos nas sociedades secularizadas", disse dom Michalik. O metropolita Hilarion acrescentou que o Patriarcado de Moscou "tem as mesmas preocupações e vê esses problemas de maneira similar".

Quanto às relações entre a Rússia e a Polônia, a agência KAI informou que 2015 será o ano da cultura polonesa na Rússia e da cultura russa na Polônia. O arcebispo Michalik e o metropolita Hilarion discutiram a possibilidade de criar um programa de intercâmbio cultural entre jovens ortodoxos e católicos em ambos os países.

O encontro abordou também a colaboração nos meios de comunicação cristãos. Sergey Czapnin, diretor do Jornal do Patriarcado de Moscou, salientou que "a principal tarefa dos meios de comunicação cristãos é dar um testemunho como seguidores de Jesus no mundo moderno".

Sobre o papel da mídia na evangelização do mundo atual, os jornalistas poloneses e russos destacaram que "a mídia cristã deve se opor à secularização e ajudar a sociedade civil a preservar a identidade e compartilhar o Evangelho, para aprender a viver nos tempos modernos".

Neste dia 1º de dezembro, o cardeal Stanislaw Dziwisz, arcebispo de Cracóvia, também se encontrou com o metropolita Hilarion.


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Cultura e Sociedade
Espanha: socialistas querem denunciar os acordos do país com a Santa Sé 
Membros do partido admitem que não fizeram a denúncia durante o governo Zapatero porque a batalha da esquerda na época estava focada no direito ao aborto e ao casamento homossexual


MADRI, 03 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - O Partido Socialista Espanhol (PSOE) apresentou nesta segunda-feira, 2, um pedido ao governo espanhol para "denunciar imediatamente" os acordos do país com a Santa Sé, além de elaborar em até seis meses uma Lei Orgânica de Liberdade Religiosa e de Consciência e estabelecer um protocolo civil que garanta a aconfessionalidade dos atos solenes do Estado.

O PSOE quer substituir ou suprimir os acordos vigentes desde 1979 entre a Espanha e a Santa Sé e renegociá-los de zero. Os acordos, que substituíram os de 1953, foram aprovados com amplíssima maioria no parlamento.

A vice-secretária geral do PSOE, Elena Valenciano, anunciou que o grupo parlamentar do congresso apresentará esta iniciativa "aberta ao diálogo" com todos os outros grupos para conseguir o "maior apoio possível".

Após a reunião da executiva federal, Valenciano explicou, em entrevista coletiva, que os socialistas levam à prática desta forma o anúncio feito há dezoito meses pelo secretário geral, Alfredo Pérez Rubalcaba, recentemente ratificado pela Conferência Política do PSOE.

Se a proposta for rejeitada pelo Partido Popular (PP), hoje no governo, o seu conteúdo se transformará em "compromisso de programa eleitoral dos socialistas", informa a representante do PSOE.

Elena Valenciano destacou também a "origem pré-constitucional" dos acordos do Estado espanhol com a Santa Sé e justificou a iniciativa com base na "nova realidade" da sociedade espanhola, mais laica e com maior pluralismo religioso. "Com todo o respeito que todas as crenças merecem, nós acreditamos que esta nova realidade da pluralidade religiosa e da secularização tem que se refletir em nosso ordenamento jurídico".

Para os socialistas, a atuação do PP no executivo "desequilibrou a situação" e "rompeu" os princípios que regem uma sociedade laica. "Em algumas iniciativas legislativas é notável uma influência direta da hierarquia eclesiástica", lamenta a vice-secretária do PSOE. Mais ainda: segundo o partido socialista, a hierarquia católica "tenta transformar as suas crenças em leis para todos".

Após ressaltar que o PSOE "cumpriu escrupulosamente" os acordos com a Igreja católica durante os mais de vinte anos em que governou a Espanha, Elena Valenciano reconheceu que "provavelmente" teria sido melhor denunciar os acordos quando o partido ainda governava.

A representante do PSOE argumentou, porém, que, durante a gestão de José Luis Rodríguez Zapatero, os socialistas estavam "envolvidos numa batalha importante relacionada com o direito ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo", o que "abriu uma brecha com a Igreja no âmbito dos direitos civis" e fez com que o momento não fosse o mais oportuno para que o governo socialista denunciasse os acordos entre Espanha e Santa Sé. Valenciano completa: "Não fizemos isso na época, mas achamos que agora é a hora certa".


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Croácia: 65% votam contra o casamento gay 
700 mil assinaturas foram coletadas para garantir a consulta popular

Por Redacao


ROMA, 02 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Os croatas foram às urnas neste domingo para participar de um plebiscito em que votaram majoritariamente a favor do matrimônio cristão, opondo-se ao casamento gay.

64,84% dos eleitores reiteraram que o matrimônio só pode ser realizado entre um homem e uma mulher. 35,56% dos votantes foram contra. A participação foi de 40% do eleitorado, já que o voto na Croácia não é obrigatório. Os dados ainda são preliminares.

A Croácia, que entrou em julho deste ano na União Europeia, destaca com este resultado o seu distanciamento de outros países do bloco, que já aceitaram não somente o casamento gay, mas também a adoção de menores por parte de casais homossexuais.

A iniciativa do plebiscito partiu de uma associação católica que levantou 740.000 assinaturas num país cuja população total é de apenas 4,3 milhões de pessoas. O objetivo da consulta popular é garantir que a constituição não aceite as uniões homossexuais. O coletivo homossexual tachou a iniciativa de homofóbica.

O primeiro-ministro croata, o socialdemocrata Zoran Milanovic, votou contra a rejeição ao casamento gay e chegou a lamentar o fato de não ter podido evitar o plebiscito.


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Mundo
Religiosas sequestradas na Síria estão bem 
Madre superiora fala ao telefone com o Patriarcado grego ortodoxo


ROMA, 05 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - As treze freiras sequestradas na segunda-feira passada, do convento ortodoxo de Santa Tecla, na cidade de Maalula, Síria, por um grupo islâmico não identificado, estão bem e se encontram na cidade de Yabrud, próximo a Damasco. Informaram fontes eclesiais à agencia espanhola EFE.

O núncio apostólico na Síria, Dom Zenari disse que "a madre superiora pôde falar ontem de noite por telefone com o Patriarcado grego-ortodoxo em Damasco e lhes disse que as religiosas estavam bem".

As freiras são da cidade de Tecla, localidade de maioria cristã, onde ainda se fala um dialeto aramaico, similar ao falado por Cristo. 

Na Audiência Geral de quarta-feira, 4 de dezembro, o Papa Francisco pediu aos fiéis presentes na Praça de São Pedro, oração pelas freiras: "Rezemos por essas irmãs e por todas as pessoas sequestradas por causa do atual conflito. Continuemos a rezar e a atuar pela paz".

O secretário de estado, Dom Pietro Parolin foi porta-voz da Santa Sé nesta ocasião, e por ocasião da situação na Síria. Encontrando-se, pela primeira vez, com os jornalistas, em uma conferência de imprensa, o bispo declarou: "Nós acompanhamos principalmente através da Nunciatura apostólica que nos informa sobre a situação. É um episódio que aumenta nossa preocupação em relação a grave situação enfrentada pelos cristãos, em particular, a população síria". O Santo Padre – acrescentou - fez muitos apelos pela paz, pela pacificação da Síria, e, portanto, a Santa Sé continuará a fazê-lo. E veremos também durante a Conferência de Genebra, qual a contribuição poderemos dar".

Segundo autoridades locais, os sequestradores são terroristas financiados pelo exterior, entre eles a Frente Nusra, ligada à Al Qaeda. Por parte dos rebeldes islâmicos chegou uma declaração de que não foi um sequestro, mas uma "evacuação de residentes para outras partes do Al Qalamun, incluindo Yabrud" para protegê-los de bombardeio. Afirmou o porta-voz do Conselho Militar de oposição de Damasco, Musab al Jair, à EFE. Ele informou também que as religiosas estão protegidas "por medo de que o regime cometa um ato que envolva os revolucionários".

O porta-voz também anunciou que as treze irmãs "serão libertadas, com segurança garantida, em algum lugar no Al Qalamun, em resposta ao pedido da família cristã". O exército do presidente Bashar al -Assad se encontra em uma ofensiva para retomar o controle da área de Al Qalamun, na fronteira com o Líbano. 


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Renovado compromisso com a alfabetização no Brasil 
Movimento de Educação de Base utiliza método que parte de temas importantes para a comunidade


BRASíLIA, 05 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Há mais de 50 anos promovendo projetos de educação popular, o Movimento de Educação de Base (MEB) realizou, entre os dias 2 e 4 de dezembro, seminário sobre a conjuntura das Políticas Públicas e da Educação Popular relacionada à estrutura social, cultura, política e econômica brasileira. O evento, ocorrido em Brasília (DF), reuniu os seis bispos que acompanham o organismo vinculado à CNBB, os educadores do conselho pedagógico e a equipe executiva.

Segundo o secretário executivo do MEB, padre Gabrielle Cipriani, a instituição teve destaque pela formação de grupos de pessoas pobres e analfabetas, com um método que parte de um diálogo sobre um tema importante da vida da comunidade. Só depois, teve início o processo de alfabetização. "As pessoas são alfabetizadas não apenas no ler e escrever, mas também na capacidade de compreender a conjuntura vivida pela sociedade brasileira", explica.

O MEB alfabetizou milhares de pessoas, e muitos dos grupos deram origem a comunidades eclesiais de base, sindicatos e movimentos populares. Com a diminuição dos recursos, desde a década de 2000 foi preciso reorganizar as suas ações. "Hoje, atuamos com núcleos de professores que desenvolvem projetos de alfabetização em diversas regiões do país", explica padre Gabriele. Ele ressalta o trabalho realizado no estado do Maranhão, onde 55 municípios possuem grupos de educação popular, inclusive na capital do Estado. "Também estamos presentes em diversos assentamentos rurais na região nordeste e no interior de São Paulo. Onde não tem escola, onde não tem a estrutura, nós oferecemos o nosso apoio", completa.

(CNBB/ Red.MEM)


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JMJ Cracóvia 2016: P2P - People to people, prayer to prayer 
Organização lança campanha para começar a preparar a Jornada Mundial da Juventude

Por Maria Emilia Marega Pacheco


FORTALEZA, 03 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - A organização da JMJ Cracóvia 2016 lançou, através do site oficial (krakow2016), a campanha "P2P - People to people, prayer to prayer" (P2P), que significa "pessoa a pessoa, oração a oração".

A campanha incentiva a rezar o rosário por intenções compartilhadas entre os participantes. A ação principal é a troca de terços entre as pessoas nas comunidades e paróquias: "Quando você dá um rosário para alguém, revele sua intenção e peça oração. Ao mesmo tempo escute as intenções da pessoa com a qual você está trocando o rosário. Carregando o rosário ao longo do dia, você estará carregando os seus segredos, aqueles ditos e os não ditos".

Para aqueles que não poderão trocar rosários 'face to face' (cara a cara), a campanha oferece um evento no Facebook. "Se você quiser compartilhar seus segredos, vá ao evento e descubra alguém que também deseja fazer o mesmo."

"O Advento é o tempo perfeito para começar o P2P – people to people, prayer to prayer". Lê-se no texto da campanha. "Não existe ideia melhor para começar a preparar a JMJ do que a oração comum. E para rezar, o rosário é uma necessidade. Porque o rosário é o povo. Povo vivo."

A organização também explica o que é o rosário não é apenas um método de oração, uma devoção da Igreja, uma atitude religiosa, mas também uma pessoa viva, com tudo o que isso implica, toda a sua vida, todos os seus segredos. 

"No tempo do Advento queremos reavivar 'isso' em nós e queremos ser reavivados por 'isso'".


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Islâmicos sequestram doze religiosas ortodoxas 
Notícia foi confirmada por dom Mario Zenari, núncio do Vaticano em Damasco

Por Redacao


ROMA, 03 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Rebeldes islâmicos sequestraram na tarde de ontem, 2 de dezembro, 12 freiras do mosteiro grego ortodoxo de Santa Tecla, em Maalula, ao norte de Damasco. A notícia foi confirmada por dom Mario Zenari, núncio do Vaticano em Damasco, durante contato com o patriarcado ortodoxo grego, que, através do diplomata vaticano, "faz um apelo a todos os católicos para rezarem pelas religiosas".

A notícia foi veiculada pela agência Asia News. "Os homens armados atacaram na tarde de hoje [ontem, 2 de dezembro, ndr] o mosteiro de Santa Tecla em Maalula e mantêm doze religiosas reféns". As freiras estão sendo levadas por um contingente de rebeldes islâmicos para Yabrud, a cerca de 80 km ao norte da capital síria. O núncio e a Igreja ortodoxa grega desconhecem os motivos da ação violenta.

Os rebeldes do Free Syrian Army invadiram o povoado ainda no dia 5 de setembro, derrotando as tropas do regime com o apoio da brigada Al-Nousra, vinculada à Al-Qaeda. Depois de tomar o controle da cidade, os rebeldes islâmicos radicais começaram a profanar os edifícios cristãos e mataram três jovens católicos.

Em busca de abrigo, toda a população cristã local, de mais de 3 mil pessoas, fugiu para Bab Touma, o bairro cristão de Damasco. Alguns conseguiram chegar com suas famílias ao Líbano ou aos conventos da Igreja greco-católica da região. Desde então e até agora, os únicos habitantes que restaram em Maaloula eram muçulmanos e as cerca de quarenta freiras do mosteiro de Santa Tecla, que permaneceram no povoado para cuidar de dezenas de crianças que ficaram órfãs por causa dos conflitos.

Maaloula é cenário de intensos combates entre o exército e os rebeldes sírios, no meio dos quais há muitos membros da milícia extremista Jabat-Al-Nousra. Os enfrentamentos se concentram principalmente na parte alta da cidade, a mais antiga, sede do mosteiro grego ortodoxo de Santa Tecla e dos santos greco-católicos Sérgio e Baco.

Os rebeldes têm lançado ataques contínuos contra o exército que controla a parte baixa da cidade. Fontes da AsiaNews destacam que a luta vem se intensificando: "O exército quer recuperar todos os povoados ao norte de Damasco e lançou uma ofensiva dura contra os rebeldes, que se opõem ao avanço tentando conservar as áreas sob seu controle 'a ferro e fogo'".


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Regnum Christi: primeira assembleia geral das consagradas 
Delegado pontifício preside evento que vai até 18 de dezembro: 42 consagradas participam neste marco da renovação do movimento


ROMA, 03 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - A primeira assembleia geral das consagradas do movimento Regnum Christi começou nesta segunda-feira em Roma e tem como objetivo principal aprovar a proposta do estatuto e eleger o novo governo geral, informou o departamento de comunicação da congregação dos Legionários de Cristo.

A assembleia é presidida pelo cardeal Velasio De Paolis, delegado pontifício, que afirmou: "Este é um momento conclusivo do processo de renovação pedido pelo Santo Padre". De Paolis considera que o caminho foi "longo, mas frutífero", e que "a descoberta do Regnum Christi e da vida consagrada foi um motivo de alegria". Na assembleia, que vai até 18 de dezembro, participam 42 consagradas, 15 por ofício e 27 eleitas por votação.

As consagradas revisarão e aprovarão o rascunho do estatuto para a vida consagrada feminina no Regnum Christi. Todas as consagradas vêm participando de um processo de reflexão e revisão há um ano e meio, com foco na redação do estatuto. Uma vez aprovado na assembleia, o texto será entregue à Santa Sé para aprovação definitiva.

De Paolis afirmou que o processo de renovação procurou criar autonomia para cada realidade do Regnum Christi, já que "a alteridade é o que torna possível entrar em comunhão com o outro" e o estatuto é um meio para isso: "Ele tem que refletir a identidade das mulheres consagradas, a sua autonomia e estilo de vida".

A assembleia tem como segundo objetivo eleger um novo governo geral, o primeiro que as consagradas implantam para si mesmas dentro de uma assembleia. O novo governo exercerá o seu mandato durante os próximos seis anos.

A situação das consagradas será analisada à luz do relatório de governo preparado pelas diretoras atuais. Além das pautas para os próximos seis anos, serão abordados ainda os vários temas sugeridos à assembleia ao longo dos últimos meses.

Participam da assembleia 42 consagradas, 15 por ofício e 27 eleitas por votação. As idades variam de 34 a 64 anos, com média de 45. As participantes procedem de vários países da Europa e das Américas.

Participam ainda, como representantes das consagradas sem promessas definitivas, três consagradas de 22 e 24 anos de idade. Também estará presente o pe. Agostino Montán, CSI, conselheiro do delegado pontifício e encarregado das consagradas do Regnum Christi. Com direito a voz, mas não a voto, participarão o pe. Sylvester Heereman, L.C, Jorge López e Iliano Piccolo, como representantes, respectivamente, da Legião de Cristo, dos consagrados e dos leigos não consagrados do Regnum Christi.

Por último, como já fizeram os consagrados e como ainda farão os Legionários de Cristo em seu capítulo geral, agendado para janeiro, as consagradas revisarão o rascunho de um convênio sobre a maneira de organizar as realidades que compõem o Regnum Christi, garantindo a autonomia de cada parte e tutelando a comunhão.

Termina assim uma fundamental etapa do processo de renovação que Bento XVI iniciou para o Regnum Christi em 2010 e que continuará em marcha para amadurecer a configuração jurídica definitiva para o movimento.


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"No Natal, volte às origens": uma campanha em prol das crianças palestinas 
Iniciativa da ATS pro Terra Sancta quer ajudar as famílias de Belém

Por Redacao


ROMA, 04 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - "No Natal, volte às origens" é o nome da campanha lançada pela ATS pro Terra Sancta a fim de ajudar as crianças e as famílias de Belém. A intenção é apoiar os mais vulneráveis​​, ou seja, as crianças pobres, daquele lugar tão especial da Terra Santa em que o próprio Deus se tornou criança.

"Com os recursos arrecadados, queremos apoiar a educação das crianças carentes e com problemas de aprendizagem", diz o padre Pizzaballa, custódio da Terra Santa, "além de proporcionar assistência médica essencial".

"Neste Advento, Belém está cheia de festa, de alegria, de pessoas que visitam a cidade para reviver aquele momento que mudou a história da humanidade", comenta o padre. "Mas existem muitas dificuldades e quem mais sofre com um sistema social extremamente frágil são os mais vulneráveis, as crianças".

"Há muitas crianças em Belém que recebem ajuda dos irmãos, crianças que, sem esse apoio, não teriam esperanças. Nascer em Belém, hoje, significa vir ao mundo numa terra difícil, marcada pelo sofrimento e pela pobreza. A comunidade cristã", continua Pizzaballa, "está diminuindo ano após ano. Mais e mais pessoas são forçadas a emigrar. Quem fica está lutando para cuidar dos filhos, para mantê-los na escola. Nos territórios palestinos não há nenhuma forma de assistência pública à saúde: os cuidados relacionados com qualquer tipo de doença são bancados pelas famílias, que muitas vezes não têm como arcar com tanto dinheiro, especialmente no caso de doenças crônicas ou de cuidados urgentes".

"O nosso objetivo, este ano, como frades franciscanos da Custódia da Terra Santa, é destinar 200.000 euros para Belém. E acreditamos que, com uma pequena contribuição de todos, podemos ajudar 300 famílias palestinas e 250 crianças".


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Espiritualidade
Natal com Jesus é Natal 
Não temeis, eis que vos anuncio uma Boa Nova: ... hoje vos nasceu o Salvador que é o Cristo Senhor (Lucas 2, 10 11)

Por Pe. Reginaldo Manzotti


CURITIBA, 06 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Nos últimos anos, percebemos a necessidade de resgatar, de forma urgente e enfática, o verdadeiro sentido do Natal. Por isso, neste ano, na sua casa, permita que o aniversariante, Jesus Cristo, seja o centro das festividades. E com o tema "Natal com Jesus é Natal", vamos propor um Natal capaz de despertar na sociedade, os sentimentos de solidariedade e paz.

Para tal, propomos atitudes simples, mas que podem fazer a diferença:

* Valorize o uso da imagem do Menino Jesus e do presépio nas decorações natalinas, tanto em casa, como nas escolas, comércios e demais ambientes.

* Organize-se para fazer a novena de Natal no seu grupo de orações ou círculo bíblico. Prepare uma manjedoura simples, que possa estar a cada dia, no centro da sala com uma vela.

* Incentive a produção de autos de Natal por grupos jovens, nas igrejas, salões paroquiais e praças.

* Promova exposições de presépios dos mais variados tipos e criatividades.

* Na sua comunidade ou capela, deixe ao lado do presépio um cesto e estimule as pessoas a levar um "presente para Jesus". Isto é, um quilo de alimento, roupas ou brinquedos para serem repassados à pastoral social de sua comunidade.

* Por fim, arrume seu lar: acenda as luzes do AMOR; faça a faxina do PERDÃO; prepare um pinheiro de Natal com lindos enfeites de VIRTUDES; e elabore uma ceia, onde os pratos principais serão a UNIÃO e a PAZ.

Que em 2013, quando José e Maria passarem por nossas casas, na noite de Natal, encontrem portas e corações abertos para acolhê-los.

Com muito carinho, aproveito para desejar a todos um santo e feliz Natal.

Deus abençoe você!

Padre Reginaldo Manzotti é coordenador da Associação Evangelizar é Preciso – Obra sem fins lucrativos, benfeitora nacional, que objetiva a evangelização pelos meios de comunicação – e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR). Apresenta diariamente programas de rádio e TV que são retransmitidos e exibidos em parceria com milhares de emissoras no país e algumas no exterior e também colaborador da edição de ZENIT português. Site: www.padrereginaldomanzotti.org.br. Facebook: www.facebook.com/padrereginaldomanzotti. Twitter: @padremanzotti


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A confissão cura a alma 
Cardeal Mauro Piacenza convida todos os fiéis a viverem o sacramento da reconciliação, a começar pelos sacerdotes

Por Antonio Gaspari


ROMA, 05 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - "Todos os grandes santos confessores, como o Cura d'Ars, São Leopoldo Mandic, São Pio de Pietrelcina, também analisavam cuidadosamente o seu próprio estado de saúde espiritual, utilizando-se muitas vezes do confessionário", explicou o cardeal Mauro Piacenza na abertura da 3ª Semana Internacional da Reconciliação, realizada no final de novembro em San Giovanni Rotondo.

O cardeal afirmou que a frase "Creio na remissão dos pecados" é uma antiga profissão de fé, de origem romana, tradicionalmente ligada o anúncio dos próprios apóstolos, e que atingiu a sua formulação definitiva já no século II, embora pequenas variações no texto possam ter ocorrido no período carolíngio.

Em sua raiz, o Credo dos Apóstolos é uma forma extraordinária de professar a fé, afirmou o cardeal, recordando que "Cristo derramou o dom do Espírito Santo sobre os apóstolos vinculando-o à remissão dos pecados cometidos pelos homens".

Apontando no batismo "a primeira e principal forma de remissão dos pecados por obra do Espírito Santo", Piacenza declarou que o batismo e a penitência estão intimamente ligados, já que esta última é referida muitas vezes como um "segundo batismo" ou até mesmo como a "segunda penitência", reconhecendo o batismo como a primeira.

O papa Francisco, recentemente, perguntou aos fiéis se eles sabiam o dia em que foram batizados, para comemorá-lo como se comemora o aniversário de nascimento. Disse o papa: "Quando vamos confessar as nossas fraquezas, os nossos pecados, nós pedimos o perdão de Jesus e também renovamos o batismo com esse perdão. E isso é bonito, é como comemorar o dia do nosso batismo em cada confissão".

De acordo com o penitenciário-mor, o batismo e a confissão reabrem as portas que estavam fechadas por causa das nossas fraquezas. "Deixar-se perdoar por Deus, deixar-se amar pelo amor divino que purifica, é um aspecto fundamental do nosso ser cristãos e, em particular, do nosso ser sacerdotes", ressaltou, acrescentando que um padre "que não se reconcilia com Deus dificilmente será um bom reconciliador dos homens com Deus".

"Ao levantar a mão em bênção e pronunciar a fórmula prescrita de absolvição, o que o sacerdote faz é emprestar o seu corpo e a sua voz para o próprio Senhor, que banha a alma do penitente com o mérito do seu precioso sangue expiatório: aquele sangue que, juntamente com a água, símbolo batismal, fluiu do seu lado sagrado na cruz".

A confissão, prosseguiu o cardeal, não é um trabalho de rotina, muito menos um "aconselhamento", mas um "mistério da fé" e um "sinal sacramental". "É preciso lembrar que o padre, no confessionário, como em outros âmbitos do seu ministério, não fala em seu próprio nome, mas em nome de Cristo e da Igreja, da qual ele é humilde ministro". E esta mesma palavra, do latim minister, significa precisamente servo, "aquele que está a serviço".

Como humildes trabalhadores na vinha do Senhor, acrescentou Piacenza, "nós não somos chamados a reinventar a doutrina e a moral. O que nós temos é o dever de orientar as consciências à luz delas".

O cardeal exortou os sacerdotes a se manterem disponíveis para ouvir as confissões individuais dos fiéis: "É altamente desejável que todos os dias haja um padre no confessionário, inclusive em horários determinados, para que as pessoas possam vê-lo à espera das almas que precisam ser reconciliadas com Deus".

"A experiência ensina que os fiéis recebem este sacramento com alegria nos locais em que eles sabem e veem que há sacerdotes disponíveis. E não podemos nos esquecer da possibilidade de facilitar o recurso dos fiéis ao sacramento da reconciliação e da penitência também durante a celebração da Santa Missa".


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Análise
A propagação da escravidão moderna 
Uma chaga que afeta dezenas de milhões de pessoas

Por John Flynn, LC


ROMA, 02 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Rodou o mundo a notícia das três mulheres mantidas em cativeiro em um quarto de Londres. O fato chamou a atenção sobre o problema da escravidão e do tráfico de pessoas.

Em 2012 o Human Trafficking Center britânico, órgão da National Crime Agency, declarou ter identificado 2.225 potenciais vítimas do tráfico humano, com um aumento de 178 unidades ( +9%) com relação ao 2011 (BBC, 22 de novembro) .

O relatório sublinha que os dois tipos de exploração mais comuns são a exploração sexual (35% das vítimas potenciais), seguido pela exploração laboral (23%) .

Entre as notícias mais recentes sobre o tema, na semana passada, o Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU anunciou que o Relator Especial das Nações Unidas, Gulnara Shahinian, teria visitado o Gana do 22 ao 29 de novembro, para monitorar a situação no que diz respeito às práticas de escravidão no país.

Em outubro, a enorme extensão da escravidão foi revelada em um dossiê publicado pela Walk Free Foundation, com sede em Perth (Western Austrália).

A fundação, que tem 20 membros na equipe, foi instituída no mês de maio do ano passado por Andrew Forrest – presidente do Fortescue Metals Group – e por sua mulher Nicola. Fortescue Metals é uma das vinte mais importantes companhias australianas e o quarto maior fornecedor de ferro no mundo.

A relação inaugural do "Índice Global da Escravidão" afirmou que 29,8 milhões de pessoas em todo o mundo são escravizadas.

A Índia tem o maior número em absoluto de pessoas na escravidão, com aproximadamente 14 milhões de pessoas, que, como observou o relatório, são quase a metade da totalidade mundial. Não é tanto uma questão de estrangeiros explorados, observa o relatório, mas de muitos indianos vítimas da servidão por dívidas e pelo trabalho forçado.

Em termos globais a China é o segundo, com 2,9 milhões de escravizados. Os outros países do top 10 são o Paquistão, Nigéria, Etiópia, Rússia, Tailândia, República Democrática do Congo, Mianmar e Bangladesh. O top 10 inclui mais de 22 milhões de escravizados.

Se olhamos em termos de proporção com a população, a escravidão está no mais alto nível na Mauritânia, onde se estima cerca de 150 mil escravos em uma população de apenas 3,8 milhões de habitantes. Haiti e Paquistão estão respectivamente no segundo e terceiro lugar neste ranking.

A escravidão moderna, explica o relatório, não é bem compreendida e é também escondida, com criminosos que usam uma grande variedade de meios para permiti-la e racionalizá-la.

Embora a maioria das formas de escravidão sejam ilegais, o relatório assinala que as leis raramente são reforçadas. O relatório dos EUA sobre tráfico de pessoas do 2013 afirma que 46.570 vítimas do tráfico de seres humanos foram oficialmente identificadas em 2012. Houve, no entanto, somente 7.705 processos penais e 4.750 condenações registradas globalmente.

A prevalência da escravidão está ligada a outros fatores, de acordo com o relatório. Por exemplo, há uma alta correlação entre a escravidão e a corrupção. Níveis mais baixos de desenvolvimento humano e bem-estar econômico são outros tópicos relacionados.

Há algum tempo o Vaticano está comprometido com a questão da escravidão e do tráfico humano. O exemplo mais recente foi quando, no início de novembro, a Pontifícia Academia das Ciências Sociais, em colaboração com a Federação Mundial das Associações Médicas Católicas, realizou aquilo que foi chamado de "worskshop preparatório" sobre o assunto.

"Toda relação que omite respeitar a fundamental convicção que cada pessoa – homem, mulher, menino, menina – é igual às outras e tem a mesma liberdade e dignidade, constitui um grave crime contra a humanidade", afirma a declaração final do encontro do passado 2 e 3 de novembro.

Há uma "necessidade urgente" de que se continue, para que se coloque fim ao tráfico de seres humanos.

"É nossa obrigação moral fazer de nós mesmos a última geração que deverá combater o tráfico de seres humanos", acrescenta a declaração final.

O documento conclui com uma série de recomendações do Vaticano, das organizações internacionais, das empresas e dos governos, com relação à prática que deve ser feita.

O Papa abordou a questão da escravidão na recentíssima Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. "Sempre causou-me dor a situação daqueles que são objeto das diferentes formas de tráfico de pessoas. Gostaria que se escutasse o grito de Deus que pede a todos vós: "Onde está o seu irmão?" (Gn 4, 9) (EG 211).

O Papa, então, se pergunta: "Onde está o teu irmão escravo? Onde está o irmão que estás matando cada dia na pequena fábrica clandestina, na rede da prostituição, nas crianças usadas para a mendicidade, naquele que tem de trabalhar às escondidas porque não foi regularizado?" 

" Não nos façamos de distraídos!", exorta o Papa Francisco, destacando que "há muita cumplicidade".

" Nas nossas cidades, está instalado este crime mafioso e aberrante, e muitos têm as mãos cheias de sangue devido a uma cómoda e muda cumplicidade", acrescentou o Papa.

Tradução Thácio Siqueira


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Audiência de quarta-feira
O papa reza pelas freiras ortodoxas sequestradas na Síria por rebeldes islâmicos 
Audiência geral na praça de São Pedro: Francisco afirma que a ressurreição de Jesus é a prova da ressurreição dos mortos

Por Rocio Lancho García


ROMA, 04 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - As baixas temperaturas começam a se fazer sentir com força na capital italiana, mas ainda não impedem milhares de fiéis de ir à praça de São Pedro para participar da audiência com o papa. Mesmo já sendo bem menor a quantidade de peregrinos que participa, devido ao clima desta época, havia hoje em torno de 30.000 fiéis reunidos para ouvir a catequese de Francisco, com o mesmo entusiasmo e alegria de quando as temperaturas são mais agradáveis.

O santo padre chegou à praça às 9h45, no papamóvel aberto, e dedicou meia hora a percorrê-la com calma, dando atenção a cada criança que lhe aproximavam para pedir a bênção. Bandeiras, cartazes e flashes das câmaras acompanhavam todo o trajeto do santo padre, ao som da banda musical do Vaticano.

A catequese desta manhã deu continuidade ao tema da semana passada, "a ressurreição da carne".

No resumo em espanhol, Francisco disse:

"Queridos irmãos e irmãs, voltamos hoje a falar sobre a afirmação 'creio na ressurreição da carne'. Não é fácil entendê-la quando estamos imersos neste mundo, mas o Evangelho nos esclarece: a ressurreição de Jesus é a prova de que a ressurreição dos mortos existe. A fé em Deus, criador e libertador de todo o homem, de alma e corpo, já abre o caminho para a esperança na ressurreição. Esta esperança se cumpre na pessoa de Jesus, que é 'a ressurreição e a vida'; que nos tomou consigo na sua volta ao Pai no Reino glorioso. A onipotência e a fidelidade de Deus não se detêm às portas da morte. Cristo está sempre conosco, vem todos os dias e virá no final. Então Ele ressuscitará também o nosso corpo na glória, não o devolverá ao mundo terrenal. Vivendo desta fé, seremos menos prisioneiros do que é efêmero, menos prisioneiros do que é passageiro. Essa transfiguração do nosso corpo já vai sendo preparada nesta vida através do encontro com Cristo Ressuscitado, especialmente na Eucaristia, na qual nos alimentamos do seu Corpo e do seu Sangue. De certo modo, já ressuscitamos agora, participamos por meio do batismo em uma vida nova, participamos do mistério de Cristo morto e ressuscitado. Temos uma semente de ressurreição, uma centelha de eternidade, que sempre torna toda vida humana digna de respeito e de amor".

A seguir, o papa saudou "com afeto os peregrinos vindos dos países latino-americanos. Que todos nós demos testemunho alegre dessa condição de vida eterna rumo à qual caminhamos".

Na saudação em italiano, o santo padre recordou que ontem celebrava-se a memória de São Francisco Xavier, padroeiro da missões. "Este santo sacerdote nos lembra o compromisso de cada um de anunciar o Evangelho". O papa pediu: "Queridos jovens, sejam valentes testemunhas da sua fé; queridos doentes, ofereçam a sua cruz cotidiana pela conversão de quem está longe da luz da Igreja; e vocês, queridos recém- casados, vocês são anunciadores do amor de Cristo a partir da sua família".

Depois das saudações aos peregrinos e do resumo da catequese nas várias línguas e antes de encerrar a audiência, o papa convidou a todos a rezar "pelas freiras do mosteiro greco-ortodoxo de Santa Tecla, em Ma'lula, na Síria, que há dois dias foram levadas à força por homens armados. Rezemos por essas freiras, essas irmãs, e por todas as pessoas sequestradas por causa do conflito que está acontecendo. Continuemos rezando e trabalhando juntos pela paz". Todos os fiéis presentes, junto com Francisco, rezaram então uma ave-maria.

Terminada a audiência, o papa voltou a dedicar tempo e ternura a cada uma das pessoas que foi cumprimentando: desde os bispos até as crianças de colo, passando pelos enfermos e pelos recém-casados. Cada um recebeu palavras, sorriso e bênção do santo padre.

A banda musical, como de costume, acompanhou esse momento de contato entre o papa e o povo. Hoje, em clima de preparação para o natal, ela incluiu o popular "Jingle Bells".


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Creio na ressurreição da carne: verdade não simples e longe de ser óbvia 
Palavras do Papa Francisco pronunciadas durante a Audiência Geral desta quarta-feira


CIDADE DO VATICANO, 04 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Publicamos a seguir as palavras do Papa Francisco dirigidas aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a Audiência Geral desta quarta-feira, 04 de dezembro. 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje retorno ainda com a afirmação "Creio na ressurreição da carne". Trata-se de uma verdade não simples e longe de ser óbvia, porque, vivendo imersos neste mundo, não é fácil compreender as realidades futuras. Mas o Evangelho nos ilumina: a nossa ressurreição está estreitamente ligada à ressurreição de Jesus; o fato de que Ele ressuscitou é a prova de que existe a ressurreição dos mortos. Gostaria, então, de apresentar alguns aspectos que dizem respeito à relação entre a ressurreição de Cristo e a nossa ressurreição. Ele ressuscitou e porque Ele ressuscitou também nós ressuscitaremos.

Antes de tudo, a própria Sagrada Escritura contém um caminho para a fé plena na ressurreição dos mortos. Esta se exprime como fé em Deus criador de todo o homem – alma e corpo – e como fé em Deus libertador, o Deus fiel à aliança com o seu povo. O profeta Ezequiel, em uma visão, contempla os sepulcros dos deportados que são re-abertos e os ossos secos voltando a viver graças à infusão de um espírito vivificante. Esta visão exprime a esperança na futura "ressurreição de Israel", isso é, no renascimento do povo dizimado e humilhado. (cfr Ez 37,1-14).

Jesus, no Novo Testamento, cumpre esta revelação, e liga a fé na ressurreição à sua própria pessoa e diz: "Eu sou a ressurreição e a vida" (Jo 11, 25). De fato, será Jesus o Senhor que ressuscitará no último dia quantos acreditaram Nele. Jesus veio entre nós, fez-se homem como nós em tudo, exceto no pecado; deste modo, levou-nos consigo em seu caminho de retorno ao Pai. Ele, o Verbo encarnado, morto por nós e ressuscitado, doa aos seus discípulos o Espírito Santo como penhor da plena comunhão no seu Reino glorioso, que esperamos vigilantes. Esta espera é a fonte e a razão da nossa esperança: uma esperança que, se cultivada e protegida – a nossa esperança, se nós a cultivamos e a protegemos – torna-se luz para iluminar a nossa história pessoal e também a história comunitária. Recordemos isso sempre: somos discípulos d'Aquele que veio, vem todos os dias e virá no final. Se conseguirmos ter mais presente essa realidade, estaremos menos cansados do cotidiano, menos prisioneiros do efêmero e mais dispostos a caminhar com coração misericordioso na via da salvação

Um outro aspecto: o que significa ressuscitar? A ressurreição de todos nós virá no último dia, no fim do mundo, por obra da onipotência de Deus, O qual restituirá a vida ao nosso corpo reunindo-o à alma, em força da ressurreição de Jesus. Esta é a explicação fundamental: porque Jesus ressuscitou, nós ressuscitaremos; nós temos a esperança na ressurreição porque Ele nos abriu a porta para esta ressurreição. E esta transformação, esta transfiguração do nosso corpo é preparada nesta vida de relacionamento com Jesus, nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia. Nós, que nesta vida somos alimentados pelo seu Corpo e Sangue, ressuscitaremos como Ele, com Ele e por meio Dele. Como Jesus ressuscitou com o seu próprio corpo, mas não retornou a uma vida terrena, assim nós ressurgiremos com os nossos corpos que serão transfigurados em corpos gloriosos. Mas isto não é uma mentira! Isto é verdade. Nós acreditamos que Jesus ressuscitou, que Jesus está vivo neste momento. Mas vocês acreditam que Jesus está vivo? E se Jesus está vivo, vocês pensam que nos deixará morrer e não nos ressuscitará? Não! Ele nos espera, e porque Ele ressuscitou, a força da sua ressurreição ressuscitará todos nós.

Um último elemento: já nesta vida, temos em nós uma participação na Ressurreição de Cristo. Se é verdade que Jesus nos ressuscitará no fim dos tempos, é também verdade que, por um certo aspecto, com Ele já ressuscitamos. A vida eterna começa já neste momento, começa durante toda a vida, que é orientada para aquele momento da ressurreição final. E já ressuscitamos, de fato, mediante o Batismo, fomos inseridos na morte e ressurreição de Cristo e participamos da vida nova, que é a sua vida. Portanto, à espera do último dia, temos em nós mesmos uma semente de ressurreição, aquela antecipação da ressurreição plena que receberemos por herança. Por isto, o corpo de cada um de nós é ressonância de eternidade, então deve ser sempre respeitado; e, sobretudo; deve ser respeitada e amada a vida de quantos sofrem, para que sintam a proximidade do Reino de Deus, daquela condição de vida eterna para a qual caminhamos. Este pensamento nos dá esperança: estamos em caminho rumo à ressurreição. Ver Jesus, encontrar Jesus: esta é a nossa alegria! Estaremos todos juntos – não aqui na praça, mas em outro lugar – mas alegres com Jesus. Este é o nosso destino!

(Trad.: CN notícias)


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'A Lógica da Criação'


Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim




“Se não fosse a Santa Comunhão, eu estaria caindo continuamente. A única coisa que me sustenta é a Santa Comunhão. Dela tiro forças, nela está o meu vigor. Tenho medo da vida, nos dias em que não recebo a Santa Comunhão. Tenho medo de mim mesma. Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim. Do Sacrário tiro força, vigor, coragem e luz. Aí busco alívio nos momentos de aflição. Eu não saberia dar glória a Deus, se não tivesse a Eucaristia no meu coração.”



(Diário de Santa Faustina, n. 1037)

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